Crítica
Os melhores discos de 2025 até agora!

Mudamos algumas coisas no Pop Fantasma nos últimos tempos – e houve mudanças básicas em março. O site passa a falar cada vez mais de discos novos, e nesse mês que se passou, seções diferentes (Radar e Urgente!) surgiram para dar conta de, respectivamente, lançamentos em singles, e assuntos variados. Em março, o número de textos publicados por semana subiu bastante também. E ideia é que o Pop Fantasma facilite cada vez mais a vida de quem acompanha tudo que sai de música, selecionando os melhores lançamentos (e alguns piores também).
Ainda falta muita coisa acontecer, mas aqui, a casa está sempre em obras, e sempre sendo arrumada. E agora, você fica com os melhores discos de 2025 ouvidos pelo Pop Fantasma até agora, incluindo os meses de janeiro, fevereiro e março. Ouça tudo com a gente!
Arte: Aline Haluch
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TURMA DA NOTA 8
Art D’Ecco, Serene demon
Bartees Strange, Horror
Brian D’Addario, Till the morning
Chest, All good things end (EP)
Drop Nineteens, 1991
Hello Cosmos, Keep digging (EP)
Horsegirl, Phonetics on and on
Jack White, No name live (EP)
Jennie, Ruby
Lathums, Matter does not define
Lilly Hiatt, Forever
Melissa Weikart, Easy (EP)
Olly Alexander, Polari
Panda Bear, Sinister grift
Ringo Starr, Look up
Rose Gray, Louder, please
Sasami, Blood on the silver screen
Sleeper’s Bell, Clover
Squid, Cowards
Swave, Foi o que deu pra fazer
Tunng, Love you all over again
Yo La Tengo, Old joy (EP)
TURMA DA NOTA 8,5
Arnaldo Antunes, Novo mundo
The Backfires, This is not an exit
Bad Bunny, Debí tirar más fotos
Cathedrale, Poison
Circuit Des Yeux, Halo on the inside
Eel Men, Stop it! Do something!
FACS, Wish defense
Far From Alaska, 3
Franz Ferdinand, The human fear
Frog Eyes, The open up
Getúlio Abelha, Autópsia (EP)
Hamilton Leithauser, This side of the island
Heartworms, Glutton for punishment
Japanese Breakfast, For melancholy brunettes (& sad women)
Jethro Tull, Curious ruminant
Kathryn Mohr, Waiting room
Krisj Wannabe, Mirror (EP)
Lady Gaga, Mayhem
Lilywhite, Silver lining (EP)
Menores Atos, Fim do mundo
Mogwai, The bad fire
Paris Texas, They left me with the sword (EP)
Pink Turns Blue, Black swan
Porridge Radio, The machine starts to sing (EP)
Prism Shores, Out from underneath
Rés, Peba
Souls Extolled, Soulsex
Star 99, Gaman
Terraplana, Natural
Véu Sublime, Não é nenhum segredo (EP)
The Wombats, Oh! The ocean
Young Knives, Landfill
TURMA DA NOTA 9
20/20, Back to California
Alessia Cara, Love & hyperbole
Andy Bell, Pinball wanderer
BK’, Diamantes, lágrimas e rostos para esquecer
BaianaSystem, O mundo dá voltas
Basia Bulat, Basia’s palace
Baths, Gut
Benjamin Booker, Lower
Bob Mould, Here we go crazy
Chalk, Conditions III (EP)
Chloe Slater, Love me, please (EP)
Dadá Joãozinho, 1997 (EP)
Delivery, Force majeure
Dilettante, Life of the party
Divorce, Drive to Goldenhammer
Gang Of Four, Shrinkwrapped (relançamento)
Ichiko Aoba, Luminescent creatures
Lambrini Girls, Who let the dogs out
The Main Squeeze, Panorama
Manic Street Preachers, Critical thinking
Matt Berry, Heard noises
Miya Folick, Erotica Veronica
The Murder Capital, Blindness
Ney Matogrosso & Hecto, Canções para um novo mundo
Paris Texas, They left me with a gun (EP)
Sharon Van Etten & The Attachment Theory, Sharon Van Etten & The Attachment Theory
Skinner, New wave vaudeville
Tátio, Contrabandeado
Thiago Amud, Enseada perdida
Throwing Muses, Moonlight concessions
The Velveteers, A million knives
The Waeve, Eternal (EP)
The Weather Station, Humanhood
TURMA DA NOTA 10!
The Hausplants, Into equilibrium (EP)
Hifi Sean & David McAlmont, Twilight
Marshall Allen, New dawn
Miami Horror, We always had tomorrow
Nyron Higor, Nyron Higor
Paulinho da Viola, 80 anos – Ao vivo
Crítica
Ouvimos: Yard Act – “You’re gonna need a little music”

RESENHA: Yard Act troca a frieza eletrônica por um som mais orgânico e irônico, unindo pós-punk, pop e crítica social em seu disco mais maduro, You’re gonna need a little music.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 10
Gravadora: Island / Universal
Lançamento: 17 de julho de 2026
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Sim, dá pra perceber quase de cara o que é que o Yard Act quer dizer quando fala que You’re gonna need a little music, terceiro disco, é o oposto da “laptop music” que eles faziam nos discos anteriores. Não que os álbuns anteriores sejam ruins, mas o novo álbum tem uma respiração bem mais evidente. Aqui, a dance-punk sacana do grupo não parece feita em laboratório.
É a primeira vez que os quatro integrantes trabalharam juntos no mesmo ambiente durante uma gravação (importante: isso de todo mundo gravar separado é mais comum do que se imagina e tem banda “orgânica” que, se bobear, nunca gravou um disco com o calor do “ao vivo”). E dá pra entender o novo clima assim que começa a selvagem Empty pledges, primeira faixa do álbum – uma longa arenga do cantor James Smith que passa por temas como síndrome do impostor e falta de assunto (!), e que vai crescendo a ponto de…
- Ouvimos: Suki Waterhouse – Loveland
Não, a música, teatralmente falando, nem explode – explodir seria entregar o jogo. Do começo ao fim, o que reina é o tom irônico do Yard Act, uma banda acostumada a fazer música para zoar, e observar a “sociedade” de longe. No caso de You’re gonna need a little music, o grande tema é como parece que todo mundo vê a realidade por um ponto de vista muito particular, bem individualista. E parece que todo mundo vive em seu próprio mundinho.
Os arranjos e composições do novo álbum parecem servir aos tema das letras, como no gospel maldito de New beginnings, música que fala basicamente sobre aceitar que a gente não controla boa parte da vida. Ou a loucura lúcida da elegante Tall tales, uma espécie de melô do cascateiro “com objetivo” – do manipulador safado ao sujeito com síndrome de Dunning-Kruger, passando pela pessoa que sai gastando por conta de um dinheiro que ela nem tem. O soul davidbowieófilo Fiction, por sua vez, mete a “voz interior na parada”: vá em frente, finja até conseguir, nem olhe pra trás.
Musicalmente, You’re gonna need é filhote de Iggy Pop, de Station to station, de David Bowie, dos momentos mais luminosos do Pulp e do Blur, e de uma noção de que o pop adulto “chique” precisa ser zoado. Os vocais de James Smith zoam a nonchalance de Mick Jagger, o clima pastoril de Bono, a pose de Casanova decadente de Bryan Ferry, e nada sai impune. Curiosamente, como letrista, ele consegue soar sério até quando mete cinismo na história, o que torna You’re gonna need bem próximo do que muita gente precisa ouvir, dependendo da fase de vida em que você se encontra.
A faixa-título, um synth-pop meio lúgubre, lembra que a música salva, e que é pra isso que as pessoas continuam fazendo música (de certa forma, é pra isso que muita gente anda estudando assuntos como “arquétipos” antes mesmo de aprender a tocar violão direito, mas pula essa parte). O punk dosado Cherophobe rock, que musicalmente tem a cara do Blur de álbuns como Blur (1997) e 13 (1999), vai o mais fundo possível no papo da cherofobia, que talvez seja a nova noia dos anos 2020 (“o medo de ser feliz ou a resistência a experimentar felicidade por acreditar que ela será passageira ou trará consequências negativas”, diz o ChatGPT).
- Ouvimos: White Denim – 13
Muita coisa liga You’re gonna need a little music aos papos sobre trabalho e capitalismo de Where’s my utopia? (disco anterior, 2024). Tipo no big beat de Thrill of the chase, uma música sobre validação, conquistas, carreirismo – aquela maluquice que leva triliardários a irem para o espaço. “Salvadores” altamente tóxicos e pilantras dão as caras no pós-punk soturno de Redeemer. Talky talky people, musica na qual o Yard Act encarna algo entre LCD Soundsystem e Talking Heads, descobre a pólvora: o problema é que tem gente demais disposta a falar e pouca gente disposta a ouvir. Tudo muito bom, e muito bem fechado com o britpop legítimo Over the barrel.
Sabe deus o que vai acontecer com You’re gonna need a little music ao longo do ano, mas o Yard Act que emerge dele é uma grande banda.
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Crítica
Ouvimos: Sssiv – “Sssiv 2” (EP)

RESENHA: O Sssiv faz do pós-punk ao dream pop com espírito DIY, silêncios criativos e produção refinada em um EP enxuto e envolvente.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 8 de maio de 2026
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Trio de Copenhague, o Sssiv sempre foi “do it yourself” até a medula, mas dessa vez resolveu variar. Seu segundo EP, Sssiv 2, foi gravado em seu próprio estúdio, mas Sara (bateria, voz), Stephen (baixo, voz) e Sasha (guitarra e voz) convidaram a baterista Benedicte Pierleoni para produzir tudo. A própria banda diz que, dessa vez, o material soa bem desenvolvido mas também parece fresco, como algo que acabou de ser feito.
- Ouvimos: Kamikaze – The end
Um “som de demo” que soa profissional, como qualquer banda indie curtiria ter, enfim – porque é mais ou menos isso aí que aparece em Sssiv 2. O trio deixa silêncios nas músicas, que são preenchidos com vocais harmonizados, baixo, bateria ou com a imaginação do / da ouvinte – quase como uma “música de cinema”, só que as imagens ainda precisam ser preenchidas por quem ouve. É o que rola, por exemplo, no clima maldito da selvagem Ask for better, e no dream pop Summer vibe 2026.
All the time, na abertura, trilha o Sssiv no pós-punk, e faixas como Stopped me e a vinheta Tell me what I want to hear, misturam o clima do disco com a onda krautrock. O final tem um híbrido de pós-punk e dub, I can never fall asleep without you. Bem bacana.
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Crítica
Ouvimos: Kamikaze – “The end”

RESENHA: O Kamikaze mistura pós-punk, jangle pop e dream pop em The end, disco melancólico, ruidoso e fiel ao espírito DIY dos anos 1980.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Cat Salem Records
Lançamento: 19 de junho de 2026
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Duo alemão com origens em Düsseldorf, terra do Kraftwerk, e Colônia, o Kamikaze atende por kmikzemusic nas plataformas, e faz uma música que, nas palavras deles, “transita entre jangle pop, post-punk, dream pop e a energia riot grrrl”. Outra frase boa: é um som “para corações partidos e amplificadores quebrados”. Tá tudo escrito em bom alemão (well, usamos o Google Translator) no Instagram deles.
- Ouvimos: Sssiv – Sssiv 2 (EP)
O material do álbum The end é cantado em inglês e, de modo geral, tem uma cara mais próxima do pós-punk, na simplicidade dos riffs – mas até a qualidade de produção deve muito à turma mais jangle da fitinha C86, do New Musical Express, com vocais “de longe”, cheios de eco. Uma trilha que, se você seguir até o fim, chega em bandas como Ride e House Of Love, bastante citadas (musicalmente falando) em faixas como Revenge dress, You see problems, I see nothing e Hell.
A ruidosa e atmosférica X me out tem muito do começo do Joy Division, enquanto faixas como Stop the sky e Camp funtime lembram um Sonic Youth com guitarras limpas e dedilhadas – a tal energia riot grrrl, inclusive, surge um pouco nesses momentos, mas sem as distorções que marcam as bandas do estilo (se bem que Camp vai crescendo até explodir em distorções, caso raro num disco que privilegia o som limpo). Dreamland tem uma cara próxima do dreampop, só que dreampop num clima mais punk e repetitivo.
Quem curte desolação pós-punk, na cola de The Cure, Smiths e do começo do Echo and The Bunnymen, pode ir direto para Drown e para a quase country Fallout – esta, uma faixa adornada com sintetizadores bem contemplativos, no refrão. Nada de reinvenção da roda, mas uma ótima mistura de referências em vibe “faça você mesmo”.
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