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Crítica

Ouvimos: Batata Boy, “MAGICLEOMIXTAPE (quando vê, já foi)”

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Ouvimos: Batata Boy, “MAGICLEOMIXTAPE (quando vê, já foi)”
  • MAGICLEOMIXTAPE (quando vê, já foi) é o disco novo do beatmaker alagoano Batata Boy, ou Leonardo Acioli, seu nome verdadeiro. Na lista de convidados estão nomes como Ana Frango Elétrico (que fez também a arte da capa), Jadsa, Bruno Berle, Luiza de Alexandre, dadá Joãozinho, Vitor Milagres, L444U, yung vegan, Ico dos Anjos, snowfuks, Virgínia Guimarães, Saci, alici, ori music e maxixe.
  • O disco foi feito em meio às turnês que Batata vem fazendo pelo mundo. Ele diz que, por causa da agenda, foi fazendo o disco com o tempo. “Muitos beats surgiram em jams comigo mesmo. Gosto de, no estúdio, ter tudo ligado e conseguir chegar no som que eu quiser a qualquer momento. Foi uma onda. Levou um bom tempo a parte de edição. Quando cheguei em 80% do disco, os últimos 20% levaram um bom tempo. E é uma parte cansativa, mas vale a pena, né? Cheguei a fazer viajando por muitos lugares, e foi difícil, mas eu gosto também. É essa coisa de retalhar. Eu gosto de colagem”, disse ao site Monkey Buzz.

O subtítulo do disco novo de Batata Boy não é brincadeira: se você escutar MAGICLEOMIXTAPE distraidamente, pode acabar ficando assustado com a duração curta, e com os universos musicais para os quais o álbum aponta num tempo tão curto. É um disco de colagens, colaborativo, em que estilos como hip hop, trap, funk e drum’n bass são passados num filtro lo-fi e quase punk, de faça-você-mesmo, em alguns momentos.

O álbum traz o tom frenético de Pode ligar (Foi bom com você), feita ao lado de Ana Frango Elétrico e Yung Vegan, o clima de samba eletrônico e psicodélico de Todas as metas, o trap romântico e safado de Domingão, Maceió (com o rapper e beatmaker Saci) e o tom meio psicodélico, meio eletrobossa de Quero te lamber (com Luiza de Alexandre, Virginia Guimarães e Ori Music). São faixas que mostram o lado variado musicalmente de Batata Boy, com várias texturas sendo exploradas, às vezes numa mesma faixa.

Dadá Joãozinho participa num soul caseiro que lembra o estilo de Sade (I wanna get to say love). Já músicas como Technocoração, com Jadsa, e Certeza de te amar, com Ico dos Anjos, sugerem mergulhos na psicodelia eletrônica, com ruídos e efeitos em torno dos sons. Um som que faz voar.

Nota: 9
Gravadora: Batata Records

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Ouvimos: Genghis Tron – “Signal fire”

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Resenha: Genghis Tron – “Signal fire”

RESENHA: Genghis Tron retorna em grande forma em Signal fire, unindo metal e eletrônica com clima à la Depeche Mode, peso e inovação sonora.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Relapse Records
Lançamento: 12 de junho de 2026

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Sabe aquela pessoa de quem você sempre ouvia falar (e quase sempre contra a sua vontade) e que, depois de um tempo, desapareceu da vista de todo mundo como se jamais tivesse existido? E que um dia, por acaso, você descobriu que estava criando galinha no campo e nem sequer tinha redes sociais?

Numa época, parecia que o mesmo estava rolando com o Genghis Tron, uma banda de post metal (metal + eletronices + algumas progressivices) que vinha ganhando muitos fãs e era bastante comentada, até que em 2010 decidiu entrar em hiato. Um hiato com cara de término – durou dez anos e voltou na fartura de saudades da pandemia.

  • Ouvimos: Blackwater Holylight – Not here, not gone

O grupo voltou quase inteiro, já que, compreensivelmente, Mookie Singerman, o vocalista, não quis voltar. Ele hoje é empresário de Olivia Rodrigo e Caroline Polachek, e além de já ter muito trabalho, provavelmente está ganhando bem mais como czar do empresariamento artístico (ele é chamado por aí dessa forma) do que nos tempos de músico. O vocalista Tony Wolski e o baterista Nick Yacyshyn ingressaram no grupo, e de lá pra cá, rolaram alguns discos novos. E Signal fire é o produto mais bem acabado da banda após a “volta”.

A grande curiosidade em Signal fire é que a banda que mais vem à mente ao ouvir o disco é o… Sepultura? De jeito nenhum: os timbres de guitarras e a combinação entre metal e eletrônicos são a cara do Depeche Mode. Isso rola mesmo em futuros clássicos do berro e do peso metalcore, como I am all e Born prey, e rola mais ainda em faixas como Future worship e New gods, de abordagem bem tecno.

Nem dá pra meter uma comparação com Nine Inch Nails no meio, até porque nem há nada do tecnicismo gélido de Trent Reznor aqui. O Genghis Tron opera num universo musical em que há amor tanto a violência quanto ao uso de tecnologia para construir imagens sonoras, combustíveis de sons como A love so pure e de vinhetas climáticas como Without form. A bateção de cabeça dá as caras sem filtro em faixas como a arrastada Tomorrow mirage e a esporreira quase powerviolence de Nothing blooms in the hollow. Discão.

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Ouvimos: One Man Void – “One Man Void”

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Resenha: One Man Void – “One Man Void”

RESENHA: Grunge, hard rock, punk e ecos de britpop se cruzam no estreia do One Man Void, que transforma vazio existencial em combustível criativo.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 6 de março de 2026

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Descrito por Lucas Ferreira (letras, vocais, guitarra e baixo), e Rafael Nunezz (voz e arranjos) como uma banda cheia de influências do grunge dos anos 1990, o One Man Void apresenta bem mais que isso em seu primeiro álbum. O duo baiano abre numa onda próxima à sujeira hard rock da época (Soundgarden, Alice In Chains e até os momentos mais amigáveis de Tad e Melvins) em Unlimited. Mas também faz rock pauleira com referências country em Come and go e Again, e envereda pela deprê da fase inicial dos Stone Temple Pilots em Suffer.

Com letras que, segundo a própria banda, falam do vazio existencial como um espaço criativo, o One Man Void vai para outros lados dos anos 1990 em Under the sky, canção conduzida pelo violão, e com clima quase britpop. E manda bala no punk rock em Intoxicated. Encerrando, o metal-funk introspectivo de Go inside e a meditativa e bela Piece by piece – que ganha participações de músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia e é mais uma faixa com ligeiro clima britânico no álbum.

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Ouvimos: Lori – “Hot hits and flip flops”

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Resenha: Lori – “Hot hits and flip flops”

RESENHA: New wave lo-fi: Lori mistura power pop, rock oitentista e nostalgia noventista em canções cheias de vibe teatral, no EP Hot hits and flip flops.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Trinca de Selos
Lançamento: 9 de janeiro de 2026

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Poeta e compositora, a baiana Lori Diel brinca com a estética new wave no EP Hot hits and flip flops, composto por canções em inglês que fazem lembram o rock brasileiro dos anos 1980, quando as bandas nacionais se apaixonaram pelo estilo, mas ainda não tinham acesso à mesma tecnologia do B-52’s e do Devo, ou das Go-Go’s.

Você pode ouvir e até achar que a gravação poderia ser melhor, mas soa como uma escolha estética, de brincadeira com o low tech, e de construção de personagens musicais. E tudo isso dá uma graça a power pops como Here and now e Camden Town – que ganha órgãozinho e ar ligeiramente jazz.

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O disco de Lori ainda tem baladas como Oh boy! e Messy, que trazem lembranças do alt-rock introspectivo dos anos 1990. E sons bem new wave como Sun goes down, Bliss e Never again. Tudo soa irremediavelmente teatral e lembra um clima de época.

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