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Ouvimos: The Spells – “The night has eyes”

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Banda cult dos anos 90, The Spells lança enfim em vinil o inédito The night has eyes: garage rock psicodélico, gótico e minimalista, gravado em 1997.

RESENHA: Banda cult dos anos 90, The Spells lança enfim em vinil o inédito The night has eyes: garage rock psicodélico, gótico e minimalista, gravado em 1997.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: Garganta Press
Lançamento: 31 de outubro de 2025

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The Spells é a melhor banda que você nunca ouviu na vida, o maior clássico do rock do anos 1990 que ninguém (a não ser uma turma de sortudos que viu a banda tocando ao vivo) conhece. Nicole Barrick (guitarra e vocais), Marisa Pool (baixo e vocais) e Leni Zumas (drums) uniram-se em 1995 em Austin, Texas, e encerraram atividades em 1998 em Nova York, deixando para trás um disco gravado e nunca lançado, The night has eyes. Que só agora ganha edição em vinil – e no Bandcamp.

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The night has eyes foi gravado em novembro de 1997 em Nova York, sob a produção de um cara chamado Gale Talenfield. O som de Marisa, Leni e Nicole era basicamente garage rock com cara sessentista, ambiência quase “perdida” no espaço (som minimalista, com muitos ecos), subtexto gótico e bruxuleante. Lilith abre com beat lembrando os clássicos de Bo Diddley, mas logo ganha aspecto de marcha indianista e psicodélica. Vanishing act tem muito de Kinks, mas os vocais são quase falados – e a guitarra, estlingada, tem muito de Dick Dale e surf music sessentista. A marcial Strange tem baixo à frente e junta universos ligados ao pós-punk e ao pré-punk, simultaneamente.

Por aí já dá para ter uma ideia do que essas três aprontavam, musicalmente falando. Só que ainda tem mais: a valsa garage rock ritualística de Snow White’s coffin (“o caixão de Branca de Neve”), o cruzamento de Breeders e Coven de The night has eyes, a vibe Patti Smith + PJ Harvey da sussurrada e assustadora Isadora e as vibes herdadas de Velvet Underground das quilométricas If the world should end tonight e Yumiko – essa, com letra falada e cantada, na onda de The gift, do Velvet. Apesar do minimalismo sonoro, cordas e teclados dão as caras em momentos especiais e escolhidos do álbum.

The night has eyes ficou para trás após o fim da banda (num papo com a It’s Psychedelic Baby Mag, a banda conta que a separação se deu por causa de “maus hábitos que pioraram”) e nunca saiu. Recentemente, uma cópia da fita original foi encontrada pelo grupo (as três ainda são amigas) numa caixa de sapatos – Greg, o produtor, foi procurado pelo trio e disse ter o master original. The night has eyes sai numa edição completíssima, em que se destaca um livreto de 16 páginas com fotos inéditas do grupo, tiradas nos anos 1990 por Nick Zinner, guitarrista do Yeah Yeah Yeahs. Antes tarde do que nunca, chega a público a cara mutante e garageira do rock novaiorquino noventista.

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Ouvimos: The Fall – “BBC Radio sessions” (EP) / The Wedding Present – “Maxi” (EP)

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Dois clássicos do indie britânico voltam em EPs: sessões inéditas do The Fall na BBC e um Wedding Present revendo o passado com guitarras afiadas.

RESENHA: Dois clássicos do indie britânico voltam em EPs: sessões inéditas do The Fall na BBC e um Wedding Present revendo o passado com guitarras afiadas.

Texto: Ricardo Schott

Notas: 8 (The Fall) e 8,5 (The Wedding Present)
Gravadoras: Beggars Banquet (The Fall) e Scopitones (WP)
Lançamentos: 29 de outubro de 2025 (The Fall) e 5 de dezembro de 2025 (WP).

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Duas bandas do indie rock britânico clássico ressurgem em EPs novos. A primeira delas em caráter basicamente póstumo, já que se trata de um grupo (The Fall) que encerrou atividades após a morte de seu líder – Mark E. Smith, saído de cena em 2018. A outra (The Wedding Present) retornou em 2004 e vem fazendo uma torrente de lançamentos desde então, focando justamente em EPs.

BBC Radio sessions traz o segundo volume de gravações do Fall feitas na BBC – no caso, uma sessão gravada em 28 de abril de 1987 e transmitida pela primeira vez em 11 de maio daquele mesmo ano. O repertório focou em faixas de EPs e singles lançados naquele período, trazendo também a novidade de Athlete cured, faixa que sairia em 1988 no disco The frenz experiment. O curto repertório abre com Australians in Europe, pós-punk de poucos acordes, com ataque de guitarra surpreendentemente metálico lá pelas tantas. Twister, por sua vez, tem vibe krautrock, balanço cerimonial e uma abertura que adianta em alguns anos o som de Jon Spencer Blues Explosion.

O EP é complementado pelo clima boogie e sujo de Guest informant – no qual a voz de Mark lembra a de um Mick Jagger insociável. E por Athlete cured, soando como o encontro entre os beats da Motown e de Bo Diddley com a energia caótica da no wave. Já Maxi, do Wedding Present, é um disco novo que faz referência ao passado – mais detalhadamente ao EP Mini, de 1996. Ambos os discos têm músicas que falam sobre… dirigir.

Com uma formação recente turbinada pela guitarrista Rachael Wood, o WP surge variando entre a balada pós-punk e um clima próximo do rock pauleira nos quase sete minutos de Scream if you want to go faster – música que ainda ganha um clima meio psicodélico graças às guitarras e teclados do arranjo. Grand prix é meio jangle pop, mas faz lembrar bandas como XTC e Joy Division, nos vocais e no arranjo, Hot wheels, por sua vez, é punk e ágil, com ótimo trabalho nas guitarras.

Cruzamentos entre jangle pop e pós-punk aparecem também em Two for the road e na ágil e terna Silver shadow. E igualmente em Interceptor, canção que lá pelas tantas, ganha peso no estilo do Black Sabbath – voltando depois ao som comum do grupo.

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Ouvimos: Cat Arcade – “Fragmentada”

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Cat Arcade foge do shoegaze padrão em Fragmentada, misturando ruído, pós-punk e melodia, com vocal dramático e identidade própria.

RESENHA: Cat Arcade foge do shoegaze padrão em Fragmentada, misturando ruído, pós-punk e melodia, com vocal dramático e identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 2 de dezembro de 2025

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Banda gaúcha formada em 2019, o Cat Arcade lança o segundo álbum, Fragmentada, e marca algumas diferenças em meio à onda shoegaze que assola o rock nacional (e o internacional). O grupo não mira em paredes ruidosas de guitarras: o foco é em climas ruidosos entre Sonic Youth e o pós-punk, como na base de guitarra e nos riffs com eco de Sem rumo e Labirintos, que abrem o novo álbum. O vocal de Nina Barcellos é agudo e dramático, nada da vibe etérea dos sons ruidosos.

O grupo surpreende mais ainda com Videomaker, canção que tem algo de pop adulto anos 1980 (Marina Lima, Claudio Zoli, Vinicius Cantuária), mas traduzido para a atmosfera gélida do pós-punk – vale citar que até o título da faixa lembra a década em que criadores de conteúdo eram conhecidos como “videomakers” mesmo. Interrompida tem dramaticidade lembrando The Cure, enquanto Teste de sanidade tem até um certo clima de MPB “roqueira” dissolvido em meio a uma cara college rock – abrindo com um tom meio hispânico, e ganhando mais peso e melodia na sequência.

No fim do disco, Asas dá uma cara mais simples e melódica a Fragmentada, com evocações de Smiths e The Cure, ótimas guitarras e riff que chama a atenção. Um álbum que encontra identidade própria no ruído, no drama e na melodia.

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Ouvimos: Varanda – “Rebarba” (EP)

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O Varanda retrabalha sobras do ótimo álbum Beirada no EP Rebarba, focando no lado mais ruidoso, experimental e multifacetado da banda mineira.

RESENHA: O Varanda retrabalha sobras do ótimo álbum Beirada no EP Rebarba, focando no lado mais ruidoso, experimental e multifacetado da banda mineira.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de outubro de 2025

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A banda mineira Varanda lançou a ótima estreia Beirada em 2024, e agora, pouco mais de um ano depois, sai Rebarba, EP com quatro sobras do álbum, retrabalhadas agora para lançamento. Não é raro que bandas e artistas mexam em sobras de seus álbuns para trabalhar como singles e EPs – Nilüfer Yanya fez isso recentemente – ou até mesmo como edições deluxe, o que é até bem mais comum. O Varanda, uma banda bastante multifacetada, escolheu determinadas faces de seu som para focar no EP.

Rebarba começa com o jazz rock indie de Não me – música que ao final, vai ficando saturada, como numa gravação com defeitos, mas que depois volta ao normal, como se Mario Lorenzi, Amélia do Carmo, Augusto Vargas e Bernardo Merhy desejassem que a última mensagem da música ficasse na mente. Espelho é pós-punk-MPB, um som bonito e mágico, baseado num riff grave e numa letra imagética (“me faltou o Carnaval / mas rolaram as fantasias”), além de quebras rítmicas, como numa valsa pós-hardcore. Cores no céu soa como um ensaio gravado, mas ganha um som meio maquínico e um clima lembrando o pop adulto nacional dos anos 1980.

Sol ameaça um blues na abertura, mas vai mexendo com métricas pouco usuas e focando na experimentação rítmica. Ela já me ama encerra o disco de modo bem despojado, com efeitos de teclados e um resultado bem próximo do noise rock – com direito a vocais esgoelados, lembrando Pavement, Nirvana e Sonic Youth. A julgar pela Rebarba, tudo indica um futuro bem ruidoso e experimental pro Varanda nos próximos discos.

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