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“Social dopamine”: Ark Identity fala sobre a busca sem fim por validação online

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Ark Identity (Foto: Divulgação)

As redes sociais e a busca constante por aprovação online são o tema de Social dopamine, novo single do Ark Identity, projeto do músico e produtor canadense Noah Mroueh. A faixa também dá nome ao próximo EP do artista e fala sobre a dependência de curtidas, comentários e outras formas de validação oferecidas pelas plataformas.

Na letra, Noah fala sobre como a gente ama quando recebe momentos breves de atenção na rede – só que logo logo a gente vai precisar de maaaais atenção. “Isso se torna viciante, uma espécie de dose de ‘dopamina social’ que continuamos a perseguir. Mas nunca satisfaz nada mais profundo, então o ciclo simplesmente continua se repetindo”, diz Noah.

Composta ao lado de Philippe Andre, Social dopamine nasceu primeiro como ideia e letra. “Em seguida, tentamos criar algo que soasse honesto, cru e emocionalmente fiel às palavras”, explica Noah. Foram surgindo imperfeções, mas tudo foi mantido na gravação final.

“Não queríamos que soasse excessivamente polido. As imperfeições tornam a música mais humana, o que combina com a mensagem”, disse ele, que se aproxima, com seu projeto, do rock alternativo dos anos 1990: Nirvana, Smashing Pumpkins e Beck estão entre as referências.

A gente falou do EP Deluxe nightmare, de Ark Identity. Confira aqui.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Jonabug celebra um ano de “Três tigres tristes” com clipe e live

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Jonabug (Foto: Danilo Abreu de Souza / Divulgação)

Quer falar de muito trabalho no meio alternativo brasileiro, fale com o Jonabug. A banda de Marília (SP) acaba de lançar o clipe de You cut my wings, faixa do álbum Três tigres tristes, lançado em 2025 (resenhado pela gente aqui) e recentemente disponibilizado também em vinil pelos selos Black Dog Alternative, Midwest Records e Undershows BR.

Ao mesmo tempo, Marília Jonas (voz, guitarra), Denis Felipe (baixo) e Samuel Berardo (bateria), que agora fazem parte agora do selo +um HITS, inaugura o projeto +um Apresenta, série de live sessions e entrevistas criada pelo selo para destacar artistas da nova cena alternativa brasileira.

O lançamento do vídeo marca o primeiro aniversário do álbum, e o roteiro fala de transformação, já que a letra aborda mudanças, autoconfronto e a tentativa de seguir adiante mesmo diante das próprias limitações. Como diz a letra: “penso em quem eu era / e quando me deparo com meu fracasso / eu travo uma guerra”.

Dirigido e roteirizado por Laura Reis, o clipe foi filmado em preto e branco com tonalidade sépia, teve inspiração em cineastas como Wim Wenders, Curtis Harrington e Wong Kar Wai e acompanha uma personagem interpretada pela atriz Julia Martins, que surge como um anjo vagando por um parque de diversões.

“Parques de diversões nos tornam um pouco mais humanos, sentindo à flor da pele as emoções de andar na montanha russa, lembrar da infância no carrossel, ter medo, dar risada, sentir cheiro de churros, se apaixonar, tudo em questões de segundos nesse mesmo lugar estroboscópico”, conta Laura.

“Quando escrevi o roteiro, quis que o parque fosse o personagem principal e que o anjo, essa garota que foge de si mesma em busca da liberdade, nos guiasse por esse ambiente tão cheio de possibilidades”, diz.

Pois é – só que da leveza inicial, o clipe vai ganhando imagens mais tensas, com cemitérios, sangue e sequências de perseguição que ampliam a sensação de conflito interno presente na letra. Laura orientou Julia para transmitir a oscilação “entre se sentir livre e o medo de perder tudo”.

“No fim das contas, o clipe inteiro tem esse visual ‘atordoado’ com as bordas borradas, o que foi uma sugestão da banda no processo criativo que compartilhamos na edição. Isso trouxe mais textura e mais ênfase a essa atmosfera lúdica dos parques de diversões”, conclui Laura.

A chegada da Jonabug ao catálogo do +um HITS também coincide com a estreia do +um Apresenta, que reúne performances ao vivo e conversas com artistas indies. “Nós partimos de uma necessidade muito clara: criar espaços de fala para a nova cena, respeitando a identidade, a linguagem e a estética desses artistas”, afirma Gustavo Sartori Barba, diretor e fundador do selo.

“Se a nova cena não for fomentada, ela simplesmente é engolida: pelo algoritmo, pela pasteurização, pela repetição de fórmulas esgotadas. Falar de incentivo não é sobre romantizar o ‘novo’, é sobre garantir que a música continue sendo um território de risco, de invenção, de verdade”, continua.

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Deftones: após quase duas décadas, álbum perdido “Eros” vaza na internet

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Deftones (Foto: Divulgação)

O Deftones tem em seu currículo um dos discos “perdidos” mais famosos do rock pesado recente. Eros, álbum gravado entre abril e dezembro de 2008, deveria ser o sexto disco do grupo, e o sucessor de Saturday night wrist (2006). E também deveria marcar uma nova fase da banda. Só que uma sequência de acontecimentos transformou o trabalho em lenda – e agora, quase duas décadas depois, o disco volta aos holofotes após vazar integralmente na internet nesta segunda (22).

A história de Eros começa num momento bem delicado para o grupo. Depois de anos de conflitos internos e de um processo turbulento de gravação de Saturday night wrist – disco feito com os integrantes quase separados – o Deftones quis voltar às origens. Em vez de compor separadamente e trocar arquivos, passaram a tocar juntos em uma sala de ensaio, como nos primeiros tempos.

O resultado foi um conjunto de músicas que apontava para um Deftones mais experimental e espontâneo, e bastante melódico (como já é apontado pela faixa de abertura, Destiny). Há sons mais viajantes e depressivos, como Margot. A banda chegou a descrevê-lo como “aquela boa e velha agressividade do tipo ‘foda-se, espero que você morra!'”.

As gravações começaram oficialmente em abril de 2008, com o produtor Terry Date, parceiro da banda em discos clássicos como Around the fur (1997) e White pony (2000). O grupo chegou a divulgar vídeos de estúdio e a tocar ao vivo a inédita Melanie, enquanto os fãs aguardavam um lançamento previsto inicialmente para o fim daquele ano, ou quem sabe 2009.

Tudo mudou em novembro de 2008. O baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro e entrou em coma. Na época, Chino Moreno ainda gravava os vocais do álbum. Com a tragédia, os trabalhos foram interrompidos imediatamente.

Nos meses seguintes, a banda recrutou o baixista Sergio Vega para cumprir compromissos ao vivo e tomou uma decisão difícil: engavetar Eros. Em vez de concluir aquele material, o grupo preferiu começar do zero. O resultado foi Diamond eyes (2010), um disco mais luminoso e direto, criado em meio à tentativa de lidar emocionalmente com a situação de Cheng.

Chi nunca pôde voltar à banda. Após anos em estado delicado de saúde, ele morreu em 2013. Desde então, Eros passou a carregar um peso simbólico ainda maior, já que se tornou o último álbum gravado com o baixista.

Ao longo dos anos, algumas músicas escaparam para a internet. A mais conhecida foi Smile, divulgada por Chino em 2014. Mesmo assim, a maior parte do material permaneceu inédita. Os integrantes frequentemente deram entrevistas contraditórias sobre a possibilidade de lançamento oficial. Enquanto alguns defendiam ao menos a divulgação das gravações inacabadas, outros afirmavam não ter interesse em revisitar aquele período.

O vazamento completo de Eros encerra, ao menos para os fãs, uma espera de quase 18 anos – mesmo nunca tendo sido oficialmente acabado e estando disponível de forma pirata. Ao mesmo tempo, é um documento raro de um momento decisivo na história do Deftones, registrado pouco antes da tragédia que mudou para sempre os rumos do grupo. Fica a missão de descobrir como foi que o álbum vazou. Um post no reddit Numetal vai um pouco na história.

“O disco foi descoberto em maio e houve várias tentativas privadas de vender o álbum por até ‘cinco dígitos’, como disse o vendedor. Como foi obtido ainda é desconhecido, mas a maioria está especulando que foi por meio de um funcionário da Warner. Supostamente, há faixas vocais brutas de cada música do Eros, com Smile sendo a única faixa vocal pública no momento”, afirma o autor do post, dizendo que a postagem do disco pode ter vindo de alguém que supostamente comprou o conteúdo de forma ilegal (leia o post todo aqui).

Foto: Divulgação

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Bailinho: um canal para recuperar a experiência de ouvir música em família

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Tem gente tentando fazer conteúdo infantil no grito, no excesso de cor, no estímulo vindo de todos os lados. O Bailinho, canal criado pelo jornalista e publicitário Rafael Simi, vai na direção oposta. A ideia nasceu dentro de casa, entre músicas tocadas para os filhos na hora de dormir, e acabou virando um projeto que mistura afeto, educação e repertório musical sem tratar criança como alguém incapaz de ouvir “música de verdade”.

“Eu toco diversos instrumentos e sempre sonhei em ter uma banda de baile. Até hoje, meu melhor público foram meus dois filhos”, conta. “Na hora de dormir, eu não cantava músicas infantis tradicionais. Cantava as canções que gosto, de um jeito suave e calmo. Minha mulher chamava de ‘Rock in Rio para Crianças’. Eu chamava de Bailinho”.

A proposta do canal também conversa com ideias da educadora Maria Montessori, principalmente no que diz respeito à autonomia e à concentração das crianças. Em vez de apostar em desenhos acelerados e estímulos visuais exagerados, Rafael prefere trabalhar num formato minimalista, deixando espaço para a música respirar. As canções são divulgadas nos shorts do YouTube.

“Eu trabalho com baixos estímulos. É piano, violão e voz. Algumas canções são mais dançantes, mas não uso desenhos animados e nem arranjos excessivamente estimulantes. A ideia é criar espaço para que a criança se concentre na música, na melodia e na imaginação”, conta.

O repertório passa longe da lógica de separar completamente o universo musical de adultos e crianças. Músicas como Sangue latino (Secos & Molhados), Trem das 7 (Raul Seixas), Anunciação (Alceu Valença) e Take on me (A-Ha) surgem em versões feitas para crianças. Rafael diz sentir falta justamente dessas experiências compartilhadas em família – algo que, segundo ele, foi importante na própria formação musical.

“Eu cresci ouvindo muita música por influência do meu pai. Em casa, tocava de tudo: Noel Rosa, samba, jazz americano”, conta. “Hoje, muita gente vive com seus próprios fones de ouvido e as crianças acabam tendo menos oportunidades de compartilhar referências culturais com os adultos da família. Quis criar um espaço para esse encontro. Hoje, adulto ouve música de adulto e criança ouve Galinha Pintadinha. Sinto falta de experiências em comum. Já que é impossível evitar o contato das crianças com telas, que elas promovam uma experiência coletiva”.

Mesmo usando músicas originalmente compostas para adultos, Rafael diz que existe um cuidado grande na escolha das canções.

“Músicas de amor podem ser interpretadas como algo universal. Nós nos apaixonamos pelos nossos filhos assim que os conhecemos e eles nos amam incondicionalmente”, disse. “Quando trabalhei na Heads Propaganda, fizemos um comercial de Dia das Mães em que a música romântica Ela é carioca era cantada por crianças. O que eu não faço de jeito nenhum é cantar músicas em português com palavrões ou temáticas explicitamente adultas”.

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