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Lançamentos

Radar: Queen, Jacob The Horse, Moon Construction Kit, Laptop, Dead Air Network, The Legal Matters

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Capa do disco Queen II

Acabou 2025! Bom, acabou pra você – no nosso coração ele continua vivo. Mas de qualquer jeito, vai aí o último Radar internacional do ano, destacando até mesmo uma canção natalina do Queen, que adianta um relançamento do grupo – e ainda não foi lançada oficialmente, mas você já ouve aqui. E ainda tem mais. Feliz ano novo!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Queen): Capa do discoo Que

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QUEEN, “NOT FOR SALE (POLAR BEAR)”. Queen II, o segundo álbum do grupo britânico, de 1974, vai voltar recauchutado às lojas e plataformas em 2026. O relançamento é adiantado por Not for sale (Polar bear), canção gravada durante as sessões do disco. Trata-se de uma canção feita pelo guitarrista Brian May para o Smile, sua banda pré-Queen – e algumas gravações piratas da canção com o Smile já rolaram por aí. Brian, que lançou a faixa num especial de Natal apresentado por ele na rádio britânica Planet Rock, apresentou a canção falando que “até onde eu sei, ninguém nunca ouviu esta versão”.

Aliás, essa música do Queen é uma canção de Natal. Daí o músico ter ficado na maior pressa para apresentar a canção, que nem sequer está ainda nas plataformas digitais – May disse também que a música ainda era “um trabalho em andamento”, mas “estou colocando isso de surpresa no meu especial da Planet Rock porque fiquei curioso para saber o que as pessoas acham”. Um detalhe curioso é que a letra não faz referência direta ao Natal. A data surge meio como um subtexto, na história da criança que olha vitrines e depara com um urso polar de brinquedo que “não está à venda”.

JACOB THE HORSE, “666 CHICKS”. Numa homenagem ao filme Faster, pussycat! Kill! Kill!, de Russ Meyer, quatro garotas sanguinárias substituem os integrantes da banda punk de Los Angeles Jacob The Horse no clipe de 666 chicks, seu novo single. Não sem antes sequestrar os músicos, subjugá-los e comer os quatro vivos. O guitarrista e cantor Aviv Rubinstien canta que as mulheres “morrerão assassinando homens que tentam mantê-las acorrentadas” e revela uma história de sua família nos versos “minha avó Hannah costumava jogar coquetéis Molotov em nazistas / e eu pago dez dólares por um café / e escrevo poesia ruim / não há esperança para mim” (a avó dele realmente fazia isso – Aviv é judeu esquerdista e muito do repertório do Jacob The Horse é sobre a escalada do fascismo nos Estados Unidos). O irônico álbum At least it’s almost over, o próximo do grupo, sai em 20 de março.

MOON CONSTRUCTION KIT, “CHEMICALS”. O synthpop da Suíça vai bem, obrigado. O Moon Construction Kit é um projeto criado pelo músico Olivier Cornu, cuja sonoridade baseia-se em synths gélidos, algum peso nas guitarras e psicodelia como clima geral a envolver as músicas. Chemicals, o novo single, transita entre David Bowie e uma espécie de boogie art-rock, com arranjo e melodia contemplativos. “Chemicals é o som de sentir demais. Em algum momento, a única forma de lidar com isso é desligar. Eu queria que a faixa refletisse essa luta entre o caos e a necessidade desesperada de quietude”, conta Olivier.

LAPTOP, “CHRISTMAS CARD FROM A HOOKER IN MINNEAPOLIS”. Jesse Hartman é um sujeito experiente: tocou com Richard Hell, teve uma banda de indie rock chamada Sammy (que nos anos 1990 gravou discos na Geffen), e montou depois o Laptop – uma banda que começou lá pelos anos 2000, e que hoje Jesse divide com seu filho Charlie. O grupo lançou recentemente o single Indie hero, mas despede-se de 2025 com um single natalino: é a versão deles para Christmas card from a hooker in Minneapolis, sucesso de Tom Waits.

“Essa foi a primeira música que me mostrou que dava para misturar tristeza e humor na mesma frase. Ela basicamente me formou. Essa música é a planta-baixa do Laptop, eu sabendo disso ou não”, conta Jesse, que tocava a faixa desde os 13 anos no piano da família, antes de montar qualquer banda.

DEAD AIR NETWORK, “THIS MIGHT HAVE HAPPENED BEFORE”. “O Dead Air Network mistura punk retrô, new wave e influências góticas para criar uma experiência sonora única, que dialoga tanto com fãs nostálgicos quanto com novos ouvintes”, faz questão de esclarecer esse grupo punk de New Jersey, que na faixa This might…, volta esbanjando referências de Hüsker Dü. A música está no EP The fifth of october.

THE LEGAL MATTERS, “EVERYBODY KNOWS”. Muito romantismo e um clima que faz lembrar bandas como Badfinger e Wings – é o som de Everybody knows, música nova dessa banda de power pop do Michigan. Uma música cuja letra fala a respeito de sons que lembram momentos legais do passado e os lugares dos quais você veio – você pode viver para sempre numa lembrança, numa fotografia ou em algo que te lembre coisas boas. Uma canção de Natal, embora nem seja esse o objetivo da banda, já que a data festiva nem é citada.

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Crítica

Ouvimos: Bemti – “Adeus Atlântico”

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Bemti mistura MPB, alt-pop e alt-folk em Adeus Atlântico, disco moderno, arejado e criativo, com viola turbinada e pop sofisticado.

RESENHA: Bemti mistura MPB, alt-pop e alt-folk em Adeus Atlântico, disco moderno, arejado e criativo, com viola turbinada e pop sofisticado.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 10
Gravadora: Independente
Lançamento: 22 de janeiro de 2026

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Discos de música pop saem aos borbotões por aí, inclusive no Brasil – mas parece que Bemti, mineiro mais ligado ao universo da MPB, é um dos raros nomes brasileiros que resolveram entender o que é que artistas ligados a estilos como alt-pop e alt-folk andam fazendo lá fora. Isso porque Adeus Atlântico, seu terceiro álbum, é antes de tudo um disco atualizado musicalmente. Além de ser um grande disco, claro.

Com músicas feitas entre Brasil, Portugal e Inglaterra, Adeus Atlântico responde de modo mineiro à onda de artistas jovens influenciados por soft rock, sons oitentistas, folk e country – quem curte nomes como Juanita Stein, Soccer Mommy e Blondshell não vai se arrepender se der uma ouvida no álbum. Conhecido por fazer músicas a partir da viola caipira, ele turbinou o instrumento com pedais, fazendo com que ele soe também como guitarra, como violão de 12 cordas, e como central de efeitos sonoros.

O lance é que Adeus Atlântico não é só resposta – é criação de estilo, a partir do encontro de gêneros e ritmos. Faixas como Nenhum tempo a perder, Lua em libra (com os vocais de Marissol Mwaba) e Só pra ter você (com os vocais da cantora Thu e do britânico Fyfe Dangerfield, vocalista dos Guillemots) arrumam soluções novas para a fusão alt-pop de estilos como soft rock, country e alt-folk, acrescentando percussões mineiras, beats ligados ao amapiano (da África do Sul) e detalhes sonoros que fazem lembrar Lô Borges e Sá & Guabaryra – ouvidos também em Quase sertão, parceria com Haroldo Bontempo, e no dream folk da faixa-título.

Ainda que, às vezes, a viola de Bemti – combinada com o piano ouvido no disco – aponte para um Radiohead do sertão mineiro, introspectivo, viajante e cheio de efeitos, Adeus Atlântico é um disco arejado. Euforia, single com os vocais de Luar e o rap de FBC, é soft rock oitentista numa estileira que lembra Paralamas do Sucesso. Miragem (com o luandense Alex D’Alva), a belíssima Metal (que tem uma surpresa melódica no fim) e o single Melhor de três põem Bemti no mapa do pop sofisticado, unindo detalhes de blues e country a experimentação com beats. Já as letras são uma verdadeira travessia emocional-existencial, falando de viagens, amores e corres. Pop para ouvir em alto volume.

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Crítica

Ouvimos: Westside Cowboy – “So much country till we get there” (EP)

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Westside Cowboy mistura country, punk e indie no EP So much country till we get there, reforçando a onda “britainicana” com clima ruidoso, psicodélico e imprevisível.

RESENHA: Westside Cowboy mistura country, punk e indie no EP So much country till we get there, reforçando a onda “britainicana” com clima ruidoso, psicodélico e imprevisível.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Adventure
Lançamento: 16 de janeiro de 2026

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Isso é assunto para o Clima de Época, a seção exclusiva para assinantes do nosso Apoia.se, mas lá vai: outro dia a Dazed falou sobre um gênero chamado britainicana, defendido pela banda Westside Cowboy. Vamos combinar que “britainicana” é um nome tão maluco quanto “forró universitário”, mas é essa mistura saudável de country norte-americano e punk + indie rock britânico que vem marcando os discos desses ingleses de Manchester. E esse termo vem igualmente dando um sentido de coletividade ao som de bandas como Black Country, New Road e Geese (vale comentar que até o Dry Cleaning, sombrio e pós-punk até a medula, deixou entrar ares country em seu novo disco Secret love).

So much country till we get there, o novo EP do Westside Cowboy, põe mais algumas pedras no caminho dessa discussão. This better be something great, EP anterior (resenhei aqui), deixava entrever mais o lado slacker, herdado do Pavement, desse quarteto. Dessa vez abrem o disco com um country funéreo, Strange taxidermy, que faz lembrar a união de Johnny Cash e Velvet Underground – uma estranha viagem punk, ruidosa, country e psicodélica, como se cada estilo fosse uma porca ou um parafuso adicionado na máquina. A letra é pura marginália country, seguida pelo clima misterioso de Can’t see, pós-punk + country, com peso, abertura maníaca e versos de pura estranheza (“é como se tivéssemos sido forçados a ficar juntos / e você tenta me matar / o vento estava forte quando você virou as costas”) e pelo clima aventureiro de Don’t throw rocks, faixa que acha um lugar definitivo para a slide guitar no som indie.

Mesmo com dois bons EPs lançados, ainda fica meio complexo definir se o Westside Cowboy criou um estilo ou não – na verdade, talvez a vibe de “aqui tudo pode acontecer” do som deles, ou a esquina entre country e noise rock que marca uma parte boa do repertório, já formem um estilo. Essa onda toma conta do EP de vez nas duas últimas faixas: o belo e ruidoso pós-punk The wahs, com emanações de Pixies e Sonic Youth, e a caseira In the morning, música de voz, violão, percussões, e guitarra, gravada de modo despojado, como numa viagem de amigos – e cuja letra lembra uma canção tradicional de escárnio.

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Crítica

Ouvimos: Lemondaze – “Subtext” (EP)

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Lemondaze cruza pós-punk e post-rock em Subtext: faixas hipnóticas, guitarras em nuvem, peso crescente e climas cerebrais à la Brian Eno.

RESENHA: Lemondaze cruza pós-punk e post-rock em Subtext: faixas hipnóticas, guitarras em nuvem, peso crescente e climas cerebrais à la Brian Eno.

Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Venn Records
Lançamento: 5 de dezembro de 2025

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Um dos orgulhos do selo britânico Venn Records (especializado em eletrônicos e noise rock), o Lemondaze vem de Cambridge, tem base em Londres e é basicamente uma união de post-rock e pós-punk. Subtext sai quatro anos após o EP de estreia, Celestial bodies, e investe no cruzamento de vibes cerebrais e emocionais em poucos segundos.

Polari, faixa de abertura, é som hipnótico que poderia até parecer shoegaze, graças às guitarras e ao vocal, ambos em meio a nuvens – mas tem um peso diferente, que vai crescendo ao longo da audição. C=bain, na sequência, é a maior faixa do disco (quase seis minutos) – uma faixa lenta, marcada por guitarras que vêm lá de longe e por um vocal mântrico, quase indianista.

O (type) e Gravemind são músicas quase espaciais, cheias de ruídos de guitarras e com uma arquitetura quase progressiva. O mesmo rola na lindíssima Terra (o nome da faixa é esse mesmo), que encerra o EP: nuvens de guitarra, saturações musicadas e um clima de música produzida por Brian Eno. Uma beleza para se curtir no último andar, e no último volume.

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