Cultura Pop
Talking Heads ao vivo em 1976 no The Kitchen (como trio!)

O The Kitchen possivelmente não teria existido no Brasil. A instituição de arte experimental e de vanguarda (que não tem nem nunca teve fins lucrativos e tem uma área de donativos em seu site oficial) já existe desde 1971 e foi fundada pelo casal de videoartistas Steina e Woody Vasulka.
O local vem existindo sem os mesmos holofotes de lugares mais bombados como o CBGB’s, até por lidar com um tipo de obra pop bem menos comercial, e por ser até mais um lugar de fomento à criação artística do que uma casa de shows comum. Nomes como Laurie Anderson passaram por lá, além de toda a galera da new wave e de toda a turma ligada à coletânea No New York (Glenn Branca, Lydia Lunch e James Chance e outros). Exibições de vídeo, de filmes e festivais de poesia também aconteceram por lá em vários momentos.
O The Kitchen foi trocando de mãos com o tempo, passou maus bocados por causa de furacões e ganhou contribuições até mesmo do conglomerado Time Warner. A casa mantém um site bastante informativo e histórico e ainda existe – aliás estava até contratando novos funcionários no ano passado, e procura também pessoas voluntárias para servir de mestres de cerimônias nas apresentações. “Você pode ver os shows gratuitamente em troca do voluntariado”, avisam.
E desde janeiro tá no ar no YouTube um show bem interessante que rolou no The Kitchen, em 13 de março de 1976. Os Talking Heads fizeram uma apresentação por lá, numa época em que eram apenas um trio: David Byrne na guitarra e vocal, Chris Frantz na bateria e Tina Weymouth no baixo. Na época, o futuro guitarrista e tecladista Jerry Harrison passava por um veneno pessoal após o fim dos Modern Lovers, banda da qual fez parte: tinha ficado bastante deprimido com a separação e resolvera largar a música momentaneamente, voltando para a universidade para estudar arquitetura.
O The Kitchen é tão organizado que tem até mesmo o release da apresentação, batido à máquina, no qual Tina Weymouth é chamada de Martina Weymouth, Chris Frantz toca “percussão”, e “D. Byrne”, o vocalista e guitarrista, é descrito como um feliz e exótico encontro entre Lou Reed, Ralph Nader (advogado e ativista americano que chegou a se candidatar à presidência dos EUA) e Tony Perkins (o ator que fez Norman Bates em Psicose, de Alfred Hitchcock). Os TH, nesse período, preferiam se ver como “artistas performáticos cujo meio de expressão é o rock”.
“Infelizmente esta não é a performance completa, e suspeita-se que o The Kitchen ainda tenha a segunda fita em seus arquivos que ainda não foi lançada – vamos torcer para que isso mude no futuro!”, avisam no texto do vídeo no YouTube, que abre com a banda fazendo um soundcheck tímido. E prossegue misturando canções que estariam nos discos da banda (algumas com versos diferentes dos que foram gravados, caso do próprio hit Psycho killer), além de algumas raridades (como I feel it in my heart, que só apareceria como bônus no relançamento em CD da estreia Talking Heads: 77).
Pega aí!
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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