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Brasil e França: Christine Valença une nações e idiomas no colaborativo “Sur ton ìle”

Não chegamos na Copa ainda, mas já tem um Brasil e França rolando, graças à cantora, compositora e multi-instrumentista Christine Valença. Sur ton ìle, sua nova música, une os dois países numa travessia musical marcada por encontros, movimento, memória e pertencimento.
Na música, Christine se encontra com três nomes da cena francesa: o rapper Verso, o cantor e compositor Félicien Adam e o guitarrista Luazó, e o som funde ritmos, idiomas e estilos musicais. E a faixa também conta histórias: a mãe de Christine, que também é cantora e compositora, morou na capital francesa nos anos 80 em uma residência artística, e aprofundou laços por lá.
Sur ton ìle surgiu no ano passado, quando Christine fez alguns shows na Europa. “Eu me conectei com vários artistas incríveis durante essa passagem por lá. A possibilidade de fortalecer realmente essas conexões cresceu com uma inscrição que fizemos para o Ibermusica (programa de cooperação dedicado exclusivamente ao setor musical ibero-americano)“, conta. “E foi ganhando mais contorno com as primeiras notícias de oportunidades para artistas locais no ano do Brasil na França, em editais do governo”.
Justamente pelo fato da mãe de Christine já ter feito uma residência na França, a empolgação foi bem maior – e ajudou bastante o fato da cantora já conhecer músicos de lá, como o próprio Luazó. “A chance veio com o interesse da French Light Records em colaborar com um single em parceria comigo, e assim tudo foi ganhando sentido”, conta ela, que depois passou pelo que chama de “blind date artístico”.
“O Félicien foi o primeiro artista a entrar na colaboração, e tínhamos apenas um fim de semana na França para gravar a canção em estúdio, sem nos conhecermos pessoalmente, e sem nenhuma pista do que seria feito, nem troca prévia de qualquer ideia musical”, recorda. Ela chamou Luazó para colaborar, e tudo foi dando liga.
A vida de artista alternativa no Rio de Janeiro (onde Christine vive) não é fácil. Ela tem feito idas e vindas a São Paulo, além de uma investida ou outra lá fora. “Não é simples uma artista solo carioca, que ainda não tinha um reconhecimento, sustentar uma carreira só com shows em outras cidades. Em muitas vezes ainda no início da minha carreira, fui levada a acreditar que eu só conseguiria mostrar meu repertório autoral para o público da minha cidade, investindo uma grana que não fazia sentido naquele momento”, conta.
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“Eu não tinha estrutura, nem nenhuma equipe comigo, os tempos são hostis mesmo. Foi então que tive a decisão de marcar meu primeiro show em Lisboa, sozinha. Que pelo bem ou pelo mal, foi um grande acerto, de direcionamento. Eu interagi com um público caloroso, receptivo e acolhedor da minha identidade musical, o que me fez me manter constante, criando mais canções aqui, que é meu propósito”, recorda ela, que prepara um EP para breve, trazendo parcerias com artistas de diferentes territórios.
“Sur ton íle é esse single em que me vi nesse processo de me apropriar mais do meu jeito de compor, ter conhecido outros artistas no momento de processo de criação, tudo isso me aproximou mais do que eu quero trazer musicalmente, e serviu como motivação para novas experimentações”, completa.
Foto: Louis Emilie / Divulgação
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Serena grava live session na sala da mãe do vocalista – e ela faz participação

Voltada para estilos como punk e pós-grunge, a banda paranaense Serena decidiu fazer uma live session “diferente”. Ao vivo na sala da Dona Rachel foi gravado na sala da casa da mãe de Yuri Muller, o cantor e guitarrista… e tem a participação da própria Dona Rachel. A mãe do músico abre a session impondo um limite à banda: tudo tem que acabar até às 21h porque ela quer ver sua novela.
A sessão tem seis músicas do disco da banda, Parque das ilusões (2024), e dura menos de 25 minutos. Mas se você pensa que a brincadeira acabou antes da novela da Dona Rachel, nada disso: a mãe de Yuri vai ficando bem irritada conforme a gravação avança… E já que foi tudo gravado numa sala de casa, a banda aproveitou para usar uma iluminação bem discreta, com câmera bem perto do grupo.
Além de Yuri, a banda tem Jacques Chiba (bateria), Renan Tonello (guitarra e voz) e Alan Fontoura (baixo). A session marca também o fato do Serena finalmente ter virado uma banda, já que o projeto começou em 2020 como uma diversão de pandemia de Yuri, enquanto trabalhava de home office. Parque das ilusões foi gravado inteiramente por ele.
“As composições começaram em 2020, a gravação de todos instrumentos e vozes ficaram pra 2021, a mixagem e masterização deram início em 2022, finalizando em 2023”, conta ele. “Tudo foi criado, tocado, mixado e masterizado por mim no disco. Foram alguns anos de trabalho até a Serena começar a dar as caras nas redes, e também, finalmente achar os membros pra dar vida a essa sonoridade nos palcos”.
Foto: Divulgação
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Andrei Lira reaparece solo com “Abstinência”, e anuncia álbum

Às vezes uma estreia solo demora porque a pessoa precisou dar uma volta antes de descobrir exatamente o que queria fazer. Parece ser o caso de Andrei Lira, que acaba de lançar Abstinência, primeiro single de Ao hoje tudo, álbum previsto para sair ainda em 2026.
Quem acompanhava a cena paraibana deve lembrar dele na Tenaz, banda com a qual lançou o EP Sereno, em 2021. Depois do fim do grupo, Lira passou cerca de um ano e meio longe da música. O retorno começou de forma discreta, com a seleção de Caleidoscópio para o Festival de Música da Paraíba, ganhou força com uma turnê viabilizada pela Lei Paulo Gustavo e acabou encontrando um novo impulso quando o músico se mudou para a República 714, coletivo de artistas de João Pessoa.
Abstinência nasceu ainda durante a pandemia e carrega muito daquele período. A música fala de ansiedade, ausência e memória, mas sem transformar esses temas em um grande drama. Com participação do coletivo paraibano Tela Azzu, a faixa mistura rock alternativo e indie enquanto passeia por referências que vão de Fresno e Pitty a Djavan e Arnaldo Antunes, filtradas pela cena musical paraibana.
O single também dá uma boa ideia de como Ao hoje tudo foi construído. Gravado em quatro estúdios diferentes de João Pessoa, o projeto privilegiou um processo coletivo, dando liberdade para que cada músico contribuísse com os arranjos. Faz sentido para um disco que, segundo Lira, gira em torno da ideia de pertencimento — seja à cidade, à cena musical ou às pessoas que fazem parte dela.
O lançamento marca ainda a entrada do cantor no catálogo da Taioba Music, selo paraibano dedicado a artistas do estado. Enquanto o álbum não chega, Abstinência funciona como o primeiro passo.
Foto: Divulgação
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Wander Reisss: trap, guitarras e MPB em “Quem eu sou”

O rapper, cantor e produtor paulistano Wander Reisss parece fazer parte de uma geração que já não vê muito sentido em respeitar fronteiras entre gêneros. Seu novo single, Quem eu sou, passa pelo trap, flerta com o rock alternativo e ainda encontra espaço para um sample de MPB dos anos 1980 — uma combinação que soa menos improvável do que parece. Ao lado dele, Med Zentorno faz as vozes no refrão, e Ciamatto toca a guitarra da música.
Reisss produz beats desde 2016, mas só recentemente passou a investir de vez na carreira como artista, colocando a própria voz em primeiro plano. Integrante da Matilda Records, coletivo da zona leste de São Paulo, ele vem construindo uma identidade que aproxima referências do rap nacional dos anos 2000 e 2010, rock, metal e música brasileira sem tratar nenhuma delas como mera citação.
Em Quem eu sou, essa mistura aparece de forma bem direta. A base parte de um beat de plug, subgênero do trap conhecido por instrumentais mais melódicos, sintetizadores brilhantes e clima quase etéreo — um estilo que surgiu na cena de Atlanta no fim dos anos 2010 e acabou ganhando força entre artistas que preferem atmosferas mais leves às batidas pesadas do trap tradicional. Sobre essa estrutura entram solos de guitarra, vocais intensos e uma energia que remete ao rock de arena.
A letra também evita o caminho mais óbvio. Em vez de transformar uma desilusão amorosa em lamento, Reisss fala sobre seguir em frente, reafirmar a própria identidade e deixar o passado para trás. E a referência do rock fica maisevidente no clipe. Inspirado pelo visual extravagante do glam metal dos anos 1980, o vídeo busca referências em bandas como Bon Jovi e Mötley Crüe, levando o espírito exagerado da época para um contexto bem mais próximo do trap brasileiro atual.
Foto: Divulgação






































