Radar
Radar: Mariana Volker, Negro Leo, Breno Góes, Arthur Victor – e mais!

Negro Leo já lançou o álbum Rela tem um tempinho – mas a jornada dele continua, com Got to please, uma das mais ousadas músicas do disco, devidamente transformada em clipe agora. Além dessa faixa de 2024, o Radar nacional de hoje tem novidades bem atuais – mas também tem a chegada de É segredo, música de 2025 de Mariana Volker, a uma trilha de novela. Ouça tudo no volume máximo e apresente pros vizinhos.
Texto: Ricardo Schott – Foto Mariana Volker: Maria Clara Miranda / Divulgação.
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MARIANA VOLKER, “É SEGREDO”. Depois de surgir na trilha de Mania de você com uma releitura de Mais feliz (Cazuza, Dé Palmeira e Bebel Gilberto), a carioca ressurge com É segredo em outra trilha, a de A nobreza do amor, no núcleo de Virgínia (Theresa Fonseca) e Mirinho (Nicolas Prattes). E mais uma vez ela também investe num som intimista, entre o pop e o jazz – Mariana, por sinal, surgiu no rock carioca dos anos 2000, mas em carreira solo, tem privilegiado seu lado mais MPBista e sensível.
NEGRO LEO, “GOT TO PLEASE” (CLIPE). “Agradar se tornou a chave de sobrevivência”. Essa frase é uma espécie de epígrafe para Got to please, música de Negro Leo – uma espécie de synth-não-pop incluído em Rela, seu álbum de 2024 (resenhado pela gente aqui). Rela, vale citar, é um daqueles discos em que o conceito é formado por um pouco de sacanagem, e um pouco de cultura brasileira, com letras falando de sexo online e peladezas no OnlyFans, e música lembrando o boi maranhense e uma mescla de afrobeats, punk e funk.
Got to please vai nessa mesma onda, e leva o clima para o clipe, dirigido por Sofia Tomic, e que mistura design de viagens urbanas Google Maps, vibe de videogame e de Second Life (lembra?) e… sexo, já que vão surgindo vários letreiros de motéis, dos piores aos melhores estabelecimentos.
BRENO GÓES feat. ALICE PASSOS, “CLARISSA” / “ALMOFADA DO FAQUIR”. Breno acaba de lançar o single duplo Dobra 1, o primeiro de uma série de seis singles duplos que sairão ao longo do ano – e tudo vai surgir junto no álbum Dobra, após os lançamentos. Voltado para uma MPB regada a experimentações em vocais e letras, Breno fez a funkeada e delicada Clarissa em homenagem à sua esposa, durante cinco minutos, pensando em rimas com o nome dela, após o café da manhã.
Já Almofada do faquir, que conta com os vocais de Alice Passos, tem versos enigmáticos como “sinto a solidão de um capitão português / que, no Morro Cara de Cão / tivesse saudades de casa diante da onça pintada”. Alice dá voz aos versos de Breno, e surgiu na história do cantor e compositor após ele ver a cantora soltando a voz numa versão de Lendas brasileiras, de Guinga e Aldir Blanc, num vídeo caseiro. O single Dobra 1 é um lançamento da Caravela Records.
ARTHUR VICTOR, “28”. “Se eu fosse esperto já teria sido / se eu fosse doido já teria ido”. Quase um brega acústico e elegante, tocado ao violão, e com referências de samba e música cigana dando um clima diferente. 28 é a música de abertura do EP V, de Arthur Victor, que faz uma música brasileira bastante ligada ao pop-rock nacional (cita a banda Vanguart como uma das influências) e às vibes alt-pop.
O V do título do disco, afirma ele, “pode ser visto como um símbolo de vitória ou de exposição emocional. É o vértice onde me sinto pronto para criar de forma diferente do que vinha fazendo nos meus trabalhos anteriores”, conta Arthur, que já tem um EP e três álbuns gravados. Dois dos álbuns, Quarentena sessions (2020) e Quarentena sessions vol. 2 (2021) surgiram do isolamento da pandemia. Já V surge de dois anos de pausa e de amadurecimento pessoal.
MAVI VELOSO, “SATISFIED”. “Pra mim essa música é como se fosse um manifesto pop alternativo com uma uma vibe house/ballroom e fala sobre a ansiedade da era dos ‘swipes’ (relacionamentos iniciados por aplicativos). Traz uma ousadia e empoderamento e ao mesmo tempo a vulnerabilidade de conexões efêmeras. Então, com batidas hipnóticas e vocais que vão do sussurro sedutor à alta afirmação, vou construindo uma fantasia de desejo como ato de rebeldia”, conta Mavi Veloso, artista transmídia brasileira radicada na Holanda sobre seu single novo, Satisfied. A faixa é uma peça eletrônica cantada em inglês, que fala sobre uma pessoa que busca o prazer como autoafirmação – e que cai na mistura de empoderamento e vulnerabilidade.
SAMWISE, “ACIDENTES”. Lançamento da Repetente Records – selo criado por dois músicos do CPM 22, Badauí, Phil Fargnoli, junto ao diretor artístico Rick Lion – o Samwise fica entre o emo e a deprê shoegaze, que surge bem devagar em Acidentes, seu novo single, feito enquanto a banda vai preparando um novo álbum.
O single é o oitavo trabalho da banda lançado na gravadora, e a letra de Acidentes usa o imaginário da vulnerabilidade e da quebra em versos como “colar tudo que quebrou”, “paredes trincadas” e “uma viagem que eu nunca quis fazer”. Mas no texto de apresentação, a banda faz questão de falar que o principal é a reconstrução, e que Acidentes fala de vulnerabilidade sem ficar apenas focado nela. A música já ganhou também um clipe dirigido por Henrique Bap, com imagens no Canadá captadas por Felipe Rocha.
Radar
Radar: Slippers, American Football e Brendan Yates, Suki Waterhouse – e mais!

No Radar internacional de hoje (fazia tempo que não rolava um, né?) nos pentenciamos por termos passado direto pelo single novo da ídala Suki Waterhouse – e ele tá aqui. Tem também a nova do American Football (com Brendan Yates, do Turnstile) e, abrindo os trabalhos, o indie rock com cara power pop do Slippers, que prepara disco para breve. Ouça bem alto!!
Texto: Ricardo Schott – Foto Slippers: Divulgação.
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SLIPPERS, “FOOL IN YOUR ROOM”. “Não consigo encontrar minha carteira ou chaves / acho que vou cancelar todos os meus cartões”. E assim, a vida adulta, entre boletos, cartões, chaves perdidas e problemas que exigem soluções meio rápidas, vai passando. Esse é o tema de Fool in your room, a nova música dos Slippers, uma banda que surfa no punk e no power pop, e que prepara o disco Slippers 08 para o dia 5 de junho. O disco já havia sido anunciado pelo single Wants for everyone.
Em Fool in your room, destaque para os vocais e para o carisma de Madeline Babuka Black, que mais parece uma garota dos anos 1970 no clipe da faixa – filmado em Super 8 numa casa-canguru de subúrbio, daquelas que têm de tudo, até um quartinho de ferramentas.
AMERICAN FOOTBALL feat BRENDAN YATES, “NO FEELING”. Como dissemos há algumas semanas, se o Turnstile some um pouco da mídia, acabam arrumando motivo para essa banda punk altamente variada reaparecer. Nem que sejam motivos altamente loucos, como aconteceu há alguns dias, quando o ex-guitarrista do grupo, Brady Ebert, foi preso, acusado de tentar matar o pai do vocalista Brendan Yates.
Agora, Brendan dá aquela força no retorno de uma das bandas mais influentes da nova geração do emo e do hardcore: o American Football prepara um quarto álbum epônimo para o dia 1º de maio, pela Polyvinyl, e Yates dá as caras na sensível e sombria No feeling, um emo + post-rock de fazer chorar escorregando pela parede, e que já ganhou até clipe.
Com American Football, o próximo disco (e o primeiro em sete anos!), o grupo deverá ganhar finalmente o reconhecimento que merece. Um perfil da banda recentemente publicado na revista GQ mostra que nem tudo são flores no front do grupo: excessos, ansiedade, autossabotagem e questões emocionais sérias fazem parte do dia a dia do AF. É esperar pra ver. Recentemente a banda lançou um single épico de oito minutos, Bad moons.
SUKI WATERHOUSE, “BACK IN LOVE”. E não é que com o tempo a gente foi esquecendo logo da nova música dela? Suki é a autora de um disco que, num mundo perfeito, poderia ter revolucionado o alt-pop, Memoir of a sparklemuffin (resenhado pela gente aqui). Não rolou uma baita revolução, mas ficou claro que a maneira como Suki une música pop, histórias curtas e alguns minutos de vida é caso muito sério. Back in love, novo single, surfa a mesma onda pop- disco-délica do disco anterior, dessa vez falando de uma pessoa que voltou a se apaixonar por si própria. “Para mim, é sobre voltar ao seu senso de identidade após passar por uma mudança”, conta Suki, que aparece como centro das atações num nightclube no clipe da faixa, dirigido por Kaz Firpo.
GENTLY TENDER, “A MOUND A FIELD”. Essa banda britânica tem um som bem curioso: Sam Fryer, o vocalista, tem voz empostada como a de Morrissey – mas o som basicamente mistura psicodelia, soul e climas que variam entre Rolling Stones e a turma de Madchester. É o que você vai encontrar no single A mound a field, um épico de cinco minutos, com flauta, metais, guitarra wah wah e uma onda quase progressiva. O EP novo desse sexteto, This was once fields, sai no dia 22 de maio pela TODO Records.
A letra segue o esquema mais hippie possível: Fryer inspirou-se numa caminhada que fez há dois anos, que iniciou em Hertfordshire (na pequena vila de Ridge) e terminou em Temple, na margem norte do Tâmisa. “A música captura o momento em que você está caminhando pelos campos abertos e, de repente, se depara com a vista da vasta cidade, percebendo as mudanças de emoção, como isso altera sua respiração e como te leva a meditar sobre toda a vida na Terra, como ela se desenvolveu para o bem e para o mal”, conta ele. Tem até clipe, quase tão invernal quanto a própria música.
IMYLIA, “MY VALENTINE”. Achar infos sobre Imylia por aí é meio complexo. Buscando por aí, vê-se que ela tem 25 anos, usa bastante o Discord (é a rede social oferecida como “infos” de seu instagram) e tem uma onda sonora que vem do rap underground, além de inspirações tiradas de nomes como Billie Eilish. Falamos certa vez de Deadbeat, seu álbum mais recente – e um disco com aquela carinha típica de geração Soundcloud, tudo super feito em casa. My valentine, o single novo, é um curioso alt-pop com estrutura de shoegaze: linhas vocais altamente cantaroláveis e paredes esfumaçadas de guitarras.
BLUSH CULTURE, “INFLUENCE”. O Blush Culture é uma daquelas bandas misteriosas que não mostram a cara em fotos de imprensa nem por decreto. Sabe-se que é um grupo que vem de Scranton, na Pensilvânia, e que os integrantes vêm de bandas como Auxilia, Machine Arms e Empire of the Sea (aliás, por integrantes entenda-se Kevin Jacob e Wayne Middleton nos vocais e na guitarra, Michael Flaherty no baixo e Matthew Renaldi na bateria). No dia 17 sai o primeiro EP deles e vai ter até show de lançamento – num bar lá de Scranton, mas vai ter. Influence, o primeiro single, é basicamente post-rock – mas procurando daqui e dali, tem até algo de grunge espalhado, embora seja uma música extensa e de arranjo esparso.
Radar
Radar: Vermelha, Zeh Lucas, Iris da Selva, Tuany – e mais!

Se no Radar de ontem falamos de um disco (a estreia do Vanguart) que pulou do CD pras plataformas digitais, dessa vez o assunto é um disco, o da banda Chuva Negra, que só existia virtualmente – e agora virou vinil. No mais, é a boa e velha variedade musical, que hoje abre com o relax criativo do som do Vermelha. Ouça bem alto.
Texto: Ricardo Schott – Foto Vermelha: Cíntia Molter / Divulgação.
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VERMELHA, “MERGULHO”. Esse é o single de estreia desse trio formado por Le Moreli (voz e guitarra), Zollner (baixo) e Jesa Pop (bateria). Mergulho, música que surgiu de uma jam da banda, tem produção de Paulo Kishimoto (Pitty, Bufo Borealis) e uma sonoridade lenta, psicodélica, próxima do sonho.
A própria letra de Mergulho fala de um dia de contemplação e relaxamento na praia, à beira dela ou no mar, em que o escuro das águas e a luz do sol são o que interessa, e ninguém tem relógio para marcar o tempo – ou seja: sonho puro, do começo ao fim. E o arranjo é bastante criativo: conforme o mar vai ficando mais agitado, com ondas para furar, a música também vai ficando mais distorcida e intranquila.
ZEH LUCAS, “CORRE, VEM VER” / “ENREDO”. Zeh Lucas é cantor, compositor e instrumentista de Garanhuns, no Agreste pernambucano, e faz uma MPB contemporânea que olha pra frente sem largar as raízes. No som e nas letras, aparecem ideias de pertencimento, território e memória, tudo guiado por vocais delicados e melodias que ficam na memória.
Enredo, single do fim de fevereiro, vem com clima de samba, cara de verão e um tempero de soul e jazz – soa carioca, mas com aquela liberdade meio sonhadora que também vem de Pernambuco. Já Corre, vem ver, mais recente, traz um violão que aponta pra Gilberto Gil e vai passeando por reggae, samba-rock e até manguebit. A faixa ainda ganhou clipe, em parceria com o Cordilheira Estúdio. E Zeh já deixou avisado: nesse mês chega o álbum visual Paradeiro.
ÍRIS DA SELVA, “UM LUGAR PRA IR”. Cantor e compositor paraense trans não-binário, Iris já passou por festivais como Psica e Se Rasgum, e prepara seu disco de estreia para maio, explorando sons que vão do folk ao carimbó. Um lugar pra ir é uma canção simples, em que tudo parece bem minimalista, mas os espaços são sempre muito bem ocupados – com a voz doce de Iris, um violão de nylon, o banjo, o tambor curimbó e a flauta transversal.
Na letra de Um lugar pra ir, Iris fala sobre a busca de paz e de cura num lugar em que ele pode “ser a poesia dos seus avós” e “tirar as pedras de dentro”: enfim, a fuga do caos nosso de cada dia. “Meu trabalho traz a territorialidade na lírica e na sonoridade, mas sempre aborda temas universais, diz Iris, que pôs na capa do single uma pintura de Barbara Savannah retratando Icoaraci, distrito de Belém onde ele nasceu.
TUANY, “DEITO E CHORO”. “É muito bom, mas cansativo e às vezes caótico. Ser a artista, diretora, roteirista, produtora tudo ao mesmo tempo pode desviar um pouco o foco. Mas é a forma que eu posso fazer agora, e eu busco extrair o máximo de mim e das pessoas que me ajudam nessas tarefas”, diz a paulista Tuany, que fez de tudo um pouco em seu novo clipe, Deito e choro: produção, direção, edição, imagens… mas com alguns colaboradores (até seus pais captaram algumas cenas).
O punk irônico de Deito e choro fala sobre aqueles momentos em que as emoções acumulam e só resta (como diz o título) deitar e chorar. Já o vídeo traz um passeio pelas ruas de Santo André (SP), incluindo a veterana loja Metal Music, além dela e sua banda tocando no estúdio Lanners, em São Paulo. “Essa música é o estopim final de milhares de emoções ao mesmo tempo”, afirma a cantora.
ISRAEL COSTA BAND, “DORES NAS COSTAS”. Já são 49 músicas no Spotify desse cantor e compositor maranhense, que com a Israel Costa Band vem construindo uma trajetória bem amarrada no groove – e que já rendeu cinco álbuns ao longo do caminho. Um trabalho constante, e cheio de personalidade.
Dores nas costas chega com bom humor, falando de amor, do cansaço no fim do dia e daquela vontade de dividir planos e confidências. O lançamento é praticamente todo independente: Israel cuidou de produção, mix e master, em parceria com o selo Brisa Records. O clipe da faixa, avisa Israel, foi feito de maneira totalmente espontânea: só o cantor circulando por espaços conhecidos de São Luís, capital maranhense, cantando e dançando como quem deixa a música levar.
CHUVA NEGRA, “CHORO E DELÍRIO EM IBIZA”. Essa banda surgida em 2009 na zona norte de São Paulo transitou por vertentes diferentes do punk, e se consolidou ao longo dos anos como parte do que define como “rock não famoso”. Ou seja: é uma banda independente até a medula e investe nesse lado indie, fora do mainstream. Surf, seu disco de 2024, acaba de ganhar lançamento em vinil pela Repetente Records, com masterização específica para o vinil feita por Philippe Fargnoli.
Nas plataformas, Choro e delírio em Ibiza, punk com ar pós-punk + emo (graças às palhetadas e ao riff da abertura) é a mais ouvida, com direito a versos irônicos como “tô com Mauricio Mattar e Edson Celulari / choramingando uma reunião de sóbrios anônimos (…) / estou defecando cacos de vidro que eu não consegui mastigar”. Já o nome do disco é aberto a interpretações. “É o oposto de conceito, mas pode ser um conceito também, depende de quem observa”, afirma o vocalista Rodrigo. “Pode ser o ‘supérfluo’, ‘superficial’ ou ‘não importante’… ‘Surfar’ pode ser ‘andar por cima’ ou ‘viver’. Esse mantra se repete pelo álbum inteiro”.
Radar
Radar: Cipó Fogo e Tijuca Dub Club, Libra e Clara Lima, Letto, Vanguart – e mais!

Peso, eletrônica, som folk, rap feito entre Brasil e Portugal… O primeiro Radar nacional da semana aponta para vários lados, abrindo com as ousadias musicais, artísticas e políticas do Cipó Fogo e do Tijuca Dub Club, e prosseguindo até com a memória do indie rock brasileiro. Ouça bem alto.
Texto: Ricardo Schott – Foto Cipó Fogo e Tijuca Dub Club: Divulgação.
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CIPÓ FOGO E TIJUCA DUB CLUB, “DIGITAL SLAVES” / “ACAB”. O Tijuca Dub Club vem da eletrônica, o Cipó Fogo puxa pro peso – juntos, soltaram esse single duplo, Digital slaves, com a ideia de que a escravidão nunca acabou, só mudou de forma. Agora, o controle tá com as big techs. Pra ilustrar isso, eles usaram IA recriando obras de Rugendas e Debret, que viraram a capa. A tecnologia entra como crítica: Felipe Vazquez, produtor do Tijuca, resume como “trabalhar pra bilionário brincar de robô”. Já Marcelo Cabral, do Cipó Fogo, deixa claro: ninguém ali é contra tecnologia. “Artistas, sobretudo periféricos, independentes, do underground, com poucos recursos disponiveis, podem e devem utilizar essas ferramentas para se expressar, não substituindo o trabalho criativo, mas complementando o que surge de uma ideia original”, diz.
LIBRA E CLARA LIMA, “NO ONE WILL SAVE YOU”. O rap do Brasil e de Portugal se encontram aqui: Libra, de Lisboa, e Clara Lima, de BH. O single No one will save you foi feito à distância, mas junta duas visões de empoderamento dentro do rap, com versos em inglês e português. Uma música que fala daqueles momentos em que o perigo não vem só de fora – às vezes, vem da própria cabeça. É quando a gente tem que ter coragem de assumir nossa própria força.
LETTO, “LEVANTA MEU BOI”. Depois de rodar o Brasil e absorver várias referências, Letto chegou nesse som inspirado nos folguedos de boi — especialmente o de Natal (RN). A música já vinha sendo testada ao vivo antes de virar gravação. Ele mesmo diz que usa o palco como termômetro e só grava o que já funcionou ali. O single abre caminho pra apresentação junina do projeto Girô, com o qual ele já tem ligação forte, seja como DJ ou cantando carimbó.
VANGUART, “SEMÁFORO”. Memória no Radar: a Deck pôs nas plataformas a estreia epônima do Vanguart, que saiu em 2007 em CD encartado na revista Outracoisa. David Dafré (guitarra e voz), Douglas Godoy (bateria), Hélio Flanders (violão, gaita e voz), Luiz Lazzarotto (piano e órgão) e Reginaldo Lincoln (voz e baixo), que eram a formação na época, ganharam destaque em sites como o Scream & Yell com o álbum, e são lembrados até hoje pelo folk alternativo e MPBístico de músicas como Semáforo e Cachaça. Uma das obras mais importantes do indie nacional do começo do século 21 vai chegar às novas gerações.
BEATRIZ E A FITA, “ESTRELA”. Criada em 2012 por Beatriz Paris Pinheiro, a banda segue numa linha indie mais íntima, entre folk e dream pop. Estrela vai ainda mais nessa vibe: soa quase como uma valsa leve e meio etérea, sobre alguém deslocado, como se não pertencesse a esse mundo. Começa com voz e violão bem na frente e vai ganhando camadas aos poucos.
CHAMELEO, “CURVAS”. Unindo sonoridades do indie pop e do indie rock, Curvas, single novo de Chameleo – composto por Vivian Kuczynski, Pedro Bom e Gabriela Grafolin – tem uma letra bastanta ousada, que fala sobre a ansiedade por novas sensações, novos prazeres, novas experiências, “uma inquietação que atravessa a forma como a gente se relaciona, inclusive no amor. No fim, essa busca toda pode levar a algum lugar… ou não”, diz ele. Até mesmo o impulso de ir de São Paulo ao Rio para viver coisas novas surge na faixa, cujo clipe, dirigido por SCOZ e Lucas Cobucci, foi gravado em locais como o Love Cabaret e o Andar de Cima.


































