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Pattie Boyd, ex-esposa de George Harrison: “Ninguém desses filmes dos Beatles falou comigo”

O machismo e o anedotário do rock empurraram a ex-modelo Pattie Boyd para a condição de ex-esposa de dois roqueiros: George Harrison (que dedicou Something para ela) e Eric Clapton (que escreveu Layla para ela quando Pattie era apenas uma paixão platônica – e acabou se casando com a esposa do mui amigo George). De uns anos para cá, ela vem se dedicando à fotografia, uma paixão que virou profissão, e volta e meia faz reaparições.
E uma novidade dela rolou na semana passada, quando ela apareceu no episódio de estreia de Miss O’Dell: Abbey Road To Tulsa Time, um novo podcast apresentado pela veterana tour manager Chris O’Dell, que trabalhou com artistas como os Beatles, os Rolling Stones e Bob Dylan.
Rolou polêmica, claro: lá pelos 33 minutos de papo, O’Dell perguntou a ela sobre o projeto de cinebiografia dos Beatles dirigido por Sam Mendes, que está em desenvolvimento – até porque existe uma Pattie Boyd no filme, interpretada por Aimee Lou Wood. Acontece que Pattie soube de tudo pela mídia: não foi procurada por Mendes, nem pela produção do filme, nem por Aimee. E você pode imaginar como ela vem se sentindo por causa disso.
“Olha, posso estar completamente enganada, mas eu teria pensado que seria educado me avisar ou me informar que já tinham alguém para me interpretar. Você não acha que eles me avisariam? Bem, ninguém entrou em contato comigo”, disse ela. “Eu poderia ter contado histórias incríveis. Mas acho que eles não querem saber. Acho que eles querem criar algo completamente diferente, uma história diferente”.
Boyd acrescentou que o filme parece não ter “nada a ver com a verdade. Nada a ver com o que realmente aconteceu porque eles não querem falar com ninguém que estava lá”. Em vez disso, é “a criação do cineasta sobre o que ele acha que aconteceu”. E enfim, Aimee, da série Sex education, já vem até dando entrevistas sobre quão louco está sendo interpretar Pattie. Falou disso em março com o The Standard.
“Todos conhecem essas pessoas, então é muito diferente e bastante intimidante. Já fiz as provas de roupa com o cabelo loiro e os olhos azuis. Estou realmente me transformando em uma pessoa diferente”, contou, acrescentando que não poderia recorrer ao truque de “vamos experimentar e ver como é que fica”. “Às vezes, eu penso: ‘Vamos ver como as coisas vão, vamos experimentar e ver o que acontece’, o que é ótimo para certas coisas, mas na verdade não posso fazer isso com a Pattie. Vou ter que me preparar muito bem e ser muito detalhista, porque ela é uma pessoa muito reconhecível, e obviamente não posso fazer uma imitação”.
E ora bolas, não seria mais tranquilo para todos os envolvidos um bate-papo com a pessoa que vai ser retratada no filme? Sim, seria – se Mendes procurasse a fotógrafa, provavelmente Aimee, que sequer deve ter autorização para procurá-la por conta própria (ou deve se sentir constrangida para fazer isso), ficaria bem mais segura. Seja como for, todos podem ficar tranquilos porque a ex-senhora Harrison é de paz.
“Vou me comportar muito bem e não ficar mal-humorada e resmungona”, disse ela, que ou não conhece Mendes ou fingiu desprezar sem dó o diretor de Beleza americana. “Alguém disse que ele era famoso. Aparentemente, ele é famoso, esse homem”, disse ela no papo.
Já quem parece tranquilo em relação ao filme de Sam Mendes é Paul McCartney: ele vai até lançar um documentário do disco novo, The boys of Dungeon Lane (que sai, você deve saber, nesta sexta-feira), baseado em diálogos justamente com o cara que irá interpretá-lo em The Beatles: A four-film cinematic event, Paul Mescal. O Paul mais ilustre fala sobre as memórias, os relacionamentos e o processo criativo por trás de seu próximo álbum, e o xará Mescal conduz a conversa a partir das músicas do álbum.
Ainda sobre Pattie: a modelo e fotógrafa, você deve saber, criou um climão entre os brothers George Harrison e Eric Clapton ao trocar o primeiro pelo segundo. Tinha outras coisas envolvidas: 1) eram os anos 1960/1970, época de doideiras abissais; 2) Harrison estava longe de ser o maior santinho da história: lá pelos anos 1970, estava drogadaço e bêbado, e já tinha traído Pattie várias vezes; 3) Eric – que já tinha feito Layla para Pattie e vinha cantando a mulher do amigo havia anos, no maior esquema fura-olho – estava em rehab e parecia estar melhorando.
De qualquer modo, até Paul e Linda McCartney foram ao casório dela com Clapton. E George também (!). Olha a prova aí.
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Tony Iommi: o que já dá pra esperar do álbum “From the dark”

RESUMO: Aos 78 anos, Tony Iommi tem na agulha From the dark, disco que passeia pelo doom e pelo metal mais veloz, recupera ecos da fase Dio do Black Sabbath e traz Jørn Lande nos vocais.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Ross Halfin / Divulgação
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Não perguntem a Tony Iommi o que vem depois do heavy metal – ele não parece nada interessado nesse tipo de assunto. Aos 78 anos, o guitarrista que ajudou a inventar o negócio está fazendo justamente aquilo que se espera dele. E que é (ora ora…) heavy metal. Inclusive já dá pra perceber, pelas duas músicas já lançadas de From the dark, seu terceiro disco solo – prometido pela BMG para 23 de outubro – que ele não vai suavizar em nada o pacote.
World alone é a mais rápida das duas já lançadas. Iommi toca como se estivesse parado naquela esquina entre os anos 1970 e 1980, época em que o hard rock endurecia de vez e bandas como Judas Priest aceleravam o metal. Jørn Lande, recrutado para cantar no disco, ajuda bastante nisso aí: é possível ouvir alguma coisa de Rob Halford naquele vozeirão, só que com um pouco mais de ferrugem e menos cerimônia.
O próprio Iommi contou à Rolling Stone que costuma cair naturalmente no lado doom da coisa e que precisa lembrar a si mesmo de escrever músicas mais rápidas. “Eu sempre começo pelas coisas doom. Sempre fui assim. Fico absorvido pelos riffs doom”, disse. World alone nasceu justamente da tentativa de sair desse primeiro impulso. A revista ouviu ecos do hit Mob rules (1981) na música — e faz sentido. A aproximação com a fase Ronnie James Dio do Black Sabbath é bem maior do que com a era Ozzy.
Stormwatcher, segundo aperitivo, muda um pouco a paisagem. É mais épica, mais pesada e deixa espaço para aquela grandiosidade que o Sabbath desenvolveu tanto com Dio quanto em momentos mais lustrosos de discos como Sabotage (1975). O riff é imediatamente reconhecível como coisa de Iommi, e os solos continuam o fino.
Lande também está longe de ser apenas o sujeito contratado para cantar. Ele divide a composição das oito faixas com Iommi e contou que sua preocupação foi encontrar melodias vocais que servissem aos riffs e arranjos do guitarrista, sem tentar encaixar o trabalho antecipadamente em algum estilo. Não deixa de ser curioso que Iommi tenha escolhido justamente uma voz com parentesco evidente com Dio: ele já conhecia Lande desde o tributo ao cantor realizado em 2010 e diz que gostou de sua voz desde aquela ocasião.
E olha que From the dark quase nem teve cantor. Iommi revelou à Loudwire que começou o projeto pensando num álbum instrumental e chegou a gravar duas músicas dessa maneira. Depois mudou de ideia e chamou Lande. O núcleo ficou completo com a baixista Becky Baldwin, atualmente no Mercyful Fate, e Karl Brazil na bateria. Mike Exeter, colaborador antigo de Iommi, divide a produção.
O álbum também não nasceu depois da morte de Ozzy Osbourne. Iommi já vinha acumulando ideias havia anos e explicou que trabalhava nelas sem prazo, normalmente entrando no estúdio de casa com Exeter às segundas e terças. “Não havia pressão”, resumiu. Ainda assim, From the dark inevitavelmente ganha outro peso: é seu primeiro grande trabalho a chegar depois da morte do velho parceiro. Iommi diz que ainda custa acreditar que Ozzy se foi. “Parece que ele ainda está aqui”, contou à Rolling Stone.
Até a capa estabelece uma ligação involuntária com essa história. A cruz, símbolo inseparável da imagem de Iommi, remete aos crucifixos que Jack Osbourne, pai de Ozzy, fez para os integrantes do Sabbath nos primeiros tempos da banda. Segundo o próprio site oficial de Ozzy, eram cruzes de alumínio, posteriormente benzidas e usadas pelo grupo como proteção.
O restante do disco promete aprofundar esse lado pesado. Dizem as resenhas já publicadas que Beyond The dead reduz o andamento e acrescenta orquestrações, enquanto Return of the arbalist volta a acelerar. E Legacy, com sete minutos, encerra o álbum em escala épica, formando o que já estão chamando de alternância entre velocidade, peso e atmosfera. Tem ainda Brian May, amicíssimo de Iommi: o guitarrista do Queen aparece em Death wake, faixa que Iommi descreveu como puro doom. May foi convidado a tocar em outras músicas, mas recusou. “É o seu álbum”, respondeu ao amigo.
A melhor pista sobre From the dark está com certeza numa frase bem simples de Iommi: “Não estamos tentando provar nada”. Depois de World alone e Stormwatcher, dá para acrescentar: aparentemente ele também não está tentando agradar ninguém fora do heavy metal. E, se me permitem o clichê, tá tudo bem.
Abaixo, confira as duas já lançadas, a capa e a lista de faixas de From the dark.
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LISTA DE FAIXAS:
01. Over the violent sun
02. Black times
03. World alone
04. Beyond the dead
05. Stormwatcher
06. Death wake
07. Return of the arbalist
08. Legacy
(a edição deluxe em CD tem ainda as faixas Scent of dark e Deified)
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Supervão leva reta final de turnê ao Sul e à Bahia, e espalha sessions ao vivo por aí

RESUMO: O Supervão encerra a turnê de Amores e vícios da geração nostalgia com shows em Porto Alegre e na Bahia, enquanto libera novas sessions ao vivo e prepara outro álbum para 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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Para esbarrar com a banda gaúcha Supervão ao vivo, é só dar uma chegadinha em Porto Alegre (RS) e na Bahia durante o mês de outubro. Nesta quinta (8), o Fuga 4ºD, na capital gaúcha, recebe a banda Jovem Dionísio (em plena Migalhas tour), em show com abertura deles. No dia 25 a banda toca com a banda Copérnico Maior no Bar Ocidente, ambas abrindo para o Chococorn And The Sugarcanes.
Já na Bahia, onde o grupo vai pela primeira vez, eles tocam em Feira de Santana (dia 15, na Casa Noise), em Salvador (dia 16, na Casa 141) e em Vitória da Conquista (dia 18, no Festival Suíça Bahiana). Mas se você está bem longe dos dois estados, não desanime: em plena finalização da tour do disco Amores e vícios da geração nostalgia (2024, resenhado aqui) – e prestes a lançar outro álbum ano que vem, como adiantaram ao site Popload – a banda vem deixando rastros ao vivo por aí.
Recentemente o grupo fez uma session no estúdio Fleeting, em São Paulo, e de lá saiu o vídeo da música Sei lá, não deu, que eles liberaram no YouTube no finalzinho de setembro. Mas teve também outra session recente, que rolou no programa Radar, da TVE do Rio Grande do Sul – e da qual saíram os vídeos de Nostalgia, Tudo certo pra dar errado, Love e vício em sunshine e a mesma Sei lá, não deu.
Depois disso, só esperar os próximos passos.
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Dionys une vertentes do balanço brasileiro em “Não agradeço”

RESUMO: Produzida por Batata Boy e Bruno Berle, Não agradeço, de Dionys, mistura violão, beat de funk e balanço brasileiro numa letra sobre preservar a própria essência sem deixar a vida devorar tudo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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“Os meus pecados eu fiz por amor”, jura Dionys na letra de Não agradeço, single que faz uma união bem certeira de MPB de violão, balanço nacional setentista e beats associados ao funk. Uma parceria dele com Tomás Sampaio, com produção de Batata Boy e Bruno Berle, e uma letra que fala sobre o desafio de existir “sem apagar a própria essência de moleque, mesmo diante da morte de alguns passados!”, exclama.
É o segundo single de Dionys, que em dezembro lançou o single duplo Anjo moreno / Criaturas do sol (demo) – essa segunda faixa ganhou até um clipe. Não agradeço ainda não tem clipe – mas já nasce com pinta de futuro hit, o tipo de música que pode rolar em festas, em rodas de violão e em momentos de reflexão pessoal. Especialmente quando Dionys toca no nervo e fala que é preciso “coragem pra ser aquilo que se quer sem deixar a vida te devorar”. E não é verdade?
Dionys é de São Paulo, mas atualmente mora em Lisboa, Portugal, onde trabalha com música e também com teatro – recentemente esteve no elenco da peça O último telefone público de Lisboa, cujo roteiro “acompanha um grupo de pessoas movido por uma mesma hipótese: vivemos num mundo que produz continuamente palavras que ainda não sabemos ouvir”. E tem mais coisas dele vindo aí: o álbum Ginga, igualmente produzido por Batata Boy e Bruno Berle, sai em breve.
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