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Exclusive Os Cabides: EP ao vivo mais roqueiro e single com inspiração em Syd Barrett

Se você andava esperando novidades da banda catarinese Exclusive Os Cabides, já tem: após percorrer o Brasil lançando o álbum Coisas estranhas, eles anunciam um EP novo, Feliz e triste ao mesmo tempo, que chega em maio. E o anúncio veio com o single Bicicleta, lançado na semana passada. João Paulo Pretto, vocalista, guitarrista e compositor da banda, já avisa que a música dá uma mostra de que o próximo disco vai apostar na descomplicação.
“É uma música simples, rápida e muito lúdica, isso já dá uma prévia do que está por vir”, conta ele. “Quando compus essa faixa – ou boa parte dela – eu estava em um palco aberto, tocando guitarra. Tinha uns 18 anos, então dá pra dizer que não pensei muito: eu só queria deixar uns caras que estavam na minha frente, com cara de super roqueiros, meio putos. E consegui”, conta João.
O incômodo, vale dizer, não é com o rock, mas com o “roquismo” – aquele radicalismo associado ao estilo. Tanto que João, Eduardo Possa (guitarra solo), Antônio dos Anjos (voz e percussão), Carolina Werutsky (bateria) e Maitê Fontalva (baixo) decidiram fazer um EP assumidamente mais roqueiro, com sete faixas gravadas ao vivo. A ideia é mostrar o quanto a turnê eletrizou a banda durante esse tempo que passaram na estrada.
Inclusive uma das referências de Bicicleta é o Pink Floyd, banda adorada por essa turminha radical que ouve música sem prestar atenção nas letras (lembram do mico que alguns seres humanos pagaram nos shows do ex-líder Roger Waters?). O Bicicleta vem, claro, de Bike, música da primeiríssima fase da banda – a última faixa do disco The piper at the gates of dawn, estreia do Floyd (1967), pra ser mais exato. João diz que a ideia é enaltecer a bicicleta, como a banda já havia feito em músicas como Rua da lua cheia. As guitarras, por sua vez, têm algo de bandas como Smiths.
Já a capa do single novo combina desenhos de João Pretto com a direção, texturas e diagramação de Ramires, explorando referências têxteis como jeans e flanela em contraste com a simplicidade dos traços – o trabalho é de João, Ramirez e Antônio dos Anjos. A produção do EP é de Eduardo Possa e Paulo Costa Franco.
Foto: Shay NG / Divulgação
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Com Freitera e Dow Raiz, Machete Bomb revê “Giroflex” em releitura atualizada

A banda curitibana Machete Bomb reviu uma canção sua que já tem uma década, Giroflex. E descobriu que ela continua assustadoramente atual – tão atual que precisava voltar. Daí, saiu Giroflex 2.0, parceria com o produtor Freitera e o rapper Dow Raiz, que pega a faixa lançada pela banda em 2016 e a reconstrói sem tratar o original como peça de museu.
A crítica à violência policial permanece no centro da narrativa, mas agora ganha uma perspectiva ainda mais direta, alimentada pelas experiências pessoais dos dois MCs – é a constatação de que, dez anos depois, pouca coisa mudou.
“Tanto eu como o Dow Raiz tivemos inúmeras abordagens em nossas vidas. Essa nova versão de Giroflex não é só uma letra de rap. O refrão é potente assim como na original, mas tem o fator de sofrer abuso policial, tanto pela sua cor ou suas vestimentas. Esse é o espírito da coisa”, explica o MC Alienação Futurista, vocalista do Machete Bomb e coautor da letra.
Musicalmente, a atualização também faz sentido. O boom bap serve de ponto de partida, mas logo abre espaço para os graves cavernosos e os ecos de dub que Freitera espalha pela mixagem. Quando o refrão chega, entra em cena uma das marcas registradas da Machete Bomb: o cavaquinho distorcido de Madu.
Essa talvez seja a maior sacada do grupo desde o início: trocar a guitarra pelo cavaquinho sem transformar a escolha em mera curiosidade estética. O instrumento deixa de representar tradição e vira uma ferramenta de ataque, ajudando a construir um híbrido de rap, rock, reggae e MPB. Já Dow Raiz reforça o peso da letra sem roubar a cena. O resultado é um encontro de artistas que compartilham a mesma leitura do mundo.
“Quisemos dar uma cara nova, com um olhar mais atual e a produção do Freitera modernizando a track. Essa daí sendo a primeira, é o que traz o tempero. Dá pra pegar de onde veio, como soava o Machete, e pra onde a gente tá indo”, comentou Madu sobre as expectativas com o single, que é o primeiro aperitivo de Mundo cão, álbum colaborativo entre Machete Bomb e Freitera previsto para novembro.
Se o restante do disco mantiver esse equilíbrio entre discurso e impacto sonoro, a dupla tem em mãos um projeto que faz muito mais do que reciclar uma música antiga. Ela usa o passado como prova de que certas feridas continuam abertas – e ainda doem.
Foto: Thainá Tibana / Divulgação
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Em “Sono leve”, O Cientista Perdido decide que a culpa não mora mais aqui

Existe um momento em que falar da dor deixa de ser catártico e começa a ficar cansativo. O Cientista Perdido parece ter chegado exatamente aí. Depois de explorar a ausência em Cair e o desejo em Te sonho de verdade. Rodrigo Saminêz, o Cientista, encerra a leva de singles do álbum de estreia com Sono leve, uma música que troca a autópsia emocional pela pista de dança. E faz isso sem fingir que o caminho até aqui foi simples.
A faixa mantém o synth pop percussivo que vem definindo o projeto, mas agora deixa entrar batidas latinas e grooves mais quentes que contrastam com o gelo dos teclados. Também é a primeira vez que O Cientista Perdido divide o protagonismo de uma música. A convidada é JoJo, cantora, compositora e multiartista travesti e negra do Gama (DF). A química entre os dois faz sentido justamente porque nenhum deles parece interessado em vender superação como produto. O assunto aqui é outro: tirar a culpa das costas.
“Sono leve foi um basta! Foi quando percebi que esse disco não podia terminar olhando só pra dor. Cansa quem canta e quem ouve. Em algum momento, precisava existir uma celebração do alívio que vem quando a gente entende que nem tudo aquilo que colocaram sobre nós nos pertence. Igreja, infância, família, escola… passei os anos mais definidores da vida de qualquer pessoa me alimentando de ódios e distanciamentos que não eram meus”, diz Rodrigo.
“Agora, me sinto à vontade pra gritar em coro esse refrão em plenos pulmões pra devolver o constrangimento: mesmo que não o aceitem, mesmo que repitam os mesmos erros, o peso e a culpa já não são mais meus. Esse é meu manifesto de alívio e me sinto muito feliz de celebrar à altura o momento que pára de doer também”, completa. “Mas minha hora é sagrada / Você vai ter o que falta em você”, cantam os dois no refrão, devolvendo a culpa para quem sempre fez questão de distribuí-la.
A participação de JoJo amplia essa ideia. Além da carreira solo, ela integra o coletivo BAITA!, criado por Saminêz em 2025 para tentar resolver um problema bem conhecido da música independente: a expectativa de que um único artista faça absolutamente tudo, do conceito ao post de divulgação.
E essa faixa fecha o ciclo de singles que apresentou o universo do primeiro álbum d’O Cientista Perdido, previsto para agosto. O disco parte de experiências queer ligadas a desejo, religião, família, infância, pertencimento e memória. Depois de passar duas músicas encarando fantasmas, O Cientista Perdido parece ter tomado uma decisão simples: eles não merecem mais convite para continuar morando ali.
Foto: Nana Fogaggio (@nanafogag) / Divulgação
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Banda veterana do shoegaze, The Veldt homenageia designer do selo 4AD em novo single

Banda de shoegaze formada na Carolina do Norte nos anos 1980 – hoje vivendo em Nova York – The Veldt volta com novidades. O grupo criado pelos irmãos gêmeos Daniel Chavis (vocal, guitarra) e Danny Chavis (guitarra), e completado pelo baixista e programador Hayato Nakao, já havia lançado em abril o fantasmagórico single Black girl, uma mescla de shoegaze e soul – afinal, é uma regravação, no estilo da banda, do tema do filme Black girl, de 1972, dirigido por Ossie Davis.
Para o single, o grupo já havia adotado um formato diferente, de clipe lançado no Bandcamp, com direção de Rob Weiss e James Eakins. O novo single, Morning, june and yesterday, ganhou também um visualizer no site – e o vídeo é uma homenagem a Vaughan Oliver, o lendário designer gráfico cujo estilo visual definiu a estética da gravadora 4AD. O som une clima de sonho e guitarras ruidosas em formato de nuvem, com a novidade de trazer vibes próximas do gospel. Já a letra acompanha o ouvinte numa viagem bem além da linha do horizonte, com versos como “mas o fluxo e refluxo da vida não está distante, mas bem aqui, no fundo da sua alma”.
“Essa musica”, diz Danny. “dita a arte do drone e sua busca incessante pela repetição artística de paisagens sonoras em texturas e padrões visuais sonoros e formas, dissonância cognitiva do som”. Morning, june and yesterday, aliás, é uma gravação antiga do grupo: foi feita em 2007 e estava guardada até hoje. Geralmente ligado a grupos como AR Kane, Massive Attack, Cocteau Twins e Jesus & Mary Chain, o The Veldt inclui também referências como Sun Ra, Prince e Pink Floyd em sua lista.
As duas músicas estão no EP Spanikopita, que sai pelos selos Little Cloud Records / 5BC Records e está à venda apenas nos shows do grupo. The Veldt acabu de concuir uma turnê pelos EUA e Canadá ao lado de outra banda veterana, The Chameleons. Com participações de amigos como Carlos Bess, técnico de som que trabalha com o Wu-Tang Clan, o novo EP derruba fronteiras – a ideia é unir pós-punk, shoegaze e cultura do DJ. E vem por aí um novo capítulo da banda.
Foto: James Neumann / Divulgação








































