A entrada de David Gilmour para o Pink Floyd como segundo guitarrista para unir forças com Syd Barrett (basicamente no aguardo de que o principal compositor da banda saísse da loucura e voltasse à forma) não foi o maior dos acontecimentos do mundo nem para a banda. Vindo de um grupo obscuro chamado Bullit e atraído para o Pink Floyd apenas por causa de “fama e garotas” (de acordo com o essencial The dark side of the moon – Os bastidores da obra-prima do Pink Floyd, de John Harris), ele foi anunciado pelo New Musical Express como novo integrante do grupo a partir de uma notinha que o chamava de “David Gilmur”. E não era a melhor da melhores épocas do grupo, segundo o próprio guitarrista, que achou a banda “péssima” ao vivo. “Os shows que vi com Syd eram incrivelmente desorganizados. O líder caía aos pedaços e consequentemente, o grupo também”, lembrou no livro.

O Pink Floyd chegou a funcionar por uns tempos como quinteto (fez quatro shows em janeiro de 1968 e chegou a tirar fotos de divulgação). Logo depois disso, decidiram que Syd deveria deixar o grupo, ao saírem de Londres para um compromisso em Southhampton e resolverem que não pegariam o músico em casa. Depois disso, entre a psicodelia e o rock progressivo (na real entre a estreia The piper at the gates of dawn, de agosto de 1967, e A saucerful of secrets, o segundo disco, de junho de 1968), o novo guitarrista foi tendo que mostrar não somente suas habilidades no instrumento. Teve também que mostrar que conseguia dublar o ex-líder da banda diretinho, tanto na voz quanto na guitarra.

É dessa época essa coletânea de vídeos que um canal não-oficial da banda (o embed foi desativado) subiu no YouTube outro dia. O Pink Floyd aparece correndo pelo metrô de Londres no promo de Let there be more light. O grupo é chamado de “Pink Floid” num programa de TV na Bélgica, num promo de Astronomy dominé (protagonizado também por uma modelo loura que mexe nos cabelos em meio a um light show). No mesmo programa, tocam Corporal clegg, uma das melhores músicas de A saucerful, cuja letra é um comentário maluco de Roger Waters sobre um herói de guerra paraplégico, e Gilmour e Waters dublam os vocais de Syd no lado B Apples and oranges. A melhor parte são duas apresentações num programa de auditório na TV francesa, tocando Let me be more light e Remember a day para uma plateia comportadíssima.

Aliás, jogaram de novo no YouTube há alguns meses a famosa apresentação da banda em 1968 no programa francês Bouton Rouge. Nessa, Gilmour solta a voz em Astronomy dominé e Flaming, e depois tem as viajantes Let there be more light e Set the controls for the heart of the sun, de Saucerful.