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Crítica

Ouvimos: Shed Seven, “A matter of time”

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Ouvimos: Shed Seven, "A matter of time"
  • A matter of time é o sexto disco de estúdio da banda britânica Shed Seven, formada em 1990 em York, na Inglaterra. O grupo tem na formação Rick Witter (voz), Paul Banks (guitarra, piano), Tom Gladwin (baixo), Maxi (bateria) e Tim Wills (teclados). O álbum chegou ao topo das paradas no Reino Unido.
  • O disco, que já saiu há um tempinho (foi em 5 de janeiro) tem participações de nomes como Rowetta (cantora que excursionou com os Happy Mondays), Laura McClury (Reverend and The Makers) e Peter Doherty (Libertines).
  • A matter of time foi escrito integralmente durante nove meses em 2022. “Depois que a covid aconteceu… Se te dizem que você não pode ir a lugar nenhum, isso só faz você querer ir mais ainda a algum lugar. Obviamente, isso é o mesmo para todos em qualquer caminhada da vida e este certamente não é um álbum de covid de forma alguma, além de algumas letras talvez terem sido anotadas em tempos de covid”, disse Rick Witter aqui.

Pelo menos aqui no Brasil, o Shed Seven tem mais cara de “maravilha de um hit só” do brit pop, do que de banda da qual todo mundo lembra. Por aqui, eles são mais conhecidos por um hit de pista (Disco down) que por sinal é uma das faixas inéditas de uma coletânea (Going for gold, de 1999) lançada à revelia – e publicada numa espécie de era do pós-brit pop, fim dos anos 1990. Na Inglaterra, eles conseguiram bastante sucesso em 1996, com cinco canções no Top 40 e várias idas ao Top of the pops, da BBC. Volta e meia era possível ver alguma coisas deles na MTV Brasil, embora seja uma banda perdida em meio a Oasis, Blur e muita coisa vinda da Inglaterra na mesma época.

Entre idas e vindas, já vieram sete discos, voltas ao mercado independente e realinhamento nas grandes gravadoras. Após passarem pela BMG, dessa vez estão no selo Cooking Vinyl, que pôs nas lojas (e nas plataformas) A matter of time. Quem realmente só conhece Disco down – praticamente um disco-rock – não vai encontrar quase nada parecido no disco novo, que tem uma cara bem mais descontraída do que muita coisa já lançada pelo grupo. O disco começa com Let’s go, um punk pop mais para Replacements do que para Ramones, embora a voz do cantor Rick Witter até lembre um pouco a de Billie Joe Armstrong (Green Day).

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Kissing California, a segunda faixa, traz um tom meio jangle-pop para o disco, entre corais, violões e riffs de guitarra de 12 cordas – Talk of the town vem no mesmo clima de união folk e rock, e uma sonoridade parecida é retomada no fim do disco com a dançante Ring the changes. Já In ecstasy é uma das mais oitentistas do disco, com sonoridade próxima do synth pop. Tripping with you é uma balada country com participação de Laura McClury (do grupo britânico Reverend and The Makers, que chegou a abrir shows para o Oasis).

A segunda metade do disco destaca músicas como o pós-punk ensolarado Real love e a crônica urbana da funkeada F:K:H (uma sigla para “feeling kinda high” ou “se sentindo meio chapado”), com coral gospel e argamassa psicodélica, lembrando uma versão menos noturna do Primal Scream. Tem ainda duas baladas grandiloquentes, com arranjo de cordas, Starlings e Throwaways – essa última, que fecha o álbum, com participação de Peter Doherty (Libertines).

(A propósito, vai sair mais um álbum do Shed Seven neste ano: Liquid gold está agendado para o dia 27 de setembro, vai ser uma homenagem às três décadas de história do grupo e vai trazer “faixas icônicas de seu passado, reinventadas com a adição de uma orquestra”, como diz a banda).

Nota: 8
Gravadora: Cooking Vinyl

Crítica

Ouvimos: The All-American Rejects – “Sandbox”

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Resenha: The All-American Rejects – “Sandbox”

RESENHA: Após 14 anos, All-American Rejects volta mais maduro em Sandbox, disco que mistura power pop, nostalgia sixties e dor suburbana.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: Slick Shoes
Lançamento: 15 de maio de 2026

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Tinha uma época em que a expressão “qualquer coisa” era meio multiuso: era usada para definir coisas muito boas, coisas que pareciam verdadeiras viagens na maionese mas tinham seu valor, e para coisas das quais ninguém sabia mais o que esperar, porque delas poderia vir de tudo. Seguindo essas três visões, um dos maiores exemplos de som “qualquer coisa” no universo pop-rock acaba de lançar disco novo depois de 14 anos: é o All-American Rejects.

Talvez seja aquele caso típico de banda que não foi feita para o mercado brasileiro entender (ou vá, não foi feita para eu entender, mas já ouvi a frase anterior de algumas pessoas). O All-American Rejects tem muitos fãs, discos muito bem sucedidos, voltou recentemente fazendo uma turnê por lugares inusitados (pistas de boliche, quintais, repúblicas estudantis) e faz bem a figura de banda para adolescente suburbano dos EUA.

Mas toda a discografia deles dá a impressão de assistir a um filme tipo Loucademia de polícia ou Top secret, em que você espera mais pelas gags hilariantes do que por uma história para acompanhar. O nome dá a impressão de uma banda punk, mas o som está mais para um “rock alternativo” com mais maldade que o habitual – e o conceito é de garotos brancos de subúrbio que escaparam por uma gota da vala white trash.

Sandbox, o disco novo, não afasta muito essa impressão, mas traz um All-American Rejects maduro, corajoso e repleto de novidades. A banda se afastou das multis, montou seu próprio selo e fez a tal turnê inusitada como uma ideia para fugir dos esquemões de vendas de ingressos – um feito e tanto. O som do disco novo fica entre alt pop gostosinho, power pop + pop punk e uma certa tendência nostálgica, que passa pelo folk e pelo rock sessentista.

Fica bem mais legal quando dá para perceber que o grupo está tentando criar um som próprio, em faixas como o power pop vibrante Easy come, easy go, o alt pop tranquilo Get this e a vibe quase irresistível de Clothesline – a melhor do disco, com melodia e arranjo ótimos. São faixas que caminham entre o pop e o rock, como um rock que quer frequentar as rádios pop sem apelar.

O lado sixties do grupo também é interessante: a faixa-título tenta reproduzir um som de Beatles e Hollies, só que voltado para o idioma do rock das paradas alternativas. Staring back at me e o power pop Lemonade vão na mesma onda. Não rola quando a banda tenta fazer indie rock de olho nas paradas – tipo em King kong, que mais parece um Maroon 5 alternativo. Tem o lado country do grupo, que honestamente me parece americanoide demais, pelo menos no conto de bravura Green isn’t yellow. For mama, balada country que vai crescendo aos poucos, foi feita para a mãe do vocalista – vale muito pela emoção da letra e pela interpretação de Tyson Ritter.

Pra quem não é fã do All-American Rejects, provavelmente Sandbox vai causar a mesma impressão de “é legal mas não me diz nada” – talvez porque o som do grupo é feito para uma turma muito específica, apesar de numerosa. Ouvindo com atenção, dá para perceber que a banda cresceu por dentro. Aquele tipo de crescimento que rola quando a vida bate e você sente dor.

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Crítica

Ouvimos: Yago Opróprio – “À la carte” (mixtape)

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RESENHA: Yago Opróprio usa À la carte como ponte entre discos, misturando blues rap, soul, r&b e reggae em clima de “vem mais por aí”.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Som Livre
Lançamento: 21 de maio de 2026

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Curioso o formato de mixtape hoje em dia. No rap, ele costumava ser usado para projetos experimentais (às vezes eram discos enormes), colaborativos ou demonstrativos. Mas recentemente ganhou uma conotação de disco de “meio de caminho”, algo que não é completo o suficiente para poder ser considerado um álbum de verdade. Na prática, é quase a mesma coisa que um EP – embora já tenha rolado gente justificando que “também não tem a elaboração de um EP”.

  • Ouvimos: Emicida – Emicida Racional VL.3: As aventuras de DJ Relíquia e LRX (mixtape) / Emicida Racional VL.2: Mesmas cores e mesmos valores

Antes que você se pergunte “ué, se não tem a elaboração de um EP e é um álbum incompleto, pra quê lançar?”, lá vem Yago Opróprio com a boa mixtape À la carte. Yago é um cara que estourou bem com a estreia, Opróprio (2024), mas que preferiu funcionar na contramão do que as plataformas dizem que é pra fazer: está há dois anos sem álbuns novos e também não inflou os aplicativos de música com vários singles. À la carte, uma mixtape que surgiu de faixas soltas – amarradas por ele e pela Som Livre – dá uma animada nos fãs e serve como o tal “meio de caminho” entre um álbum e outro.

À la carte destaca o blues rap de O meu melhor, o soul de Hong Kong, o r&b de violão de O mais novo malandro do Centro e o reggae acústico de Encruzilhada – misturas de rap, romantismo e sacanagem que poderiam estar em Opróprio. Acaba na real soando mais como um EP mesmo, com toda a sensação de “vem mais por aí” que o formato provoca. Para os fãs, uma novidade é que Yago fez de À la carte um álbum visual – que você assiste aí embaixo.

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Crítica

Ouvimos: Grocery Bag – “Dead volt” (EP)

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Reenha: Grocery Bag – “Dead volt” (EP)

RESENHA: Grocery Bag faz punk espacial e acelerado direto do Texas no EP Dead volt, com garage, pós-punk e ecos de Nirvana e Radiohead em riffs ruidosos e velozes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de maio de 2026

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Vindo do Texas, o Grocery Bag tem dois álbuns e alguns singles na discografia. Dead volt, EP novo, é basicamente punk com vibe motorbiker – com aquela rapidez de quem dirige uma moto em altíssima velocidade, enfim. Só que a moto voa e vai parar no espaço: os vocais fortes e, às vezes, distantes (da cantora Isabella Martinez) e os solos ruidosos migram para o punk espacial, em faixas como Lies e Grave.

Watching TV tem algo de Nirvana e do começo do Radiohead, com versos de pura despersonalização, com lembranças amargas (“estou só assistindo TV no meu antigo quarto / como você está? / estou vendo todas as pessoas que querem ser eu agora / elas estão rindo de mim, chorando comigo”). Stop calling me out é um rock garageiro que começa a viajar e ganha um interlúdio reggae, com ótimas guitarras.

O final é com o pós-punk sombrio de Reason, que vai ganhando climas heavy-psicodélicos na sequência. A distorcida faixa-título migra do garage beat para o rock pauleira cavalar em poucos minutos – sempre com guitarras quase espaciais.

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