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Ste A Viva: música, voo e imagem misturados em “Lá fora”

Muitas influências legais envolvidas: Stephanny Lima, ou Ste A Viva, cantora de Belém radicada em Belo Horizonte, curte o som etéreo de Weyes Blood e o folk lo-fi de Grouper. Também ama Persona, filme de Ingmar Bergman, além do cinema experimental de Maya Deren. Tudo isso entra como referência na voadora e melancólica Lá fora, single solo de estreia.
Com um ritmo meio bossa, e teclados que permitem dar uma bela viajada sonora, Lá fora fala sobre os momentos em que a gente se sente meio fora do mundo, mesmo diante de um universo em harmonia – a letra fala de desejos como sumir no campo ou de se misturar à grama, e aí surge um refúgio. Se você curte melodias com surpresas (mudanças de tom, momentos em que parece que a coisa vai ficar meio assustadora, mas permanece tranquila, etc), vai ouvir Lá fora tipo mil vezes.
Um outro detalhe é que Ste trabalha a música como se nem houvesse uma diferença entre som e imagem – é uma música bastante visual, até pelas referências cinematográficas. Ou, como diz o texto de lançamento, Lá fora trabalha “som e imagem como extensões de uma mesma experiência sensorial, onde mundo externo e estado interno coexistem em tensão”. O single foi gravado no estúdio do músico belo-horizontino Lucas De Moro, que assina a produção, a mix e a master do projeto.
Tem um EP de Ste que deve sair ainda neste ano. Além de cantora solo, ela toca teclados na banda belo-horizontina Godofredo – e é médica formada pela UFMG. E Lá fora você conhece agora.
Foto: Anna Chaves / Divulgação
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Paul McCartney faria tudo “funcionar direito” se fosse primeiro-ministro

Se Paul McCartney resolvesse trocar os palcos por Downing Street, já teria algumas ideias na manga. Em uma live no TikTok feita no último dia 27, o ex-Beatle comentou o que mudaria na Grã-Bretanha caso virasse primeiro-ministro — e a conversa passou por impostos, buracos nas ruas, NHS e o jeito meio emperrado como o país funciona hoje.
O comentário rolou porque uma pessoa lhe perguntou sobre o que gostaria de mudar no Reino Unido se fosse eleito para o cargo. “Essa é uma pergunta complexa. Gostaria de tentar fazer com que as coisas funcionassem de forma mais eficiente, para variar”, disse. Segundo ele, muita gente paga impostos sem sentir retorno real do governo. A solução? Juntar “pessoas que saibam resolver as coisas” para melhorar a vida cotidiana e colocar sistemas básicos para funcionar direito. Estradas, saúde pública, impostos: tudo entrou no pacote.
- Ouvimos: Paul McCartney e Wings – Wings (coletânea)
Paul também falou sobre desigualdade. Disse não se incomodar em pagar impostos altos porque vê isso como uma forma de retribuição, mas acha que quem tem menos dinheiro acaba sendo mais prejudicado pelo sistema. “As pessoas que não têm muito são exploradas”, comentou, antes de defender melhorias no Serviço Nacional de Saúde britânico.
A ideia de uma carreira política, porém, deve ficar só na hipótese. McCartney anda ocupado promovendo The boys of Dungeon Lane, disco que chega nesta sexta (29). A divulgação tem incluído uma presença intensa nas redes — incluindo TikTok, podcasts e até participação no Chicken Shop Date, série de entrevistas de Amelia Dimoldenberg.
Nas últimas semanas, Paul também apareceu nos podcasts The Rest is History e The Rest is Entertainment, falando sobre Liverpool, começo de carreira e memórias dos primeiros anos de banda.
E tá aí o papo com Paul, na minutagem certa (subido pelo canal @TheBeatleBR)
Foto: Mary McCartney / Divulgação
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Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago: disco do trio vira filme

O encontro entre Criolo, Amaro Freitas e Dino d’Santiago saiu do disco e virou filme. O curta O som entre nós, dirigido por Helder Frutera e Cisma, deriva do álbum lançado pelo trio, Criolo, Amaro e Dino (resenhamos esse disco aqui). E acompanha a conexão construída pelos três artistas, transformando o projeto numa viagem por música, memória e identidade entre Brasil, Cabo Verde e Portugal.
O documentário mistura cenas de ensaios, gravações e conversas de bastidor com a história de cada um dos músicos, mostrando como trajetórias bem diferentes acabam se cruzando num mesmo universo sonoro. Tem Criolo levando sua poesia moldada nas periferias paulistanas, Amaro Freitas expandindo o jazz brasileiro para territórios cada vez mais livres e Dino d’Santiago aproximando ritmos cabo-verdianos de hip-hop, R&B e afro-house.
Em um dos momentos mais fortes do curta, Dino canta Petit pays, clássico de Cesária Évora, reforçando o elo afetivo e cultural que atravessa todo o projeto. O filme também acompanha o processo criativo do álbum e deixa claro que a parceria entre os três nasceu de afinidades que vão muito além do estúdio.
“O filme celebra uma amizade, o tempo, a presença e a música, nos abraçando a cada instante”, conta Criolo. “É um trabalho que se torna especial porque quebramos um pouco a lógica dos encontros que estão visando transformar a música em um produto. Ela é o caminho e o resultado de uma amizade, porque nós nos entendemos e estávamos passando por situações complicadas. Então sabíamos que os encontros iam nos fazer bem. Quando nos vemos, fica tudo mais leve. É uma honra e uma felicidade poder viver tudo com Amaro, esse artista genial, e com Dino, uma das vozes mais incríveis que eu já escutei em toda a minha vida”.
E você assiste ao filme aí embaixo.
Foto: Frame do filme
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Tom Morello cria festival de música e ativismo, e lança single com Serj Tankian

É um dia só, mas vai valer por vários: Tom Morello, guitarrista e artífice do Rage Against The Machine, confirmou nomes como Foo Fighters, Joan Baez e Bruce Springsteen para seu evento Power to the People. O festival, anunciado como “um dia de amor, paz, justiça e música”, está agendado para 3 de outubro de 2026, no Merriweather Post Pavilion em Columbia, Maryland.
Outros nomes já confirmados incluem Dave Matthews, Jack Black (com uma banda que inclui Roman, filho de Tom, na guitara, além de Revel Ian, filho de Scott Ian, do Anthrax, no baixo), Dropkick Murphys, Cypress Hill e Killer Mike – além de Taylor Momsen, vocalista do Pretty Reckless, Serge Tankian (System of a Down), Grandson, The Neighborhood Kids, Shephard Fairey (em set como DJ), Daryl “DMC” McDaniels, Brittany Howard (Alabama Shakes), The Linda Lindas e Matt Cameron, ex-baterista do Pearl Jam. O próprio Morello também sobe ao palco.
Tom Morello já mostrou que sabe transformar festivais em acontecimentos históricos. Foi ele quem assinou a curadoria e a direção musical de Back to the Beginning, o derradeiro show de despedida de Ozzy Osbourne e Black Sabbath – missão confiada ao guitarrista pelo próprio casal Ozzy e Sharon Osbourne.
Boa parte dos artistas envolvidos no evento já se posicionou publicamente contra Donald Trump. Mesmo assim, Morello afirma que o Power to the People não tem alinhamento partidário. Segundo ele, a proposta é destacar “o poder que pessoas comuns têm quando se unem – através da música, da arte, da comunidade e da ação – para ajudar a moldar o país e o planeta no dia da eleição e também depois dele”. O guitarrista também descreveu o festival como “uma celebração de ativismo, criatividade e esperança”.
Parte da renda arrecadada com os ingressos – além de 100% da receita líquida das entradas VIP – será destinada à VoteRiders, organização sem fins lucrativos que atua para reduzir barreiras de identificação eleitoral nos Estados Unidos. Os ingressos para o Power to the People começam a ser vendidos em 30 de maio.
E além disso, Tom tem outra novidade: nesta sexta sai Adjourn it, single gravado ao lado de seu amigo Serj Tankian, vocalista do System Of A Down – um ativista político e músico como ele. A parceria tem também a participação de Roman Morello, guitarrista e filho de Tom.
Segundo declaração de Tom nas redes sociais, a música foi inspirada pela “perseguição de imigrantes por todo o país e pela força contrária de uma resistência heroica à crescente onda do fascismo. Adjourn it é uma canção de liberdade com riffs impactantes em prol da justiça e da igualdade”. O músico divulgou também um vídeo em que aparece em protestos pela Palestina, e mostrando as mensagens que põe em sua guitarra nos shows (“arm the homeless”, “fuck ICE”, etc).
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