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Crítica

Os melhores discos de 2024 que a gente ouviu em agosto

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Os melhores discos de 2024 que a gente ouviu em agosto

Tá saindo cada vez mais atrasado porque o Pop Fantasma é um site de uma pessoa só, mas desde julho temos uma listinha de melhores discos do ano que a gente ouviu no mês (essa é a de julho, e essa, a inaugural, é a de melhores discos do primeiro semestre de 2024).

Enfim, demos uma olhadinha 30 dias atrás e vimos quais foram os discos desse começo de semestre que balançaram mais nosso (meu, no caso) coração e receberam nota 8 ou acima disso. O primeiro lugar vai pra Tobogã, disco novo de Lô Borges, que traz uma sonoridade profundamente britânica, lembrando até bandas do pós-britpop (além do receituário beatle que já é comum no som dele).

(na foto acima, só alguns dos discos mais legais que ouvimos no mês passado)

TURMA DA NOTA 8
Raça, 27
Willie Nelson, The border
Foster The People, Paradise state of mind
Pete Townshend, Live in Concert 1985-2001 (box set)
Desirée Marantes, Breve compilado de músicas para _______ (EP)
Neil Young & Crazy Horse, Early daze
Cults, To the ghosts
Jack White, No name
Shed Seven, A matter of time

TURMA DA NOTA 8,5
Inocentes, Antes do fim
Beabadoobee, This is how tomorrow moves
Moses Sumney, Sophcore (EP)
Beachwood Sparks, Across the river of stars
Telenova, Time is a flower
Fabiana Palladino, Fabiana Palladino
Felipe Aud, Acumulado
Blur, Live at Wembley Stadium

TURMA DA NOTA 9
Illuminati Hotties, Power
Cassandra Jenkins, My light, my destroyer
Osees, Sorcs 80
Guilherme Peluci, São Paulo instrumental
X, Smoke & fiction
Brigitte Calls Me Baby, The future is our way out
The Raveonettes, Sing…

TURMA DA NOTA 10!!
Lô Borges, Tobogã

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Ouvimos: Varado – “Varado” (EP)

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Resenha: Varado – “Varado” (EP)

RESENHA: Varado une Anderson Foca e Fabricio Nobre em EP de surf-punk psicodélico, gravado ao vivo, sobre tempo, redes, reacionarismo e mudanças.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: DoSol
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Músicos e gestores culturais, Anderson Foca e Fabricio Nobre já haviam trabalhado juntos em várias batalhas em prol da música, mas nunca haviam tido uma banda juntos. O Varado é o primeiro projeto musical dos dois. É também um posicionamento pessoal, em que dois músicos com idades em torno dos 50 anos começam uma banda nova, e usam o material visual do projeto como um comentário sobre a tecnologia. A capa do EP Varado tem um aspecto de arte silkada, mimeografada, feita na unha.

  • Ouvimos: Ratsalad – Pest from the West

O próprio som de Varado é feito dessa mesma forma: as músicas foram gravadas em dez horas de sessão, sem polimento. Os vocais de Anderson e Fabricio surge quase sempre unidos, e o som é surf-punk espacial, com guitarras em clima psicodélico quase sempre. As letras falam de temas vividos pela dupla, como nas mudanças que ninguém consegue controlar de Fenda vil do tempo e Sente-se. Já Água parada, punk com peso nos vocais, fala sobre se mexer e tentar controlar o que dá pra controlar.

No rol de temas de Varado estão também o reacionarismo (Pensamento linear) e as ruínas do ser humano, da cocaína ao feed de alguma rede social (em De volta ao começo, punk com aspecto new wave). Som pesado e união de peso.

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Ouvimos: Butthole Surfers – “After the astronaut”

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Resenha: Butthole Surfers – “After the astronaut”

RESENHA: Butthole Surfers enfim lançam o engavetado After the astronaut, disco de 1998 que soa mais atual hoje do que na época. Ouça.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Sunset Blvd Records
Lançamento: 26 de junho de 2026

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A historia de After the astronaut, disco “novo” dos Butthole Surfers, a gente já contou aqui no Pop Fantasma antes. Resumindo: ele teria sido o disco de 1998 do grupo, lançado pela Capitol, e algumas cópias promo dele ja haviam até sido enviadas para jornalistas. Mas sem qualquer explicação, o álbum foi engavetado: uns dizem que por conta da Capitol, que não enxergou hit nenhum ali – mas há suspeitas de que a própria banda tenha odiado o resultado e cancelado o lançamento (!).

Em 2001, o grupo foi contratado pelo selo Hollywood Records, pegou o repertório de After e fez uma refação quase geral, regravando algumas músicas – saiu Weird revolution, disco que acabou não sendo muito curtido nem pelos fãs, nem pela banda. Paul Leary, guitarrista do grupo, conta que a banda puxou o repertório de After na nova casa, mas a Hollywood pediu uma série de modificações e assim o disco foi feito.

O fato é que a estranha loucura dos BS ficou parecendo um peido de Beck ou dos Beastie Boys, mais assemelhado ao rock mainstream “estranho” da virada dos anos 1990 para os 2000. Ou seja: Smash Mouth, Cake, a transformação dos anarcopunks do Chumbawamba em banda pop, Bloodhound Gang, etc. After the astronaut, que já vinha há anos sendo pirateado no Soulseek, sai só agora, em tempo de redescoberta dos Butthole Surfers, com direito a documentário sobre a banda.

E aí que, se After houvesse sido lançado pela Capitol naquela época, enfrentaria uma realidade bem louca: na segunda metade dos anos 1990 o mercado tinha virado e não era qualquer estranhice que poderia ser absorvida pelo “grande público”. Afinal, estamos falando de um disco que começa com uma pregação a favor dos excêntricos de todo o mundo (Weird revolution, narrada pelo líder Gibby Haynes em meio a beats eletrônicos e scratches), segue com um rap sinistro e industrial (Intelligent guy) e embica na psicodelia eletrônica (Jet fighter) e prossegue em climas dance-lisérgicos (Mexico, o drum’n bass Imbuya, o rap jazzy-indianista Venus).

Parecia um bombril meio radical sendo passado na história de uma banda tão ligada ao punk e ao hardcore, embora o som de After tivesse bastante a ver com o maior hit da história dos BS, que era a dançante Pepper (do disco Electriclarryland, de 1996). Dava para comparar o som do grupo lá por 1998 com Beck, com Happy Mondays, com Black Grape – que eram artistas ligados a selos bem menores que a Capitol.

O lance é que por uma manobra louca do destino, After the astronaut sai em 2026 a tempo de poder ser considerado um disco mais ligado aos tempos de hoje do que à música de 1998 ou 2001. Músicas como The last astronaut, as sombrias Yentel e Junkie Jenny in Gaytown e o rap-shoegaze They came in podem interessar muito a fãs de bandas como Mandy, Indiana e Scaler, ou a quem acompanha as inovações feitas hoje em dia por Kim Gordon. Ouça correndo.

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Ouvimos: Dead Dads Club – “Dead Dads Club”

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Resenha: Dead Dads Club – “Dead Dads Club”

RESENHA: Chilli Jesson transforma o luto pela morte do pai na estreia do projeto Dead Dads Club, com pós-punk, folk e rock gravado quase ao vivo.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Fiction / Universal
Lançamento: 23 de janeiro de 2026

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Chilli Jesson, ex-Palma Violets, perdeu o pai aos 14 anos de idade, levado pelo vício em drogas – se a morte do pai já é um trauma, imagine desse jeito. Ele disse recentemente ter demorado dez anos para conseguir exorcizar todos os sentimentos em forma de música, daí o Dead Dads Club, seu novo projeto, sai apenas depois do momento em que Jesson consegue acessar todas as memórias e lembrar de tudo sem maiores atropelos.

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Dead Dads Club, à primeira ouvida, não parece um disco meramente triste, mas ele é basicamente Chilli lidando com seu luto e mexendo em lembranças e esqueletos no armário. Ele nem sequer foi um disco “editado”: Jesson fez tudo quase ao vivo em cinco dias com sua banda, mexendo numa sonoridade que lembra tanto The Cure quanto bandas como Fontaines DC (com quem ele colaborou), e cruzando geleira pós-punk com tristeza folk. Esse é o combustível de faixas como It’s only just begun, o rock garageiro e lennoniano Volatile child e o post rock sessentista Junkyard radiator, alé da violeira Need this around.

Há espaços para experimentações e ruídos, como nas distorções eletrônicas de Humming wires e Goosebumps. Da mesma forma, há a emoção à flor da pele de Running out of gas, da tristonha That’s life e da ruidosa Don’t blame the son for the sins of the father – que lembra Portugal. The Man e Black Keys. O final, com Need you so bad, é lindo e contemplativo – e fecha o arco de um disco feito para mexer em antigos vespeiros emocionais.

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