Você já se sentiu, como fã, injustiçado ao ver que seu artista preferido voltou para casa de mãos abanando numa premiação do Grammy (por sinal, hoje tem)? Se isso já aconteceu com você, imagina como se sente essa turma aí embaixo, que nunca levou uma estatueta pra casa – e em casos bizarros, nunca nem foi indicada para ganhar nada.

DEPECHE MODE: Em vias de lançar novo disco (e com o single de “Where’s the revolution” já rolando por aí), o grupo inglês de rock (sim, eles são uma banda de rock, e não exatamente de synthpop) foi indicado para o prêmio cinco vezes, e todas após 1995. Nunca levou nada para casa. A última nominação foi para “melhor clipe curto” com “Wrong”.

GUNS N ROSES: “Guns N Roses lies”, EP da banda lançado em 1988, foi lembrado para a categoria hard rock/heavy metal, como melhor performance em 1990. O grupo só ganhou prestígio e experiência, mas prêmio que é bom, nada. Ao todo foram mais duas indicações até 1993, mas o grupo nunca levou nada da Academia. E que coisa: o Velvet Revolver, formado por ex-Guns com o saudoso Scott Weiland (Stone Temple Pilots) no vocal, papou o prêmio de Melhor Performance de Hard Rock por “Slither” em 2005. Olha eles na festa tocando “Across the universe”, dos Beatles, ao lado de um timaço.

OASIS: Lembra de “Give me one reason”, de Tracy Chapman? Tocou muito no rádio, inclusive no Brasil. O grave é que “Wonderwall”, do Oasis, tocou o quádruplo e perdeu o Grammy de Melhor Canção de Rock para ela, em 1997. Autoproclamar-se como a “melhor banda de rock do mundo” não ajudou muito o Oasis, nomeado três vezes mas nunca premiado. Já no Brit Awards, rolaram 17 nomeações e seis estatuetas – um deles pela excepcional contribição da banda à música, há dez anos. Olha como foi.

KISS: O grupo era solenemente ignorado pelo Grammy antes da categoria Hard Rock/Heavy Metal existir. E continuou sendo esquecido depois dela. Só mesmo o retorno das máscaras no palco fez com que a banda fosse lembrada, em 1999 – foram indicados para Melhor Performance de Heavy Metal pelo disco “Psycho circus”. Mas voltaram para casa com as mãos abanando e nunca mais tiveram indicação alguma. Em 1996 a reunião da formação clássica do grupo (e a volta das máscaras) foram assunto do Grammy, já que a banda mostrou a nova-velha fase no palco da premiação. Só que dividiram o palco com o rapper Tupac Shakur para anunciar o prêmio de Melhor Performance Pop em Grupo ou Duo.

STROKES: Autores de pelo menos três grandes discos (os três primeiros) e de mais uma série de álbuns interessantes, os Strokes poderiam ter ganhado pelo menos uma nominação por causa de “Is this it” (2001). Nada: o grupo faz parte de um exército bastante numeroso de artistas cujo sucesso pop ou contribuição histórica nunca se reverteram em reconhecimento algum da Academia (Talking Heads e Velvet Underground, duas bandas novaiorquinas de gerações diferentes das dos conterrâneos Strokes, também nunca foram indicados). E se você buscar o nome da banda + Grammy no YouTube, só acha isso aqui.

SPICE GIRLS: Entre 1995 e 2000, para onde quer que você olhasse, havia sempre uma adolescente cantando as músicas delas – ou quem sabe, vestida igual a uma delas. Pra quê? O Grammy nunca nem olhou para as meninas, que jamais ganharam uma indicação. Em compensação fiquem com o showzão das inglesinhas no Brit Awards de 1997.