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Chrissie Hynde compara fãs filmando shows a ‘macacos se masturbando’

Tem artistas que amam ver o público compartilhando lembranças de seus shows nos stories, mas Chrissie Hynde, dos Pretenders, detesta. Na terça (2), ela foi até o Instagram e postou um texto reclamando muito de fãs que gravam shows com o celular. Aliás, reclamou que as pessoas passam o dia com celular na mão.
“Pergunta: o que acontece com as pessoas e seus celulares? Por que as pessoas precisam saber quantos passos dão por dia? Que diferença isso faz? Mas minha verdadeira pergunta é: por que as pessoas precisam filmar ou tirar fotos em shows ou museus? Por quê???”, perguntou.
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Chrissie contou que jantou recentemente com Emmylou Harris no dia anterior a um show da cantora no Royal Albert Hall, e papo acabou chegando nas pessoas usando celulares em shows. “Esse é um assunto que surge toda vez que encontro qualquer artista. Virou uma espécie de névoa desagradável pairando sobre a cabeça de todos eles”, disse.
Quem também tem ficado puto com celulares nos shows é Bob Dylan, que recentemente contratou os serviços de logística de uma empresa para trabalhar nisso. Ao chegar no show, o fã guarda o aparelho numa bolsa lacrada, que fica com ele no bolso – se quiser usar o aparelho, precisa ir a uma área especial que é sinalizada pela produção.
“Mas se você pensa que um artista da estatura dele faz um pedido e as pessoas obedecem, sem chance. As pessoas ainda conseguem entrar escondendo uma câmera ou um telefone. É como uma compulsão estranha que elas não conseguem controlar”, escreveu.
“Isso me lembra macacos se masturbando à vista das pessoas paradas ao redor do cercado deles. E francamente, nesse caso, as pessoas merecem assistir a isso, porque macacos não deveriam estar em cercados em primeiro lugar. Agora, um artista num palco?”, escreveu, afimando também que artistas costumam detestar ser filmados.
“Se você já teve um mosquito zumbindo ao redor da sua cabeça quando está tentando dormir, vai ter uma vaga ideia de como é ter pessoas filmando seu show ou tirando fotos enquanto você está no palco”, escreveu ela. “Se Jesus Cristo entrasse numa sala, a primeira coisa que todo mundo faria seria pegar o celular. Alguém pode me explicar isso?”.
DEU DISCUSSÃO
No próprio instagram, o texto de Chrissie causou alguma polêmica. Uma fã respondeu que achava irônico a cantora ir reclamar disso no Instagram, sendo que quem faz vídeo e fotos nos shows, o faz justamente para postar nas redes sociais.
Depois a fã escreveu que é difícil para os fãs verem as coisas da perspectiva da cantora, da mesma forma que possivelmente Chrissie não consegue ver as coisas pela visão de um fã que trabalha mais de 40 horas por semana para ir a um show, e quer apenas “capturar parte dessa experiência para lembrar daquele tempo feliz na volta da rotina”.
Foi respondida por outro fã, que escreveu: “Você trabalha duro a semana inteira pra gravar um show no celular? Ângulos ruins. Som pior ainda. Que bom que você trabalhou tanto pra isso. Que merda estranha”. A tréplica: “É, eu trabalho duro por merdas estranhas – meio que resume minha existência”.
Já outra fã respondeu à primeira fã: “Pra mim, parece que você nem leu direito. Se tivesse lido, veria que ela estava justamente perguntando, tentando entender essa ‘perspectiva’ que você tentou apresentar. Honestamente, se alguém pede pra você parar de fazer algo (que não é necessário), porque isso deixa essa pessoa e outras ao redor desconfortáveis, você não deveria fazer”.
E uma outra fã argumentou que leva sim o celular e faz fotos e vídeos porque “eu AMO voltar e reviver o show; eu MATARIA para ter algumas fotos ou vídeos da época em que vi o INXS ou a turnê Synchronicity do The Police, entre muitas outras”. Chrisse não respondeu às mensagens e a discussão ficou entre os fãs dela, mesmo.
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Cápsula: single “Dopamina” une reggae do Skank e indie pop da Penélope

Vocalista da Penélope, Érika Martins já está há alguns anos morando em Minas (falou disso recentemente até com o Pop Fantasma). E foi do encontro dela e de Fernando Americano (guitarra, também Penélope) com dois ex-integrantes da banda mineira Skank, Haroldo Ferretti (bateria) e Lelo Zaneti (baixo), que nasceu o Cápsula, banda que ficou durante um ano construindo silenciosamente um novo repertório.
A primeira amostra sai agora com o single Dopamina – música que, sem trocadilho, funciona como uma cápsula sonora noventista, unindo o reggae do Skank ao rock pop e convidativo da Penélope. Já a letra fala sobre a exaustão digital e a ansiedade das notificações das plataformas. O texto de lançamento faz questão de enfatizar que a nova banda quis fugir das “músicas de algoritmo” como o diabo foge da cruz.
Antes de Dopamina sair, o quarteto ficou trancado no estúdio de Haroldo, o Bamboo – que funciona na casa do músico e é cercado pelas montanhas de Nova Lima, em Minas Gerais – criando músicas e experimentando sons. E tudo foi sendo criado sem pressa, com temas como ansiedade digital, relações líquidas, exaustão emocional e a sensação permanente de hiperconexão surgindo nas letras das outras músicas do Cápsula.
O som, por sua vez, é definido por eles como uma mescla de pop, pós-punk, dub, indie rock e o chamado “rock adulto” – tudo a ver com o encontro de uma banda eternamente cult como a Penélope, com o reggae-rock-pop noventista do Skank. Você ouve Dopamina aí.
Foto: Diego Ruahn / Divulgação
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Pixies: relançamentos de luxo trazem músicas inéditas da fase clássica

Os Pixies comemoram 40 anos e quem ganha o presente é… Bom, não é exatamente um presente, e vai sair a preço caro: a banda vai relançar seus dois últimos álbuns da primeira fase, Bossanova (1990) e Trompe le monde (1991), numa colaboração deles e da gravadora 4AD com a Dinked, uma espécie de coletivo de varejistas indies de música do Reino Unido.
Os dois discos saem em tiragens de 3.400 exemplares cada um (eram 2.200, mas rolou um aumentinho), com remasterização de Kevin Vanbergen, feita a partir dos tapes originais. E ainda há novidades. Bossanova, por exemplo, sai com um booklet de 16 páginas – uma réplica da edição original do Reino Unido. E os dois álbuns ganham singles bônus de 10 polegadas com músicas extras que só agora veem a luz do dia.
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Com Bossanova, vem um single composto por uma versão de Dig for fire gravada por Steve Albini em 1987, para sair em Surfer Rosa, segundo disco da banda (1988) mas que acabou engavetada. Além da inédita Go man go, uma raríssima parceria dos inimigos íntimos Black Francis e Kim Deal (baixista).
Essa última foi gravada nas sessões de Bossanova – e acabou sendo também gravada pelas Breeders, a banda de Kim, nas sessões do disco Last splash (1993). Se a versão dos Pixies sai só agora, a das Breeders demorou também pra sair (veio à tona só no relançamento de 30 anos de Last splash, há três anos).
Já Trompe le monde ganha de acréscimo um single com Brackish boy, gravada nas sessões do álbum – é aquela mesma música que Black Francis gravou em seu primeiro álbum solo, Frank Black (1993). E também com uma descoberta feita por Kevin quando ouviu as fitas que os Pixies deixaram gravadas: é a experimental Punk loop. De todas as músicas do disco, essa era a única completamente desconhecida.
A pré-venda dos discos já rola no site da Dinked a partir de hoje (links aqui e aqui), e vale correr – mas eles só chegam pra todo mundo no dia 11 de setembro. E vale lembrar que não é o único lançamento comemorativo do grupo, já que em 26 de junho sai pela primeira vez em vinil Complete B-sides, coletânea de lados B lançada em CD em 2001. Foi nesse disco que uma turma enorme escutou pela primeira vez faixas como Wave of mutilation (UK Surf), Into the white, Bailey’s walk e The thing.
Em LP, Complete B-sides vai ocupar três lados de vinil. O quarto lado vai trazer material bônus ao vivo, incluindo seis gravações extras lançadas posteriormente pela banda, entre elas a versão ao vivo de Debaser, que saiu originalmente em 1997. Para esta nova versão de Complete B-Sides, o designer Chris Bigg criou uma arte inédita utilizando imagens raras feitas pelo fotógrafo Simon Larbalestier durante a fase clássica da banda.
Teve mais: em 2024, Pixies at the BBC, coletânea de gravações de sessões de rádio da BBC lançada pela 4AD originalmente em 1998, ganhou relançamento estendido com o nome de Pixies at the BBC, 1988–91, e mais nove faixas. Uma delas é a versão dos Pixies para Hang on to your ego, dos Beach Boys (música que com o fim da banda, vazaria para o primeiro solo de Black Francis). A releitura da banda foi feita no programa do radialista John Peel, em 1990.
Foto: Reprodução Instagram
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Phoebe Bridgers está transformando seus shows em clubes de confiança

“Durante seis anos, me peguei perguntando aleatoriamente: ‘Será que este é o ano em que Phoebe Bridgers finalmente lançará um novo álbum?’ A resposta sempre foi um sonoro ‘não'”, recorda Brian Kahn num artigo que ele escreveu pra revista Wired, publicado no site na última quinta-feira.
Phoebe, você deve recordar, lançou Punished, seu álbum mais recente, em 2020 – de lá para cá, saiu apenas The record (2023), álbum de estreia do Boygenius, banda formada por ela, Julie Baker e Lucy Dacus. Álbum solo que é bom, nada. Mas, na base do “haverá sinais”, algumas coisas começaram a mudar em maio, quando começaram a aparecer panfletos misteriosos anunciando shows em lugares pequenos. Sendo que justamente na última quinta, Phoebe fez um pop-upaço no… Madison Square Garden para 18 mil fãs, com oito músicas inéditas.
Esse show teve duas especificidades: foi patrocinado pela plataforma de música Tidal, teve ingressos a um dólar e toda a grana foi arrecadada em prol do Fundo de Liberdade de Títulos de Imigração da Community Justice Exchange (que fornece dinheiro para fiança para detentos do ICE comandado por Trump). Agora, todos os shows mais recentes de Phoebe têm OUTRA especificidade: quem comparece a eles, tem que guardar seu celular numa bolsa (como Bob Dylan tem feito em sua turnê recente). Gravações e filmagens são proibidas.
No caso do show do Madison, Jen Aswad, da Variety, afirmou que se trata do “primeiro show em arena sem celulares a que já assistimos, e possivelmente o maior de todos os tempos” (18 mil fãs compareceram). As regras do show foram publicadas “num comunicado em tom severo” no site do próprio MSG. Mais: “Os repórteres que cobriam o show foram informados de que canetas, lápis e papel também não eram permitidos, aparentemente porque letras e títulos de músicas incorretos estavam sendo publicados na internet”, escreveu Jen.
“É estranho não ter um celular, não é?”, disse Phoebe no show. “Eu adorei. Agradeço por permitirem que este seja um espaço livre de internet. E se algum de vocês enfiou um Apple Watch no rabo para gravar isso, por favor, não poste na internet — estou confiando em vocês”.
Pois é: ao que consta, Phoebe conseguiu transformar um local gigantesco num show acústico intimista, em que contava com a confiança dos fãs e se apresentava com apenas mais dois músicos no palco: o guitarrista Christian Lee Hutson, que também tocava uma peça de percussão com o pé (!) e o tecladista Nick White. Jan definiu a atmosfera do show como “muito Stranger things” (o cenário incluía um sofá coberto por uma manta de tricô estampada de gosto duvidoso, em que Phoebe e Christian estavam sentados, além de abajures de cada lado do sofá e uma TV antiga e quadrada).
Jan também escreveu sobre o que dava pra escrever sobre as músicas novas: a maioria lembra o som já popularizado dela (“suas melodias características, letras inteligentes e vulnerabilidade emocional; pelo menos uma parecia tratar de um término doloroso”), mas há uma música em tom country e uma outra com final ameaçador, em que Phoebe parece levar sua voz ao limite.
O que importa é que, como disse Brian na Wired, Phoebe está REALMENTE conseguindo estabelecer uma relação de confiança com os fãs, e que eles estão se tornando investigadores, tentando descobrir onde será o próximo show e se (ou quando) um novo álbum será lançado – com direito a alguns deles andando pela cidade em busca de flyers (eles aparecem sempre misteriosamente). Há até uma tese maluca de que Phoebe estava se apresentando em locais com histórico de avistamentos de OVNIs.
Brian disse também que uma fã chamada LeAnna Chase Williams descobriu a data e o local de um desses shows misteriosos de Phoebe. Ela havia cantado em Chattanooga, Tennessee, e LeAnna decdiu vasculhar a agenda da casa indie The Burl, em Lexington, Kentucky – cidade universitária a pouco menos de cinco horas de Chatanooga.
No dia 22 de maio não havia nada marcado na casa, e ela supôs que Phoebe iria cantar lá. Aliás não apenas ela: quando LeAnna chegou ao The Burl, esperou na chuva por horas com dezenas de outros fãs que haviam feito a mesma aposta. Deu certo: Phoebe cantou para 200 fãs e LeAnna adorou a experiência de “show sem celulares”.
A ideia da cantora vem dando certo, mas… Bom, ainda há problemas. No reddit, os moderadores do canal r/phoebebridgers tiveram que remover, a pedido da equipe de Phoebe, postagens que faziam referência às letras das novas músicas, “dadas as rígidas medidas de privacidade e controle em torno dos shows”.
Muito cedo para falar que uma nova era no universo dos shows está surgindo, mas parece que a solução que Phoebe achou foi levar o conceito de “comunidade” às últimas consequências – de uma forma que até mesmo a liberdade dos fãs termine onde começa a dela (ou algo assim).
Foto: Reprodução Instagram







































