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Roger Daltrey apela: “The Who foi a primeira banda de heavy metal”

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Tem EP do The Who no Festival de Monterey nas plataformas

Roger Daltrey resolveu mexer num vespeiro daqueles: em entrevista à Rolling Stone, o vocalista disse que o The Who foi “a primeira banda de heavy metal”. Segundo ele, o grupo já fazia nos anos 1960 muita coisa que depois virou cartilha do gênero — do volume absurdo aos truques de palco e à destruição de instrumentos (nossa opinião: The Who e heavy metal não são exatamente a mesma coisa, mas errado, errado, ele não tá não – rola todo um adiantamento de coisas ali).

“Éramos simplesmente diferentes de todos os outros”, afirmou, como informado pelo NME. Daltrey disse ainda que o público americano costuma não conhecer tão bem a fase inicial do The Who, mas que basta revisitar aquele período para perceber vários elementos que mais tarde acabariam associados ao metal. “Como o baterista do Deep Purple, Ian Paice, disse recentemente: ‘o The Who começou tudo’. Nós fomos a primeira banda de heavy metal”.

Daltrey também lembrou que Jim Marshall criou os famosos gabinetes 4×12 de 100 watts para Pete Townshend, e aproveitou para reivindicar outra herança histórica: “Toda aquela destruição de guitarra que deixou Jimi Hendrix famoso foi basicamente copiada do Pete Townshend” (faz sentido, uma vez que no Festival de Monterey, houve uma pequena disputa entre a banda e Jimi Hendrix, para ver quem subiria primeiro ao palco – Hendrix perdeu, mas, como ficou público e notório, botou fogo na guitarra, pouco após o show do Who, em que Townshend e o batera Keith Moon literalmente quebraram tudo durante a apresentação).

O cantor ainda citou Tommy, a ópera-rock de 1969, ao falar sobre a ideia de “elevar” o rock: “A primeira ópera-rock, claro, levou o rock para um nível talvez pretensioso. Estávamos fazendo isso antes de todo mundo, mas no longo prazo isso não importa tanto”.

Não é a primeira vez que alguém do The Who puxa essa conversa. Em 2019, Pete Townshend já tinha dito ao Toronto Sun que o grupo abriu caminho para o heavy metal especialmente com Live At Leeds, disco ao vivo lançado em 1970. Na ocasião, ele afirmou que bandas como Led Zeppelin beberam diretamente da sonoridade pesada criada pelo Who.

“Fomos copiados por várias bandas, principalmente pelo Led Zeppelin. Bateria pesada, baixo pesado, guitarra pesada”, disse Townshend, acrescentando que nomes como Cream e Jimi Hendrix acabaram levando aquela estética “muito além”.

O tal papo de Daltrey aparecem logo depois do anúncio de sua nova turnê solo pelos Estados Unidos, marcada para este ano. Enquanto isso, o futuro do The Who continua indefinido. A banda fez seus últimos shows em 2025, mas Townshend segue insinuando que ainda pode pintar alguma novidade.

“Estamos sempre tentando criar algo especial”, disse o guitarrista recentemente. “E, se Deus quiser, continuaremos fazendo isso. Talvez ainda consigamos surpreender vocês de novo”.

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Brasil e França: Christine Valença une nações e idiomas no colaborativo “Sur ton ìle”

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Christine Valença, Verso, Félicien, e Luazó (Foto: Louis Emilie / Divulgação)

Não chegamos na Copa ainda, mas já tem um Brasil e França rolando, graças à cantora, compositora e multi-instrumentista Christine Valença. Sur ton ìle, sua nova música, une os dois países numa travessia musical marcada por encontros, movimento, memória e pertencimento.

Na música, Christine se encontra com três nomes da cena francesa: o rapper Verso, o cantor e compositor Félicien Adam e o guitarrista Luazó, e o som funde ritmos, idiomas e estilos musicais. E a faixa também conta histórias: a mãe de Christine, que também é cantora e compositora, morou na capital francesa nos anos 80 em uma residência artística, e aprofundou laços por lá.

Sur ton ìle surgiu no ano passado, quando Christine fez alguns shows na Europa. “Eu me conectei com vários artistas incríveis durante essa passagem por lá. A possibilidade de fortalecer realmente essas conexões cresceu com uma inscrição que fizemos para o Ibermusica (programa de cooperação dedicado exclusivamente ao setor musical ibero-americano)“, conta. “E foi ganhando mais contorno com as primeiras notícias de oportunidades para artistas locais no ano do Brasil na França, em editais do governo”.

Justamente pelo fato da mãe de Christine já ter feito uma residência na França, a empolgação foi bem maior – e ajudou bastante o fato da cantora já conhecer músicos de lá, como o próprio Luazó. “A chance veio com o interesse da French Light Records em colaborar com um single em parceria comigo, e assim tudo foi ganhando sentido”, conta ela, que depois passou pelo que chama de “blind date artístico”.

“O Félicien foi o primeiro artista a entrar na colaboração, e tínhamos apenas um fim de semana na França para gravar a canção em estúdio, sem nos conhecermos pessoalmente, e sem nenhuma pista do que seria feito, nem troca prévia de qualquer ideia musical”, recorda. Ela chamou Luazó para colaborar, e tudo foi dando liga.

A vida de artista alternativa no Rio de Janeiro (onde Christine vive) não é fácil. Ela tem feito idas e vindas a São Paulo, além de uma investida ou outra lá fora. “Não é simples uma artista solo carioca, que ainda não tinha um reconhecimento, sustentar uma carreira só com shows em outras cidades. Em muitas vezes ainda no início da minha carreira, fui levada a acreditar que eu só conseguiria mostrar meu repertório autoral para o público da minha cidade, investindo uma grana que não fazia sentido naquele momento”, conta.

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“Eu não tinha estrutura, nem nenhuma equipe comigo, os tempos são hostis mesmo. Foi então que tive a decisão de marcar meu primeiro show em Lisboa, sozinha. Que pelo bem ou pelo mal, foi um grande acerto, de direcionamento. Eu interagi com um público caloroso, receptivo e acolhedor da minha identidade musical, o que me fez me manter constante, criando mais canções aqui, que é meu propósito”, recorda ela, que prepara um EP para breve, trazendo parcerias com artistas de diferentes territórios.

Sur ton íle é esse single em que me vi nesse processo de me apropriar mais do meu jeito de compor, ter conhecido outros artistas no momento de processo de criação, tudo isso me aproximou mais do que eu quero trazer musicalmente, e serviu como motivação para novas experimentações”, completa.

Foto: Louis Emilie / Divulgação

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Tem música nova do Durutti Column, a mágica “Liars”

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Tem música nova do Durutti Column, a mágica "Liars"

Pergunte a John Frusciante (Red Hot Chili Peppers, Johnny Marr (Smiths), Robin Guthrie (Cocteau Twins) sobre um guitarrista que eles admiram – e o nome de Vini Reilly, criador do projeto musical Durutti Column, vai estar na lista. Conhecido por seu som ultratexturizado e pouco afeito a riffs comuns, Vini se tornou sinônimo de inovação e prestígio cult na música indie.

O som cheio de ambiência dele se tornou um modelo para a turma do shoegaze, do post-rock, do math rock, até do emo – o som de Vini na guitarra pode não ter sido influência direta, mas está no DNA dos dedilhados de bandas como American Football. E uma ótima notícia é que lá vem o Durutti Column com novo single, e anunciando novo álbum.

A música nova é Liars, um dream pop mágico, com ritmo ligeiramente funkeado, em que Vini solta uma espécie de rap à guisa de letra. E ela serve de batedor para Renascent, o álbum com 11 faixas que marca o primeiro lançamento inédito de Vini Reilly e companhia desde A paean to Wilson, de 2010. Em janeiro, já havia saído o relançamento do primeiro álbum da banda, The return of The Durutti Column (1979).

Reilly trabalhou em Renascent com o percussionista de longa data da banda, Bruce Mitchell, e com o músico e produtor Keir Stewart. A cantora e compositora Caoilfhionn Rose também participa como convidada. E Liars tá aí, junto com a capa e a lista de faixas de Renascent – que sai dia 10 de julho pela London Records.

1 Echoes in the memory
2 Your shadow at morning
3 Time present and time past
4 Agonistes
5 Liars
6 Vapour in a matchbox
7 Your shadow at evening
8 Sargasso sea
9 Scammer
10 For friends everywhere
11 All they see is fire

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Ste A Viva: música, voo e imagem misturados em “Lá fora”

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Ste A Viva (Foto: Anna Chaves / Divulgação)

Muitas influências legais envolvidas: Stephanny Lima, ou Ste A Viva, cantora de Belém radicada em Belo Horizonte, curte o som etéreo de Weyes Blood e o folk lo-fi de Grouper. Também ama Persona, filme de Ingmar Bergman, além do cinema experimental de Maya Deren. Tudo isso entra como referência na voadora e melancólica Lá fora, single solo de estreia.

Com um ritmo meio bossa, e teclados que permitem dar uma bela viajada sonora, Lá fora fala sobre os momentos em que a gente se sente meio fora do mundo, mesmo diante de um universo em harmonia – a letra fala de desejos como sumir no campo ou de se misturar à grama, e aí surge um refúgio. Se você curte melodias com surpresas (mudanças de tom, momentos em que parece que a coisa vai ficar meio assustadora, mas permanece tranquila, etc), vai ouvir Lá fora tipo mil vezes.

Um outro detalhe é que Ste trabalha a música como se nem houvesse uma diferença entre som e imagem – é uma música bastante visual, até pelas referências cinematográficas. Ou, como diz o texto de lançamento, Lá fora trabalha “som e imagem como extensões de uma mesma experiência sensorial, onde mundo externo e estado interno coexistem em tensão”. O single foi gravado no estúdio do músico belo-horizontino Lucas De Moro, que assina a produção, a mix e a master do projeto.

Tem um EP de Ste que deve sair ainda neste ano. Além de cantora solo, ela toca teclados na banda belo-horizontina Godofredo – e é médica formada pela UFMG. E Lá fora você conhece agora.

Foto: Anna Chaves / Divulgação

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