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Linda Perry: em entrevista, porrada no Green Day e no Whitesnake (e implicância com Courtney Love)

Uma entrevista de Linda Perry, cantora, compositora e ex-vocalista da 4 Non Blondes (lembra de What’s up?) anda pegando fogo nas redes sociais por causa das revelações dela – que por sinal acaba de lançar o álbum solo Let’s die here.
O New Musical Express chamou a cantora para participar da série de entrevistas Does Rock ‘N’ Roll Kill Braincells? (“o rock’n roll mata suas células cerebrais?”), em que o objetivo é testar a memória de um artista em relação à sua carreira. Linda passou no teste – acertou 8 das 10 perguntas – mas rolaram algumas polêmicas, como o fato de ela ter chamado Billie Joe Armstrong, do Green Day, de “um puta covarde”.
Tudo aconteceu quando o repórter Gary Ryan perguntou a ela sobre qual rockstar ela já havia chamado de “power bottom” (passiva dominante) e Linda não se lembrava. A tal rockstar era Courtney Love, com quem ela havia colaborado em dois discos, um do Hole e um solo de Love. No papo, Gary lembrou que Love havia falado que Perry produziria o disco seguinte a American idiot (2004), do Green Day. Linda disse que a história era “dificil”, mas deu andamento.
“O Green Day entrou em contato comigo e me pediu para produzir o próximo álbum deles. Eu tinha a agenda lotada e cancelei seis meses de trabalho para fazer isso. Encontrei com o Billie Joe Armstrong e conversamos por três horas”, disse ela, que achava que Billie estava “precisando de ajuda” e estranhou o fato do trio gravar tudo em separado. “Eu sugeri que eles se posicionassem em um pequeno círculo e fizessem uma playlist no estilo dos anos 60, e montei uma seleção musical. A banda de rock Love (dos anos 60) foi uma das inspirações”.
E o problema foi justamente Courtney ter revelado o trabalho com o Green Day em uma entrevista – os fãs da banda leram, lembraram-se que Linda havia trabalhado com artistas do universo pop e começaram a xingar a banda.
“De repente, começaram a aparecer reclamações dos fãs, chateados porque ‘estavam trazendo a Linda Perry, que produziu a Pink e a Christina Aguilera'”, lembrou. “E aí esses caras simplesmente pararam de me ligar. Eu entrava em contato pra tentar entender o que estava acontecendo. Ninguém ligava. Perdi seis meses de trabalho agendado. Foi uma merda – tudo porque o Billie-Joe é um baita covarde e recebeu toda essa reação negativa dos fãs e não gostou”.
“Eu não me importo, mas foi grosseiro e mal-educado da sua parte. Era só me ligar e dizer: ‘ei, vamos seguir um caminho diferente. Não estou gostando dessa reação negativa.’ Que sacanagem, cara. Não retornar minhas ligações foi uma atitude muito covarde, e perdi muito do respeito que tinha pelo Billie Joe”, continuou.
Sobrou pra mais gente no papo: Linda ficou bem puta com Courtney.”Se ela tivesse simplesmente ficado calada, teríamos gravado o disco, ele teria sido lançado e teria falado por si só. Eu tinha uma visão e sabia que ia arrasar com aquele disco”, contou. E ainda teve o tal papo do “passsiva dominante”, que rolou quando, durante uma gravação com Love, Perry expulsou Billy Corgan (Smashing Pumpkins) do estúdio.
“Estávamos trabalhando em um disco uma vez quando o Billy Corgan apareceu e estava estragando tudo, com aquele ar de pessimista. A Courtney e o Billy têm uma história incrível juntos, mas minha banda disse: ‘Não podemos continuar com esse cara'”, disse. “Finalmente, fui até a sala de controle, olhei para o Billy e disse: ‘Você tem que ir embora, cara’. Enquanto os olhos da Courtney se arregalavam, eu disse: ‘Você está andando por aí como se fosse o presente de deus para o rock’n’roll. Você tem uma energia ruim. Quero você fora do meu estúdio’. O Billy ficou chocado e saiu”.
Courtney mal pôde acreditar naquilo, mas deixou uma impressão meio ruim em Linda. “Depois percebi: ‘ah, ela é uma covarde!’ Courtney se faz de durona – e ela é. Ela é muito intimidadora, mas na verdade é uma pessoa submissa. Ela quer ser gentil, quer um abraço e é muito carinhosa, mas tem uma armadura que usa. Eu a adoro e tive experiências incríveis com ela. O mundo precisa de Courtney Love de volta e mal posso esperar pelo novo álbum dela, porque não existe ninguém como ela”, amaciou.
Sobrou também pro Whitesnake: a banda de hard rock resolveu folgar com a cara das 4 Non Blondes durante um encontro em Paris e ouviu poucas e boas de Linda. “Eles foram extremamente grosseiros conosco, nos chamando de sapatões. Eu os confrontei: ‘com licença , o que vocês acabaram de dizer?'”, contou. “Eles murmuraram: ‘não dissemos nada’. Eu respondi: ‘vocês disseram sim, e me desculpem, um monte de sapatões está tocando em um estádio enquanto vocês estão aqui perto tocando em um teatro pequeno’, e me afastei”.
“Houve comentários maldosos sobre sermos mulheres e sapatões, mas eu nunca permiti que ninguém me impedisse de ser quem eu queria ser. Consegui manter uma carreira incrível porque sinto que sou respeitada pela minha honestidade e por não deixar que as pessoas me intimidem”, contou. É isso aí!
Foto: Reprodução Instagram
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Gui Hope transforma “Trava” em funk mineiro de desejo e afirmação

RESUMO: Em Trava, segundo single solo, Gui Hope mistura funk de Belo Horizonte, EDM e dubstep para falar de desejo, autoconfiança e ocupação de espaços na pista de dança.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Stephany Cartsounis e Gustavo Vittoraci / Divulgação
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O projeto solo de Gui Hope chega ao segundo single, Trava, faixa que mistura funk de Belo Horizonte, EDM e elementos do dubstep para falar de desejo, autoconfiança e ocupação de espaços. A música já ganhou até clipe.
A palavra que dá título à faixa funciona em dois sentidos: pode ser aquilo que paralisa alguém, mas também uma identidade que Gui assume com orgulho. A música parte justamente dessa ambiguidade para transformar a ideia de “travar” em uma demonstração de presença e poder.
“É uma forma de dizer que somos desejades, que temos presença e que, por onde passamos, transformamos o ambiente, deixando as pessoas de queixo caído”, conta. A letra brinca com a ideia de se colocar no centro da cena, mas a questão vai além da provocação. Gui relaciona essa postura à experiência de pessoas trans, historicamente empurradas para as margens e que, em Trava, aparecem como figuras de desejo e admiração.
Musicalmente, a faixa trabalha com graves marcados, pausas, repetições e construções de tensão que desembocam nos drops. A referência ao funk mineiro encontra a linguagem da música eletrônica que fez parte da formação musical de Gui pela internet, especialmente a EDM e o dubstep dos anos 2010.
Trava dá continuidade ao caminho apresentado no single Eu sei, lançado em julho. Naquela faixa, Gui trabalhava a ideia de deixar de colocar a opinião alheia no centro das próprias escolhas. Agora, essa autoconfiança ganha uma dimensão mais física e coletiva, pensada para a pista.
O videoclipe acompanha essa proposta e amplia a ideia de transformação presente na música. A faixa também reforça a pesquisa de Gui por diferentes linguagens da música brasileira e eletrônica, mantendo o funk como um dos principais pontos de partida do projeto.
Trava é, assim, uma continuação de Eu sei. Só que o foco muda: sai do processo individual de afirmação e leva essa confiança para o corpo, para o desejo e para o espaço compartilhado da pista de dança.
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Brunê transforma paixão secreta em bedroom pop no single “Eu tenho medo”

RESUMO: Em Eu tenho medo, Brunê transforma o medo de revelar uma paixão pelo melhor amigo em folk e bedroom pop — e cria um cartão virtual para quem vive esse dilema.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Julia Lemes / Divulgação
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Cantora e compositora radicada em Goiás, Brunê não apenas lançou o single Eu tenho medo – que fala sobre uma pessoa que se apaixona pelo melhor amigo, mas prefere não revelar o sentimento para não estragar a amizade – como também decidiu ajudar quem vive o mesmo problema. No site dela, eusoubrune.com, você pode mandar um cartão postal virtual para a pessoa que você ama em segredo.
O cartão é interativo, pode ser compartilhado nas redes e baixado. Antes do lançamento, Brunê publicou um trecho da canção nas redes sociais. A prévia recebeu compartilhamentos e comentários de pessoas que se identificaram com a história.
“A resposta mostrou que esse medo não era só meu. Muita gente já viveu essa dúvida entre falar o que sente e colocar uma amizade em risco”, diz Brunê, cuja música une camadas de vozes e synths ao lado do violão, compondo um ambiente sonoro que transita entre folk e bedroom pop. A produção da faixa é de Arthur Ornelas, e os arranjos são de Ornelas, Brunê e Douglas Sá.
“É uma música sobre carregar um sentimento grande demais para continuar escondido, mas assustador demais para ser dito. Existe o medo de abrir o jogo e perder alguém que já ocupa um lugar importante na sua vida”, afirma Brunê, que é artista independente desde os 17 anos.
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“Drowning”: National Playboys transforma saúde mental em art punk melancólico

RESUMO: O escocês National Playboys aborda a deterioração da saúde mental dentro dos relacionamentos em Drowning, single de art punk com guitarras melancólicas e violoncelo.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Kyle McFarlane (vocais), Anna Trost (guitarra, sintetizador e vocais), Ewen Kerr (guitarra), Dave Reed (baixo) e Megan Pollock (bateria) são os National Playboys, uma banda de art punk da Escócia, que acaba de lançar seu sétimo single, Drowning, falando sobre um problema silencioso: as realidades da saúde mental dentro dos relacionamentos.
“Esta música é uma história pessoal sobre a deterioração da saúde mental de um ente querido e a sensação de impotência em ajudá-lo a melhorar”, diz a banda. “Ver alguém definhar sob o peso de sua condição que piora e sentir-se impotente para impedir que piore. Isso foi a inspiração por trás desta faixa”.
Um tema duro e triste, que a banda leva adiante com guitarras distantes e com a presença de um violoncelo, tocado pelo convidado Graham Coe. Sonoramente, o grupo mistura vocais inspirados na new wave dos anos 80 com guitarras melancólicas, poesia surrealista e performances teatrais. “Nossas influências incluem artistas como Fat White Family, The Doors, Fontaines D.C., Idles e Joy Division”, avisa o quinteto.
O National Playboys explora essas referências e sonoridades no EP Violence dressed in fur, que tem sete faixas e sai em breve. Por enquanto, a imversiva Drowning tá aí.
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