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Henry Rollins e Ian MacKaye vão lançar disco inédito dos Cramps

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Capa do disco Gravest Gravy, dos Cramps

Nos anos 1980, era comum que bandas punk passassem por certos locais nos Estados Unidos e mudassem vidas para sempre. O Black Flag, liderado por um vocalista chamado Henry Rollins, esteve em Seattle em 1984 e ensinou a toda uma geração de adolescentes (Kurt Cobain entre eles) como seria o rock daí pra diante. E anos antes, em 1979, Rollins – que ainda não fazia parte do Black Flag – estava na plateia do LBJ Club, em Washington, D.C., pronto para assistir ao show de uma banda iniciante chamada Cramps.

Nessa época, aliás, nem sequer existia Henry Rollins – havia Henry Garfield, nome verdadeiro do futuro músico e escritor. Os Cramps nem sequer haviam lançado seu primeiro disco, mas impressionavam pelo grau de loucura no palco, e pela união de terror, clima de HQ, rockabilly, psicodelia e vibe gótica. E na plateia naquele dia, estava também Ian MacKaye, futuro criador do Minor Threat e Fugazi, que também ficou impactado com aquele show. Agora, Henry e Ian estão juntos num projeto bem especial: lançar um álbum inédito do The Cramps, produzido por Alex Chilton (Big Star).

Não é o primeiro trabalho dos dois juntos: no começo do ano, eles se reuniram para lançar um single perdido, gravado em 1977, da banda punk britânica The Adverts. Também não é o primeiro envolvimento de Henry com relançamentos: nos anos 1990 ele e o produtor Rick Rubin montaram o selo Infinite Zero, que repôs nas lojas álbuns esgotados de Gang Of Four e Devo – em CD e com faixas bônus. O lance com os Cramps, aliás, vai durar mais que apenas um disco: eles estão trabalhando com Poison Ivy Rorschach, a guitarrista do grupo, no projeto de relançar uma série de discos da banda, além de pôr à venda merchans oficiais.

Poison Ivy e seu falecido marido, o vocalista Lux Interior, morto em 2009, foram os únicos membros permanentes do The Cramps. Ela montou recentemente a Cramps, Inc. com Larry Hardy, dono do selo In The Red Records, e com Jimmy Maslon, ex-produtor do grupo. Juntos, eles estão relançando o selo Vengeance, do The Cramps, e botando para girar uma nova linha de produtos da banda. “Ivy é a principal beneficiária. Larry e Jimmy estão cuidando de toda a logística. Eles são perfeitos para isso”, conta Rollins.

E Henry e Ian com isso? Bom, os dois montaram a RAM Prod (r de Rollins, a de “and” e M de MacKaye) e estão “trabalhando em nome da The Cramps Inc., criando ideias para lançamentos, cuidando da manutenção das fitas, edição, mixagem, masterização e corte do acetato”. O tal disco dos Cramps com Chilton na produção se chama Gravest gravy, e foi gravado em 1977 – e é o primeiro produto no qual a dupla vem se concentrando.

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O disco poderia ter sido o primeiro da banda, mas não foi gravado com essa intenção. Acontece que em 1977, os Cramps gravaram seus dois primeiros singles, Surfin’ bird / The way I walk e Human fly / Domino, com Chilton como produtor, pelo seu próprio selo, Vengeance. E nessas sessões foram gravadas várias outras faixas – algumas delas até surgiram em discos e coletâneas da banda. O conjunto todo de músicas foi revisitado por Lux e Poison nos anos 1980, com o casal mixando algumas, e Chilton, outras.

O nome Gravest gravy surgiu nessa época, e o disco chegou a ganhar uma capa, com foto de Stephanie Chernikowski – mas acabou não saindo. Rollins conseguiu localizar a foto, reconstituiu o disco, e Gravest gravy sai no dia 21 de agosto pela Vengeance.

“As faixas de Gravest gravy estavam contidas em sete bobinas de 1/4 de polegada. Seis foram geradas por Lux e Ivy, e uma por Alex. As fitas foram cuidadosamente transferidas por Brian Kehew”, contaa Rollins. “Muitas das músicas tinham várias mixagens. Precisávamos determinar quais seriam as melhores. Após várias noites de audição atenta e anotações detalhadas, consegui entender as mudanças feitas de uma mixagem para outra. Em poucas noites, pude determinar que a última mixagem de cada música era a definitiva. As faixas não só soavam em seu potencial máximo, como também faziam sentido”.

“Gravest gravy é um verdadeiro tesouro. Você encontra uma performance de Hungry, do Paul Revere and the Raiders, lançada em 1966, que fez parte dos primeiros repertórios da banda, mas logo saiu. Para tornar a música ainda mais interessante, Alex Chilton entra tocando órgão. Outro cover antigo do The Cramps, Problem child, escrita por Sam Phillips, também está no disco”, continua ele. “O que você encontra em Gravest gravy é pura genialidade registrada em fita por uma banda que estava diretamente ligada à corrente principal do rock’n roll, produzida por um visionário maníaco chamado Alex Chilton”.

Saiu já um clipe para a faixa TV set, dirigido por Jason Willis. Abaixo você confere clipe e lista de faixas.

01 Weekend on mars
02 Twist & shout
03 Jungle hop
04 Can’t hardly stand it
05 Hungry
06 The natives are restless
07 Domino
08 Can’t find my mind
09 Rockin’ bones
10 Problem child
11 Rocket in my pocket

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Grimes mistura IA, religião e distopia em “Accelerando”, primeira faixa de “Psy opera”

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Grimes mistura IA, religião e distopia em “Accelerando”, primeira faixa de "Psy opera"

RESUMO: Grimes apresenta Accelerando, primeiro single de Psy opera, álbum sobre inteligência artificial, guerras, religião e relacionamentos. O clipe traz androides, fogueiras e imagens distópicas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Inteligência artificial, guerras, religião, ex-namorados problemáticos e até a turma do looksmaxxing — aquela obsessão da internet por melhorar a aparência física. Grimes resolveu colocar tudo isso no mesmo disco. A cantora canadense acaba de lançar Accelerando, primeira amostra de Psy opera, álbum que ainda não tem data de lançamento, mas já promete uma boa dose de esquisitice.

O novo single vem acompanhado de um clipe que parece reunir várias ideias de filmes distópicos numa tacada só. Grimes aparece enrolada em correntes, é queimada numa fogueira e ainda empunha uma arma no meio de uma batalha entre androides. A letra não fica atrás: tem referências a lobotomia americana, Van Gogh e um convite para que alguém a devore. O título da música, aliás, pode ser uma referência a Accelerando, romance de ficção científica publicado por Charles Stross em 2005.

Grimes havia anunciado Psy Opera em abril, numa entrevista à revista Interview, revelando inclusive os títulos de duas músicas: The light ages e Eve is online. Agora, o material de divulgação explica um pouco melhor a ideia do álbum. Segundo o texto, o disco vai abordar tudo o que a cantora testemunhou como uma “mulher da história” durante seu afastamento da música pop. E isso inclui desde os debates sobre inteligência artificial até guerras consideradas imorais e relacionamentos que não deram certo.

A relação de Grimes com a inteligência artificial, por sinal, já vem de alguns anos. Em 2023, ela chegou a oferecer metade dos royalties a quem conseguisse criar uma música de sucesso usando uma versão de sua voz gerada por IA. No ano seguinte, participou da série A brief history of the future, da PBS, defendendo que a tecnologia poderia ajudar a revelar novos talentos musicais. Para ela, quando todo mundo tiver acesso a ferramentas capazes de produzir material com qualidade profissional, a diferença estará na criatividade de cada artista.

A cantora também abriu um canal no Instagram chamado Eve is online e divulgou um trailer de Psy opera que transforma o Evangelho de João numa história futurista sobre máquinas e divindades. “No princípio era a palavra, e a palavra era deus. E o homem fez deus à sua imagem, e Deus abraçou a natureza do homem”, diz a narração. Em seguida, descreve um Éden construído em metal, iluminado por luz artificial capaz de rivalizar com o sol.

Psy opera será o primeiro álbum de Grimes desde Miss Anthropocene, de 2020, e também o primeiro lançamento por seu próprio selo, Nazgul Recording LLC, criado depois de sua saída da Columbia Records. Pelo que ela mostrou até agora, a volta ao pop não será exatamente discreta.

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Instagram não para de recomendar “Higher”, do Creed – e nem sabe por quê

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Instagram não para de recomendar "Higher", do Creed - e nem sabe por quê

RESUMO: Higher, hit do Creed lançado em 1999, virou sugestão recorrente de música nos Stories do Instagram. A plataforma admite que há um problema no algoritmo e tenta descobrir como resolvê-lo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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Aparentemente, o Creed está aparecendo onde ninguém chamou. Quem costuma colocar música nos stories do Instagram pode ter esbarrado em Higher, hit lançado pela banda em 1999, entre as primeiras sugestões da plataforma. Até aí, tudo bem. O problema é que a faixa aparece o tempo todo, mesmo quando não tem absolutamente nada a ver com o que está sendo publicado.

A insistência começou a chamar a atenção dos usuários, que passaram a desconfiar de alguma campanha promocional do Creed. Afinal, seria uma maneira e tanto de fazer uma música de quase 30 anos voltar à cabeça das pessoas. Só que, pelo visto, nem o Instagram entende direito o que está acontecendo.

A história foi parar na CNN americana, que procurou a plataforma para saber de onde vinha tanto amor pelo Creed. A resposta foi curiosa: depois de investigar o caso, o Instagram descobriu que Higher estava sendo sugerida a muito mais gente do que deveria. A empresa informou que seus engenheiros estão tentando resolver o problema, mas não explicou o que fez a música ganhar tamanha preferência do algoritmo.

Lançada como primeiro single de Human clay (1999), segundo álbum do Creed, Higher foi o primeiro sucesso do grupo a entrar no Top 10 americano. A faixa voltou a circular com força nas redes sociais nos últimos anos, acompanhando uma onda de nostalgia pelo rock da virada dos anos 1990 para os 2000 e o retorno da banda aos shows, em 2024.

Agora, quase três décadas depois, o Creed conseguiu uma coisa que muita banda adoraria: entrar na trilha sonora da vida de milhares de pessoas sem que ninguém tivesse pedido. Nem mesmo o Instagram.

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Samuel Amaro transforma implicância amorosa em clipe inspirado no city pop

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Samuel Amaro - Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação

RESUMO: Em Eu ia, Samuel Amaro mistura referências ao city pop e imagens de câmeras antigas para contar uma história de amor reprimido, em que provocar o outro é mais fácil do que admitir os sentimentos.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação

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Implicância também pode ser declaração de amor – pelo menos em Eu ia, música do paranaense Samuel Amaro que acaba de ganhar clipe. A faixa faz parte do álbum de estreia Músicas surpreendentemente comuns, melancólicas e feitas para dormir, e seu vídeo mistura referências de city pop dos anos 1980 com uma história sobre gente que prefere provocar a admitir o que sente.

Filmado em Maringá (PR), o clipe acompanha três tentativas do protagonista de se aproximar de seu par romântico. Em todas, o medo de se expor acaba atrapalhando as coisas. A produção é da Bolinha de Gude Produções, com direção e edição de Lírica Aragão e Pietro Saura, e aposta numa imagem inspirada em handycams e câmeras analógicas.

“A ideia do clipe nasceu para traduzir em imagens essa minha obsessão pelo city pop e essa ponte entre o retrô e o contemporâneo. A história retrata esse amor reprimido, daquela pessoa que se irrita e se opõe a tudo que o outro faz só para esconder o que sente, como a Helga faz com o Arnold no desenho dos anos 90. É sobre se proteger atrás da implicância em cena para não ter que lidar com a própria vulnerabilidade”, explica Samuel.

Eu ia foi gravada no home studio do próprio músico, em Maringá. O esquema caseiro acabou chegando também às filmagens: numa das cenas, a equipe precisou segurar manualmente uma cortina que aparece no cenário porque não havia suporte para prender o varão.

Em atividade desde 2018, Samuel lançou anteriormente os EPs Morno (2020) e Sintoma (2022). O músico também produz sob o nome Qumma, projeto voltado ao lo-fi. Eu ia traz João Manoel, da banda Jovens Ateus, na guitarra, Luiz Júnior no baixo e mixagem e masterização de Maurício Mendes.

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