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Crítica

Ouvimos: The Cure, “Songs of a lost world + Songs of a live world: Live Troxy London MMXIV” (ao vivo)

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Ouvimos: The Cure, “Songs of a lost world + Songs of a live world: Live Troxy London MMXIV” (ao vivo)

Sério que Songs of a lost world, álbum novo do The Cure, já ganhou rapidamente uma edição deluxe com um registro ao vivo de todas as faixas do álbum? Sim, ganhou essa edição acrescida do rabicho Songs of a live world: Live Troxy London MMXIV. Até porque se o disco já fez bastante sucesso, a noite de lançamento do álbum foi inesquecível – com um show da banda em 1º de novembro no Troxy London, tocando todo o repertório do começo ao fim, além de vários hits. E é justamente o repertório do disco executado nessa noite, ao vivo, que surge como “disco 2” do álbum.

O Cure, redescoberto por novas gerações e por uma turma que não necessariamente é fã deles, mas curte os hits e gosta de curtir uma fossa, meio que vai tentando dar uma de U2: além de oferecer mais um mimo para os fãs, a banda vai doar todos os royalties deste lançamento para a instituição de caridade War Child. Na loja online do grupo existe um hotsite (ainda se usa esse termo?) só para as diferentes versões de Songs of a live world e para duas edições diferentes em vinil vermelho de Songs of a lost world: uma deles apenas com o disco original, e outra em formato duplo, trazendo as músicas em versões instrumentais no disco 2 (reparem bem: Songs tem músicas em que o vocal começa quase no fim da faixa, e que já são quase instrumentais, mas aí vai quem quer).

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O show inteiro daquela noite possivelmente você já viu no YouTube (se não viu, veja lá embaixo deste texto). E possivelmente você ficou impressionado/a como o The Cure voltou disposto a se transformar num espetáculo. Só que sem as presepadas do Coldplay e sem os truques de mágica do U2: é só a banda, num cenário escuro e esfumaçado, com muito peso e imponência visual e auditiva. As músicas do álbum transportadas para o “ao vivo” soam um pouco mais humanizadas, especialmente no caso de canções que, no disco, eram torrentes de ruído, como Warsong e Alone.

And nothing is forever destaca a magia dos teclados que, rearranjados, poderiam estar até num disco do Péricles – esse lado popularzão sem deixar de ser “dark” sempre foi uma das grandes forças do Cure. A ambiência do Troxy deixou músicas como I can never say goodbye (feita por Robert com o pensamento na morte de seu irmão mais velho Richard) e Endsong bem menos robóticas e desprovidas de qualquer traço de frieza. Se o disco novo do Cure é triste, a contrapartida ao vivo é a prova de que o show é feito para fãs que curtem chorar baldes ouvindo música. E tá tudo bem.

Nota: 9
Gravadora: Fiction/Polydor

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Ouvimos: DIIV – “Boiled alive” (ao vivo)

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Boiled alive traz o DIIV ao vivo com vinhetas e discurso existencial, ampliando o clima de Frog in the Boiling Water em ruído, ironia e desilusão.

RESENHA: Boiled alive traz o DIIV ao vivo com vinhetas e discurso existencial, ampliando o clima de Frog in the boiling water em ruído, ironia e desilusão.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Fantasy / Concord
Lançamento: 5 de janeiro de 2026

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Audivelmente, a experiência de Boiled alive, disco-filme ao vivo do DIIV, não é tão diferente assim de Frog in the boiling water, disco da banda lançado em 2024 (resenhado pela gente aqui) e do qual saiu esse repertório do álbum ao vivo. A diferença é que cada faixa surge entremeada por uma vinheta que insere o ouvinte em algum clima diferente – seja no som de um fogo sendo acendido (para ferver a água do “sapo” do título), ou anúncios “existenciais” do repertório que está sendo apresentado, ou mesmo numa vinheta que fala do endorsement project do grupo, uma brincadeira séria com a inserção de anúncios políticos em outras mídias.

As gravações que deram origem a Boiled alive foram realizadas no Teragram Ballroom (Los Angeles) entre os dias 24 e 26 de maio de 2025 – o filme pode ser alugado ou comprado aqui. No disco ao vivo, o repertório de Frog aparece na ordem, encerrando com o single Return of youth, lançado em maio de 2025, e que não entrou no álbum. Boiled alive atualiza, com narrações e imagens, uma mensagem de desilusão e colapso, em que um mundo inchado e repleto de parasitas torna-se uma verdadeira máquina de moer sonhos e ideais. Por acaso, o “sapo na água fervendo” do título é uma referência a um trecho do livro História de B, de Daniel Quinn, que fala “do colapso lento, doentio e esmagadoramente banal da sociedade sob o estágio final do capitalismo, as realidades brutais que enfrentamos e achamos normais”.

Zachary Cole Smith, cantor e guitarrista do DIIV, é o sujeito certo para dar voz a esse tipo de inquietação – após se curar do vício em heroína, ele viu seu grupo entrar numa nova fase, artística e comercialmente falando. Hoje, o DIIV é quase um Pink Floyd do barulho, intenso, selvagem, mas meditativo. E achou um propósito existencial e pessoal para produzir ruídos e nuvens sonoras, que dominam faixas como In amber, Little birds, Brown paper bag, a tristonha Raining on your pillow e Fender on the freeway.

Já a travessia pessoal da bela Soul-net é aberta por uma vinheta que apresenta “Soul-net” como uma plataforma dedicada ao conformismo. Na tal plataforma, “você adquirirá o poder cósmico, desbloqueará a intuição e surfará na onda da empatia. O capitalismo não é a causa raiz dos seus problemas pessoais. Na Soul-Net, entendemos que o radicalismo político não é a resposta para os problemas da sociedade. A revolução não resolverá problemas profundamente enraizados”. Protesto com bom humor, para quem entende ironia – e gosta de tristeza barulhenta e melódica.

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Ouvimos: Uganga – “Ganeshu”

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No oitavo disco, Ganeshu, o grupo mineiro Uganga cruza groove metal 90s à Slayer/Sepultura com referências aos orixás, natureza e resistência antifascista.

RESENHA: No oitavo disco, Ganeshu, o grupo mineiro Uganga cruza groove metal 90s à Slayer/Sepultura com referências aos orixás, natureza e resistência antifascista.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Independente
Lançamento: 9 de maio de 2025

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Vindo de Minas Gerais, o Uganga já tem três décadas de existência e chega agora ao oitavo álbum, Ganeshu. Basicamente um disco que gira em torno de uma noção bem particular de groove metal, em que evocações de Slayer e Sepultura, e do som pesado dos anos 90, convivem com homenagem aos orixás, à natureza e aos antepassados (aliás, o nome do álbum une as divindades Ganesha e Exu numa só).

Não é uma revisão trash e despojada do metal-umbanda: o grupo abre com barulhos de mar e de barcos (na vinheta Igarapés, em que algo parece ranger e a tensão começa) e prosegue em vibe cerimonial, em faixas pesadas como A profecia e o metal-punk-funk Confesso. Faixas como Tem fogo! e Exu não passa pano vão das sombras do Black Sabbath à agilidade punk-metal – a primeira aludindo a vibes que surgem com a mudança dos ventos e ao que se mantém de pé com as ondas (“o natural se equilibra, o fabricado se perde”), a segunda evocando forças para brigar com o lixo moralista e com o fascismo.

Esse equilíbrio entre calmaria e vendaval rola em todo o disco, mas especialmente acontece em Sonho, metal-funk energético que abre com barulho de rede balançando. Pairam também nos cânticos e palhetadas de Ganeshu, na psicodelia de Psicoraio dub e no reggae-rap de Pressentimento, a faixa mais diversificada do álbum – que, em tempos de dúvida, guerras e medo, prega que “palavra necessária não se guarda”.

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Ouvimos: So Dead – “A wet dream and a pistol”

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So Dead, banda portuguesa, faz pós-punk eletrônico e sombrio no disco A wet dream and a pistol, entre darkwave, synths gélidos e ecos de Joy Division.

RESENHA: So Dead, banda portuguesa, faz pós-punk eletrônico e sombrio no disco A wet dream and a pistol, entre darkwave, synths gélidos e ecos de Joy Division.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Lux Records
Lançamento: 26 de maio de 2025

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Prestes a vir ao Brasil para uma turnê (informações mais abaixo), o So Dead é uma banda portuguesa que, em seu segundo álbum, A wet dream and a pistol, fez pós-punk sombrio e eletrônico – um verdadeiro sonho para fãs de bandas como The Sound, Interpol, Joy Division e até para seguidores de grupos mais recentes, como Dry Cleaning.

Em vários momentos, Samuel Nejati, Sofia Leonor e Miguel Padilha (os três do So Dead) mergulham em sombras darkwave, como na combinação de doçura e pânico de Clutter e no ritmo marcial de Sleep mode. E ecos de Siouxsie and The Banshees, The Cure e Wire dão as caras em faixas como as tensas Creepin e Push, e as estilingadas Roadkill e They live – ambas com baixo distorcido à frente, ecos e saturações. Sem falar nos synths gélidos de The scream, cujo nome é o mesmo da estreia de Siouxsie and The Banshees, de 1978.

O repertório do So Dead ainda cai no peso sombrio em BDSM e numa espécie de punk espacial em I shot JFK, que une tensão dark e teclados que levantam voo.

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