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“Shoegaze não existe”: Jesus and Mary Chain acorda atacado e sobra até pra Eddie Van Halen

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The Jesus And Mary Chain (Foto: Mel Butler / Divulgação)

Sabe essa onda de bandas shoegaze, ou influenciadas pelo shoegaze, que existe hoje? Os irmãos Jim e William Reid, do The Jesus and Mary Chain, banda que estabeleceu o ruído e as paredes de guitarra como partes importantes do indie rock, não estão nem aí pra isso. Num papo da dupla com o site Stereogum, Jim Reid fez questão de dizer que “shoegaze não existe”, ao ser perguntado sobre a nova onda de bandas de rock influenciadas pelo estilo.

“Shoegaze, eu tenho um problema com isso simplesmente porque não existe de verdade. Foi algum palhaço da NME que inventou isso, sabe?”, disse, referindo-se ao periódico musical New Musical Express.

“Acho que as bandas que hoje em dia vêm sob esse guarda-chuva, bandas como Lush e Ride (hoje em dia???) e todos esses tipos de bandas… Algumas pessoas incluiriam o Jesus and Mary Chain na lista. O que você poderia dizer que é similar, e que todas essas bandas têm em comum, é que todas elas se sentiam um pouco estranhas no palco. Chuto que a coisa do shoegaze tenha vindo daí”, completou.

O chute de Jim está meio certo. Na real, quem falou primeiro em shoegazing ou shoegaze foi o jornalista e executivo de gravadora Andy Ross, ao assistir a um show da banda Moose e notar que o vocalista Russell Yates olhava continuamente para os próprios pés durante o show (daí o shoegaze, algo como “olhar os sapatos”). Mas Andy costumava colaborar com a revista Sounds, nada a ver com o NME.

O papo da dupla foi conduzido por Samira Winter, uma cantora curitibana (olha só!) que mora em Nova York, e que mantém a banda Winter – cujo som transita entre o barulho do Idlewild e o clima celestial do Cocteau Twins, e cuja denominação mais usada é “shoegaze” mesmo. Samira perguntou também a eles o que seria mais essencial no som do The Jesus and Mary Chain essencial, quando a banda está em estúdio. Jim surpreendeu com a resposta.

“Na medida que você tem meios para fazer um disco, você pode fazer um disco com tudo que tem disponível. Acho que isso foi provado por bandas como Einstürzende Neubauten, e bandas mais experimentais… Se você não tem uma guitarra, ou até se não tem um instrumento musical, pode ainda assim fazer um disco”, disse.

  • Temos um episódio do nosso podcast Pop Fantasma Documento sobre o The Jesus And Mary Chain

“E não ter muito equipamento força você a ser mais inventivo. Eu sei tocar guitarra, mas só um pouquinho. É meio que proposital. Eu toco guitarra no nível que preciso para tocar guitarra. E às vezes saber demais sobre fazer música acaba atrapalhando, e acabo voltando para o Eddie Van Halen de novo, sabe o que eu quero dizer?”, continuou.

E já que o nome do herói da guitarra do Van Halen foi citado por Jim, William entrou no papo e soltou outra declaração (aham) polêmica – pelo menos para os fãs de bandas clássicas do rock, ou de guitarristas virtuosos.

“Acho que guitarristas nunca deveriam aprender escalas. Acho que os piores guitarristas do mundo são como o Eddie Van Halen. Não suporto o jeito que o Eddie Van Halen toca guitarra. Acho que ele arruinou o rock nos anos 80 e 90 porque muita gente o copiou”, disse William.

“E eu simplesmente não conseguia entender aquela coisa de tocar o mais rápido possível e enfiar o máximo de notas em um segundo. E eu ouço os riffs de baixo do Peter Hook e acho que são mil vezes melhores do que qualquer coisa que o Eddie Van Halen jamais conseguiu criar”, completou.

Tá aí o trecho do papo.

Foto: Mel Butler / Divulgação

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Chrissie Hynde compara fãs filmando shows a ‘macacos se masturbando’

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Chrissie Hynde compara fãs filmando shows a ‘macacos se masturbando'

Tem artistas que amam ver o público compartilhando lembranças de seus shows nos stories, mas Chrissie Hynde, dos Pretenders, parece detestar a ideia. Na terça (2), ela foi até o Instagram e postou um texto reclamando muito de fãs que gravam shows com o celular. Aliás, reclamou que as pessoas passam o dia com celular na mão.

“Pergunta: o que acontece com as pessoas e seus celulares? Por que as pessoas precisam saber quantos passos dão por dia? Que diferença isso faz? Mas minha verdadeira pergunta é: por que as pessoas precisam filmar ou tirar fotos em shows ou museus? Por quê???”, perguntou.

Chrissie contou que jantou recentemente com Emmylou Harris no dia anterior a um show da cantora no Royal Albert Hall, e papo acabou chegando nas pessoas usando celulares em shows. “Esse é um assunto que surge toda vez que encontro qualquer artista. Virou uma espécie de névoa desagradável pairando sobre a cabeça de todos eles”, disse.

Quem também tem ficado puto com celulares nos shows é Bob Dylan, que recentemente contratou os serviços de logística de uma empresa para trabalhar nisso. Ao chegar no show, o fã guarda o aparelho numa bolsa lacrada, que fica com ele no bolso – se quiser usar o aparelho, precisa ir a uma área especial que é sinalizada pela produção.

“Mas se você pensa que um artista da estatura dele faz um pedido e as pessoas obedecem, sem chance. As pessoas ainda conseguem entrar escondendo uma câmera ou um telefone. É como uma compulsão estranha que elas não conseguem controlar”, escreveu.

“Isso me lembra macacos se masturbando à vista das pessoas paradas ao redor do cercado deles. E francamente, nesse caso, as pessoas merecem assistir a isso, porque macacos não deveriam estar em cercados em primeiro lugar. Agora, um artista num palco?”, escreveu, afimando também que artistas costumam detestar ser filmados.

“Se você já teve um mosquito zumbindo ao redor da sua cabeça quando está tentando dormir, vai ter uma vaga ideia de como é ter pessoas filmando seu show ou tirando fotos enquanto você está no palco”, escreveu ela. “Se Jesus Cristo entrasse numa sala, a primeira coisa que todo mundo faria seria pegar o celular. Alguém pode me explicar isso?”.

DEU DISCUSSÃO

No próprio instagram, o texto de Chrissie causou alguma polêmica. Uma fã respondeu que achava irônico a cantora ir reclamar disso no Instagram, sendo que quem faz vídeo e fotos nos shows, o faz justamente para postar nas redes sociais.

Depois a fã escreveu que é difícil para os fãs verem as coisas da perspectiva da cantora, da mesma forma que possivelmente Chrissie não consegue ver as coisas pela visão de um fã que trabalha mais de 40 horas por semana para ir a um show, e quer apenas “capturar parte dessa experiência para lembrar daquele tempo feliz na volta da rotina”.

Foi respondida por outro fã, que escreveu: “Você trabalha duro a semana inteira pra gravar um show no celular? Ângulos ruins. Som pior ainda. Que bom que você trabalhou tanto pra isso. Que merda estranha”. A tréplica: “É, eu trabalho duro por merdas estranhas – meio que resume minha existência”.

Já outra fã respondeu à primeira fã: “Pra mim, parece que você nem leu direito. Se tivesse lido, veria que ela estava justamente perguntando, tentando entender essa ‘perspectiva’ que você tentou apresentar. Honestamente, se alguém pede pra você parar de fazer algo (que não é necessário), porque isso deixa essa pessoa e outras ao redor desconfortáveis, você não deveria fazer”.

E uma outra fã argumentou que leva sim o celular e faz fotos e vídeos porque “eu AMO voltar e reviver o show; eu MATARIA para ter algumas fotos ou vídeos da época em que vi o INXS ou a turnê Synchronicity do The Police, entre muitas outras”. Chrisse não respondeu às mensagens e a discussão ficou entre os fãs dela, mesmo.

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Aquela vez em que Robert Smith apareceu no estúdio dos Rolling Stones por acaso — e saiu no disco novo

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Robert Smith (The Cure) e Mick Jagger (Rolling Stones) - Fotos: Divulgação

Entre as participações do disco novo dos Rolling Stones, Foreign tongues, que sai em 10 de julho, uma chamou especialmente a atenção de todo mundo: é Robert Smith, cantor, guitarrista e rosto do The Cure.

Mick Jagger revelou que Smith entrou no disco de maneira bem inusitada – o cantor falou sobre isso ao se juntar a Keith Richards e Ronnie Wood, numa conversa com Conan O’Brien para falar sobre todos os detalhes do 25º álbum de estúdio da banda.

Jagger encontrou Smith por acaso durante a gravação do álbum no Metropolis Studios, em Chiswick, Londres. Os dois não se conheciam pessoalmente, e foi uma surpresa para ambos.

“Um dia, cheguei para gravar meus vocais em Londres e havia um cara parado lá de costas para mim, usando uma longa túnica, e quando ele se virou, estava todo sujo de batom”, disse Jagger, conforme anotado pela Far Out Magazine. “Eu nunca o tinha visto antes, e eu disse: ‘Você é Robert Smith, do The Cure.’ E ele disse: ‘Sim, nunca nos encontramos'”.

  • Mais sobre Foreign tongues aqui.

Poderia ser só um conversa constrangida, mas Jagger achou que aquele encontro não poderia passar despercebido: “E então eu disse: ‘Bem, já que você está aqui, é melhor ir fazer alguma coisa.’ É assim que as colaborações funcionam às vezes. Vá lá e cante o vocal de apoio”, disse.

A música na qual Smith canta ainda não foi revelada. Um detalhe sobre Foreigh tongues é que, diferentemente de vários outros discos da banda, ele foi feito bem rapidamente, em menos de um mês. Keith Richards chamou o processo de “um mês de energia concentrada”, e disse que a “vibração londrina” ao redor da banda ajudou.

“Adoro fazer essas sessões de gravação em Londres, no Metropolis. Foram algumas semanas muito intensas gravando Foreign tongues“, disse Jagger num comunicado de lançamento, “Tínhamos 14 ótimas faixas e trabalhamos o mais rápido que pudemos. Gosto da sala de lá porque não é muito grande, então você consegue sentir a paixão de todos no ambiente”.

Foreign tongues terá uma lista pesada de convidados, com Paul McCartney, Chad Smith (baterista do Red Hot Chili Peppers), Robert Smith e Steve Winwood, além de registros gravados por Charlie Watts antes de sua morte. O álbum foi gravado com o produtor Andrew Watt.

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“Post script”: The Fall terá álbum “final” oito anos após morte de Mark E. Smith

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Mark E. Smith, líder do The Fall (Foto: Reprodução)

Tem disco “final” do The Fall vindo aí — e isso oito anos depois da morte de Mark E. Smith. A discografia da banda pós-punk inglesa, uma das mais caóticas, geniais e difíceis de enquadrar da história, ganha em breve Post script, álbum que começou a ser trabalhado antes da morte do vocalista, em janeiro de 2018.

A informação apareceu nas redes de Ed Blaney, ex-empresário do grupo e integrante da formação do começo dos anos 2000. Segundo ele, o disco já está pronto e teve suas mixagens finais concluídas. E mais: Blaney disse que o álbum é “brilhante”, chamou as faixas de “absolute bangers” (um monte de hinos, enfim) e avisou que detalhes de lançamento e pré-venda devem aparecer logo.

“Passei a maior parte da tarde de hoje ouvindo as mixagens finais do último álbum de estúdio oficial do The Fall, e sem dúvida alguma posso dizer que é um álbum absolutamente brilhante. Um sonho para os fãs do The Fall e muito mais… E para todos os fãs ansiosos que aguardam notícias, a data de lançamento e os detalhes para compra estão chegando. O álbum se chama Post script e conta com 9 faixas incríveis…”, escreveu ele.

Até aqui, o último álbum do The Fall era New facts emerge, de 2017, o 31º disco de estúdio do grupo. Em 24 de janeiro de 2018, Mark E. Smith morreria após enfrentar problemas graves de saúde ligados a câncer de pulmão e rins. E parecia improvável imaginar qualquer continuação oficial para uma banda cuja identidade sempre esteve tão grudada na figura dele.

O The Fall nasceu em 1976, depois que Smith viu aquele famoso show dos Sex Pistols no Lesser Free Trade Hall, em Manchester (visto, aliás, por um monte de futuros roqueiros da região), e decidiu montar sua própria banda. O nome veio de um romance de Albert Camus, mas o som nunca teve nada de literário no sentido tradicional: era repetitivo, torto, debochado, hipnótico e frequentemente hostil com o ouvinte, unindo referências de pós-punk, krautrock e sons garageiros dos anos 1960 e 1970.

  • As gravadoras do The Fall
  • Ouvimos: The Fall – BBC Radio sessions (EP) / The Wedding Present – Maxi (EP)

A estreia veio com o EP Bingo-master’s break out!, em 1978, seguida do álbum Live at the witch trials, no ano seguinte. Nos anos 1980, especialmente na fase em que Brix Smith fazia parte da banda, o Fall conseguiu algo raro: soar experimental e acessível ao mesmo tempo. Vieram daí discos como The wonderful and frightening world of The Fall (1984), This nation’s saving grace (1985), Bend sinister (1986) e The frenz experiment (1988), todos ajudando a transformar o grupo numa instituição alternativa britânica.

Outro nome fundamental nessa história foi John Peel. O lendário radialista da BBC defendia The Fall com fervor quase religioso e soltou uma definição que acabou virando mantra de fã: “eles são sempre diferentes, mas sempre iguais”.

Agora resta saber como Post script vai soar. Mas só a existência de um “último disco” do The Fall já parece bastante apropriada para uma banda que nem acabou de verdade – foi forçada a terminar porque seu mentor saiu de cena. No Reddit as apostas dos fãs variam: alguns acham que se trata de gravações posteriores a New facts emerge, já que Mark vinha trabalhando em músicas novas. Aparentemente, a família de Smith, que cuida de seu espólio, deu aval para tudo.

Foto: Reprodução

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