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Radar: Lana Del Rey, Guitar, Theatre, Jenny On Holiday – e mais!

Disco novo de Lana Del Rey que é bom, nada – mas já saiu até música nova de surpresa hoje (esse povo famoso adora uma surpresa, né?). Além dela, teve mais gente que andou lançando música no susto, às vezes só para ter algo novo para a turnê que está chegando. E um som novo de despedida de uma banda – além da estreia de outra. Curta tudo no Radar internacional de hoje.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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LANA DEL REY, “FIRST LIGHT”. Talvez esse álbum novo de Lana Del Rey, que já teve diversos nomes e datas de lançamentos, atrase mais do que o imaginado – mas do jeito que as coisas andam indo, mais fácil ela decidir lançar uma coletânea de singles. First light, lançada de surpresa hoje nas plataformas, é a nova música de Lana – também é tema do videogame dedicado a James Bond, 007 First Light, previsto para 27 de maio.
A faixa foi composta por Lana Del Rey e pelo britânico David Arnold, que já trabalhou na trilha sonora de vários filmes da franquia, como O amanhã nunca morre (1997) e Quantum of solace (2008). First light começa na onda dramática e sexy que todo mundo já associa a Lana, mas vai ganhando aquela grandiloquência típica das músicas dos filmes de James Bond, com metais que vão crescendo. A letra usa termos que associam o universo do detetive ao mundo dos games: fala em “força” em “vida como um jogo”, mas sempre naquela onda heroica da franquia. Ficou bem legal.
GUITAR, “BUNNY THE NIGHT CLERK”. Essa banda de nome, digamos assim, complicado (procure por eles no Spotify pra ter uma ideia da complicação) tem uma discografia curta e bem bacana – incluindo o bom álbum lançado em 2025, We’re headed to the lake, que resenhamos aqui. Em meio a alguns shows, o grupo liderado pelo cantor e compositor Saia Kuli acaba de lançar um single novo: Bunny the night clerk fala das entediantes aventuras de uma balconista de loja de conveniência, que trabalha no perigoso período noturno. O som fica entre o pós-punk e vibes eletrônicas e distorcidas. O lyric video, feito em desenho animado é uma surpresa.
THEATRE, “THE FALL”. Theatre não é dos nomes mais tranquilos de banda para se buscar por aí – fica no mesmo caso do Guitar, banda anterior dessa lista. Já o som desse grupo irlandês é coisa muito séria: é rock pesado, numa onda de “ouvimos muito nu-metal e emo Midwest quando éramos crianças / adolescentes” (mas pode levar fé que é bem feito) e com uma vocalista, Maeve O’Shea, cuja voz tem muito a ver com a de outras cantoras irlandesas ilustres, como Sinéad O’Connor.
A letra de The fall fala de bad trips relacionais: é “a história de uma amizade desfeita, uma pessoa que muda de personalidade e o tormento de amar alguém tão tóxico quanto ela”. Já vem chamando atenção: nos comentários do clipe da banda no YouTube há fãs agradecendo ao Fontaines DC por ter recomendado essa banda… Veja abaixo.
DESPERATE SEEKING SUKI, “SUKI”. Esse duo é formado pelos irmãos Natassa Zoë e Sig Sali (ou Danny Pugh), divididos entre Austrália e Reino Unido. Suki, o primeiro single, é definido por Natassa como sendo algo “sobre abraçar a luz e a escuridão dentro de si e encontrar um amor que se mantém firme em meio ao caos”. Com um leque de referências que inclui Lykke Li, Wolf Alice, Yeah Yeah Yeahs e Arcade Fire, a dupla se entrega a um pop dançante e eletrônico, mas com uma onda meio eletrorock que vai surgindo aos poucos, no peso e no clima meio psicodélico que surge depois – e que atinge também o lyric video da faixa. O duo promete um EP pra breve.
JENNY ON HOLIDAY, “ANDROGYNOUS”. Lançada originalmente pelos Replacements no álbum Let it be (1984), Androgynous é uma raridade na obra do grupo punk norte-americano: uma canção solidária, sobre identidade de gênero, falando de um casal que se veste da maneira que quer, e cujo comportamento não depende de padrões. Uma faixa ótima, por sinal, e pouco lembrada pelos fãs da banda (Let it be é não apenas um dos melhores discos do grupo como também é um dos melhores discos dos anos 1980, aliás).
Jenny On Holiday (ou seja: o projeto solo de Jenny Hollingworth, metade da dupla Let’s Eat Grandma) acaba de lançar uma versão acústica dessa faixa, que vai estar no EP Quicksand heart – Excess baggage, uma espécie de continuação unplugged de seu álbum Quicksand heart (resenhado pela gente aqui). A faixa sai em grande estilo: Jenny vai até fazer sua primeira tour como atração principal.
SECOND DEATH, “BURNING QUESTION”. A banda londrina de hardcore – uma banda do tempo em que o estilo era sinônimo de rodas vibrantes, porradas sonoras e vocalistas quase guturais – vai encerrar atividades. A festa de despedida inclui o lançamento da fita K7 Last songs, lançada pelo selo inglês La Vida Es Un Mus, com as três últimas gravações da banda.
Você pode ouvir as três faixas no Bandcamp da gravadora (em especial a intensa Burning question, que com quase três minutos é a mais extensa da última leva) ou pode pegar um avião e se mandar para Londres para assistir ao último show deles neste sábado, no New River Studios – a banda e o selo vão levar 50 fitinhas K7 com as músicas para vender lá.
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Radar: Marina Mole, Gabo Islaz, Manco Capac, Gustavo Spínola – e mais!

Marina Mole, que já apareceu algumas vezes no Pop Fantasma fazendo feats, vai finalmente lançar disco solo – e já estreia no Radar com uma live session. Entre chamber pop carioca, jangle pop gaúcho e até MPB nova, o Radar nacional de hoje vem muito bem equilibrado, com direito a anúncio de show no Rio. Ouça tudo e monte suas playlists.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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MARINA MOLE, “CORAÇÃO REMENDADO”. Marina vai lançar neste ano o álbum Azucrim, cujo repertório vem sendo apresentado em shows. O punk rock Coração remendado sai por enquanto apenas em versão ao vivo feita para a série de lives Grande Sessão Veredas. Coração, que costuma encerrar os shows dela (é a canção mais explosiva do repertório) é apresentada por Marina na voz e na guitarra, ao lado do mesmo time que gravou o álbum – Vitor Wutzki (backing vocal e guitarra), Lucas Monch (baixo) e Cleozinhu (backing vocal e bateria). E é, pode acreditar, uma canção inspirada simultaneamente em Ramones e Paulinho da Viola (!).
“Ela é tipo uma mistura de Ramones com Jovem Guarda. E ela parte de um diálogo com a letra de Coração imprudente, de Paulinho da Viola, além de ter sido inspirada pelos backing vocals de O telegrama (Western Union), de Paulo Diniz”, conta Marina, que fez Coração remendado em parceria com Cleozinhu.
GABO ISLAZ, “NOCAUTE”. Em pouco mais de um minuto e meio, o gaúcho Gabo conta uma história que fala sobre como, às vezes, a paixão deixa a gente nocauteado, como se tivesse tomado um baita soco na cara – e estivesse caindo no chão, enquanto a plateia aplaude o vencedor / a vencedora da luta. Uma canção doce, tranquila, quase jangle pop, que adianta seu álbum Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração, previsto para 26 de maio de 2026. Gabo já havia lançado o single Me deixei e vai lançar ainda mais uma terceira musica antes do álbum chegar.
MANCO CAPAC, “CABEÇA”. Essa banda carioca é extremamente psicodélica e detalhista – com músicas cheias de surpresas nos arranjos e no uso de instrumentos musicais (falamos do EP Bom jantar aqui). Cabeça, o novo single, segue essa onda, com bandolins, corais, efeitos, ecos e uma vibe quase chamber pop. Tudo espremidinho em econômicos 2:12. Mais um lançamento do selo Alter Ego Produções.
GUSTAVO SPÍNOLA feat IVAN LINS, “VOA”. MPB com cara jazzística e, como convidado, um mestre na fusão das duas ondas: Voa, canção de Gustavo com participação de Ivan Lins, está no single Do acaso ao cais vol. 1, que marca a abertura de um álbum que será apresentado em três etapas ao longo dos próximos meses. Para Gustavo, Voa e O dia, que também está no single, são faixas que sintetizam o conceito do disco: são encontros que transformam o acaso em porto seguro. E que veem o mundo por uma visão cheia de esperança, mesmo em tempos complicados.
FRED IZAK, “CANÇÃO DE ENGATE”. Essa música de Fred não é nova – é de Lírico, seu último álbum, que saiu em 2024. Mas vale incluir aqui para avisar que o Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, no Rio, está voltando a agendar shows de novos nomes da MPB, e Fred apresenta o show Lírico nesta quinta (16). O som dele é MPB referenciada nos clássicos nacionais dos anos 1970 e 1980, com lembranças de nomes como Cazuza e Raul Seixas – e por acaso, o show vai ter participações de nomes ligados tanto ao primeiro (Nico Rezende) quanto ao último (Arnaldo Brandão). Você fica sabendo mais sobre horário e ingressos aqui.
IMPÉRIO CONTRA-ATACA!, “ME DIZ QUE VAI FICAR TUDO BEM”. Produzido e mixado por Pedro Guerreiro (Chococorn and the Sugarcanes) e masterizado por Pedro Acosta (Bella e o Olmo da Bruxa), o single novo desse quarteto de Santa Bárbara D’Oeste soa bem mais próximo de uma onda punk melódica, ou até do pós-hardcore. Breno Baus, guitarrista do grupo, estreia nos vocais nessa faixa. Na letra, aquela sensação de quando você precisa ouvir que “vai ficar tudo bem”, mesmo que, na prática, nunca dê para garantir nada.
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Radar: Tori Amos, Arkells, Alabama Shakes, Burglar – e mais!

Tori Amos tá de volta – depois de virar o pop feminino dos anos 1990 de cabeça pra baixo, gravar um punhado de discos clássicos e levar adiante uma carreira em que shows transformam-se em verdadeiros recitais. Ela anuncia disco novo pra breve e já tem clipe rodando, que virou assunto aqui no Radar de hoje. Ouça tudo no volume máximo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Kasia Wozniak / Divulgação
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TORI AMOS, “GASOLINE GIRLS”. Com a palavra, ninguém menos que Tori Amos, cantora que rescreveu a história da música feminina ao estrear em 1992 com o álbum Little earthquakes (que deu a letra para cantoras como Alanis Morissette): “Esta é uma metáfora para diversas transformações — desde uma adolescente se tornando mulher, passando por mudanças na identidade de gênero ou em sistemas de crenças fundamentais, até as mudanças de vida que acompanham a gravidez, a maternidade e, eventualmente, a menopausa. A música explora as emoções que surgem ao deixar uma versão de si mesma para trás e se tornar outra”.
O assunto aí é a bela Gasoline girls, novo single da cantora, que adianta o álbum In times of dragons, previsto para o dia 1º de maio pela Fontana. O estilo quase folk-erudito de Tori continua o fino (o piano da faixa é maravilhoso) e os vocais dela, idem. E ainda tem o visualizer, em clima motorbiker feminino.
ARKELLS feat POOLSIDE, “WHAT’S ON YOUR MIND”. Na sexta (17) chega às plataformas Between us, disco novo dessa ótima banda canadense, que manda bem em faixas, clipes e material gráfico de modo geral. What’s on your mind é uma perolazinha meio rock, meio disco, cheia de sintetizadores, com participação do Poolside – projeto musical dançante e relax do produtor e compositor Jeffrey Paradise.
“Queríamos uma música hipnótica, onde os acordes não mudam muito e o ritmo e a melodia fazem todo o trabalho pesado. É o que eu mais gosto em assistir música eletrônica ao vivo: como ela pode se repetir indefinidamente, e quanto mais tempo dura, melhor fica. Mergulhamos fundo no mundo dos sintetizadores nesta faixa”, diz o vocalista Max Kerman, que despertou para o som do Poolside ao fazer uma tour com Paradise. “Vimos com ele o poder da repetição. O que a contenção pode oferecer ao público. A paciência de construir uma música com o groove ditando tudo”.
ALABAMA SHAKES, “AMERICAN DREAM”. Já viu quem tá de volta na praça? O single novo do Alabama Shakes já saiu tem alguns dias, mas super vale a pena colocá-lo no Radar. A música nova, um soul-blues-rock carregado, é diretíssima na letra, que comenta a política escrota do atual presidente norte-americano em tom de dedo na cara. “É um retrato do que estamos vivendo em 2026”, diz a cantora Brittany Howard, que além de liderar o Alabama Shakes tem uma carreira solo forte. E vem álbum novo do trio aí, precedido por American dream e pela já lançada Another life.
“Olho em volta e me pergunto como chegamos a um ponto em que há tanta pressão e tão pouco apoio. Quer dizer, não deveria ser impossível tirar uma folga do trabalho para levar o filho ao médico, isso é realmente insano. Minha esperança é que um dia as pessoas ouçam essa música e digam: ‘É, as coisas estavam loucas naquela época, mas nós conseguimos superar”. Literalmente, ouça no volume máximo.
BURGLAR, “STAR-CROSSED”. Duo irlandês formado pela local Willow Hannon (guitarra/vocais) e pelo brasileiro Eduardo Pinheiro (vocais/guitarra), o Burglar surgiu justamente das diferenças e das trocas entre os integrantes: Willow mergulhou de cabeça na produção de bedroom pop ainda na adolescência, e Eduardo foi moldado pela música popular brasileira dos anos 1970 e pela cena garage punk de sua cidade natal, Goiânia. Star-crossed é indie rock com beat dançante e clima próximo do pós-punk, com ótimas base de guitarra.
Já a letra fala dessa impaciência e ansiedade do ser humano em 2026. “É triste que sejamos sempre incentivados a enfrentar nossos problemas sozinhos, como se qualquer coisa que não seja você sendo constantemente produtivo e trabalhando fosse algo ridículo”, conta Eduardo, também se dizendo impaciente. “Tenho medo do futuro, e tudo o que estou tentando dizer com essa música é que você não precisa de grandes mudanças e reinvenções o tempo todo. Você pode permanecer ao lado de pessoas especiais quando elas aparecem. Já existem mudanças grandes o suficiente por aí”.
YOUNG MARTYRS, “IS THERE ANYBODY OUT THERE?”. Com uma música homônima a um lado-Z do Pink Floyd (da ópera-rock The wall, de 1979), esse grupo britânico de alt-americana volta de forma meditativa e até melancólica. Is there… é uma balada marcada por uma onda quase voadora, que propõe uma volta a outros tempos, enquanto o som vai ganhando intensidade.
“É uma música que todos precisam agora; uma canção sobre a busca desesperada por conexão e respostas. É sobre se sentir à deriva enquanto o tempo passa por você, sobre você, sob você. É sobre perda e saudade de alguém, e saudade das coisas boas que você já teve. É sobre crescer e perceber que você não fazia ideia de que, enquanto os melhores momentos aconteciam, talvez você devesse estar se agarrando a eles com mais força, porque um dia o momento terá passado”, conta o vocalista e letrista Tom Corneill.
CIRCUS NERVES, “STRAITJACKET RUNAWAY”. Esse projeto musical do Brooklyn é um duo formado pelo cantor sueco Hampus Svard e pelo ex-crítico gastronômico Evan R. Bison. Alguns singles já sairam em 2024, e agora o Circus Nerves tá de volta com Straitjacket runaway, tema pós-punk + psicodélico de letra contemplativa, falando sobre uma musa que ganha várias formas ao longo da faixa. Tem riff simples, refrão bacana, vocal grave e frio, e um timbre de órgão que remete aos anos 1960 – além de beat dançante.
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Radar: Black Pantera, Cela, Leandro Serizo, Hellbenders – e mais!

Bora de Radar nacional pra começar a semana, abrindo com o primeiro vislumbre do audiovisual do Black Pantera, Resistência! Ao vivo no Circo Voador. Mas seguindo com pop (alternativo ou não), hard rock, rock próximo do progressivo e da MPB… muita coisa legal. Ouça tudo hoje de manhã em alto volume!
Texto: Ricardo Schott – Foto (Black Pantera): Felipe Brabo / Divulgação
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BLACK PANTERA, “FOGO NOS RACISTAS” (AO VIVO). Essa faixa do grupo mineiro, uma mescla de metal e rap gravada originalmente no álbum Ascensão (2022), volta agora como primeiro single do audiovisual Resistência! Ao vivo no Circo Voador, gravado no 19 de novembro de 2025, véspera do Dia da Consciência Negra, sob a clássica lona carioca. O primeiro registro audiovisual da banda chega às plataformas neste mês – e ganha transmissão no canal Bis no dia 8 de maio.
“Fogo nos racistas diz muito sobre tudo que esse álbum representa, que é o Black Pantera ao vivo. Com certeza, esse som é furioso, sem papas na língua, sem subjetividade, é simplesmente a ideia sendo lançada na cara mesmo”, comenta Chaene da Gama, baixista e vocalista da banda.
CELA, “MEDO DE GHOSTING”. Curitibana criada em São Paulo, Cela começou na música ainda adolescente. Ela mesma assume as referências em indie rock e dream pop, e agora prepara o primeiro álbum solo. Nesse meio-tempo, vai mostrando o caminho com Medo de ghosting, um single que mistura pop alternativo e um certo clima de soft rock.
A letra entra direto em inseguranças e sustos de relacionamento — especialmente aqueles ciclos meio confusos do começo de namoro, quando a pessoa some por um tempo e… você já imagina o resto. “Eu sempre acho que eu sou o problema / pra todos se afastarem de vez / que mal tem falar o que eu sinto? / sinceridade quase ninguém tem / eu entendo seu lado, é claro, tu tem seu espaço / mas fugir assim não deixa nada mais fácil”, diz.
LEANDRO SERIZO, “MOSTEIRO DO ABISMO”. Prestes a lançar o álbum Sol quimérico – que surgiu de uma pesquisa de mestrado na Unicamp – Leandro adianta o disco com Mosteiro do Abismo, uma mistura extremamente azeitada de Radiohead e Secos & Molhados: tem o clima post-rock do primeiro e as evoluções harmônicas e percussivas do segundo, além de certo clima progressivo.
Na letra, o ato de cantar se torna o ato de seguir em frente, de resolver ambivalências emocionais. “A canção representa, essa tensão entre lucidez e delírio, controle e colapso. Gosto da ideia de que as danças à beira do abismo são parte do caminho”, diz. E ainda tem o clipe, com direção de Stephanie Rios e inspiração no cinema ritualístico de Alejandro Jodorowsky e Sergei Parajanov.
HELLBENDERS, “DESEJAR SEM DESTRUIR”. Banda pesada de Goiânia – e pertencente ao elenco da mitológica Monstro Discos – Hellbenders faz som pesado, entre stoner e hard rock. E depois de alguns álbuns em inglês, vem compondo em português. Dois singles lançados em 2020, Pra entreter e Delírio, já saíram no idioma pátrio. E agora é a vez de Desejar sem destruir, que abre caminho para um novo EP. Na letra, o grupo fala de ansiedades dos dias de hoje – lado a lado de sonoridades mais diretas e de guitarras com afinações mais baixas.
LUIZA AIRES, “INVASÃO DE TE QUERER DE VOLTA”. Luiza recentemente fez sucesso entre os fãs do casal Lorena e Juquinha, da novela Três Graças, por causa da música Menina do cabelo alaranjado – a faixa não está na trilha, mas por causa da coloração ruiva do cabelo de de Gabriela Medvevovski, a Juquinha, acabou entrando nas trends. Dessa vez, a cantora lança Invasão de te querer de volta, um alt-pop com clima tranquilo, com uma letra romântica cujas imagens vieram de um verdadeiro um fluxo de consciência.
“A ideia central de se sentir invadida por um sentimento sempre esteve ali, mas desenvolver o restante da música não foi tão óbvio. Foi um processo de investigar meus sentimentos sobre isso, o que exigiu mais tempo. Costumo seguir com ideias mais brutas e imediatas por levar a escrita como uma sessão de análise. Mas com esse conceito, eu senti que ainda tinha lugares pra acessar, algo que fui encontrando aos poucos”, conta ela, que produziu a nova faixa ao lado de Amadeus De Marchi (Terno Rei, Electric Mob, Hotelo).
RENAN GUERRA, “EU ACORDEI”. Cantor e compositor carioca, Renan acaba de lançar um EP chamado Artista, que vem acompanhado de um curta-metragem – ele diz que tanto disco quanto filme fazem parte da mesma obra, lado a lado. Eu acordei, primeiro single, foi feito por ele em parceria com ninguém menos que o fera da composição Michael Sullivan, que ele conheceu por intermédio de um amigo em comum.
“Conversamos sobre a possibilidade de fazermos algo juntos e ele topou. Começamos a trabalhar e, depois de um tempo, ele criou a melodia para eu escrever a letra em cima. Em outra sessão pintou o refrão, e assim a música foi saindo. Sempre apreciei a maestria dele para escrever músicas de apelo popular. Me sinto abençoado por essa parceria”, conta Renan, que define seu som como “um pop simples e sincero”.


































