Crítica
Os 50 melhores álbuns nacionais de 2024!

Se bobear, o Pop Fantasma é o último meio de comunicação de música a dar os melhores do ano passado. Ano que vem vai sair tudo bem mais cedo, mas de qualquer jeito tem “os melhores” todo mês, e vai continuar tendo. E seguem aí os 50 melhores álbuns nacionais de 2024! Ouça tudo aos poucos e não esqueça dos discos de 2025, esse ano que já tá aí, correndo como pode.
Os discos estão em tópicos, do último ao primeiro colocado, sempre lembrando que para classificar os melhores vamos da nota 8 a 10. Dentro de cada nota, vínhamos fazendo um pequeno ranking particular para classificar os discos, e foi isso que levou à classificação. Penamos MUITO para cortar certos discos que estiveram nas linhas de melhores (nota 8) de alguns meses. Eles continuam estando entre os melhores dos meses em que os ouvimos, de qualquer jeito.
“Ué, mas e os EPs de 2024?”. Calma, tem uma seção especial para os EPs de 2024. Lá embaixo tem todos os links! (arte: Aline Haluch).
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50 MADRE, “VAZIO OBSCENO”. “Vazio obsceno, a estreia em álbum do projeto Madre, de Luiza Pereira, tem simultaneamente um ar anos 1990, graças às guitarras e ao peso da gravação, e um clima espacial e psicodélico, dado pela produção, pelos efeitos e pelo uso dos instrumentos. Na mixagem, a voz de Luiza aparece como um dos instrumentos”.
49 GUEERSH, “INTERFERÊNCIAS NA FAZENDINHA”. “Gueersh é uma banda que leva a ideologia do acid rock às últimas consequências. O som da banda não é só psicodelia: tem coisas próximas do shoegaze e do guitar rock em vários momentos da trajetória do grupo”.
48 PANTERAS VENENOSAS, “CIGANA ASSASSINA”. “O Panteras Venenosas é a maior novidade que você vai achar no pós-punk nacional atual. Uma dupla de synth-pop em negativo, chegada a climas misteriosos e góticos, misturando algo próximo de OMD, Ultravox, Saara Saara e Letrux”.
47 DORA MORELENBAUM, “PIQUE”. “Estreando solo com Pique, Dora Morelenbaum surge com um disco de MPB clássica – no sentido de que, se uma banda tentar dar sua cara às influências de Led Zeppelin, Beatles e Rolling Stones, vai flertar com o rock clássico”.
46 SUE, “QUANDO VC VOLTA?”. “Basicamente, dá para dizer que Quando vc volta?, álbum de Sue, é um disco de imagens, ou pelo menos de imagens sonoras. As doze faixas do álbum, mais do que serem instrumentais, são abstrações musicais, que dão notas, efeitos e beats a imagens e sentimentos”.
45 SUGAR KANE, “ANTES QUE O AMOR VÁ EMBORA”. “No novo álbum, o Sugar Kane não necessariamente se tornou uma banda mais otimista, como afirmou até no release – o repertório mostra que a visão da banda sobre questões da vida é que foi se tornando mais madura”.
44 FELIPE AUD, “ACUMULADO”. “O material do disco de Felipe Aud vem realmente de um acúmulo de canções guardadas por vários anos. O filtro de Acumulado vem pela maneira enviesada e diferente que a MPB paulista tem de contar histórias e de encarar o próprio processo de fazer música – características que surgem no som dele”.
43 SUPERVÃO, “AMORES E VÍCIOS DA GERAÇÃO NOSTALGIA”. “O segundo álbum da banda gaúcha Supervão soa como manifesto de geração – só que é uma geração beeeem esticada, que vai dos 20 e poucos aos 50 e poucos, passando pela indefinição dos 30. O disco é dominado por uma sonoridade entre o power pop e o tecno, entre o indie rock anos 2000 e o lo-fi”.
42 TAXIDERMIA, “VERA CRUZ ISLAND”. “Um disco bem eletrônico, e bastante experimental, mas não é isso o que mais chama a atenção quando se escuta o primeiro álbum do Taxidermia. Ele é basicamente um disco de MPB, de afrobeat. E até de pós-punk em alguns momentos”.
41 LUIZA BRINA, “PRECE”. “Um disco essencialmente feminino, e repleto de mistérios e histórias. A abertura, com o instrumental Oração 1, serve como um prefácio do álbum: uma música curta, orquestral, que destaca a percussão e o tom marítimo da melodia e do arranjo. E indica que Prece é uma aventura pessoal e interna, e um trabalho de tapeçaria musical”.
40 APPLEGATE, “MESMO LUGAR”. “Daria para usar até o desgastado termo ‘progressivo’ para definir o disco. É por aí, mas não é bem isso – o Applegate investe mais em ambientes sonoros do que em demonstrações de virtuosismo musical”.
39 ROD KRIEGER, “A ASSEMBLEIA EXTRAORDINÁRIA”. “Popularizado inicialmente pelo rock básico da Cachorro Grande (banda gaúcha da qual foi baixista), Rod Krieger volta em clima de space rock em seu segundo disco solo, A assembleia extraordinária. Mais que isso: volta atualizando a psicodelia nacional dos anos 1970 e o som de artistas como Syd Barrett e Arnaldo Baptista para uma onda meditativa e eletrônica”.
38 MUNDO VÍDEO, “NOITE DE LUA TORTA”. “O som eletrônico e experimental do disco volta com uma cara mais orgânica no álbum de estreia. Ainda que programações e teclados apareçam aqui e ali, e deem o tom da dupla de faixas de abertura (Como você me vê e O que nos aproxima, uma continuando a outra), violões, guitarras e vocais bem arranjados surgem na cara do ouvinte durante a audição”.
37 DANI BESSA, “HIPERDRAMA”. “O objetivo de Dani Bessa é, pelo que dá para ver das faixas de Hiperdrama (e de seu EP de estreia, Despedidas) é falar de amor praticamente ao contrário – tentar, enfim, arrumar novas maneiras de abordar um assunto que praticamente domina a produção de canções pop”.
36 ADORÁVEL CLICHÊ, “SONHOS QUE NUNCA MORREM”. “O Adorável Clichê volta equilibrado entre os lados dream pop e shoegaze. São dois estilos musicais que conversam bastante entre si (e que quase sempre servem como sinônimos um do outro), mas que servem a musicalidades diferentes, dependendo de qual parede de som aguarda o ouvinte”.
35 ANTIPRISMA, “COISAS DE VERDADE”. “O Antiprisma fez um disco chamado Coisas de verdade que já entrega sua proposta logo no nome: um álbum orgânico na era da inteligência artificial. É o que aparece, principalmente, na combinação das vozes de Elisa Moos e Victor José, que soam como uma conversa íntima logo na primeira faixa, Que seja“.
34 DANILO PENTEADO, “DáPé”. “O som de Danilo Penteado é ligado à música brasileira feita em São Paulo, mas tem muito de Jorge Ben, Nelson Cavaquinho e, em especial, Gilberto Gil. Nomes como Mauricio Pereira, Cesar Lacerda e Romulo Fróes, que colaboraram em DáPé, ajudam a dar um ar simultaneamente lírico e irônico para as faixas do álbum”.
33 ANDRÉA DUTRA, “ENTRE NÓS”. “Nove músicas de voz e piano, todas com letra e música de Andréa Dutra – que surge acompanhada por pianistas diferentes em cada faixa. O material, apontando para a união de samba e jazz em vários momentos, vai do expansivo ao lírico”.
32 RODRIGO CAMPOS, “PODE SER OUTRA BELEZA”. “Uma proposta musical bastante simplificada: com exceção de intervenções de percussão, todo o disco (curto, oito músicas, menos de 25 minutos) é de voz e violão, viajando entre o samba e a experimentação musical, em letra e música”.
31 CHICO CHICO, “ESTOPIM”. “Estopim é o disco mais sistemático (vamos dizer assim) que Chico Chico conseguiu fazer até o momento. E ele conseguiu isso numa gravadora de porte – a Deck -, sem abdicar da identidade própria que havia em todos os lançamentos anteriores”.
30 INOCENTES, “ANTES DO FIM”. “O veterano grupo paulista deixa as guitarras de lado e vai por outra via, inserindo características de blues em boa parte do repertório, além de uma ou outra coisa que soa parecida com bandas como Violent Femmes – só que em tom mais hard e classe-operária”.
29 DUO CHIPA, “LUGAR DISTANTE”. “Inspirado na cultura e na biodiversidade do Pantanal, o disco foi todo gravado com viola de cocho (uma variante da viola caipira, com um som que volta e meia chega a lembrar o do banjo), e traz canções que exploram ritmos locais como cururu e siriri, em um material predominantemente autoral”.
28 TETO PRETO, “FALA”. “É música pop, é eletrônico, dançante, até próximo de uma MPB adulta e sofisticada em vários momentos – mas é igualmente um disco cheio de raiva. Essa raiva aparece nas batidas pesadas, nos vocais ríspidos e nas letras, repletas de frases que parecem bem mais típicas do rap do que de outros estilos musicais”.
27 NEGRO LEO, “RELA”. “O álbum fala de sexo, mas não do jeito mais óbvio. É o sexo que rola no submundo dos aplicativos de relacionamento, no universo do OnlyFans, nas conversas online e nos desejos que não saem do digital”.
26 PATRICK ANGELLO, “VIOLÃO AFRO-BRASILEIRO”. “Patrick pretende não apenas falar de história do violão na música brasileira, como também da sua própria identidade como músico oriundo do subúrbio e neto de ialorixá – e esse contato rico com as raízes pessoais e musicais dá um entendimento diferente às faixas”.
25 GUILHERME PELUCI, “SÃO PAULO INSTRUMENTAL”. “Tem muita coisa que une esse São Paulo instrumental, de Guilherme Peluci, a São Paulo – Brasil, disco instrumental gravado por Cesar Camargo Mariano em 1977. São dois discos que falam musicalmente de São Paulo, claro. E são dois álbuns ligados ao jazz, cada a um pertencendo ao seu tempo”.
24 BATATA BOY, “MAGICLEOMIXTAPE (quando vê, já foi)”. “O subtítulo do disco novo de Batata Boy não é brincadeira: se você escutar MAGICLEOMIXTAPE distraidamente, pode acabar ficando assustado com a duração curta, e com os universos musicais para os quais o álbum aponta num tempo tão curto”.
23 NINA MAIA, “INTEIRA”. “Uma travessia em forma de disco. O repertório foi sendo construído durante sete anos, as letras têm vários questionamentos que Nina fez da adolescência até hoje. E ela própria trata a organização das músicas do álbum como uma jornada”.
22 VARANDA, “BEIRADA”. “O Varanda mistura informações musicais do pós-punk, do indie nacional dos anos 1990 e de um lirismo próximo da canção brasileira, sempre inserindo surpresas nas melodias e nas letras”.
21 PATRICIA POLAYNE, “O COMBOIO DA ILUSÃO”. “O tom de Polayne como compositora chega a ser apocalíptico, lembrando artistas como Raul Seixas e Chico Science, e lembrando que ainda há muito por ser feito. “A vida é só uma quantia pequeníssima que temos”, diz em Pequeníssima, samba-pop-abolerado de vocal forte”.
20 DEAD FISH, “LABIRINTO DA MEMÓRIA”. “Lançado no começo de 2024, Labirinto acabou sendo uma boa abertura para um ano em que antigas memórias do país seriam remexidas. Afinal foi em 2024 que saiu o filme Ainda estou aqui, e isso já diz muita coisa”.
19 BETO CUPERTINO, “AUTO”. “Um disco que alude a muitas coisas: emocore dos anos 1990, soft rock, MPB no estilo de Beto Guedes e Guilherme Arantes, rock britânico desolado dos anos 1990/2000 e som agridoce dos anos 1970”.
18 LUIZ AMARGO, “AMOR DE MULA”. “Amor de mula é um disco de MPB herdadíssimo da vanguarda paulista, mas passando também pela sonoridade do rock indie dos anos 1980 e 2000, por Jards Macalé, Raul Seixas, Eduardo Dussek, Joelho de Porco”.
17 LESTICS, “BOLERO #9. “O Lestics começou como um spin-off de outra banda interessantíssima de São Paulo, o Gianoukas Papoulas, e ganhou história própria, com direito a um design musical e lírico que se aproxima da criação de contos ou crônicas”.
16 CÉU, “NOVELA”. “Se você já gostava de Céu, prepare-se para conferir o quanto tudo em Novela soa amadurecido, sem o conformismo ligado aos trabalhos costumeiramente rotulados como ‘maduros’.”
15 ZÉ MANOEL, “CORAL”. “Artista brasileiro de musicalidade inspirada e incomum, Zé Manoel aproveita para desafiar, em Coral, toda e qualquer ideia que ainda resta a respeito da preferência atual do público por músicas curtas e concisas”.
14 CÁTIA DE FRANÇA, “NO RASTRO DE CATARINA”. “Um disco basicamente regido pelo renascimento, pela afirmação e pela visibilidade, cujas música valem como crônicas. Ela canta também o envelhecimento e o orgulho pela idade avançada e pelo tempo passado”.
13 PLUMA, “NÃO LEVE A MAL”. “O som do Pluma é recomendadíssimo para quem era fã de Cardigans nos anos 1990 – têm aquela mesma combinação de rock, detalhes eletrônicos, som lounge e vocais doces, além da mescla em doses iguais de peso e estranhice, que os suecos apresentaram no álbum First band on the moon (1996)”.
12 SOFIA FREIRE, “PONTA DA LÍNGUA”. “Um disco de MPB feito com base no synth-pop. Mas não pense na MPB dos anos 1980, porque o lance aqui é outro, unindo referências claras de música brasileira experimental, indie rock, indie pop, e até neo-soul”.
11 BOOGARINS, “BACURI”. “Impossível não pensar em Dorival Caymmi ao começar a ouvir Bacuri, disco carregado de brasilidade e baianidade, cuja abertura é com a faixa-título – uma canção meditativa, com percussão funcionando quase como um relógio e a letra cantada pelo baterista Ynaiã Benthroldo, quase como um mantra”.
10 MILTON NASCIMENTO E ESPERANZA SPALDING, “MILTON + ESPERANZA”. “Sim, Milton Nascimento está cantando muito bem. Mesmo que sua voz não seja mais a dos anos 1970 e 1980, ele se adaptou otimamente ao barítono atual, e segue a vida. O fim das turnês é providencial para o sossego do homem de 81 anos, mas o artista vai bem”.
09 PAPANGU, “LAMPIÃO REI”. “O ideal é resistir à tentação de colocar o Papangu na mesma prateleira de bandas influenciadíssimas pelo rock brasileiro dos anos 1970. Até porque Lampião Rei não existiria sem o tom gutural do black metal, sem o stoner rock e até sem a criatividade associada ao ‘faça você mesmo’ do punk”.
08 ORUÃ, “PASSE”. “Echo and The Bunnymen, Pink Floyd do começo e Jorge Ben – além de sons de terreiro, partículas de psicodelia californiana, e toda a carga da vida urbana, da luta diária, da resistência suburbana. Todas essas coisas juntas, com o filtro deles, são Oruã”.
07 NICOLAS NÃO TEM BANDA, “NICOLAS NÃO TEM BANDA”. “Existe algo ‘politicamente incorreto’ no imaginário desse grupo paulistano – só que da mesma forma perturbadora e incômoda que se esperou por vários anos que a incorreção cultural agisse, e não com o mesmo tom imbecil e reacionário associado a esse tipo de coisa”.
06 THALIN, CRAVINHOS, VCR SLIM, PIRLO E ILOVEYOULANGELO, “MARIA ESMERALDA”. “Difícil dizer se Maria Esmeralda vai criar uma escola no rap. Mas provavelmente muita gente que ouvir o disco vai decidir escrever um livro que tenha a mesma intensidade, ou dirigir um filme. E quem sabe, vira livro ou filme.”.
05 MIRAGEM, “MUITOS CAMINHOS PRUM LINDO DELÍRIO”. “Não dá para não prestar atenção numa banda que consegue se envolver simultaneamente com música brasileira dos anos 1970, psicodelia, rock progressivo, pós-punk e guitar rock noventista. Tudo bastante unificado musicalmente”.
04 LÔ BORGES, “TOBOGÔ. “Em Tobogã, Lô parece ter seguido uma receita que emparelha vários elementos do rock britânico, além da natureza criativa do R.E.M. na época de discos como Out of time e Automatic for the people, e até um pouco de power pop na linha de bandas como Big Star”.
03 AMARO FREITAS, “Y’Y”. “Ouça sem olhar para os nomes das faixas e encarando-o como uma única peça musical, dividida em vários segmentos instrumentais, que sugerem um passeio marítimo – com direito a seres quase imaginários, mistérios, uma ou outra sensação de perigo, cenas quase de desenho animado”.
02 BLACK PANTERA, “PERPÉTUO”. “O tom metal-afro-latino que já aparecia em lançamentos anteriores ressurge em plena forma, servindo como ligação entre todo o novo repertório, com percussões e sons pesados dando o tom de faixas como o hino Candeia e o punk rock Boom!”.
01 CAXTRINHO, “QUEDA LIVRE”. “Daria para colocar o álbum de estreia de Mario Vitor Castro na gaveta dos retropicalismos, mas calma: tudo soa como se Luiz Melodia e Jards Macalé decidissem aderir à no wave, mas para responder aos discos de Lydia Lunch e James Chance, fizessem um disco brasileiro por opção, trevoso por raiz e psicodélico por vocação”.
- Confira também as listas de melhores discos de dezembro, novembro, outubro, setembro, agosto, julho e do primeiro semestre, e do segundo semestre de 2024.
- Conheça os 50 melhores álbuns internacionais de 2024 que a gente ouviu.
- Conheça os melhores EPs de 2024.
- E isso aqui também é 2024. E como.
Crítica
Os discos nota 10 de 2025 (até agora…)

E vai aí um listão com os discos nota 10 de 2025 até o dia de hoje. O ano foi pródigo em discos excelentes, ninguém pode negar – muita coisa que saiu é muito, mas muito boa de ponta a ponta.
Outros discos nota 10 de 2025 provavelmente virão no comecinho de 2026. Mas por enquanto ficamos com estes aqui. Por enquanto, não separamos entre nacionais e internacionais, nem tiramos álbuns e projetos retrô (ao vivo, box sets, coletâneas). Daí – atenção! – não é a lista de melhores do ano, que sai só em março.
Aqui, você dá uma olhada (e uma ouvida) no que os três primeiros meses de 2025 tiveram de melhor. O segundo trimestre tá aqui. O terceiro trimestre tá aqui. E veja também os 50 melhores discos nacionais e internacionais de 2024. Os melhores EPs do ano passado você confere aqui.
Texto: Ricardo Schott – Arte: Aline Haluch
After Geography – A hundred mixed emotions
Ana Spalter – Coisas vêm e vão
Big Special – National average
The Armed – The future is here and everything needs to be destroyed
Catto – Caminhos selvagens
Congadar – Aprendi com meus antepassados
David Longstreth, Dirty Projectors e Stargaze – Song of the Earth
Dom Salvador – JID024
Don L – Caro vapor II – Qual a forma de pagamento?
Eliana Pittman – Nem lágrima nem dor
Fito Páez – Novela
Francis Hime – Não navego pra chegar
Funeral Macaco – Idade do pássaro (EP)
Gal Costa – As várias pontas de uma estrela (Ao vivo no Coala Festival)
Gal Costa – Buenos Aires En vivo (ao vivo – gravado em 1978)
Glenn Hughes – Chosen
The Hausplants – Into equilibrium (EP)
Hayley Williams – Ego death at a bachelorette party
Hifi Sean & David McAlmont – Twilight
Home Front – Watch it die
Husker Dü – 1985: The miracle year (box set)
Hyldon e Adrian Younge – JID023
Jehnny Beth – You heartbreaker, you
Joaquim – Varanda dos palpites
Kali Uchis – Sincerely,
Karnak – Karnak mesozóico
Katy da Voz e As Abusadas – A visita
The Mars Volta – Lucro sucio; Los ojos del vacio
Marshall Allen – New dawn
Mateus Aleluia – Mateus Aleluia
Mateus Moura – A imitação do vento
Miragem – Outros delírios (Fim de festa) (EP ao vivo)
Miami Horror – We always had tomorrow
The Melody Chamber – The Melody Chamber
Mundo Livre S/A – Sessões Selo Sesc #15 (ao vivo)
The Near Jazz Experience – Tritone
Nyron Higor – Nyron Higor
Paul McCartney e Wings – Wings (coletânea)
Paulinho da Viola – 80 anos (ao vivo)
Pélico – A universa me sorriu – Minhas canções com Ronaldo Bastos
Peter Gabriel – Live at WOMAD 1982 (ao vivo)
Peter Gabriel – In the Big Room (ao vivo)
Phil Lynott’s Grand Slam – Orebro 1983
Pulp – More
Rhiannon Giddens & Justin Robinson – What did the blackbird say to the crow
Sacred Paws – Jump into life
Sault – 10
The Spells – The night has eyes
Sprints – All that is over
The Stargazer Lilies – Love pedals
Stereolab – Instant holograms on metal film
Steven Wilson – The overview
Suzanne Vega – Flying with angels
Teago Oliveira – Canções do velho mundo
Tony Njoku – All our knives are always sharp
Tunde Adebimpe – Thee black boltz
Ty Segall – Possession
The Who – Live at The Oval 1971 (ao vivo)
White Lies – Night light
Wire – Nine sevens (box set)
Zécarlos Ribeiro – (Todos os Homens)º = 1
Crítica
Ouvimos: The Last Dinner Party – “From the Pyre”

RESENHA: From the pyre aposta no glam-barroco performático do The Last Dinner Party, com ótimos momentos, mas perde equilíbrio e força na segunda metade.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Island
Lançamento: 17 de outubro de 2025
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Muita gente teve certa má vontade com a estreia do The Last Dinner Party, Prelude to ecstasy (2024), encarando (de forma machista, vale dizer) o quinteto londrino como uma miragem musical ou algo do tipo. Depois que Prelude saiu, o rock barroco feito por mulheres ganhou um nível de atenção bem bacana: Folk Bitch Trio e The New Eves lançaram álbuns que cruzam vibes elaboradas, climas sagrados, Velvet Underground (e Nico) e bittersweet. Florence + The Machine, por sua vez, voltou com a catarse pesada de Everybody scream – um disco surgido de um lugar de dor, trauma e expiação.
Prelude tinha muito de Florence Welch (foi a referência citada por dez entre dez pessoas quando o disco saiu), mas o TLDP sempre foi além disso, focando numa onda quase glam-barroca. From the pyre, o segundo álbum, traz Abigail Morris (vocais), Lizzie Mayland (vocais, guitarra), Emily Roberts (guitarra solo, mandolin, flauta), Georgia Davies (baixo) e Aurora Nishevci (teclados, vocais) embarcando num clima até mais performático e glam-rocker que na estreia, pelo menos na primeira metade do disco. Agnus Dei, na abertura, soa como a união exata de Queen, ABBA e Sparks. Count the ways tem clima lúgubre e sombrio como nas músicas do T. Rex. E a belíssima Second best tem vocais patinantes e algo que remete ao Sweet e ao David Bowie do disco Hunky Dory (1971)
Esse primeiro terço do disco é continuado no single This is the killer speaking (basicamente uma canção metade ABBA, metade Velvet Underground) e no tom clássico, sofisticado e glam de Rifle. O lado B de From the pyre, no entanto, dá uma ligeira desandada, com sons mais próximos dos punhos de renda do que dos climas glam. De memorável na segunda metade, tem os vocais maravilhosos de I hold your anger e o arranjo de orquestra crescente de Woman is a tree. Mas falta o equilíbrio da estreia, sobrando o encavalamento da pianística Sail away ao lado de dois sons mais próximos do soft rock, The scythe e Inferno, que usam referências boas (Kate Bush, Stevie Nicks, Bonnie Tyler), mas não acrescentam muito. No geral: bom, mas poderia ser bem melhor.
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Crítica
Ouvimos: Balu Brigada – “Portal”

RESENHA: Portal, do Balu Brigada, mistura rock, synthpop, house e punk em estreia festeira, certeira na maioria das faixas, sobre dúvidas amorosas.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Atlantic
Lançamento: 29 de agosto de 2025
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Vinha faltando uma audição detalhada do álbum do Balu Brigada no Pop Fantasma neste ano. Aliás faltou muita coisa, mas no caso do grupo dos irmãos Henry e Pierre Beasley, vale citar que Portal é um disco fiel a uma das caras sonoras de 2025, que é a mistura musical. O Balu Brigada responde pela mistura festeira de rock, synthpop, house music, punk – na real um rock que se deixou influenciar por nomes como Tyler The Creator e que flerta com a onda indie sleaze, de dance punk, de beats e guitarras.
Portal é um bom disco, uma boa estreia, de uma banda que ainda busca uma cara verdadeiramente autoral, e que acerta na maioria das vezes. Como na viagem sonora da vinheta-título (que fala em “razões para ficar e razões para ir”), na onda pós-disco e eletrorock de So cold, na ingenuidade oitentista e quase power pop de Sideways. Há referências bem claras em alguns momentos: os samples fluidos e riff de guitarra combinados em Golden Gate girl apontam para as linhas vocais de Only happy when it rains, do Garbage, enquanto a crítica Politix fala sobre cinismo, abuso e gaslighting com beats eletrônicos, riff de guitarra à frente e uma onda que lembra tanto Strokes quanto o New Order do disco Technique (1989).
A atmosfera psicodélica do eletrorock Backseat (canção em duas partes, que depois ganha mais peso nas batidas), a leveza dance de Isolation e a curiosa onda boy band de 4:25 (uma blues ballad que remete tanto ao emo quanto ao pós-punk) também são canções marcantes de Portal. Talvez The question e What do we ever really know?, por sua vez, representem um respiro de banalidade no repertório, mas com certeza Butterfly boy encerra Portal caindo dentro do som mais mais maquínico do álbum.
E as letras? Bom, Portal é basicamente um disco conceitual sobre dúvidas amorosas, tipo terminar ou ficar, como reagir a um término, como ser feliz sozinho, como lidar com as próprias fragilidades (Butterfly boy, que serve como um resumo do disco, fala sobre isso). Um tema bem moderno nessa era de relacionamentos abertos, gente não-mono, mulheres preferindo não ter namorado, etc.
Mas vale lembrar que nem sempre a condução do tema corresponde – tipo em The question, quando o narrador decide pressionar sua namorada que quer dar um tempo, dizendo a ela que não quer saber de amizade porque já tem amigos demais. Em alguns momentos, os irmãos parecem estar adotando vários pontos de vista diferentes numa mesma faixa, e aí a coisa fica bem interessante.
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