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Deftones: após quase duas décadas, álbum perdido “Eros” vaza na internet

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Deftones (Foto: Divulgação)

O Deftones tem em seu currículo um dos discos “perdidos” mais famosos do rock pesado recente. Eros, álbum gravado entre abril e dezembro de 2008, deveria ser o sexto disco do grupo, e o sucessor de Saturday night wrist (2006). E também deveria marcar uma nova fase da banda. Só que uma sequência de acontecimentos transformou o trabalho em lenda – e agora, quase duas décadas depois, o disco volta aos holofotes após vazar integralmente na internet nesta segunda (22).

A história de Eros começa num momento bem delicado para o grupo. Depois de anos de conflitos internos e de um processo turbulento de gravação de Saturday night wrist – disco feito com os integrantes quase separados – o Deftones quis voltar às origens. Em vez de compor separadamente e trocar arquivos, passaram a tocar juntos em uma sala de ensaio, como nos primeiros tempos.

O resultado foi um conjunto de músicas que apontava para um Deftones mais experimental e espontâneo, e bastante melódico (como já é apontado pela faixa de abertura, Destiny). Há sons mais viajantes e depressivos, como Margot. A banda chegou a descrevê-lo como “aquela boa e velha agressividade do tipo ‘foda-se, espero que você morra!'”.

As gravações começaram oficialmente em abril de 2008, com o produtor Terry Date, parceiro da banda em discos clássicos como Around the fur (1997) e White pony (2000). O grupo chegou a divulgar vídeos de estúdio e a tocar ao vivo a inédita Melanie, enquanto os fãs aguardavam um lançamento previsto inicialmente para o fim daquele ano, ou quem sabe 2009.

Tudo mudou em novembro de 2008. O baixista Chi Cheng sofreu um grave acidente de carro e entrou em coma. Na época, Chino Moreno ainda gravava os vocais do álbum. Com a tragédia, os trabalhos foram interrompidos imediatamente.

Nos meses seguintes, a banda recrutou o baixista Sergio Vega para cumprir compromissos ao vivo e tomou uma decisão difícil: engavetar Eros. Em vez de concluir aquele material, o grupo preferiu começar do zero. O resultado foi Diamond eyes (2010), um disco mais luminoso e direto, criado em meio à tentativa de lidar emocionalmente com a situação de Cheng.

Chi nunca pôde voltar à banda. Após anos em estado delicado de saúde, ele morreu em 2013. Desde então, Eros passou a carregar um peso simbólico ainda maior, já que se tornou o último álbum gravado com o baixista.

Ao longo dos anos, algumas músicas escaparam para a internet. A mais conhecida foi Smile, divulgada por Chino em 2014. Mesmo assim, a maior parte do material permaneceu inédita. Os integrantes frequentemente deram entrevistas contraditórias sobre a possibilidade de lançamento oficial. Enquanto alguns defendiam ao menos a divulgação das gravações inacabadas, outros afirmavam não ter interesse em revisitar aquele período.

O vazamento completo de Eros encerra, ao menos para os fãs, uma espera de quase 18 anos – mesmo nunca tendo sido oficialmente acabado e estando disponível de forma pirata. Ao mesmo tempo, é um documento raro de um momento decisivo na história do Deftones, registrado pouco antes da tragédia que mudou para sempre os rumos do grupo. Fica a missão de descobrir como foi que o álbum vazou. Um post no reddit Numetal vai um pouco na história.

“O disco foi descoberto em maio e houve várias tentativas privadas de vender o álbum por até ‘cinco dígitos’, como disse o vendedor. Como foi obtido ainda é desconhecido, mas a maioria está especulando que foi por meio de um funcionário da Warner. Supostamente, há faixas vocais brutas de cada música do Eros, com Smile sendo a única faixa vocal pública no momento”, afirma o autor do post, dizendo que a postagem do disco pode ter vindo de alguém que supostamente comprou o conteúdo de forma ilegal (leia o post todo aqui).

Foto: Divulgação

Ricardo Schott é jornalista, radialista, editor e principal colaborador do POP FANTASMA.

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Bailinho: um canal para recuperar a experiência de ouvir música em família

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Tem gente tentando fazer conteúdo infantil no grito, no excesso de cor, no estímulo vindo de todos os lados. O Bailinho, canal criado pelo jornalista e publicitário Rafael Simi, vai na direção oposta. A ideia nasceu dentro de casa, entre músicas tocadas para os filhos na hora de dormir, e acabou virando um projeto que mistura afeto, educação e repertório musical sem tratar criança como alguém incapaz de ouvir “música de verdade”.

“Eu toco diversos instrumentos e sempre sonhei em ter uma banda de baile. Até hoje, meu melhor público foram meus dois filhos”, conta. “Na hora de dormir, eu não cantava músicas infantis tradicionais. Cantava as canções que gosto, de um jeito suave e calmo. Minha mulher chamava de ‘Rock in Rio para Crianças’. Eu chamava de Bailinho”.

A proposta do canal também conversa com ideias da educadora Maria Montessori, principalmente no que diz respeito à autonomia e à concentração das crianças. Em vez de apostar em desenhos acelerados e estímulos visuais exagerados, Rafael prefere trabalhar num formato minimalista, deixando espaço para a música respirar. As canções são divulgadas nos shorts do YouTube.

“Eu trabalho com baixos estímulos. É piano, violão e voz. Algumas canções são mais dançantes, mas não uso desenhos animados e nem arranjos excessivamente estimulantes. A ideia é criar espaço para que a criança se concentre na música, na melodia e na imaginação”, conta.

O repertório passa longe da lógica de separar completamente o universo musical de adultos e crianças. Músicas como Sangue latino (Secos & Molhados), Trem das 7 (Raul Seixas), Anunciação (Alceu Valença) e Take on me (A-Ha) surgem em versões feitas para crianças. Rafael diz sentir falta justamente dessas experiências compartilhadas em família – algo que, segundo ele, foi importante na própria formação musical.

“Eu cresci ouvindo muita música por influência do meu pai. Em casa, tocava de tudo: Noel Rosa, samba, jazz americano”, conta. “Hoje, muita gente vive com seus próprios fones de ouvido e as crianças acabam tendo menos oportunidades de compartilhar referências culturais com os adultos da família. Quis criar um espaço para esse encontro. Hoje, adulto ouve música de adulto e criança ouve Galinha Pintadinha. Sinto falta de experiências em comum. Já que é impossível evitar o contato das crianças com telas, que elas promovam uma experiência coletiva”.

Mesmo usando músicas originalmente compostas para adultos, Rafael diz que existe um cuidado grande na escolha das canções.

“Músicas de amor podem ser interpretadas como algo universal. Nós nos apaixonamos pelos nossos filhos assim que os conhecemos e eles nos amam incondicionalmente”, disse. “Quando trabalhei na Heads Propaganda, fizemos um comercial de Dia das Mães em que a música romântica Ela é carioca era cantada por crianças. O que eu não faço de jeito nenhum é cantar músicas em português com palavrões ou temáticas explicitamente adultas”.

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Pelados lançam “Contato” em vinil e anunciam primeira turnê internacional

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Pelados (Foto: Gabriela Luiza / Divulgação)

Um ano após o lançamento de Contato, seu quarto álbum, a banda Pelados anunciou uma edição em vinil do disco. O lançamento sai pelos selos Romaria Discos, Amigues do Vinil e RISCO.

A edição traz encarte duplo com letras e imagens inéditas, capa com acabamento envernizado e vinil azul. O projeto gráfico foi desenvolvido por Manu Julian, vocalista da banda, em parceria com Lilla Lescher. A pré-venda começou em dezembro de 2025 pelo site da Romaria Discos.

Para marcar a chegada do vinil, os Pelados fazem show no dia 22 de julho, no Porão da Casa de Francisca, em São Paulo. A apresentação será dividida com Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo. Os ingressos estão à venda, com preços a partir de R$ 44.

Lançado em 2025, Contato apresentou uma nova fase da banda, com maior espaço para experimentações sonoras e elementos pop. Nós resenhamos o disco aqui – e pouco depois de lançar o álbum, a banda soltou ainda o curta-metragem sci-fi O roubo da pasta azul, que está no YouTube.

Tem mais: nos próximos meses, o grupo embarca em sua primeira turnê internacional. A agenda passa por 11 cidades de Portugal, Espanha e Alemanha. A estreia acontece no dia 30 de agosto, no festival Kalorama, em Portugal.

Depois, a banda segue para apresentações em Porto, Odemira, Odeceixe, Esposende e Leiria, antes de passar por Vic, na Espanha, e encerrar a viagem com shows em Marburg, Saarbrücken e Berlim, na Alemanha.

SERVIÇO:
Pelados lança vinil de CONTATO
com Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo
22 de julho – quarta-feira
Abertura: 19h30 | Show a partir das 21h30
Porão da Casa de Francisca
Rua Quintino Bocaiúva, 22 – Sé
Ingressos aqui.

Foto: Gabriela Luiza / Divulgação

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Aquele Jon estreia solo falando de caos urbano e autoconhecimento em “Devolva-me”

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Aquele Jon (Foto: Divulgação)

“Viver em uma cidade gigante nos obriga a criar nossos próprios refúgios internos. Aquele Jon é sobre esse processo de se perder no próprio caos para finalmente se encontrar”, explica o músico Jonston Guerra, que adotou o codinome Aquele Jon para seu trabalho solo, após trabalhar por vários anos no ABC paulista com a banda Olho Da Cara. Mesmo tendo vindo do rock alternativo, ele diz ter levado muito da MPB e da bossa nova para essa nova fase.

O primeiro single do projeto é Devolva-me, tido por Jonston como uma música para dançar introspectivamente. Uma faixa que tem tudo a ver com as vivências dele na “cidade grande”, por acaso. “A música propõe o entendimento de que nada nos é realmente tomado. As situações e pessoas são espelhos que nos mostram quem somos”, conta. A música abre com ruídos de tempestade, e segue unindo rock e alt-folk, violões e synths, além de uma cadência próxima do reggae e da MPB anos 1970.

Jon já está com o álbum de estreia na agulha para sair – com oito faixas, o disco tem produção de Lou Alves (Walfredo em busca da Simbiose) e suporte de Renan Vasconcelos e Saulo Von Seehausen (Saudade). As músicas, diz ele, surgiram de uma necessidade enorme de autoconhecimento, por causa da vivências na metrópole. No caso específico de Devolva-me, o personagem escolhe observar suas próprias vulnerabilidades e seguir em frente.

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