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Crítica

Ouvimos: Fito Páez, “EADDA9223”

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Ouvimos: Fito Páez, "EADDA9223"
  • EADDA9223 é o  o 35º álbum de estúdio do roqueiro argentino Fito Páez, e também é a regravação, com convidados, de seu clássico El amor después del amor (1992). O nome do álbum é uma sigla formada pelas iniciais do álbum original, mais os dois últimos algarismos do ano de lançamento (92) e do ano da regravação (23).
  • Entre nomes de países falantes de Espanhol (Argentina, Espanha, México), surgem um nome do rock britânico (Elvis Costello) e dois da música brasileira (Chico Buarque e Marisa Monte) entre os convidados do disco.
  • O disco saiu um mês após o lançamento de Fito Páez: Amor e música, série biográfica sobre Fito lançada na Netflix.

Fito definiu EADDA9223 como “não apenas um álbum” – e olha que se trata de um disco reimaginado, coisa que já acende nos fãs a luz vermelha da falta de imaginação, ou de problemas contratuais que couberam ao artista resolver regravando sua própria obra, como Taylor Swift vem fazendo.

O cantor e compositor argentino conseguiu realizar, no entanto, um feito raro: fez um disco excelente pular de dentro de um álbum clássico, e ainda deu às histórias de El amor después del amor uma dramaticidade que nem o original tinha. Ou melhor: o disco retorna com uma dramaticidade diferente. O álbum original seguia o preceito musical meio beatle, meio oitentista da carreira do cantor, com uso de orquestra e melodias bastante influenciadas tanto por discos como Abbey Road quanto pela MPB e pelo pop brasileiro (por acaso a faixa Un vestido y un amor foi bastante regravada no Brasil).

Dessa vez, um clima quase mágico, de descoberta musical (ou de trilha de filme), surge nas faixas, repletas de convidados. O próprio Fito diz ter se inspirado no clima tex-mex de Um drink no inferno, de Robert Rodriguez para revisitar sua Sasha, Sissi y el círculo de baba, reinterpretada ao lado de Mon Laferte, cantora chilena radicada no México. Climas ligados ao pop sulista nacional (e à união de tons latinos e brasileiros) surgem evidenciados nas participações de Chico Buarque (Pétalo de sal) e Marisa Monte (a própria Un vestido y un amor).

A rodar mi vida, originalmente um rock com cara meio glam, meio pós-punk, radicaliza e vira boogie percussivo herdado do T. Rex, com participação de dois nomes do rock argentino, Leiva e David Lebon (Seru Girán e Pescado Rabioso). Tráfico por Katmandu, rock latino com riffs e levada lembrando Led Zeppelin, volta em clima quase Motown com vocais de Elvis Costello (cantando em inglês). Dos días en la vida retorna mais densa e menos ágil que no original, com as estrelas pop Lali e Nicki Nicole nos vocais.

Nota: 8
Gravadora: Sony Music

Foto Reprodução da capa do álbum

Crítica

Ouvimos: Feeble Little Horse – “Bitknot”

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Resenha: Feeble Little Horse – “Bitknot”

RESENHA: Feeble Little Horse une noise, eletrônica e indie pop em Bitknot, disco ruidoso, melódico e melancólico sobre amores e desencontros.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Saddle Creek
Lançamento: 26 de maio de 2026

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O lance dessa banda de Pittsburgh é barulho – e o curioso é que o Feeble Little Horse consegue soar mais ou menos tranquilo mesmo operando no ruído. O terceiro disco deles, Bitknot, mantém a fórmula de vocais doces, distorções e ruídos eletrônicos, como se o som fosse uma intervenção em algo que já vem pronto. Ou como se originalmente uma doce canção de voz e violão pudesse se transformar em ruído maquínico – caso do garage rock Doorway e do pós-punk cerimonial de Poison, que abrem esse Bitknot.

Bitknot tem mais a ver com música-de-computador e com tendências altamente simplificadas de som do que com qualquer outra estileira, embora o FLH seja associado ao shoegaze. Rewind, a terceira faixa, voa em meio a sons de pássaros e vocais eletrônicos no estilo de Alvin e Os Esquilos – e tem um clima meio funkeado, meio sessentista. Ganha continuação na doce e dedilhada Shady, e no noise rock coolzaço de Dior, que recorre a imagens de filme indie para falar de amores em banho-maria.

  • Resenhamos o disco Girl with fish, do Feeble Little Horse, aqui.

Uma estranha graça do Feeble Little Horse em Bitknot é que eles voltam com uma baita cara de trilha de filme indie decadente – aquela coisa meio cozida em relacionamentos ruins, indefinições pessoais, viagens sem grana e corações partidos. É o clima de todo o disco, ainda mais na segunda metade, de canções como a balada derretida Cradle, a psicodélica Paris, a estranhamente indie pop Upside down. E é aí que uma banda geralmente mais trabalhada no barulho ganha uma onda mais pop – já que o conceito de “música pra geral ouvir” tem ficado bem sombrio nos últimos tempos.

Pra compensar, tem o ruído de videogame de DMT. E a rajada lisérgica de guitarras e synths de Guts, com um cantarolar sampleado e ritmado, e versos quase surrealistas: “Passando a língua, os dedos e o polegar / você consegue sentir o gosto de Ohio de cabeça para baixo? / está impresso no painel, o jornal guarda o placar / culpe o lugar onde você cresceu”. Barulho boêmio cozido na doideira.

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Crítica

Ouvimos: Ugly Ozo – “Dive” (EP)

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Resenha: Ugly Ozo - "Dive" (EP)

RESENHA: Ugly Ozo mistura indie, grunge e noise em Dive, EP confessional sobre depressão, solidão e autoconhecimento, com refrões marcantes.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Rex Recs
Lançamento: 1 de maio de 2026

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As coisas mudaram para o Ugly Ozo, que já foi quase um codinome da musicista Jessica Baker, da Ilha de Wight – hoje é um trio levado adiante por ela nos vocais, ao lado da irmã e baixista Boo Baker, e do baterista Tristan Northard. Dive, o novo EP, prossegue a trajetória confessional e ruidosa que surgiu em Stargirl, EP anterior (resenhado pela gente aqui).

O clima de Dive é de encontro, ou de reencontro, consigo própria, em meio a guitarras distorcidas, clima pesado (em todos os sentidos) e vocais que sugerem doçura pop. É o que rola na rappeada Hi, how are you?, canção sobre depressão e sobre dois “eus” brigando. E no clima barulhento e pop, lembrando o Nirvana (banda que tinha, por acaso, uma música chamada Dive) de Overkill. Uma música na qual Jessica diz que encarar a solidão às vezes é mais custoso emocionalmente do que continuar a manter um relacionamento cagado.

Tem ainda Jackpop, indie pop garageiro com recordações de River Euphrates, dos Pixies, e de bandas como Veruca Salt e Elastica – o tipo de canção que grudaria no ouvido ao tocar no rádio. Godspeed, unindo vibe folk, energia punk e climas sombrios, já abre falando que “estou perto dos meus amigos / mas meus inimigos estão mais perto”. O final, com Misery, une mais ondas sonoras herdadas dos Pixies, lado a lado com um vocal blase que lembra até o Cansei de Ser Sexy.

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Crítica

Ouvimos: Negative Summer – “Impossível não sentir nojo da sua cara”

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Resenha: Negative Summer – “Impossível não sentir nojo da sua cara”

RESENHA: Negative Summer mistura grindcore e black metal em um disco ultrarrápido, violento e sarcástico, que transforma ódio, ruído e humor em catarse.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 29 de junho de 2026.

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Antes de mais nada: o Negative Summer, uma banda de grindcore e black metal do Ceará, merecia fazer sucesso no Tik Tok com a maravilhosa faixa-título de seu novo disco. Ouvir versos como “que cena linda seria se um trator passasse por cima de você / compraria até pipoca pra ver / um caminhão de brita descarregado / devagar e sutilmente / em cima da sua cara horrorosa” acompanhados de uma base pesada e casca-grossa, é um prazer que deve ser sentido por todo mundo.

Impossível não sentir nojo da sua cara, o álbum do grupo, é pesado e agressivo em letras e músicas – e rápido, com dez faixas que no máximo passam de um minuto cada uma. A faixa-título, que tem esses versos aí do primeiro parágrafo, é um dos melhores exemplos, e o disco quase inteiro fica entre Napalm Death, Pungent Stench e Ratos de Porão, com batidas ágeis, vocais guturais e letras de puro ódio.

  • Ouvimos: The High Curbs – High speed

Num disco com um título desses, as músicas não poderiam ficar atrás, então prepare-se para o ruído e o peso de Teu sorriso é falso, Não existirá comida, Autonecrocanibalismo, Te usando como esterco e outras músicas ágeis e violentas – a podreira do mundo é zoada em versos como “corporações te presentearam / com tumores e perfumes caros”. Há bom humor em alguns momentos, e pelo menos uma faixa de clima black total, In conspiracy with satan, em inglês.

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