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Radar: Marina Mole, Gabo Islaz, Manco Capac, Gustavo Spínola – e mais!

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Marina Mole (Foto: Divulgação)

Marina Mole, que já apareceu algumas vezes no Pop Fantasma fazendo feats, vai finalmente lançar disco solo – e já estreia no Radar com uma live session. Entre chamber pop carioca, jangle pop gaúcho e até MPB nova, o Radar nacional de hoje vem muito bem equilibrado, com direito a anúncio de show no Rio. Ouça tudo e monte suas playlists.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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MARINA MOLE, “CORAÇÃO REMENDADO”. Marina vai lançar neste ano o álbum Azucrim, cujo repertório vem sendo apresentado em shows. O punk rock Coração remendado sai por enquanto apenas em versão ao vivo feita para a série de lives Grande Sessão Veredas. Coração, que costuma encerrar os shows dela (é a canção mais explosiva do repertório) é apresentada por Marina na voz e na guitarra, ao lado do mesmo time que gravou o álbum – Vitor Wutzki (backing vocal e guitarra), Lucas Monch (baixo) e Cleozinhu (backing vocal e bateria). E é, pode acreditar, uma canção inspirada simultaneamente em Ramones e Paulinho da Viola (!).

“Ela é tipo uma mistura de Ramones com Jovem Guarda. E ela parte de um diálogo com a letra de Coração imprudente, de Paulinho da Viola, além de ter sido inspirada pelos backing vocals de O telegrama (Western Union), de Paulo Diniz”, conta Marina, que fez Coração remendado em parceria com Cleozinhu.

GABO ISLAZ, “NOCAUTE”. Em pouco mais de um minuto e meio, o gaúcho Gabo conta uma história que fala sobre como, às vezes, a paixão deixa a gente nocauteado, como se tivesse tomado um baita soco na cara – e estivesse caindo no chão, enquanto a plateia aplaude o vencedor / a vencedora da luta. Uma canção doce, tranquila, quase jangle pop, que adianta seu álbum Do latim re-cordis, voltar a passar pelo coração, previsto para 26 de maio de 2026. Gabo já havia lançado o single Me deixei e vai lançar ainda mais uma terceira musica antes do álbum chegar.

MANCO CAPAC, “CABEÇA”. Essa banda carioca é extremamente psicodélica e detalhista – com músicas cheias de surpresas nos arranjos e no uso de instrumentos musicais (falamos do EP Bom jantar aqui). Cabeça, o novo single, segue essa onda, com bandolins, corais, efeitos, ecos e uma vibe quase chamber pop. Tudo espremidinho em econômicos 2:12. Mais um lançamento do selo Alter Ego Produções.

GUSTAVO SPÍNOLA feat IVAN LINS, “VOA”. MPB com cara jazzística e, como convidado, um mestre na fusão das duas ondas: Voa, canção de Gustavo com participação de Ivan Lins, está no single Do acaso ao cais vol. 1, que marca a abertura de um álbum que será apresentado em três etapas ao longo dos próximos meses. Para Gustavo, Voa e O dia, que também está no single, são faixas que sintetizam o conceito do disco: são encontros que transformam o acaso em porto seguro. E que veem o mundo por uma visão cheia de esperança, mesmo em tempos complicados.

FRED IZAK, “CANÇÃO DE ENGATE”. Essa música de Fred não é nova – é de Lírico, seu último álbum, que saiu em 2024. Mas vale incluir aqui para avisar que o Teatro Brigitte Blair, em Copacabana, no Rio, está voltando a agendar shows de novos nomes da MPB, e Fred apresenta o show Lírico nesta quinta (16). O som dele é MPB referenciada nos clássicos nacionais dos anos 1970 e 1980, com lembranças de nomes como Cazuza e Raul Seixas – e por acaso, o show vai ter participações de nomes ligados tanto ao primeiro (Nico Rezende) quanto ao último (Arnaldo Brandão). Você fica sabendo mais sobre horário e ingressos aqui.

IMPÉRIO CONTRA-ATACA!, “ME DIZ QUE VAI FICAR TUDO BEM”. Produzido e mixado por Pedro Guerreiro (Chococorn and the Sugarcanes) e masterizado por Pedro Acosta (Bella e o Olmo da Bruxa), o single novo desse quarteto de Santa Bárbara D’Oeste soa bem mais próximo de uma onda punk melódica, ou até do pós-hardcore. Breno Baus, guitarrista do grupo, estreia nos vocais nessa faixa. Na letra, aquela sensação de quando você precisa ouvir que “vai ficar tudo bem”, mesmo que, na prática, nunca dê para garantir nada.

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Radar: Pianocoquetel, O Velho Manco, Thami, SantiYaguo – e mais!

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Pianocoquetel (Foto: Nicole Chaffe / Divulgação)

Donos de sites independentes também vão médico e demoram pra serem atendidos (tá tudo bem, foi só um exame), daí o Radar nacional dessa sexta tá saindo só agora – pelo menos a tempo de você fazer sua playlist pro fim de semana. Vamos abrindo com o som chique do Pianocoquetel, mas tem muito mais, da música pop à pauleira.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Pianocoquetel): Nicole Chaffe / Divulgação

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PIANOCOQUETEL, “OLHA SÓ”. Projeto musical idealizado por Felipe Brandão, o Pianocoquetel misutura pós-punk, MPB setentista e um tiquinho de psicodelia, nos timbres e no uso de instrumentos como órgão e synth com som de cravo. Que coisa, o segundo disco da banda, sai ainda no primeiro semestre – e é adiantado pela doce Olha só, que fala daquela revisão do dia que a gente faz depois que as coisas já aconteceram.

“Eu quis que essa fosse a primeira música lançada porque sonoramente ela apresenta bem o caminho das outras canções e também porque representa um sentimento que aparece direta ou indiretamente ao longo do disco”, explica. “Às vezes a gente passa tanto tempo tentando alcançar um objetivo que acaba esquecendo de valorizar coisas que surgiram no caminho, como o próprio sossego ou amizades que a gente ama muito e nem lembra quando começaram”. Lançamento Frase Records.

O VELHO MANCO, “AS PEDRAS” (CLIPE). Fazendo um som que une grunge, pós-punk, alt rock e noise dos anos 90, essa banda já havia aparecido no Radar ao lançar pelo selo Casalago Records o single duplo com Depois? e As pedras. Dessa vez, sai o clipe da segunda música, feito com evocações dos clipes dos anos 1990 e da atmosfera visual da HQ Sin City, de Frank Miller. Para o grupo, a ideia é causar tanto desconforto com o clipe quanto a própria música pode provocar.

“A faixa fala sobre o uso de entorpecentes, seja na sua supervalorização no intuito de desviar de uma condição mental mais profunda, seja tratando o próprio vício em tais drogas como uma deficiência na saúde mental passível de tratamento psiquiátrico ou ainda como necessários, com doses controladas, em uma sociedade imersa em ambientes agressivos à psique individual”, afirma a banda.

THAMI, “AINDA É POUCO”. Todo dia vem / aquela sensação / que tudo que eu fiz / me parece ser em vão”. Quem já passou por algum situação dessas, de trabalhar, trabalhar, trabalhar e parecer que a coisa não engata, vai se identificar muito com o novo single de Thami, cantora voltada para o r&b e para a MPB. Ainda é pouco, aliás, é uma música que fala sobre o esforço contínuo no mercado musical independente: ralar, correr atrás de shows, de gravações, de espaços, fazer música e nem sempre ver o esforço recompensado.

“No mercado de hoje, a sensação de que o esforço nunca basta é um peso real na vida de quem faz música de forma independente. Ainda é pouco surge justamente desse desabafo”, conta ela. “Foi um processo de cura para mim, pois precisei olhar no espelho e encarar essa exaustão de frente. Decidi não mascarar esse sentimento, mas sim dar voz a ele, transformando a fragilidade da cobrança em força criativa para o projeto”. A faixa já tem clipe, com direção criativa e design de Guilo Farias.

SANTIYAGUO, “MÁQUINA DE MOER”. Esse músico e cantor carioca faz heavy metal – mas faz questão de inserir bom humor e crítica em suas músicas, em vez de só falar dos temas comuns do estilo musical. Bastante artesanal e bem realizado, o clipe traz Santiago Miquelino (o popular SantiYaguo) cantando a música pelos recantos do Centro do Rio, enquanto um rapaz fã de rock pesado ouve um som no fone e também dá seu passeio pelo local.

Cenas fora do cartão postal do Rio surgem ao longo do clipe: pessoas em situação de rua, sujeira, pixações, cartazes de protesto (contra a escala 6×1!). Já a letra, diz SantiYaguo, “é sobre como o tempo me moeu”, e como a passagem dele vai mudando as coisas para todo mundo. Entre as referências da faixa, o clássico Judas Priest e a banda brasileira de metal Azul Limão.

LUIZ E AS CONSEQUÊNCIAS DE SUAS ESCOLHAS, “ROTEIRO DO ROLÊ”. Erasmo Carlos ficaria orgulhoso: seus pupilos Luiz Lopez (voz, guitarra), Pedro Herzog (baixo e backing vocal) e Rike Frainer (bateria e backing vocal), que tocaram durante um bom tempo com o Tremendão, agora formam o Luiz E As Consequências de Suas Escolhas – uma banda de indie rock ligada nos sons sessentistas.

O primeiro single, Roteiro do rolê, é um canção com cara jovemguardista, cuja letra fala dos programas da noite carioca – uma música que tem até um pouco do espírito descontraido de Erasmo, que no hit Coqueiro verde falou da boate Le Bateau e do Pasquim. Plural, o álbum de estreia, sai a qualquer momento. Lançamento Labidad Music.

HARU E A CORJA, “DEVORAR”. Essa banda de metal de Fortaleza assinou seus discos e singles durante vários anos com o nome Corja!. Algumas coisas mudaram: Haru Cage assumiu os vocais guturais do grupo, e a banda passou a se chamar Haru E A Corja – e o grupo agora grava na Deck. Ao lado de Helder Jackson (guitarra), Pedro Leal (baixo) e Silvio Romero (bateria), Haru solta o gogó em Devorar, música que fala sobre “viver à mercê da decisão que não é minha, mas ser cobrado pelo mínimo que cabe a quem me cobra”.

Devorar é uma das músicas mais marcantes que já escrevemos. Tem peso, tem groove, tem riffs que grudam. Espero que quem escutar sinta isso tanto quanto a gente”, conta Helder, autor do arranjo. A música nova foi gravada entre São Paulo e Fortaleza, com produção musical, mixagem e masterização de Rodrigo Oliveira. E já tem clipe.

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Radar: Lana Del Rey, Guitar, Theatre, Jenny On Holiday – e mais!

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Lana Del Rey (Foto: Divulgação)

Disco novo de Lana Del Rey que é bom, nada – mas já saiu até música nova de surpresa hoje (esse povo famoso adora uma surpresa, né?). Além dela, teve mais gente que andou lançando música no susto, às vezes só para ter algo novo para a turnê que está chegando. E um som novo de despedida de uma banda – além da estreia de outra. Curta tudo no Radar internacional de hoje.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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LANA DEL REY, “FIRST LIGHT”. Talvez esse álbum novo de Lana Del Rey, que já teve diversos nomes e datas de lançamentos, atrase mais do que o imaginado – mas do jeito que as coisas andam indo, mais fácil ela decidir lançar uma coletânea de singles. First light, lançada de surpresa hoje nas plataformas, é a nova música de Lana – também é tema do videogame dedicado a James Bond, 007 First Light, previsto para 27 de maio.

A faixa foi composta por Lana Del Rey e pelo britânico David Arnold, que já trabalhou na trilha sonora de vários filmes da franquia, como O amanhã nunca morre (1997) e Quantum of solace (2008). First light começa na onda dramática e sexy que todo mundo já associa a Lana, mas vai ganhando aquela grandiloquência típica das músicas dos filmes de James Bond, com metais que vão crescendo. A letra usa termos que associam o universo do detetive ao mundo dos games: fala em “força” em “vida como um jogo”, mas sempre naquela onda heroica da franquia. Ficou bem legal.

GUITAR, “BUNNY THE NIGHT CLERK”. Essa banda de nome, digamos assim, complicado (procure por eles no Spotify pra ter uma ideia da complicação) tem uma discografia curta e bem bacana – incluindo o bom álbum lançado em 2025, We’re headed to the lake, que resenhamos aqui. Em meio a alguns shows, o grupo liderado pelo cantor e compositor Saia Kuli acaba de lançar um single novo: Bunny the night clerk fala das entediantes aventuras de uma balconista de loja de conveniência, que trabalha no perigoso período noturno. O som fica entre o pós-punk e vibes eletrônicas e distorcidas. O lyric video, feito em desenho animado é uma surpresa.

THEATRE, “THE FALL”. Theatre não é dos nomes mais tranquilos de banda para se buscar por aí – fica no mesmo caso do Guitar, banda anterior dessa lista. Já o som desse grupo irlandês é coisa muito séria: é rock pesado, numa onda de “ouvimos muito nu-metal e emo Midwest quando éramos crianças / adolescentes” (mas pode levar fé que é bem feito) e com uma vocalista, Maeve O’Shea, cuja voz tem muito a ver com a de outras cantoras irlandesas ilustres, como Sinéad O’Connor.

A letra de The fall fala de bad trips relacionais: é “a história de uma amizade desfeita, uma pessoa que muda de personalidade e o tormento de amar alguém tão tóxico quanto ela”. Já vem chamando atenção: nos comentários do clipe da banda no YouTube há fãs agradecendo ao Fontaines DC por ter recomendado essa banda… Veja abaixo.

DESPERATE SEEKING SUKI, “SUKI”. Esse duo é formado pelos irmãos Natassa Zoë e Sig Sali (ou Danny Pugh), divididos entre Austrália e Reino Unido. Suki, o primeiro single, é definido por Natassa como sendo algo “sobre abraçar a luz e a escuridão dentro de si e encontrar um amor que se mantém firme em meio ao caos”. Com um leque de referências que inclui Lykke Li, Wolf Alice, Yeah Yeah Yeahs e Arcade Fire, a dupla se entrega a um pop dançante e eletrônico, mas com uma onda meio eletrorock que vai surgindo aos poucos, no peso e no clima meio psicodélico que surge depois – e que atinge também o lyric video da faixa. O duo promete um EP pra breve.

JENNY ON HOLIDAY, “ANDROGYNOUS”. Lançada originalmente pelos Replacements no álbum Let it be (1984), Androgynous é uma raridade na obra do grupo punk norte-americano: uma canção solidária, sobre identidade de gênero, falando de um casal que se veste da maneira que quer, e cujo comportamento não depende de padrões. Uma faixa ótima, por sinal, e pouco lembrada pelos fãs da banda (Let it be é não apenas um dos melhores discos do grupo como também é um dos melhores discos dos anos 1980, aliás).

Jenny On Holiday (ou seja: o projeto solo de Jenny Hollingworth, metade da dupla Let’s Eat Grandma) acaba de lançar uma versão acústica dessa faixa, que vai estar no EP Quicksand heart – Excess baggage, uma espécie de continuação unplugged de seu álbum Quicksand heart (resenhado pela gente aqui). A faixa sai em grande estilo: Jenny vai até fazer sua primeira tour como atração principal.

SECOND DEATH, “BURNING QUESTION”. A banda londrina de hardcore – uma banda do tempo em que o estilo era sinônimo de rodas vibrantes, porradas sonoras e vocalistas quase guturais – vai encerrar atividades. A festa de despedida inclui o lançamento da fita K7 Last songs, lançada pelo selo inglês La Vida Es Un Mus, com as três últimas gravações da banda.

Você pode ouvir as três faixas no Bandcamp da gravadora (em especial a intensa Burning question, que com quase três minutos é a mais extensa da última leva) ou pode pegar um avião e se mandar para Londres para assistir ao último show deles neste sábado, no New River Studios – a banda e o selo vão levar 50 fitinhas K7 com as músicas para vender lá.

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Radar: Tori Amos, Arkells, Alabama Shakes, Burglar – e mais!

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Tori Amos (Foto: Kasia Wozniak / Divulgação)

Tori Amos tá de volta – depois de virar o pop feminino dos anos 1990 de cabeça pra baixo, gravar um punhado de discos clássicos e levar adiante uma carreira em que shows transformam-se em verdadeiros recitais. Ela anuncia disco novo pra breve e já tem clipe rodando, que virou assunto aqui no Radar de hoje. Ouça tudo no volume máximo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Kasia Wozniak / Divulgação

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TORI AMOS, “GASOLINE GIRLS”. Com a palavra, ninguém menos que Tori Amos, cantora que rescreveu a história da música feminina ao estrear em 1992 com o álbum Little earthquakes (que deu a letra para cantoras como Alanis Morissette): “Esta é uma metáfora para diversas transformações — desde uma adolescente se tornando mulher, passando por mudanças na identidade de gênero ou em sistemas de crenças fundamentais, até as mudanças de vida que acompanham a gravidez, a maternidade e, eventualmente, a menopausa. A música explora as emoções que surgem ao deixar uma versão de si mesma para trás e se tornar outra”.

O assunto aí é a bela Gasoline girls, novo single da cantora, que adianta o álbum In times of dragons, previsto para o dia 1º de maio pela Fontana. O estilo quase folk-erudito de Tori continua o fino (o piano da faixa é maravilhoso) e os vocais dela, idem. E ainda tem o visualizer, em clima motorbiker feminino.

ARKELLS feat POOLSIDE, “WHAT’S ON YOUR MIND”. Na sexta (17) chega às plataformas Between us, disco novo dessa ótima banda canadense, que manda bem em faixas, clipes e material gráfico de modo geral. What’s on your mind é uma perolazinha meio rock, meio disco, cheia de sintetizadores, com participação do Poolside – projeto musical dançante e relax do produtor e compositor Jeffrey Paradise.

“Queríamos uma música hipnótica, onde os acordes não mudam muito e o ritmo e a melodia fazem todo o trabalho pesado. É o que eu mais gosto em assistir música eletrônica ao vivo: como ela pode se repetir indefinidamente, e quanto mais tempo dura, melhor fica. Mergulhamos fundo no mundo dos sintetizadores nesta faixa”, diz o vocalista Max Kerman, que despertou para o som do Poolside ao fazer uma tour com Paradise. “Vimos com ele o poder da repetição. O que a contenção pode oferecer ao público. A paciência de construir uma música com o groove ditando tudo”.

ALABAMA SHAKES, “AMERICAN DREAM”. Já viu quem tá de volta na praça? O single novo do Alabama Shakes já saiu tem alguns dias, mas super vale a pena colocá-lo no Radar. A música nova, um soul-blues-rock carregado, é diretíssima na letra, que comenta a política escrota do atual presidente norte-americano em tom de dedo na cara. “É um retrato do que estamos vivendo em 2026”, diz a cantora Brittany Howard, que além de liderar o Alabama Shakes tem uma carreira solo forte. E vem álbum novo do trio aí, precedido por American dream e pela já lançada Another life.

“Olho em volta e me pergunto como chegamos a um ponto em que há tanta pressão e tão pouco apoio. Quer dizer, não deveria ser impossível tirar uma folga do trabalho para levar o filho ao médico, isso é realmente insano. Minha esperança é que um dia as pessoas ouçam essa música e digam: ‘É, as coisas estavam loucas naquela época, mas nós conseguimos superar”. Literalmente, ouça no volume máximo.

BURGLAR, “STAR-CROSSED”. Duo irlandês formado pela local Willow Hannon (guitarra/vocais) e pelo brasileiro Eduardo Pinheiro (vocais/guitarra), o Burglar surgiu justamente das diferenças e das trocas entre os integrantes: Willow mergulhou de cabeça na produção de bedroom pop ainda na adolescência, e Eduardo foi moldado pela música popular brasileira dos anos 1970 e pela cena garage punk de sua cidade natal, Goiânia. Star-crossed é indie rock com beat dançante e clima próximo do pós-punk, com ótimas base de guitarra.

Já a letra fala dessa impaciência e ansiedade do ser humano em 2026. “É triste que sejamos sempre incentivados a enfrentar nossos problemas sozinhos, como se qualquer coisa que não seja você sendo constantemente produtivo e trabalhando fosse algo ridículo”, conta Eduardo, também se dizendo impaciente. “Tenho medo do futuro, e tudo o que estou tentando dizer com essa música é que você não precisa de grandes mudanças e reinvenções o tempo todo. Você pode permanecer ao lado de pessoas especiais quando elas aparecem. Já existem mudanças grandes o suficiente por aí”.

YOUNG MARTYRS, “IS THERE ANYBODY OUT THERE?”. Com uma música homônima a um lado-Z do Pink Floyd (da ópera-rock The wall, de 1979), esse grupo britânico de alt-americana volta de forma meditativa e até melancólica. Is there… é uma balada marcada por uma onda quase voadora, que propõe uma volta a outros tempos, enquanto o som vai ganhando intensidade.

“É uma música que todos precisam agora; uma canção sobre a busca desesperada por conexão e respostas. É sobre se sentir à deriva enquanto o tempo passa por você, sobre você, sob você. É sobre perda e saudade de alguém, e saudade das coisas boas que você já teve. É sobre crescer e perceber que você não fazia ideia de que, enquanto os melhores momentos aconteciam, talvez você devesse estar se agarrando a eles com mais força, porque um dia o momento terá passado”, conta o vocalista e letrista Tom Corneill.

CIRCUS NERVES, “STRAITJACKET RUNAWAY”. Esse projeto musical do Brooklyn é um duo formado pelo cantor sueco Hampus Svard e pelo ex-crítico gastronômico Evan R. Bison. Alguns singles já sairam em 2024, e agora o Circus Nerves tá de volta com Straitjacket runaway, tema pós-punk + psicodélico de letra contemplativa, falando sobre uma musa que ganha várias formas ao longo da faixa. Tem riff simples, refrão bacana, vocal grave e frio, e um timbre de órgão que remete aos anos 1960 – além de beat dançante.

 

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