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Tem disco póstumo de George Martin vindo aí

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Tem disco póstumo de George Martin vindo aí

É pra aguardar ansiosamente. Tá vindo aí disco póstumo do produtor dos Beatles, George Martin (1926-2016). George Martin: the Film Scores and Original Orchestral Compositions sai em novembro (em janeiro, chega às lojas uma edição limitada em vinil duplo) e traz músicas dos filmes dos Beatles, assim como trilhas nunca lançadas em disco. O álbum tem as músicas de Martin tocadas pelo Berlin Music Ensemble e tem produção e regência de Craig Leon, que lança o disco pelo seu selo Atlas Realisation. Olha o trailer.

Entre as atrações do disco póstumo, vão estar as músicas que Martin fez para filmes como Yellow submarine e 007: Viva e deixe morrer, além de um tema feito para coral e orquestra para a trilha do filme A missão, de Roland Joffé. Tem também versões novas de um tema de abertura que o quinto Beatle fez para a novela de rádio Under milk wood, além de sua suíte para violino e orquestra de câmara Three American Sketches.

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Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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João Loroza: agora solo

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João Loroza: agora solo

Filho do cantor, ator e apresentador Sergio Loroza, João Loroza começou a tocar violão e guitarra aos 11 anos. Lembra que seus aniversários, na infância, eram grandes festivais de arte. “Sempre montava um palco onde os convidados pudessem se expressar artisticamente”, recorda. “Meu pai foi quem me ensinou os primeiros passos no violão, sobre como trabalhar no mundo da música pode ser complexo, sobre a postura que precisamos ter em algumas situações de trabalho. Isso tudo com certeza me fez entrar com muito mais maturidade no meio”, conta ele, que após alguns anos dedicado a uma banda (Os Caras & Carol, com a qual se apresentou no Rock In Rio e na qual ingressou aos 15 anos), estreia solo com o single/clipe 31 de agosto.

A letra da canção, repleta de desencontros, João revela que surgiu de uma situação real. “Eu caí naquele conto do ‘depois da vacina a gente se vê’”, brinca. “A pessoa me disse que se vacinaria no dia 31 de agosto e que depois de estar imunizada se sentiria mais confortável para nos encontrarmos pessoalmente, ainda com os cuidados necessário. Mas depois disso ela me deu um vácuo de semanas”, diz, rindo. O toco gerou pelo menos um canção, já que João disse que decidiu, no meio do vácuo, dar uma resposta para si próprio sobre o que não teve na hora do desencontro.

A banda Os Caras & Carol deu um tempo por período indeterminado logo no começo da pandemia, e os integrantes estão se dedicando a 0utros projetos – como é o caso de João. Além do single solo, ele também estreia como produtor, cuidando do single da irmã Luiza Loroza. A música se chama Areia e, por sinal, também é uma composição dele.

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Só que o trabalho na produção começou totalmente por acaso: ele inicialmente foi ao estúdio achando que ia apenas tocar o violão da faixa. “Quando vi, todos esperavam que eu fosse o produtor da canção”, conta. “Resolvi usar tudo o que eu tenho estudado para realizar a produção da melhor forma. Acho que no final a música ficou da maneira que nós imaginávamos ou melhor do que a gente poderia pensar, sinto que consegui passar a ideia que estava na minha cabeça quando compus a canção”.

João tem as melhores recordações do Rock In Rio e do show com sua banda. Aliás, dos shows: a banda tocou todos os dias no Highway Stage na edição 2019. “Foi uma aula de público. Poder testar nosso repertório com a galera que foi assistir Anitta tanto como quem foi assistir Foo Fighters ou Ivete Sangalo. Tinha tudo no mesmo evento e conseguimos analisar como cada público de cada dia reagia ao nosso show. Uma experiência única, faria de novo sem pensar duas vezes”, conta João, que tem o objetivo de lançar um álbum em breve. “Sou compositor também, estudando produção musical, além de cantar e tocar sou apaixonado por dança”.

Foto: Frederick Assis/Divulgação

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Caneco Quente: som lo-fi e quase eletrônico, lá de Minas

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Em junho, o músico mineiro Pedro Handam, baterista da banda Moons (e que já passou por vários outros projetos), decidiu dar vazão a seu lado de criador de música experimental, lo-fi, quase eletrônica – apesar de haver um trio de pratos-caixa-surdo como “bateria de apartamento”, como ele mesmo fala. Trouxe de volta seu projeto Caneco Quente, que surgiu em 2007 quando tocava numa banda chamada Transmissor (o nome surgiu da união de duas letras, Caneco verde e Macaco quente, que tentou emplacar na banda, sem sucesso). “Para não perder a viagem juntei uma com a outra”, brinca ele, que retorna com um disco duplo, Falta flauta/Flauta falta.

Apesar de formarem um set só de álbuns (Pedro diz que os dois discos foram lançados separados por “um vacilo” cometido por ele mesmo), Falta flauta e Flauta falta acabaram sendo lançados em separado nas plataformas, o que torna a audição até mais interessante, visto que são álbuns complementares – em experimentações, conceitos, timbres e visões pessoais, que apontam justamente para descobertas e vivências da pandemia. Há músicas como O seu nome é Pedro ou papai? e Linda Lina, ambas sobre a cadelinha do músico, Lina, que adoeceu no começo das gravações e morreu na última semana de trabalho. Aliás, Pedro diz que tudo do disco gira em torno dela.

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Há também recordações de infância, como em Pedra pedra pedra, sobre um canivete que ele ganhou há 30 anos ao pai e ainda funciona. Ou Ele é um mineiro em Portugal, sobre um amigo que morava no Porto desde 2017 e retornou para o Brasil para ficar com a família. “Considero os discos como um álbum duplo. Como todas as músicas foram feitas durante o mesmo período (entre maio de 2020 e maio de 2021), elas acabaram tendo uma mesma onda, compartilham do mesmo universo de timbres, conceitos, etc”, afirma.

O músico já havia lançado um primeiro disco da banda em 2019 (epônimo, e já com uma música chamada Lina, por acaso). Mas o Caneco Quente tinha virado um projeto para as horas vagas, já que ele demorou quase dez anos para retomar as primeiras composições.

“Durante esse tempo eu até contribui com algumas letras pros projetos que participava, mas nunca me deixaram cantar. Eu sempre quis registrar as minhas próprias ideias, mas só consegui dar um passo adiante nas composições quando comecei a gravar o primeiro disco, no meio de 2017”, conta ele, que gravou o disco novo em casa, num quarto-estúdio que ele chama carinhosamente de Abalo Císmico. Diz ter escutado pouca música durante a elaboração. “Eu, infelizmente, me deixei levar por esse turbilhão de pura paranoia que são as notícias do Brasil e ouvi muito pouca música durante a concepção/gravação/finalização do disco. Ouvia praticamente só podcast de política, muito baixo astral”, conta.

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Mesmo nas faixas instrumentais dos dois discos, os títulos parecem sempre querer dizer alguma coisa, ou serem histórias da vida de alguém, aliás. Pedro diz que isso surgiu de sensações e imagens deixadas pelas músicas. “Tento não pensar demais na hora de dar títulos pra elas e geralmente fico com a primeira opção que aparece (mesmo que não faça muito sentido depois). Sempre gostei demais dos nomes absurdos que bandas como Flaming Lips, Les Savy Fav e Satanique Samba Trio dão pras suas músicas, procuro ir pelo mesmo caminho”, conta.

Pedro, que é artista plástico, também fez as capas dos discos. As ilustrações foram feitas especialmente para os lançamentos. “O processo das capas foi bem parecido com o da composição das músicas, sem muito rascunho, deixando correr solto pra ver até onde vai e, naturalmente, gerando muita bobagem pelo caminho. Eu sou muito ansioso e tenho dificuldade pra planejar as coisas, então aproveito esses impulsos pra que apareça algo interessante no meio da confusão, seja na música ou nas artes visuais”, diz.

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Guto Brant lança “Sem farol”, com clipe feito à distância

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Guto Brant lança "Sem farol", com clipe feito à distância

Sem farol, música do novo EP de Guto Brant, Pombália, ganhou um clipe feito maneira totalmente remota, por Guto e sua companheira, Júlia Maia, usando um fundo verde em casa. A direção foi feita direto de Londres, por Vitor Meuren, abusando do chroma key para incluir vários elementos visuais diferentes: um filme dos anos 1940 com Luz Del Fuego dançando, cenas do Repórter Esso e do antigo programa Abertura, apresentado por Glauber Rocha na TV Tupi.

“Pra mim era muito importante que esse trabalho respeitasse as limitações que a pandemia impunha e não colocasse ninguém em risco. Por conta disso, fizemos tudo à distância: gravei as faixas do disco em casa; mixamos/masterizamos remotamente; fizemos as fotos da capa em casa, etc”, recorda Guto, que gravou as imagens em casa e mandou tudo para Meuren pós-produzir. “Ele chegou a um resultado final que fez parecer que havíamos produzido o vídeo em estúdio. Em suma, foi uma experiência muito positiva”.

O filme Videodrome, de David Cronenberg, é citado como referência do vídeo por Meuren. “Mas ele entrou mais como justificativa das nossas ações do que como inspiração. Brincando com esses efeitos de restrição de cores, super saturação e pixelização da imagem, a gente estava batendo em uma estética muito dos games, e não era bem isso (ou só isso). Então coincidiu de, por indicação de um amigo canadense muito querido e fã do trabalho do David Cronenberg, eu assistir o filme”, conta o diretor.

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“Tem uma cena específica em que o personagem principal tem suas alucinações gravadas por um device estranhíssimo em que o resultado da gravação são essas texturas todas pixelizadas, em mosaico de cor restrita. E aí deu o estalo, é isso: vamos variar as cores à medida que a música for ficando mais caótica. Também incluímos alguns poucos objetos modelados em 3d mega simples e pixelizados estilo 16 bits e alguns elementos fotográficos”, afirma o Meuren.

Em casa Guto e a companheira tiveram trabalho para fazer o painel de chroma-key caber na sala. “Foi preciso arrastar os móveis e ainda assim a largura do painel ficou a conta certinha da sala. O Vitor explicou que era preciso que captássemos as imagens com boa luz e, como não tínhamos uma estrutura boa para iluminar a cena artificialmente, escolhemos um horário em que a luz natural da sala favoreceria, o que acabou dando certo”, conta.

O disco Pombália, por sua vez, surgiu da relação de Guto com o apartamnto em que vive em Belo Horizonte. “Ele tem mesmo esse apelido carinhoso de ‘pombal’, o que acabou inspirando o título do disco: juntei o sufixo ‘ália’ ao termo pra que assim ele abraçasse a coletividade, fazendo do título Pombália essa representação do ‘reino do lar’, campo onde essas canções nasceram e foram registradas”, conta ele, que gravou pela primeira vez um disco inteiro em casa.

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