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The Cocktail Slippers canta o amor contraditório por sua cidade em “This town”

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The Cocktail Slippers (Foto: Divulgação)

This town, novo single da banda The Cocktail Slippers, é uma música que fala sobre uma cidade grande – no caso, Oslo, capital da Noruega, lugar de onde a banda veio. Só que a ideia de Sandra Szabo (também conhecida como Flame, vocais), Stine Bendiksen (a Rocket Queen, guitarra), Sara Andersson (a Vega, guitarra), Astrid Waller (Sugar Cane, no baixo) e Maria Storaas (Smash, na bateria) é enxergar todo o apego que existe no lugar de onde elas vieram – mesmo olhando para o que pode parecer confuso, contraditório ou cansativo. Uma música sobre qualquer lugar que alguém aprendeu a chamar de casa.

“É uma ode à nossa cidade, Oslo, na Noruega. Mas, acima de tudo, é uma canção que reflete as diferentes camadas de qualquer cidade”, explica a banda. “Você tem ruas escuras, pessoas suspeitas, ao mesmo tempo que tem crianças brincando, sol e boas vibrações. This town tem um som mais melódico e pop do que as músicas de hard rock inspiradas nos anos 70 que já adiantamos do nosso próximo álbum. É uma vibe, é um sentimento. É tudo sobre o amor pelo lugar onde você vive”.

A música antecipa o álbum Joyride, previsto para 28 de agosto. Depois da faixa-título apostar mais no hard rock setentista, This town mostra um lado mais melódico do grupo, misturando power pop, garage rock e refrão bem direto. O single foi gravado no Propeller Studios, em Oslo, com Michael Scott Hartung na engenharia de som.

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Os passos de Mike D após o fim dos Beastie Boys

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Os passos de Mike D após o fim dos Beastie Boys

Uma vez entrevistei um artista brasileiro que estava havia anos sumido da mídia, e perguntei como tinha ficado a vida dele esse tempo todo. Sem muita paciência, ele respondeu: “ah, põe aí que eu fiquei andando na praia”. Se a mesma pergunta fosse feita a Mike D, ex-Beastie Boys, que lança em 28 de agosto (15 anos após seu último lançamento com a banda) o primeiro disco solo, Thank you, talvez ele respondesse que andou pegando onda. Aliás, muita onda.

O músico fez trabalhos como produtor e curador, mas o surfe passou a tomar conta dos seus dias de maneira, digamos, bastante dedicada. Ele começou a pegar onda relativamente tarde e, numa entrevista antiga, contou que entrou no surfe influenciado pelo filho mais velho. A ideia inicial era conseguir surfar melhor do que ele por alguns anos antes que o garoto o ultrapassasse.

A coisa saiu do controle de todas as formas após 2012, ano da morte do colega de banda Adam Yauch. Mike passou a morar mais tempo em Malibu, na Califórnia, e o surfe virou uma atividade central na vida dele. Uma matéria da Rolling Stone de 2017 dá a medida do quanto o dia a dia do músico passou a ser regido pelas ondas: “Mike D é judeu de nascimento, mas se tivesse que seguir uma religião hoje em dia, seria o surfe”, diz o texto, assinado por Jonah Weiner.

O grau de envolvimento era tão grande que, em 2016, ladrões roubaram entre 15 e 20 pranchas da casa dele em Malibu. É um número que dá uma boa ideia do tamanho do, digamos, vício do músico. As reportagens que saíam sobre Mike nesse período deixavam claro que ele estava parecendo um surfista veterano de Malibu que por acaso vendeu milhões de discos – e não um cara que fez parte de uma das bandas mais bacanas do mundo.

A música não deixou de fazer parte da vida de Mike desde o fim prático dos Beastie Boys, em 2012. Só que ele passou a atuar mais nos bastidores do que como artista solo. Trabalhou com artistas como Portugal. The Man, para quem fez um remix da faixa Modern Jesus, e participou de sessões de produção para vários nomes do rock alternativo e do indie. Também chegou a trabalhar com o próprio Portugal. The Man em estúdio durante o processo que acabaria levando ao álbum Woodstock (2017).

Outro projeto importante foi o programa de rádio The Echo Chamber, na plataforma da Apple Music, onde ele atuava como curador musical, entrevistador e DJ, mostrando um lado mais próximo do colecionador e pesquisador de música. Durante bastante tempo, essa faceta ocupou mais espaço do que a de músico. Na tal reportagem da Rolling Stone que mostrou o lado surfista de Mike, tá escrito que ele gravava os episódios na residência de hóspedes de sua casa em Malibu.

“Eu sento aqui e converso com meus convidados, sejam eles quem forem”, diz Diamond, apontando (diz o texto) para um sofá bem baixo, dividido em três partes, em formato de U. “Às vezes a gente joga pingue-pongue”. Além disso, Mike D participou da promoção do Beastie Boys Book e do documentário Beastie Boys Story, ambos realizados ao lado do ex-colega de banda Adam Horovitz. Os dois também mantiveram vivo o legado do grupo através de relançamentos, eventos e projetos comemorativos.

Gravar solo, no entanto, é uma aventura bem recente – e o motivo de Mike D ter demorado tanto para voltar a gravar parece ter sido emocional. Em sua ida recente ao programa de TV de Jools Holland, ele lembrou que ficou muito tempo sem conseguir fazer música porque tudo era associado ao parceiro de banda e amigo de décadas. Segundo ele, a perda foi devastadora e o afastou da criação musical por anos.

Em maio, Mike lançou seu primeiro single solo, Switch up, gravado com a ajuda dos filhos Davis e Skyler Diamond, da dupla Very Nice Person. A partir daí, anunciou uma nova banda, 5D, e também anunciou Thank you, seu primeiro trabalho solo da carreira. E o que parece ter tirado Mike D da aposentadoria musical foi justamente tocar e gravar com os filhos.

Depois de mais de uma década preservando a memória dos Beastie Boys, Mike parece finalmente ter encontrado um caminho para seguir em frente sem cair na tentação de voltar com o nome da banda (aliás, provavelmente várias ofertas devem ter sido feitas a ele e Adam…). Tanto que o papo com Jools rolou sem nostalgia barata.

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“Social dopamine”: Ark Identity fala sobre a busca sem fim por validação online

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Ark Identity (Foto: Divulgação)

As redes sociais e a busca constante por aprovação online são o tema de Social dopamine, novo single do Ark Identity, projeto do músico e produtor canadense Noah Mroueh. A faixa também dá nome ao próximo EP do artista e fala sobre a dependência de curtidas, comentários e outras formas de validação oferecidas pelas plataformas.

Na letra, Noah fala sobre como a gente ama quando recebe momentos breves de atenção na rede – só que logo logo a gente vai precisar de maaaais atenção. “Isso se torna viciante, uma espécie de dose de ‘dopamina social’ que continuamos a perseguir. Mas nunca satisfaz nada mais profundo, então o ciclo simplesmente continua se repetindo”, diz Noah.

Composta ao lado de Philippe Andre, Social dopamine nasceu primeiro como ideia e letra. “Em seguida, tentamos criar algo que soasse honesto, cru e emocionalmente fiel às palavras”, explica Noah. Foram surgindo imperfeções, mas tudo foi mantido na gravação final.

“Não queríamos que soasse excessivamente polido. As imperfeições tornam a música mais humana, o que combina com a mensagem”, disse ele, que se aproxima, com seu projeto, do rock alternativo dos anos 1990: Nirvana, Smashing Pumpkins e Beck estão entre as referências.

A gente falou do EP Deluxe nightmare, de Ark Identity. Confira aqui.

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Jonabug celebra um ano de “Três tigres tristes” com clipe e live

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Jonabug (Foto: Danilo Abreu de Souza / Divulgação)

Quer falar de muito trabalho no meio alternativo brasileiro, fale com o Jonabug. A banda de Marília (SP) acaba de lançar o clipe de You cut my wings, faixa do álbum Três tigres tristes, lançado em 2025 (resenhado pela gente aqui) e recentemente disponibilizado também em vinil pelos selos Black Dog Alternative, Midwest Records e Undershows BR.

Ao mesmo tempo, Marília Jonas (voz, guitarra), Denis Felipe (baixo) e Samuel Berardo (bateria), que agora fazem parte agora do selo +um HITS, inaugura o projeto +um Apresenta, série de live sessions e entrevistas criada pelo selo para destacar artistas da nova cena alternativa brasileira.

O lançamento do vídeo marca o primeiro aniversário do álbum, e o roteiro fala de transformação, já que a letra aborda mudanças, autoconfronto e a tentativa de seguir adiante mesmo diante das próprias limitações. Como diz a letra: “penso em quem eu era / e quando me deparo com meu fracasso / eu travo uma guerra”.

Dirigido e roteirizado por Laura Reis, o clipe foi filmado em preto e branco com tonalidade sépia, teve inspiração em cineastas como Wim Wenders, Curtis Harrington e Wong Kar Wai e acompanha uma personagem interpretada pela atriz Julia Martins, que surge como um anjo vagando por um parque de diversões.

“Parques de diversões nos tornam um pouco mais humanos, sentindo à flor da pele as emoções de andar na montanha russa, lembrar da infância no carrossel, ter medo, dar risada, sentir cheiro de churros, se apaixonar, tudo em questões de segundos nesse mesmo lugar estroboscópico”, conta Laura.

“Quando escrevi o roteiro, quis que o parque fosse o personagem principal e que o anjo, essa garota que foge de si mesma em busca da liberdade, nos guiasse por esse ambiente tão cheio de possibilidades”, diz.

Pois é – só que da leveza inicial, o clipe vai ganhando imagens mais tensas, com cemitérios, sangue e sequências de perseguição que ampliam a sensação de conflito interno presente na letra. Laura orientou Julia para transmitir a oscilação “entre se sentir livre e o medo de perder tudo”.

“No fim das contas, o clipe inteiro tem esse visual ‘atordoado’ com as bordas borradas, o que foi uma sugestão da banda no processo criativo que compartilhamos na edição. Isso trouxe mais textura e mais ênfase a essa atmosfera lúdica dos parques de diversões”, conclui Laura.

A chegada da Jonabug ao catálogo do +um HITS também coincide com a estreia do +um Apresenta, que reúne performances ao vivo e conversas com artistas indies. “Nós partimos de uma necessidade muito clara: criar espaços de fala para a nova cena, respeitando a identidade, a linguagem e a estética desses artistas”, afirma Gustavo Sartori Barba, diretor e fundador do selo.

“Se a nova cena não for fomentada, ela simplesmente é engolida: pelo algoritmo, pela pasteurização, pela repetição de fórmulas esgotadas. Falar de incentivo não é sobre romantizar o ‘novo’, é sobre garantir que a música continue sendo um território de risco, de invenção, de verdade”, continua.

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