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Crítica

Ouvimos: Oruã, “Passe”

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Ouvimos: Oruã, “Passe”
  • Passe é o quarto álbum da banda carioca Oruã, hoje formada por Lê Almeida (vocal/guitarra), Phill Fernandes (bateria), João Casaes (sintetizadores) e Bigú Medine (baixo). No álbum, a bateria foi tocada por Karin Santa Rosa, e Phill tocou pratos, saxofone e percussão adicional.
  • É o primeiro disco do grupo gravado 100% na estrada, passando por Cabo Frio, Rio de Janeiro, São Paulo (Brasil), Nova York, Seattle (Estados Unidos) e Aalborg (Dinamarca).
  • “O título do álbum é uma prática na Umbanda na qual as pessoas trocam energia; também significa passar, onde ‘passar’ é um meio de evitar a detecção”, diz o release do disco, assinado por Jeff Caltabiano. “Oruã está encorajando o público a se levantar. Contra o racismo. Contra a brutalidade. Contra a opressão patrocinada pelo estado. Para refutar a violência; buscando viver livre, com igualdade e camaradagem”.
  • E, você talvez tenha visto, eles fizeram recentemente um show na rádio KEXP, de Seattle (se não viu, veja).

Agora o Oruã foi longe demais. Passe, o disco novo, aprofunda a receita dos álbuns anteriores. A mistura sonora passa por Echo and The Bunnymen, Pink Floyd do começo e Jorge Ben – além de sons de terreiro, partículas de psicodelia californiana, e toda a carga da vida urbana, da luta diária, da resistência suburbana. Todas essas coisas juntas, com o filtro deles, são Oruã.

O grupo, que se define como krautrock da classe operária, volta cantando quase em código na faixa de abertura do álbum, Real Grandeza, exemplo de psicodelia funkeada, com baixo lembrando Ave Gengis Khan, dos Mutantes. Em Caboclo, o grupo investe num som que consegue ser simultaneamente solar e sombrio – duas palavras que não combinam, mas que justapostas, formam o conceito da faixa. Nascença une Jorge Ben e krautrock, com bons riffs de guitarra e órgão funcionando como um drone. Escola construtivista é um Grateful Dead com suíngue, destacando os vocais de Laura Lavieri.

O Oruã consegue também falar de amor de forma não-convencional em Me acontece, a mais progressiva do disco, em tom de jazz-rock viajante. E completa o álbum com samba-rock (Ramais), blues-soul-rock (a faixa-título instrumental), pós-punk fluido (Insensatez/Abolição). E um guitar rock psicodélico e belo, Brutos amores, marcado pela frase “brutos amores não acorrentarão mais” e pelo diálogo entre guitarras e teclados. Uma música de quase cinco minutos, que bem poderia durar mais de dez.

Nota: 9
Gravadora: Transfusão Noise Records

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Crítica

Ouvimos: White Denim – “13”

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Resenha: White Denim – “13”

RESENHA: White Denim mistura psicodelia, art rock, soul e pop torto em 13, álbum inventivo e imprevisível que transforma estranheza em grandes canções.

Texto: Ricardo Schott

Nota 10
Gravadora: Bella Union
Lançamento: 24 de abril de 2026

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“Psicodelia, jazz rock, yacht rock, bossa psicodélica, power pop, soul e folk mágico, com um resultado tão variado que dá vertigem”. Isso aí foi o que falamos de 12, disco anterior do White Denim, veterana banda indie liderada por James Petralli. Eis que agora sai o 13 e, ora vejam só, até daria pra repetir a mesma frase – mas há bastante diferença porque a ordem e a intensidade dos fatores foi alterada.

Pra começar, 13 soa como a tentativa de fazer um disco (vá lá) “pop”, mas a partir de referências nada amigáveis – às vezes soa como um disco progressivo no estilo do Gentle Giant, mas no geral Petralli parece prestar um tributo eterno a Captain Beefheart e a Kevin Ayers. Faixas como o soul + math rock (God created) Lock and key, o gospel perturbador Chew nails e o sophisti-pop torto de Only a fool, Crossfyre e Time time são provas disso. E formam a sequência inicial de 13.

  • Ouvimos: TV Star – Music for heads

Quando chega o reggae psicodélico de Keep calling me (Baby), por sua vez, fica complicado até acreditar que, sim, ainda tem gente fazendo música assim nos dias de hoje – se fosse lançado por uma grande gravadora lá por 1979, 13 seria o filho punk do AOR, ou um art-rock radical. Lançado em 2026, pega um mercado onde cabe de tudo, embora nem tudo vire mainstream.

Tem muita coisa em 13 que faz lembrar os momentos menos pop e mais irônicos do 10cc, como o disco Sheet music (1974). A estranhice do reggae folk e lisérgico Earth to parece vir daí, a eletrônica de That’s rap também, o clima de comercial de cereal de Hired hand #2 também. Bate um Todd Rundgren rápido no southern rock voador de Ruby e no chamber pop de Quiet moment, mas 13 é também o disco de baladas fortes como Matchbook baby. Tudo é uma surpresa.

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Ouvimos: Robert Plant com Suzi Dian – “Saving grace”

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Resenha: Robert Plant com Suzi Dian – “Saving grace”

RESENHA: Robert Plant explora folk, blues e gospel em Saving grace, disco contemplativo que reinventa clássicos e valoriza a parceria vocal com Suzi Dian

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Nonesuch / Es Paranza
Lançamento: 26 de setembro de 2025

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Acusar Jimmy Page de viver à sombra do passado é bem injusto. Dá até pra dizer que o guitarrista não fez nada de tão relevante após o fim do Led Zeppelin – mas convenhamos, é o Led Zeppelin, e não uma banda one hit wonder cujo principal compositor sobrevive até hoje como gigolô de royalties. Deve dar gosto viver de um passado desses, e ele tem esse direito.

Robert Plant, vocalista do Led, é o contrário: fez discos solo de vibe quase pós-punk nos anos 1980, migrou para o “rock de adulto” entre os anos 1980 e 1990 e, depois, passou a fazer de cada álbum uma experiência diferente. Saving grace, por sua vez, é o “disco de cantor” de Plant, em que ele mostra o trabalho que realizou desde a pandemia com um coletivo chamado Saving Grace, e ainda deu destaque para a voz de Suzi Dian.

  • Ouvimos: Rolling Stones – Foreign tongues

Em faixas como Ticket taker, cover de uma banda chamada The Low Anthem, e Higher rock, da compositora folk Martha Scanlan, os vocais dela ganham muito destaque, à frente do chefe – e Plant mostra que fez com que seu registro vocal se adaptasse ao passar dos anos (se você não ouve os discos solo dele e a música mais recente que você escutou com a voz de Plant saiu em 1979, vai acabar ouvindo “outro” cantor, com registro vocal mais envelhecido, mas talvez mais maduro e seguro).

O som de Saving grace é uma mistura de referências que ele carrega desde a época do Led: folk, blues, gospel, canções tradicionais. Nesse último quesito, tem I never will marry, arranjada por ele e pelo grupo, que é uma cantiga sobre um homem que escuta o lamento de solidão (ou o cântico de empoderamento, vá lá) de uma mulher – além da redentora Gospel plough. Chevrolet, que abre o disco, é uma baita curiosidade histórica: um blues de Memphis Minnie que foi recomposto, regravado e mudado ao longo dos anos (Donovan figura como um dos autores, por causa dessas “refações” que levam a faixa ao folk dos anos 1960). Plant e cia fizeram dessa música um folk meditativo sobre desejos e aspirações.

Esse clima de “meditação” é a tônica de Saving grace, aparecendo em faixas de clima esparso como As I roved out (tradicional, com arranjo de Sam Amidon), o blues-soul Soul of a man (de Blind Willie Johnson, cantado por Suzi e Plant em clima de Crosby, Stills, Nash & Young) e o folk luminoso It’s a beautiful day today (do repertório da banda psicodélica sessentista Moby Grape). Já Everybody’s song, da banda noventista Low, tem clima zeppeliano-oriental, e até um certo peso no arranjo. Saving grace é uma maravilha que sobrou do ano passado.

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Ouvimos: TV Star – “Music for heads”

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Resenha: TV Star – “Music for heads”

RESENHA: Em Music for heads, TV Star estreia com dream pop, shoegaze e indie noventista, unindo guitarras, psicodelia e letras sobre libertação e relações tóxicas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Father / Daughter Records
Lançamento: 24 de abril de 2026

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O TV Star vem de Seattle, tinha só EPs na discografia antes desse álbum Music for heads, e faz uma espécie de dream pop + shoegaze “de estrada”, que faz vir à mente nomes como Waxahatchee e Howling Bells – além do trabalho solo da cantora do HB, Juanita Stein. Na maior parte do tempo, eles se comportam como uma banda de blues rock e country que pode pesar o som, ou como um grupo de jangle rock modernizado e com a cara de 2026 – da mesma forma, muita coisa soa como britpop made in USA, nos dias de hoje.

Ambas as facetas convivem no dedilhado da bela The package, no clima de nuvem de Reality cheque e na onda quase velvetiana de Two revolutions. Algo entre Mazzy Star e o Jesus and Mary Chain da era Stoned and dethroned (1994) convivem lado a lado em Texas relation e Greener postures, enquanto a distorção-e-percussão de For heads põe mais psicodelia no clima do disco.

O fim de Music for heads parece existir por causa dos inícios de carreira de bandas como Blur e Ride, com o indie rock anos 1990 + jangle pop de Lodestar e Koresh me down, além da onda despojada de Out of my bag (uma homenagem assumida ao universo Madchester e ao britpop dos anos 1980 e 1990) e Strawberry hero (essa, com voz, violão e beat marcial). As letras, por sua vez, aludem à libertação de manipulações e ao fim de relacionamentos tóxicos. Uma banda tranquila mas com energia demolidora.

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