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Bailinho: um canal para recuperar a experiência de ouvir música em família

Tem gente tentando fazer conteúdo infantil no grito, no excesso de cor, no estímulo vindo de todos os lados. O Bailinho, canal criado pelo jornalista e publicitário Rafael Simi, vai na direção oposta. A ideia nasceu dentro de casa, entre músicas tocadas para os filhos na hora de dormir, e acabou virando um projeto que mistura afeto, educação e repertório musical sem tratar criança como alguém incapaz de ouvir “música de verdade”.
“Eu toco diversos instrumentos e sempre sonhei em ter uma banda de baile. Até hoje, meu melhor público foram meus dois filhos”, conta. “Na hora de dormir, eu não cantava músicas infantis tradicionais. Cantava as canções que gosto, de um jeito suave e calmo. Minha mulher chamava de ‘Rock in Rio para Crianças’. Eu chamava de Bailinho”.
A proposta do canal também conversa com ideias da educadora Maria Montessori, principalmente no que diz respeito à autonomia e à concentração das crianças. Em vez de apostar em desenhos acelerados e estímulos visuais exagerados, Rafael prefere trabalhar num formato minimalista, deixando espaço para a música respirar. As canções são divulgadas nos shorts do YouTube.
“Eu trabalho com baixos estímulos. É piano, violão e voz. Algumas canções são mais dançantes, mas não uso desenhos animados e nem arranjos excessivamente estimulantes. A ideia é criar espaço para que a criança se concentre na música, na melodia e na imaginação”, conta.
O repertório passa longe da lógica de separar completamente o universo musical de adultos e crianças. Músicas como Sangue latino (Secos & Molhados), Trem das 7 (Raul Seixas), Anunciação (Alceu Valença) e Take on me (A-Ha) surgem em versões feitas para crianças. Rafael diz sentir falta justamente dessas experiências compartilhadas em família – algo que, segundo ele, foi importante na própria formação musical.
“Eu cresci ouvindo muita música por influência do meu pai. Em casa, tocava de tudo: Noel Rosa, samba, jazz americano”, conta. “Hoje, muita gente vive com seus próprios fones de ouvido e as crianças acabam tendo menos oportunidades de compartilhar referências culturais com os adultos da família. Quis criar um espaço para esse encontro. Hoje, adulto ouve música de adulto e criança ouve Galinha Pintadinha. Sinto falta de experiências em comum. Já que é impossível evitar o contato das crianças com telas, que elas promovam uma experiência coletiva”.
Mesmo usando músicas originalmente compostas para adultos, Rafael diz que existe um cuidado grande na escolha das canções.
“Músicas de amor podem ser interpretadas como algo universal. Nós nos apaixonamos pelos nossos filhos assim que os conhecemos e eles nos amam incondicionalmente”, disse. “Quando trabalhei na Heads Propaganda, fizemos um comercial de Dia das Mães em que a música romântica Ela é carioca era cantada por crianças. O que eu não faço de jeito nenhum é cantar músicas em português com palavrões ou temáticas explicitamente adultas”.
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Irmãos Bicho: música, imagem e prédios escalados (!) em “Conversa de elevador”

RESUMO: Clara Bicho e Gabriel Campos apresentam Conversa de elevador, single de estreia dos Irmãos Bicho que cruza indie pop, MPB e funk leve e antecipa o primeiro álbum da dupla, previsto para 2027.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Mariana Barbosa / Divulgação
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Irmãos gêmeos que fizeram aniversário na última sexta (18), Clara Bicho e Gabriel Campos juntaram-se numa dupla, os Irmãos Bicho, em que participam de todas as etapas do próprio processo criativo — da composição aos arranjos, da identidade visual à comunicação, dos figurinos à direção artística. Foi o que fizeram em Conversa de elevador, single indie-pop que anuncia o primeiro álbum deles, previsto para 2027.
“Para nós, música, imagem e narrativa fazem parte da mesma obra. Propomos, portanto, uma experiência que vai além do som, envolvendo também um universo visual e narrativo bastante presente”, contam eles, que fizeram em Conversa de elevador uma canção tranquila, com lembranças tanto de Mac de Marco quanto de Lô Borges – e que vai ganhando um pouco mais de peso na segunda parte, quando a voz de Gabriel fica mas evidenciada no arranjo.
Bernardo Bauer, do grupo instrumental Pequeno Céu, e Felipe D’Angelo, integrante da última formação da banda de (olha aí, ó) Lô Borges, são os produtores de Conversa de elevador, canção que tem um clima funky leve, e cuja letra fala sobre uim tema bastante urbano: as “conversas de elevador”, superficiais e que não saem do rame-rame. Só que a dupla propõe outra coisa.
“A expressão ‘conversa de elevador’, normalmente usada para descrever conversas superficiais, ganha outro significado na nossa canção”, explicam. “O elevador sobe e desce, mas continua preso ao mesmo trajeto. O eu-lírico que propomos rejeita essa ideia de permanecer parado e decide, por meio dessa metáfora, escalar os prédios por conta própria, mesmo sabendo que isso envolve esforço, risco e quedas”.
A ideia da canção é desafiar tudo – até o espaço urbano, já que é pra sair subindo os prédios. Nisso aí, a questão de Clara e Gabriel é “qual o motor da sua vida?”. E Conversa de elevador tá aí.
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Talking Heads vai se reunir novamente (mas, calma, não é pra tocar!)

RESUMO: Os quatro integrantes do Talking Heads voltam a se reunir – mas calma, é para lançar a Talking Heads Radio, canal temporário da SiriusXM dedicado à banda e aos projetos solo e paralelos de seus integrantes.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Os Talking Heads estão se reunindo novamente! Calma, nada de shows ou discos novos: a banda está pra lá de mais ou menos reunida, só que para lançar um novo canal na rádio SiriusXM. O novo canal, chamado Talking Heads Radio, estará no ar de 1º a 22 de outubro em rádios via satélite para carros e até 31 de outubro no aplicativo SiriusXM.
Aparentemente, esse canal aí vai tocar apenas músicas da banda e de seus diversos projetos paralelos e solos. Bom, é provável que No talking, just heads, o disco único do The Heads, banda montada por Jerry Harrison, Tina Weymouth e Chris Frantz sem David Byrne (1996), fique de fora. O álbum deixou o ex-líder Byrne puto a ponto de processar os outros três, alegando que o álbum e a apresentação da banda evocavam demais o grupo original.
Para o lançamento da estação, haverá uma conversa com os quatro integrantes e uma sessão de perguntas e respostas com a plateia, conduzida por Este Haim, que será gravada em Nova York no dia 28 de setembro. Pelo visto, os quatro, mesmo com as brigas que rolaram ao longo de vários anos, não veem problema em se encontrar de vez em quando. Tocar de novo é que não rola, pelo menos na visão de (adivinhe só) Byrne.
Em uma entrevista à Rolling Stone no ano passado, ele opinou que a cordialidade com seus ex-companheiros de banda em público para promover o relançamento do filme Stop making sense foi o máximo que conseguiram: “Nos sentíamos mais à vontade uns com os outros, mas… eu não sentia aquela vontade de ‘Ah, sim, vamos sair em turnê de novo’. Ou ‘Vamos gravar outro disco’. Musicalmente, eu fui para um lugar muito diferente”, diz.
“Também acho que houve um número razoável de discos e turnês de reunião. E alguns deles provavelmente foram muito bons. Mas não muitos. É praticamente impossível recapturar o momento que você estava vivendo naquela época. Para o público… aquela foi uma música formativa em um determinado período. Eles podem se convencer de que conseguem reviver aquilo, mas não conseguem”, disse.
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Lucia Vulcano lança “Animal”, punk rock sobre “retornar ao primitivo”

RESUMO: Lucia Vulcano antecipa o álbum Chucra e sensível com Animal, faixa que mistura grunge, punk, riffs pesados e ironia para falar da vontade de escapar do trabalho, da exploração e das regras sociais.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Francielle Cota / Divulgação
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Não é por nada, não, mas se você amou a estreia da mineira Lucia Vulcano, Vim, vi e me fudi (2024), parece que vem um disco tão sarcástico e raivoso por aí. Em breve vem o álbum Chucra e sensível, já adiantado pelo single Animal, punk berrado em que Lucia fala “sobre a vontade de largar a civilidade e retornar ao primitivo, onde as coisas são mais fáceis e divertidas – e não existe trabalho, exploração e etc”.
A letra retoma um pouco do discurso de faixas do álbum anterior, como C.A.N.S.A.D.A e Ninguém manda em mim – ou seja: total aporrinhação com as regras do sistema e do capitalismo, além dos padrões cagados do mundo. Musicalmente, Lucia tem como referências Soundgarden, Black Sabbath, Alice in Chains, Hole e L7, misturadas a nomes contemporâneos como Trash No Star, Gritando HC, The Mönic, Roberta de Razão, MC Taya e Eskrota.
E a ideia é sempre juntar peso e ironia, na mesma proporção. “Acho que meu trabalho tem muita honestidade, crueza e sensibilidade também”, conta ela, que segue uma espécie de uniformidade “sensível” nas capas dos discos: Vim, vi e me fudi traz a foto de dois gatos, o single de Ninguém manda em mim tem Lucia à frente de um carrossel – e no de Animal, ela “contracena” com um ursão de pelúcia.
“Na parte musical, tem muita coisa interessante pois gosto muito de tempos quebrados, tem muitos compassos ímpares e mudanças de compasso durante as música. Gosto de pensar que é uma mistura de grunge e punk pois, às vezes, musicalmente, é muito grunge, mas com letras voltadas para o punk – e ainda tem músicas que tem a simplicidade do punk, com poucos acordes”, diz.
Animal, continua ela, “é uma continuação do meu estilo de ter riffs bem definidos e partes melódicas para contrastar, com bastante guitarra, barulhos, baixo melódico e uma bateria com quase um riff também”.
Olha Animal aí.
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