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“Bota o coração na frente”, diz Roberta Zerbini em single novo

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Roberta Zerbini - Foto: Wladimir Fontes / Direção de arte: Fernanda Zerbini

Roberta Zerbini, cantora e compositora, vivia uma situação difícil quando ouviu de sua irmã uma frase que acabou lhe marcando: “dá uma chega pra lá na mente e bota o coração na frente”. Um conselho que não apenas grudou, como também rendeu música.

Parceira de Roberta e integrante de projetos como Bolerinho e Meia Dúzia de 3 ou 4, Luisa Toller pegou a frase, a transformou em letra e pôs música. Roberta gravou, ao lado de Andre Bordinhon (arranjos), Marcelo Lemos (violão) e Talita del Collado (percussão, captação de som e edição) e Coração na frente já está nas plataformas. A masterização e a mixagem são de João Antunes.

Coração na frente abre com jeito de bossa latina – tem até algo do lado acústico de Rita Lee na abertura. Roberta canta a história de como a frase chegou até ela, e o que ela fez do conselho que ouviu – do sufoco de ver muita coisa dando errado até a hora que conseguiu respirar aliviada.

As parceiras começaram a trabalhar juntas na pandemia – foi na época em que Roberta organizava o Sarau Mães Musicistas, que contou com oito edições e recebeu diversas artistas mães para bate papos online, entremeados de canções.

“Nos identificamos enquanto mães compositoras, cantoras e pianistas. Fizemos lives juntas e, agora, celebramos um encontro que transcendeu aquele momento pandêmico. Sou grande admiradora da voz de Roberta e de sua forma de expressar os sentimentos, com o coração sempre desejando estar à frente”, revela Luísa Toller.

Roberta, por sua vez, canta desde os 16 anos e já lançou os álbuns Organika (2013­) e Pedra pássaro (2021), além do single Corpo, com feat de Tauana Queiroz. E Coração na frente chega acompanhada de audiovisual dirigido por Daniel Minchoni.

Foto: Wladimir Fontes / Direção de arte: Fernanda Zerbini

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Lembra do The Sundays? Os três discos deles vão ser relançados

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The Sundays (Foto: Divulgação)

Não é por nada não, mas agora sim a geração que passou a curtir há pouco estilos como shoegaze e dream pop vai ver o que é bom pra tosse. Possível referência de vários nomes atuais ligados em climas sonhadores (embora não esteja sendo tanto citada), a banda britânica The Sundays vai ter seus três álbuns, lançados entre 1990 e 1997, reeditados em vinil e CD em agosto.

Se você conhece The Sundays superficialmente, é provável que você se lembre do principal hit deles, Here’s where the story ends, um rock tranquilo, com ecos de Smiths, que tocava em rádios-rock no começo dos anos 1990 – e o clipe passou bastante na MTV Brasil. Se tem um grau mais avançado de conhecimento, talvez tenha ouvido bastante Reading, writing and arithmetic, primeiro álbum do grupo, lançado em 15 de janeiro de 1990 pela Rough Trade – foi um disco tão comentado, que o selo DGC, da Geffen Records, não hesitou em pegá-lo para lançar nos Estados Unidos. Saiu também no Brasil.

O álbum foi produzido pela banda ao lado de Ray Shulman, um músico de rock progressivo, fundador do monolito prog Gentle Giant (era um dos três irmãos que formaram o grupo, aliás), e que havia virado produtor de rock indie no fim dos anos 1980. E é possível que você tenha ficado encantado / encantada pela voz doce de Harriet Wheeler, a cantora do grupo – que em Here’s…, cantava sobre um relacionamento bundalelê que nunca havia tido bases muito sólidas, e que tinha sido criado a partir de uma idealização da pessoa “amada” (se você prestou atenção à letra, lembra do verso “e eu nunca deveria ter dito / que os livros que você lia / eram tudo pelo que eu te amava”).

Apesar da lesação amorosa do maior hit do grupo, The Sundays era uma banda comandada por um casal: Harriet e o guitarrista David Gavurin eram os autores de todo o repertório do grupo. Depois de Reading… (cujo nome era um trocadalho do carilho com a cidade britânica de Reading, QG do grupo), os Sundays lançaram ainda Blind (1992, já pelo novo contrato do grupo com a Parlophone) e Static & silence (1997). Após o disco, encerraram atividades porque o casal queria se dedicar apenas à vida familiar e criar os filhos. Pelo menos é o que dizem por aí: nem Harriet nem David deram entrevistas na época explicando que a banda estava terminando, e qual foi o motivo da separação.

A jornalista portorriquenha Melissa Alvarado escreveu em 2025 um texto no Medium em que compartilha suas recordações como fã da banda, e relembra o último show dos Sundays. “Numa noite de inverno de dezembro de 1997, os The Sundays subiram ao palco da Union Chapel em Islington e, sem dizer uma palavra, deram seu último suspiro como banda. Novecentas pessoas estavam sentadas nos bancos, nenhuma delas ciente de que estavam presenciando um ato de despedida”, escreveu.

Ela continuou: “Eu não sabia que a banda que eu mais amava, aquela que me ensinou a sentir admiração, a viver dentro de noções em vez de certezas, me deixaria naquele ano, me abandonando à mercê de The Cranberries, Cocteau Twins e Mazzy Star”. Deve ter sido assim para todos os fãs, uma barra pesada.

A curiosidade é que em 2014 a American Way, uma revista de bordo da American Airlines, decidiu procurar o casal Harriet e David para um papo, e surpreendentemente, os dois não só toparam conversar, como disseram que tinham feito novas músicas. “Primeiro vamos ver se a música que estamos compondo atualmente verá a luz do dia, e então podemos passar para a divertida fase de viagens pelo mundo e planejamento de shows”, afirmaram / despistaram. Muito bacana, só que de lá pra cá não saiu nada.

Enfim, Reading, writing and arithmetic, Blind e Static and silence serão lançados em 14 de agosto de 2026 pela Parlophone – e estarão disponíveis em vinil preto (edições de 140g em capas simples) e CD (digisleeve), sem faixas bônus. Só convém não ficar sem dormir esperando por um retorno.

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Feralkat une bossa nova e noise music em homenagem a Ryuichi Sakamoto

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Feralkat (Foto: Maicon Garcia / Divulgação)

Música brasileira e música japonesa? Não tem combinação mais tranquila e ao mesmo tempo… mais ruidosa. Afinal japoneses amam bossa nova, amam música eletrônica e há uma cena de sons barulhentos bem conhecida no Japão. cantora, compositora, produtora musical e multi-instrumentista Feralkat – codinome artístico de Natasha Durski – se ligou nisso e acaba de lançar o single Sakamoto bossa noise サカモトボッサノイズ. É o segundo single de seu próximo álbum, Karukasy, previsto para o segundo semestre.

“Eu quis trazer uma reflexão sonora sobre os caminhos que fazem a música brasileira e japonesa se encontrarem e convergirem. No nome da canção já estão os elementos que busquei tomar como base para compor e também como todos eles colidem com o universo sonoro da Feralkat”, conta ela, que assina produção musical, composição, gravação de vozes, sintetizadores, guitarra, beat e theremin, além de participar da mixagem – e fez da música uma dualidade entre tensão e tranquilidade musical. Antes, ela havia lançado o single Tsunami, mais dream pop (e você lê a resenha do álbum Corpo no mundo // Corpo que habito, de 2023, aqui).

Nem precisa falar que a grande referência da faixa é o compositor japonês Ryuichi Sakamoto, além de seu grupo Yellow Magic Orchestra. Estilos como synthpop, city pop e noise rock existem no som dele, e atravessam toda a canção nova de Natasha. O theremim e os synths, na faixa, promovem um encontro que ela compara a uma reunião entre Kodamas, espíritos protetores da natureza presentes no imaginário japonês, e os Encantados das cosmologias indígenas brasileiras.

“Resolvi desenhar o que poderia ser uma possível ‘bossa noise’, relacionando a bossa nova com influências que ela trouxe para gêneros japoneses e também com minha paixão pelo noise rock e pela forte cultura noise do Japão”, comenta ela. Os teclados já abrem dando um clima meio bossa, meio techno, mas a faixa ainda tem muito balanço no baixo, tocado por Fellipe Dantas – além de guitarras que vão do melódico ao ruidoso. Com o tempo, dá pra entender que a ideia de Feralkat é trabalhar a música como se fosse uma passagem do vento, ou das marés – aliás o texto de comunicação avisa que a música é “um portal sensorial”. E é mesmo.

Foto: Maicon Garcia / Divulgação

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Keith Richards critica os EUA atuais e alimenta rumores de música anti-Trump

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Agora vai! Rolling Stones anunciam oficialmente "Foreign tongues", o novo disco

Morador de Connecticut desde 1985, Keith Richards não está gostando nem um pouco dos Estados Unidos no dia de hoje – e existem especulações de que Ringing hollow, música do próximo disco dos Rolling Stones, Foreign tongues (com lançamento marcado para esta sexta) seja uma música anti-Donald Trump.

Segundo o guitarrista do grupo, é meio por aí, embora ele não deixe claro que a música cita o presidente. Keith Richards diz que a faixa é sobre ter “um caso de amor nostálgico com a América, e (ser) um pouco decepcionante no momento”. Depois de brincar dizendo que “tem meu capacete de aço e mora em um bunker”, Richards acrescentou que sente a preocupação das pessoas ao seu redor com as dificuldades financeiras. “Só se ouve reclamação sobre o preço da gasolina. É aí que a coisa aperta”, disse Keith.

  • Mais sobre Foreign tongues aqui.

Num papo com a MOJO, Mick Jagger revelou que a música não é “apenas sobre” a América de Trump, mas o álbum se concentra “na América em geral e nas suas experiências nela”. A Far Out Magazine conta que a faixa tem versos como “a Estátua da Liberdade não fica tão bonita quando há um rasgo em seu vestido”.

“Ela é sobre os Estados Unidos como uma ideia. O Sonho Americano continua vivo para algumas pessoas, e tenho certeza de que podemos encontrar histórias maravilhosas de imigrantes que aconteceram nos últimos 12 meses, mas também lemos sobre o declínio do Império Americano. A guerra com o Irã pode acabar sendo para os Estados Unidos o que a Crise de Suez foi para o Reino Unido? Bem, não é a mesma coisa, de forma alguma, mas há muitas questões sobre o excesso de intervenção dos EUA no mundo”, conta.

AMIGOS PARA SEMPRE? Volta e meia surge por aí a questão “afinal, Mick Jagger e Donald Trump não eram amigos?”. Mais ou menos: os dois tiveram uma relação amistosa e circularam nos mesmos ambientes durante os anos 1980 e parte dos anos 1990, mas não há evidências de que tenham sido amigos íntimos.

O empresário e o roqueiro se encontravam com frequência em festas de celebridades, eventos beneficentes e ocasiões ligadas ao mercado imobiliário e ao entretenimento em Nova York. Trump era um personagem constante da vida social da cidade, enquanto Jagger, dividido entre vários lugares, passava bastante tempo nos EUA. Fotos da época mostram os dois juntos em alguns eventos.

Há também um episódio conhecido envolvendo Trump e os The Rolling Stones. Em 1989, quando a banda fazia a turnê de Steel wheels, Trump participou da promoção dos shows em Atlantic City. Segundo relatos posteriores, ele tentou usar uma coletiva de imprensa da banda para promover seus cassinos, irritando Jagger e o empresário da banda. A relação profissional não prosperou.

De uns tempos pra cá, a coisa ficou meio complexa entre a banda e Trump. Em maio de 2016, os Rolling Stones emitiram um comunicado afirmando que não haviam autorizado Trump a usar a música de 1969 You can’t always get what you want e solicitaram que ele “cessasse imediatamente todo e qualquer uso”.

Trump, por sua vez, só faltou mandar dizer que ele pode ter sempre tudo o que quiser e fim de papo: ignorou o pedido e tocou a música ao final de seu discurso de 75 minutos para membros do Partido Republicano em Cleveland, naquele mês de julho.

No verão de 2019, Jagger alfinetou Trump no palco após os comentários feitos pelo cantor, no discurso do Dia da Independência daquele ano. Ainda em 2019, o cantor também condenou Donald Trump por sua posição sobre as mudanças climáticas.

“Estamos numa situação muito difícil neste momento, especialmente nos EUA, onde todos os controles ambientais que haviam sido implementados – que eram apenas adequados – foram tão flexibilizados pela atual administração que estão sendo completamente eliminados”, disse Jagger. “Os EUA deveriam ser líderes mundiais no controle ambiental, mas agora decidiram seguir o caminho oposto”.

Em 2020, os Rolling Stones emitiram mais um alerta para Trump, pedindo que ele parasse de usar suas músicas em seus comícios e eventos , afirmando que ele poderia enfrentar um processo judicial caso contrário.

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