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Ouvimos: Teago Oliveira – “Canções do velho mundo”

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Teago Oliveira mistura folk, rock e brasilidades em Canções do velho mundo, um álbum orgânico e emotivo que revisita histórias, estilos e afetos.

RESENHA: Teago Oliveira mistura folk, rock e brasilidades em Canções do velho mundo, um álbum orgânico e emotivo que revisita histórias, estilos e afetos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: Meia-Noite FM
Lançamento: 10 de outubro de 2025

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Com uma carreira que já soma mais de quinze anos – sua banda Maglore foi formada em 2009 – o baiano Teago Oliveira é um trabalhador da música. Volta e meia comenta nas redes sociais sobre como é ser um artista que não é famoso o suficiente para vender milhões de discos e ter a agenda abarrotada de shows, mas que já passou por todos os espaços possíveis (grandes e pequenos festivais, gravadoras de porte, selos indies, músicas gravadas por artistas conhecidos), conhece o negócio dos vários lados da mesa e paga os boletos com sons.

Numa época em que IA, aplicativos de música e redes sociais fazem todo mundo confundir fama e realidade, talento e mediocridade, a musicalidade de Teago em seu segundo álbum solo, Canções do velho mundo, soa como um reencontro – com o passado, com a história de cada um e com a composição absolutamente orgânica, que conta causos em letra e melodia. Minha juventude acabou, soft rock da abertura do disco, consegue cruzar Neil Young, Wilco e Dalto, numa letra que lembra que o pior já passou. Desencontros, despedidas é folk com slide guitar, violão, órgão, beat leve e observações da vida.

  • Ouvimos: Franciscos – Tudo o que eu carrego

Já o folk rock Eu nasci pra você une Raul Seixas, Belchior e Lô Borges para lembrar que os nossos chefes hoje são computadores. E daí pra frente, Canções do velho mundo aposta na mistura musical, cabendo um samba-reggae-folk (Eu sou de Salvador), afrobeat (Coisa boa), bossa espacial (Spaceships, parceria com o baterista norte-americano Eric Slick, e com emanações do primeiro disco londrino de Caetano Veloso), balada anti-romântica e irônica (Ninguém liga) e até pop funkeado de protesto – Não se demore, com algo de Roberto e Erasmo Carlos na melodia e no arranjo, e uma letra que fala em falsos profetas (“você piscou e o grande irmão já te pegou na ratoeira”).

Teago também chega perto de Beatles em Shaskin-Ka, faz lembrar Guilherme Lamounier em Vida de bicho, vira carioca honorário na bossa-soul Vida de casal (com Silvia Machete) e emociona com o piano e o acorde suspenso nas cordas de Vou morrer tentando. Um disco que soa como um presente musical.

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Crítica

Ouvimos: Rocketsuit Rogue – “Hello, apocalypse”

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Resenha: Rocketsuit Rogue – “Hello, apocalypse”

RESENHA: Vindo do Zebrahead, Matty Lewis estreia como Rocketsuit Rogue com Hello, apocalypse, disco que cruza punk, hard rock, ska e humor apocalíptico em canções rápidas e explosivas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Double Helix Records / SBAM Records
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Rocketsuit Rogue é o codinome de Matty Lewis, cantor, compositor e guitarrista presente durante vários anos na história do Zebrahead, grupo pop-punk que promove mesclas com hip hop (tem quem chame de punk-rap) e que, a bem da verdade, não chega a ser o tipo de banda imperdível. Nos anos 90 chegaram a lançar uma música, Get back, em que diziam “tenho que arrumar dinheiro como meu mano Trump” – uma patacoada da qual se arrependeram anos depois (dá pra alegar que nos anos 1990 Donald Trump era só um empresário, mas naquela época, já era uma companhia das piores).

Hello, apocalypse, sua estreia solo sob o codinome, tem um tom mais pesado, satírico e rock hero do que sua banda fazia supor – o som lembra uma união de grupos como Motörhead, Green Day, Ramones, Pennywise, e alguns clássicos do pré-pop punk, como Vice Squad. A agilidade sonora e o link com temas espaciais e/ou apocalípticos em faixas como Watch the world just fall apart, Better off dead, a explosiva Our last parade e o skacore Artificial ignorance, além de um certo pé na canoa do hard rock, garantem que o / a ouvinte vá deparar com canções legais.

Matty diz que o “alô, apocalipse” do título não é necessariamente o fim do mundo, mas qualquer sensação de “tudo acabado” do dia-a-dia. Algo que bate em canções como o power pop + ska-punk de The best last day on Earth e em hinos punk de fôlego, como Take me home e Goodbye paradise.

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Crítica

Ouvimos: Captibs – “Episódios trágicos” (EP)

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Resenha: Captibs – “Episódios trágicos” (EP)

RESENHA: De Mogi Guaçu, o Captibs estreia com Episódios trágicos, EP que cruza emo e pós-hardcore para falar de autossabotagem, falsidade, vigilância e dores de crescimento.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Lixorama Discos
Lançamento: 14 de agosto de 2026

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Banda de emo e pós-hardcore de Mogi Guaçu (SP), o Captibs é uma novidade – Cortinas, o primeiro single, saiu dia 31 de julho. Episódios trágicos, primeiro EP, aponta para o fim de tudo e para as últimas palavras de alguém (justamente em Cortinas), para a busca de equilíbrio num mundo desequilibrado (a vinheta Não vou ficar), para os momentos de autossabotagem da vida (Maus hábitos e comportamentos) e outros assuntos – em meio a solos e riffs ágeis, e vocais gritados quase no limite.

O clima do Captibs aponta para dores de crescimento e para a busca de solução para o que parece impossível de resolver, mas também fala de falsidade nas redes sociais (Je ne suis pas interésse), eterna vigilância (a faixa-título, com um poema triste narrado por uma voz feminina, lá pela metade) e golpes da vida (Jogado pra trás).

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Ouvimos: Sondre Lerche – “Acrobats”

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Resenha: Sondre Lerche - "Acrobats"

RESENHA: Em seu 11º álbum, Acrobats, Sondre Lerche cruza sophisti-pop, pós-punk, jazz, bossa nova e psicodelia em oito faixas grandiosas, que transitam entre canção pop, trilha de filme e balé.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: PLZ
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Gravado em nove estúdios diferentes, com participação de músicos de jazz, Acrobats tem sido considerado um passo grande e bem dado do compositor norueguês Sondre Lerche – e olha que ele geralmente é comparado a todo mundo que ocupa algum lugar no espaço do sophisti-pop, o pop sofisticadíssimo do qual falamos outro dia no instagram do Pop Fantasma.

O décimo-primeiro disco de Sondre é um “pop adulto”, com sonoridade oscilando entre o tal pop sofisticado, a experimentação pós-punk e um clima que remete tanto a Beach Boys quanto a bossa nova. A capa – detalhe – parece funcionar como uma espécie de norte artístico, como se os acrobatas representassem o baixo fincado, os beats de drum’n bass e a argamassa futurista e orquestral de How much of this was planned, a faixa de abertura. Ou a beleza arquitetônica de Little kids, quase um filme musicado, e um hino da perda de inocência. Ou a contemplação de Drive me away from you, uma esquina curiosa entre Beach Boys e Jaques Brel, com orquestrações de tirar o fôlego.

Ou o disco todo. Acrobats tem 45 minutos e oito faixas – algumas delas são bem grandes e deixam o álbum com uma certa cara de trilha de filme, ou de balé. A camerística Love is all e a dançante e sonhadora Follow the river, nove minutos cada uma, dão impressão de submergir, num cenário complementado por letras de puro delírio. Follow ainda é dividida por um momento de pura psicodelia feita com corda, em que tudo parece desabar. Curta para os padrões do disco (3:54), e com clima ligeiramente beatle, a faixa-título fala da acrobacia como um voo, em meio a uma melodia igualmente voadora, turbinada por um baixo pesado e circular.

Essa onda beatle toma conta da magistral In the time before I knew her well, uma valsa em clima absolute cinema – você consegue imaginar as cenas da letra, e um elenco dançando, em meio aos corais e cordas. Life-changing love, encerrando o disco, é o sophisti-pop mais “formal” do álbum: uma balada grandiloquente, com Sondre fazendo o possível para lembrar Paul McCartney cantando. “Lindo” é pouco. Acrobats é uma maravilha.

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