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Ouvimos: Bright Eyes – “Kids table” (EP)

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O Bright Eyes mira em Dylan e Cohen no irônico e melancólico EP Kids table, também com ecos de Rolling Stones, Oasis e Lucinda Williams.

RESENHA: O Bright Eyes mira em Dylan e Cohen no irônico e melancólico EP Kids table, também com ecos de Rolling Stones, Oasis e Lucinda Williams.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Smithsonian Folkways Recordings
Lançamento: 1 de julho de 2025

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Numa perspectiva vale-tudo, Kids table, novo EP da banda norte-americana Bright Eyes, está mais para um álbum pequeno – oito faixas, 29 minutos, maior que muitos álbuns. Recheadíssimo de imagens pessimistas/irônicas e existenciais, Kids table apresenta Conor Oberst, vocalista do grupo, dando uma de Bob Dylan indie, ou Leonard Cohen indie, com a mesma tendência a falar das coisas de uma forma que pode ser gozação e pode não ser – pode ser religião e transcendência, e pode não ser.

É bem verdade que, vá lá, em alguns versos de Kids table você vai esperar por aquele desfecho fodaralhástico de poesia, e vai acabar obtendo algo que se assemelha a um fluxo de consciência mais ou menos direcionado. Não chega a ser um vício de compositor, é só (quase) um padrão, que dá certa frustração em momentos bacanas como Shakespeare in a nutshell, balada com piano elétrico, vibe psicodélica e ótimas frases que, às vezes, não parecem interligadas.

  • Ouvimos: Half Japanese – Adventure

Alynda Segarra, do Hurray For the Riff Raff, solta a voz na faixa-título e em Dyslexic palindrome, duas faixas com vibração country e sonhadora – a primeira, dando uma ligeira chupada no tema The house of rising sun, imortalizado por The Animals. Por acaso, são músicas que ajudam a estabelecer um esquema sonoro em Kids table: um encontro musical entre Oasis, Bob Dylan e os Rolling Stones da fase Mick Taylor, repetido também na dolorida Cairns (When your hearts belongs to everyone), no curioso ska 1st world blues (um ska que mais parece os Stones com Keith Richards no vocal, cantando um lado-Z do grupo e tentando imitar o The Clash) e a enigmática Victory City. Como letrista, nesses momentos, Conor se assemelha a um observador dos destroços da sociedade, que fala em visitas sangrentas ao shopping center e coisas do tipo.

Kids table traz ainda uma releitura de Sharp cutting wings (Song to a poet), de Lucinda Williams – gravada, ao que se sabe, quando Conor estava com problemas na voz. O cantor do Bright Eyes, que recebe a convidada Leslie Stevens no final da canção, apresenta uma versão pra lá de despojada, com vocal frágil, gravada ao lado do que parece ser uma cozinha, com barulho de gente mexendo em pratos e panelas. Uma gravação especial para fãs de releituras inusitadas e vozes doloridas, e que vale mais como curiosidade (até porque, pelamor, Lucinda cantando sua própria música é uma aula de extensão vocal e interpretação).

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Crítica

Ouvimos: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

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Resenha: Makeshift Art Bar – “Marionette” (EP)

RESENHA: Makeshift Art Bar mistura jungle, industrial, ska e eletrônica pesada em Marionette, EP intenso, caótico e cheio de tensão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Heist or Hit
Lançamento: 26 de junho de 2026

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Vindo da Irlanda do Norte, o Makeshift Art Bar é uma banda interessada em porrada, caos e ousadia: Marionette, o segundo EP, une sons eletrônicos e peso sem soar parecido com o Ministry ou com qualquer outra banda craque do estilo.

O som de faixas como Chocolate é basicamente um jungle distorcido e imagético, gravado como se fosse uma trilha de filme – dá para imaginar uma pista de dança escura bombando. Crows é um blues industrial porradeiro, em que o ritmo parece dado por várias correntes rangendo, enquanto a letra fala sobre incertezas e falta de paz.

  • Ouvimos: Data Animal – Future of ghosts

Marionette é um EP curtinho, com duas faixas em cada metade. Discipline tem ares de Laibach e de Alien Sex Fiend – une música sombria, clima hi-energy, peso e ondas de pavor. Servant, no final, é um ska demoníaco e pesado, em que temas como controle mental e manipulação se tornam cada vez mais apavorantes.

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Ouvimos: Bleeder – “Marble station” (EP)

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Resenha: Bleeder – “Marble station” (EP)

RESENHA: Bleeder une pós-punk, post-rock e experimentalismo em Marble station, EP que transforma duas covers em viagens sonoras densas e sombrias.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Escho
Lançamento: 5 de junho de 2026

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Direto da Dinamarca, o Bleeder é o projeto musical de Peter Peter, mais conhecido como autor de trilhas de filmes de ação e crime. No EP Marble station, ele se cerca de amigos, como Elias Ronnelfelt (do Iceage), para unir pós-punk e experimentalismo roqueiro histórico.

Marble station tem quatro faixas, mas o clima é de ocupação sonora, abrindo com a faixa-título. São nove minutos de música em que as guitarras vão tomando conta de um jeitão até meio emo – mas com piano luminoso e clima perdido, quase de post-rock, em que o peso vai chegando aos poucos. Here comes the dead, a outra autoral do álbum, é metal post-rock, em clima sombrio e sonhador.

O repertório de Marble station é complementado por duas covers. Boy / girl, de Lydia Lunch, vira hardcore ruidoso e eletrônico, com ares de Ministry, mas ganhando até uma percussão. If not this time, música da pioneira banda experimental estadunidense Fifty Foot Hose, é psicodelia sombria sessentista. Loucura sonora mapeada.

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Crítica

Ouvimos: Jokas – “Ispiridiguiberto”

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Resenha: Jokas – “Ispiridiguiberto”

RESENHA: All Jokers vira Jokas e lança Ispiridiguiberto. São 16 minutos de punk e hardcore irônicos, pesados e maduros, entre zoeira, crítica e boas melodias.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Lixo-O-Rama Discos
Lançamento: 28 de junho de 2026

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Falamos outro dia de um álbum de onze minutos, mas tá aí a banda paulista Jokas quase na mesma linha. Ispiridiguiberto, o primeiro álbum do grupo, tem oito faixas e uma duração pouca coisa menos extravagante (16 minutos) que Magazine, o tal disco curto do YHWH Nailgun. O Jokas, que vem de Campinas (SP), é “das antigas”: é o clássico grupo punk All Jokers com outro nome, mas com a mesma receita irônica e ruidosa.

Ispiridiguiberto, primeiro álbum com o nome novo, oscila entre punk californiano e hardcore para falar de vida no limite (Vida de doidão), ruindades do mundo (Fuck this shit, a faixa-título), amores (She couldn’t wait, em clima meio The Clash, meio NOFX). Tem zoeira em tom surf-punk, A bosta, e hardcore em clima guerrilheiro, Come join us – completando com a beleza punk de Goodbye, grey sky e Sweet perfection. Som com peso, vocais bacanas e maturidade nas composições.

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