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Crítica

Ouvimos: Far From Alaska, “3”

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Ouvimos: Far From Alaska, “3”

O Far From Alaska acaba de lançar seu mais novo disco, 3, e quase imediatamente, anunciou uma pausa, que vai rolar após mais um punhado de shows e a gravação de um DVD acústico, dia 8 de abril. Há datas ainda sendo vendidas e a banda – que está chamando o momento antes do hiato de Tour pause – quer fazer mais shows até o começo de abril. Enfim, mais shows no período de duas semanas ou pouco mais que isso.

Muita coisa pode explicar essa pausa e uma delas é o fato do FFA ter duas integrantes – Emmily Barreto (voz) e Cris Botarelli (lapsteel guitar, synth e baixo) – também presentes na formação atual do Ego Kill Talent, banda que costumeiramente é lembrada para abrir shows e tours de grupos internacionais no Brasil. Cris e o guitarrista Rafael Brasil também estão na formação do supergrupo Swave, que acaba de lançar o primeiro disco.

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3, de qualquer jeito, representa uma mudança verdadeira para o grupo – e mesmo que a banda dê um tempo, é importante que haja um registro audiovisual, como o que está sendo planejado. O Far From Alaska volta na onda eletrorock dos outros dois discos, ameaçando algumas vezes embicar no nu-metal (como em Future, Trouble e Go ahead), ou chegando perto de evocar Ministry e Prodigy (a boa Txananam, que abre o disco). Só que Emmily, Cris e Rafael surfam também uma forte onda hyperpop em todo o álbum, começando com Cuz you, cujo refrão consegue até guardar semelhanças com a mescla pop-country feita por artistas como Beyoncé e Kylie Minogue.

O mesmo enrosco pop acontece no r&b rock de Meltdown e AUUU, e também na vibe pós-disco de Good part, cujos vocais remetem ao pop dos anos 1990 e cuja batida vai se aproximando levemente da house music. A curiosidade é o raggamuffin pesado de Secret, que tem participação de Pato Banton (sim, o próprio), e que evoca Sade Adu, graças aos vocais de Emmily.

O Far From Alaska também se arrisca num trap rock com guitarras pesadas e participação de Lenine, Olha, e num forró pesado chamado Hardxote (!), com vocais em meio a pancadas de bateria e triângulo, e algo que remete a Give it away, dos Red Hot Chili Peppers. Uma faceta cheia de brasilidade, e que ainda precisa ser melhor desenvolvida em outras composições, mas que areja o som do grupo. No final, a ótima The sun combina batidão industrial com guitarras, e vem com certa cara de hino roqueiro de FM. Um momento bacana pro FFA, antes da tal pausa.

Nota: 8,5
Gravadora: Marã Música
Lançamento: 14 de março de 2025.

Crítica

Ouvimos: Cuir – “Monoface”

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Resenha: Cuir – “Monoface”

RESENHA: Banda de synth-punk francesa, o Cuir volta com o curto álbum Monoface e, entre teclados e climas ágeis, aponta para bandas como Angelic Upstarts e até o lado punk do Anthrax.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de junho de 2026

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O Cuir é um curioso projeto musical francês, feito por um cara chamado Doug Zilla, veterano do hardcore local – e que para sua banda nova, adotou uma espécie de balaclava rosa. O som é synthpunk, quase tão distorcido quanto sintetizado, com letras no estilo que-se-foda. Monoface é um álbum com, digamos, jeito de EP – mais ou menos como o da banda punk brasileira Basttardz, também assunto nosso hoje.

O nome “monoface” é justamente porque todo o repertório, que dura 15 minutos, cabe em apenas um lado de disco. Já o som do novo disco, mesmo com os teclados, aproxima-se às vezes da mescla de metal e hardcore, com Majeur em l’aair, na abertura, lembrando Anti-social, o hit da banda francesa de hard rock Trust que o Anthrax imortalizou. E faixas como Derniète minute e Road trip lembram bandas como Angelic Upstarts, enquanto Rock’n roll, interim, chômage cai dentro do hardcore-synth. Aliás, dá pra perceber uma conexão forte com a oi! music no som deles, embora Doug não concorde com o rótulo.

Os synths surgem como uma curtição a mais, em meio ao peso punk do grupo – que ganha ar de Stranglers + Rancid em Blastover e Brûler les barrières, e dá uma lembrada em Billy Idol em Spleen. Como vocalista, Doug é quase um rapper cantando punk, com vocais quase sempre brigões e falados. Resta saber se vinil e K7 (o disco sai nos dois formatos) de Monoface vão ter música só no lado A. Ou no B.

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Crítica

Ouvimos: Basttardz – “Tramas & traumas”

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Resenha: Basttardz – “Tramas & traumas”

RESENHA: Banda maranhense Basttardz une peso, introspecção, punk, funk e até piseiro nas curtíssimas faixas do curto álbum Tramas & traumas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Brisa Rec
Lançamento: 13 de julho de 2026

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Seguindo a onda do álbum pequeno, Tramas & traumas, terceiro disco da banda maranhense Basttardz, é curtinho (oito faixas, 15 minutos) e foca no punk e no hardcore com misturas inusitadas e letras introspectivas. O som une hardcore e estilos como funk e rap (na faixa-título e em favelas), parte para o reggae punk em O inconsciente coletivo e insere até algo de piseiro, forró e reggamuffin em músicas como Vitrine e Do culto ao lucro.

O som do grupo é pensado como um mergulho, tanto no som quanto no universo deles – que inclui temas como influencers que surgem do nada, violência, exclusão, drogas de 2026 (na ótima letra de Tarja preta, que fala de aditivos usados para trabalhar, produzir, estudar, dormir e se deixar manipular) e memórias amargas que ganham espaço como traumas, anos depois. Tem inovação no som e um clima herdado da vulnerabilidade do emo Midwest, embora na prática o Basttardz faça uma música com bem mais foco em peso e beats.

  • Ouvimos: Arlomine – Francis Frankenstein

Nas letras de Tramas & traumas, o grupo também une depressão e falta de grana. O desespero diante do capitalismo dá o tom de músicas como Desconstrução, que, inspirada em Construção, de Chico Buarque, encerra o disco olhando para quem já está quase desistindo de tudo.

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Ouvimos: Francis Of Delirium – “Run, run pure beauty”

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Resenha: Francis Of Delirium – “Run, run pure beauty”

RESENHA: Entre shoegaze, dream pop e soft rock, Francis Of Delirium cria um álbum de melodias etéreas, ruído elegante e atmosfera cinematográfica.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Dalliance Recordings
Lançamento: 29 de maio de 2026

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Jana Bahrich, musicista radicada em Luxemburgo, responde pelo codinome Francis Of Delirium – que basicamente significa sonho, construções melódicas baseadas no mesmo delírio que surge no nome do projeto. Run, run pure beauty, o segundo álbum, tem elementos associáveis ao que normalmente é chamado de “shoegaze” e “dream pop” – no caso desse último, ele serve como um bom rótulo, por causa dos vocais mágicos e do clima quase voador das melodias.

Aliens, a música de abertura, tem o mesmo clima geralmente associável ao shoegaze, com guitarras em nuvem – mas Jana tem o cuidado de associar a seu som um mistério musical dado pelo uso de instrumentos de orquestra, que dá a algumas faixas um ar análogo ao de Ocean rain, o sombrio disco de 1984 do Echo and The Bunnymen.

  • Ouvimos: Divers – Odd dog in the capital

O disco prossegue na beleza de Out tonight e da faixa-título – esta, com cordas em vibe meio beatle, lembrando as espirais de I am the walrus. Mas a partir daí surgem lados diferentes do Francis, que investe em aclimatações soft rock, em faixas como Higher, Little black dress e Sucker punch. Tudo combinado com a disposição para o barulho, já que Open up your mouth to love, por exemplo, une tranquilidade sonora, dada pelos violões, a um clima shoegaze leve.

Por causa disso tudo aí, tem momentos em que o som do Francis chega a lembrar uma versão mais indie dos Cranberries – ou o Mazzy Star com ambições mais épicas. Essa impressão dá bastante as caras em Requiem for a dying day. Em outras occsiões, o lado pós-punk do projeto dá uma escalada, como no baixo-à-frente e no clima meio Eurythmics de Damned, ou no noise-pop anos 1990 de It’s a beautiful life. No geral, um som muito bem concebido e montado.

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