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Crítica

Ouvimos: Riegulate, “Whatever together”

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Ouvimos: Riegulate, “Whatever together”
  • Whatever together é o novo disco do cantor, compositor, VJ, videomaker Riegulate, ou Rieg Rodig, músico norte-americano radicado em João Pessoa (PB) há mais de vinte anos.
  • Boa parte do trabalho foi feita durante a maratona de criação 30 Dias 30 Beats. “Eu vejo o disco como um trabalho essencialmente de música pop e indie com uso de mais canções, um pouco menos vocoder, mas está presente também. O nome Whatever, together tem ainda a extensão whatever, forever – como se fosse o lado talvez mais cínico. É a nostalgia, é a saudade, é um pouco quente, um pouco frio, é o agridoce, os tons de cinza, o ying e o yang, tem que ter. É sobre viver”, complementa.

Rieg Rodig, músico norte-americano por trás do pseudônimo Riegulate, fez um EP que soa mais como um disco de brasileiro fazendo synthpop do que uma seleção de músicas feitas por um estrangeiro que quer recordar os anos 1980. Whatever together é basicamente um disco (curto) de música praieira brasileira com uma cara meio hypnagogic pop – graças à sonoridade meio anos 1980/1990, à tecladeira antiga e ao som que, em alguns momentos, lembra uma fita Basf Cromo muitíssimo bem gravada (ou as cores daquele VHS que já quase mofou).

É o que surge em faixas como Feeling good, na neopsicodelia sintetizada de Winter chill, no clima Lincoln Olivetti de Its that thing you do (não fossem os vocais rappeados e ágeis, poderia ser uma gravação brasileira dos anos 1980). Na segunda metade do EP, Chill disco está mais próxima da house do que da vibe dos anos 1970 e Drive é o lado indie-rock-bossa do disco. Encerrando, Caribbean queen, aquele hit antigo do Billy Ocean, numa onda meio Daft Punk e Justice.

Nota: 8
Gravadora: Hominis Canidae REC

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Crítica

Ouvimos: Waterboarding School – “Steer clear” (EP)

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EP Steer clear, do Waterboarding School, mistura pop sessentista, psicodelia e sujeira punk para falar de ansiedades estranhas do dia a dia.

RESENHA: EP Steer clear, do Waterboarding School, mistura pop sessentista, psicodelia e sujeira punk para falar de ansiedades estranhas do dia a dia.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: BlackValley Records
Lançamento: 6 de março de 2026

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O Waterboarding School, essa banda sueca de nome sarcástico (“escola do afogamento simulado” – sendo que afogamento simulado é uma espécie de tortura)  já teve seu terceiro álbum, The little sports mirror, comentado aqui. O EP Steer clear é uma continuação do disco anterior em clima meio sessentista e, às vezes, quase psicodélico. Recordações de bandas como XTC permeiam o “lado A”, com as faixas Funcionalty e Living a lie.

  • Ouvimos: O Grande Ogro – O Grande Ogro (EP)

Na segunda metade de Steer clear, Nonsense chega a lembrar o Pink Floyd do começo, mas ganha clima quase beatle depois, enquanto Complaints tem uma cara de pop sofisticado sessentista, com partes diferentes, mas tudo acrescido de alguma sujeira punk. Nas letras, por sua vez, o Waterboarding School fala de um dia-a-dia bem estranho em que pessoas preferem fazer tudo para mudar, menos fazer terapia, e em que todo mundo é assaltado por problemas bem estranhos no meio da noite. Se identificou?

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Ouvimos: Liquid Mike – “Hell is an airport”

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Hell is an airport, do Liquid Mike, mistura emo, power pop e punk-pop em faixas curtas e urgentes — boas ideias que às vezes acabam rápido demais.

RESENHA: Hell is an airport, do Liquid Mike, mistura emo, power pop e punk-pop em faixas curtas e urgentes — boas ideias que às vezes acabam rápido demais.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7
Gravadora: AWAL
Lançamento: 12 de setembro de 2025

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Hell is an airport, sexto álbum do Liquid Mike, é um disco curto – as duas primeiras nem têm dois minutos e surgem emendadas, caindo logo na terceira faixa. Essa noção de continuidade marca o comecinho do álbum, que surge repleto de hinos emo, canções próximas do power pop, e alguns temas mais sombrios – como AT&T, que tem uma onda hip hop (rola até um scratch) e lembra um Red Hot Chili Peppers depressivo. Selling swords tem a mesma pegada emo, mas é uma balada folk com violões e percussões.

  • Ouvimos: Charm School – Schadenfreude ploy (EP)

Esse clima punk-pop, de guitarras pesadas, letras emocionadas e clima acessível, é o melhor de Hell is an airport, passando também pelas emanações de Weezer e Teenage Fanclub de Meteor hammer, pela mordacidade de Groucho Marx (de versos como “você realmente não quer saber o que pergunta no espelho / você vai se encolher e morrer? / ok, eu também” e “nunca acaba bem / mas ninguém prometeu que acabaria”) e pelas heranças de bandas como Goo Goo Dolls e Soul Asylum em músicas como Claws e Double dutch.

Problema: o Liquid Mike funciona quase sempre na base do “vai ser bom, não foi?”, com músicas que acabam rápido demais – Grand am, power pop bacana, acaba sendo interrompida (cortada!) bem rapidamente. Essa urgência excessiva tira um pouco a graça da audição e dá um certo ar de mixtape a Hell is an airport, como se o espírito dos EPs que a banda lançou ainda estivesse um pouco lá. De certa forma está.

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Ouvimos: Raging Lines – “Smile blank”

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Smile blank, estreia do norueguês Raging Lines, mistura new wave, pós-punk e synthrock em clima sombrio que lembra New Order, Smiths e Duran Duran.

RESENHA: Smile blank, estreia do norueguês Raging Lines, mistura new wave, pós-punk e synthrock em clima sombrio que lembra New Order, Smiths e Duran Duran.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 19 de fevereiro de 2026

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Sondre Thomassen Thorvik é um jovem músico norueguês (nasceu em 2002) que já teve sua voz comparada a de ninguém menos que Michael Gira, criador dos Swans. O Raging Lines é um projeto individual que ele criou para dar vazão à sua preferência por estilos como new wave e dark rock, e para ter todo o controle musical, já que ele compõe, canta e toca guitarra, baixo e bateria.

Smile blank, o disco de estreia, já espalha brasa para o lado do New Order em Walk with me, bastante associável a discos do grupo como Republic, de 1993 – muito embora a voz de Sondre seja bem grave. Seu vocal ganha mais força (e agudos dosados) no synthrock caseiro de Yamaha 237, que tem lembranças de The Killers e Duran Duran. E soa como algo das profundezas na dance music leve de Don’t bring me down, e em You stay away, que faz lembrar algo entre Smiths e Talk Talk.

  • Ouvimos: Feira Popular – Feira Popular (EP)

Musicalmente, Smile blank tem também coisas mais próximas do indie rock anos 2000, como a suingada Let me know. Já Heartbreak all over again e Things to make it true unem power pop e rock sessentista com muitas bandas dos anos 1970/1980 fizeram (Pretenders, The Cars etc), enquanto a faixa-título explora a vibe melódica do pós-punk gótico, com vocais que curiosamente lembram uma mescla de Morrissey e Jim Morrison, se é que é possível. O mesmo clima rola em Too dramatic, too paralyzed, pós-punk que encerra o disco lembrando até mais a carreira solo do ex-cantor dos Smiths.

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