Crítica
Os melhores discos de 2024 que a gente ouviu em outubro

Conseguimos dar uma adiantada e hoje já tá no ar a listinha dos melhores discos de 2024 que ouvimos em outubro. Estamos fazendo uma lista mensal desde julho (essa é a de julho, essa a de agosto, essa a de setembro, e essa, a inaugural, é a de melhores discos do primeiro semestre de 2024).
São os álbuns que balançaram mais nosso (meu, no caso) coração e receberam nota 8 ou acima disso. Dessa vez, um cara que está no primeiro álbum (Caxtrinho), uma banda veterana, mas recente (Tahiti 80) e uma banda definitivamente veterana (o MC5, que encerrou atividades) ganharam 10! E foi um mês de muitas resenhas.
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TURMA DA NOTA 8
Alas de Liona, Gravity of gold
Blossoms, Gary
Du Rompa Hammond Trio, O beijo da serpente
Finneas, For cryin’ out loud!
International Music, Endless rüttenscheid
Kate Pierson, Radios & rainbows
Katia Jorgensen, Canções para odiar
Marcos Valle, Túnel acústico
Riegulate, Whatever together
Tears For Fears, Songs for a nervous planet
Terrorvision, We are not robots
Thurston Moore, Flow critical lucidity
Tuyo, Quem eu quero ser
Verdes & Valterianos, Social climber (EP)
We Hate You Please Die, Chamber songs
TURMA DA NOTA 8,5
The Blessed Madonna, Godspeed
bôa, Whiplash
Dinosaur Jr, Farm (15th anniversary edition)
Duo Chipa, Lugar distante
Geordie Greep, The new sound
Godspeed You! Black Emperor, NO TITLE AS OF 13 FEBRUARY 2024 28.340 DEAD
Ian Hunter, You’re never alone with a schizophrenic (2024 expanded edition)
The Linda Lindas, No obligation
Madison Cunningham e Andrew Bird, Cunningham Bird
Manu Chao, Viva tu
Motörhead, Snake bite love (relançamento)
Mundo Video, Noite de lua torta
A Place To Bury Strangers, Synthesizer
Rod Krieger, A assembleia extraordinária
Rodrigo Campos, Pode ser outra beleza
Sugar Kane, Antes que o amor vá embora
The Wolfgang Press, A 2nd shape
Xiu Xiu, 13’ Frank Beltrame Italian Stiletto with Bison Horn Grips
TURMA DA NOTA 9
Amyl and The Sniffers, Cartoon darkness
cumgirl8, The 8h cumming
Faust, Blickwinkel (curated by Zappi Diermaier)
Jamie xx, In waves
Katy J Pearson, Someday, now
Lestics, Bolero #9
Maximo Park, Stream of life
Nada Surf, Moon mirror
Nick Lowe e Los Straitjackets, Indoor safari
Nicolas Não Tem Banda, Nicolas Não Tem Banda
Patrick Angello, Violão afro-brasileiro
Pixies, The night the zombies came
The Smile, Cutouts
Underworld, Strawberry hotel
The Waeve, City lights
TURMA DA NOTA 10!
Caxtrinho, Queda livre
MC5, Heavy lifting
Tahiti 80, Hello hello
Crítica
Ouvimos: Slift – “Fantasia”

RESENHA: Slift mistura doom, prog e ficção fantástica em Fantasia, disco pesado e acessível que une Jorge Luis Borges, cyberpunk e viagens sonoras.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Le Bosquet / Sub Pop
Lançamento: 5 de junho de 2026
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Trio francês que opera num território entre o progressivo e o doom metal, o Slift nunca soou tão fiel a si próprio quanto em Fantasia, seu quarto álbum – ao menos é a impressão que fica após escutar as oito longas faixas do disco. Basicamente é um disco em que universos como o realismo fantástico, a literatura cyberpunk e os mundos dos videogames se unem numa história de corrupções e paranoias universais. As músicas são pesadas e desesperadas, e tudo parece bem mais acessível que os discos anteriores do grupo, equilíbrio total entre peso e viagem sonora.
Tem bastante progressivismo em Fantasia – os teclados da faixa-título jogam todo mundo num universo que parece levitar, mesmo com os vocais gritalhões de Jemi Foussat (responsável também por guitarras e synths). E essa levitação ressurge no começo de Corrupted sky, que abre com sons de guitarra que lembram um Depeche Mode metal. Só depois o /a ouvinte entra num universo bem mais sinistro, que desemboca nas sombras de The village e no groove sabbathiano de A storm of wings.
- Ouça também YHWH Nailgun, Big|Brave, Absorbance e Pussy Riot.
Quem curtir literatura vai poder brincar de achar referências em Fantasia – de Jorge Luis Borges a Mikhail Bulgakov, tem muita coisa escondida e nem tão escondida assim. O blues-metal Orbis Tertius tem seu título tirado de um conto de Borges, Tlör, Uqbar, Orbis Tertius, sobre um lugar misterioso que… Bom, não vamos estragar a surpresa de quem quer ler o conto. Seguindo com o disco, Day of execution é metal-prog ágil e com bastante peso, e a faixa de encerramento Secret mirror, até ganhar bastante peso, tem aquela beleza decorativa típica do progressivo “espacial” – uma tendência que pegava de Jean-Michel Jarre a (pode acreditar) Richard Clayderman em começo de carreira.
Fantasia parece condensar tudo que o Slint fez até hoje, e dá pra dizer que é o disco que mais serve como “apresentação” da banda. Waiting man, uma das melhores faixas, é definida pela própria banda como “o Pink Floyd invadindo as sessões de Master of reality (disco do Black Sabbath)”. De certa forma, essa definição se aplica a todo o disco.
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Crítica
Ouvimos: Genghis Tron – “Signal fire”

RESENHA: Genghis Tron retorna em grande forma em Signal fire, unindo metal e eletrônica com clima à la Depeche Mode, peso e inovação sonora.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 9
Gravadora: Relapse Records
Lançamento: 12 de junho de 2026
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Sabe aquela pessoa de quem você sempre ouvia falar (e quase sempre contra a sua vontade) e que, depois de um tempo, desapareceu da vista de todo mundo como se jamais tivesse existido? E que um dia, por acaso, você descobriu que estava criando galinha no campo e nem sequer tinha redes sociais?
Numa época, parecia que o mesmo estava rolando com o Genghis Tron, uma banda de post metal (metal + eletronices + algumas progressivices) que vinha ganhando muitos fãs e era bastante comentada, até que em 2010 decidiu entrar em hiato. Um hiato com cara de término – durou dez anos e voltou na fartura de saudades da pandemia.
- Ouvimos: Blackwater Holylight – Not here, not gone
O grupo voltou quase inteiro, já que, compreensivelmente, Mookie Singerman, o vocalista, não quis voltar. Ele hoje é empresário de Olivia Rodrigo e Caroline Polachek, e além de já ter muito trabalho, provavelmente está ganhando bem mais como czar do empresariamento artístico (ele é chamado por aí dessa forma) do que nos tempos de músico. O vocalista Tony Wolski e o baterista Nick Yacyshyn ingressaram no grupo, e de lá pra cá, rolaram alguns discos novos. E Signal fire é o produto mais bem acabado da banda após a “volta”.
A grande curiosidade em Signal fire é que a banda que mais vem à mente ao ouvir o disco é o… Sepultura? De jeito nenhum: os timbres de guitarras e a combinação entre metal e eletrônicos são a cara do Depeche Mode. Isso rola mesmo em futuros clássicos do berro e do peso metalcore, como I am all e Born prey, e rola mais ainda em faixas como Future worship e New gods, de abordagem bem tecno.
Nem dá pra meter uma comparação com Nine Inch Nails no meio, até porque nem há nada do tecnicismo gélido de Trent Reznor aqui. O Genghis Tron opera num universo musical em que há amor tanto a violência quanto ao uso de tecnologia para construir imagens sonoras, combustíveis de sons como A love so pure e de vinhetas climáticas como Without form. A bateção de cabeça dá as caras sem filtro em faixas como a arrastada Tomorrow mirage e a esporreira quase powerviolence de Nothing blooms in the hollow. Discão.
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Crítica
Ouvimos: One Man Void – “One Man Void”

RESENHA: Grunge, hard rock, punk e ecos de britpop se cruzam no estreia do One Man Void, que transforma vazio existencial em combustível criativo.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 6 de março de 2026
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Descrito por Lucas Ferreira (letras, vocais, guitarra e baixo), e Rafael Nunezz (voz e arranjos) como uma banda cheia de influências do grunge dos anos 1990, o One Man Void apresenta bem mais que isso em seu primeiro álbum. O duo baiano abre numa onda próxima à sujeira hard rock da época (Soundgarden, Alice In Chains e até os momentos mais amigáveis de Tad e Melvins) em Unlimited. Mas também faz rock pauleira com referências country em Come and go e Again, e envereda pela deprê da fase inicial dos Stone Temple Pilots em Suffer.
Com letras que, segundo a própria banda, falam do vazio existencial como um espaço criativo, o One Man Void vai para outros lados dos anos 1990 em Under the sky, canção conduzida pelo violão, e com clima quase britpop. E manda bala no punk rock em Intoxicated. Encerrando, o metal-funk introspectivo de Go inside e a meditativa e bela Piece by piece – que ganha participações de músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia e é mais uma faixa com ligeiro clima britânico no álbum.
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