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Ouvimos: Picture Parlour – “The parlour”

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Picture Parlour mistura rock 70s, glam, punk e indie com carisma clássico: ecos de Pink Floyd, Iggy Pop, Pixies e Jack White, em clima sexy e sombrio.

RESENHA: Picture Parlour mistura rock 70s, glam, punk e indie com carisma clássico: ecos de Pink Floyd, Iggy Pop, Pixies e Jack White, em clima sexy e sombrio.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: EMI / Universal
Lançamento: 14 de novembro de 2025

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Existe uma possibilidade real do Picture Parlour se tornar uma banda do tamanho do Wolf Alice – pelo menos candidatos a isso, eles são. Essa banda de Manchester, cuja vocalista se chama Katharine Parlour, sabe como unir lembranças de rock clássico a evocações de glam rock, punk e indie rock, numa receita sonora que lembra também Jack White, The Kills, The Raconteurs e até as melhores fases do Pearl Jam.

Na real, fazem uma espécie de rock clássico que herda mais o cheiro e o charme das bandas dos anos 1970. Já começa pela capa, uma referência cara de pau a arte de Wish you were here, do Pink Floyd (1975), e ao fato de Katharine volta e meia lembrar uma inimaginável mescla de Iggy Pop, Robert Plant e Courtney Love. Tanto que a estreia The parlour abre com o clima sexy e sombrio de Cielo Drive e 24hr open, ambas com algo entre o punk e o blues rock, e prossegue com a orientação punk + 60’s de Who’s there to love without you?, que posiciona microfonias ao lado do vocal rouco de Katharine. Used to be your girlfriend por sua vez, oscila entre Arctic Monkeys e Pretenders, com clima dramático e nostálgico.

Essa união de épocas, além da combinação de extroversão glam e trevas punk, são o combustível do som de The parlour, que chega perto da vibração dos Pixies em Around the bend (enfim, mais uma canção a lembrar o hit Where is my mind?) e une rock clássico e pós-punk em Talk about it, $4 fantasy e na balada Norwegian wood (não é a música dos Beatles). No fim do disco, tem The travelling show, uma balada que parece herdada simultaneamente dos Righteous Brothers e do Pink Floyd, com direito a acordes e guitarra slide trazendo ecos de Breathe, do The dark side of the moon (1973).

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Ouvimos: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

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Resenha: Starly Kind – “Inferno (xe/xem)”

RESENHA: Starly Kind mistura lo-fi, screamo, pós-punk e psicodelia em Inferno (xe/xem), EP sombrio sobre angústia queer e demônios internos.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: CorpoRAT Records
Lançamento: 8 de maio de 2026

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Musicista agênero do Oregon, Estados Unidos, que se radicou em São Paulo, Starly Lou Riggs criou a Starly Kind como veículo para uma música lo-fi e fantasmagórica. Um som que volta e meia ganha ares math rock, ou que se aproxima de um art rock em clima de pesadelo. Inferno (xe/xem) é um EP sobre demônios xamânicos, angústia existencial queer, dores acumuladas durante uma vida inteira – e sobre como é chamar o inferno de casa.

Starly kind, a faixa de abertura, é lo-fizaça, com glitches, clima dreamy e vocais torturados e gritados. Held me with soma a isso um clima mais ambient, em que vibrações screamo unem-se ao experimentalismo da música. Superanatural clutches fica entre a psicodelia e a no wave, com direito a uma guitarra próxima do som do Black Sabbath. Uma curiosidade e uma mudança de rumo vêm com Bloodlust rising, algo entre Beach Boys, Residents e Devo – seguida justamente pela onda reggae + dub + fantasmagoria de And the devil watched me dance in.

  • Ouvimos: Delmore – Tão logo cada poste se ilumina

Demon dreams, que encerra o disco, é pós-punk mais do que tudo, e é a música mais bonita do EP – aliás lida com uma noção mais tranquila de “beleza” na melodia, ainda que também invista na vibe sombria das outras faixas. Um disco bem instigante, em todos os momentos.

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Ouvimos: Duo Violeta – “Mar pequeno”

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Resenha: Duo Violeta – “Mar pequeno”

RESENHA: Duo Violeta mistura violão, escaleta e folk nordestino em Mar pequeno, disco contemplativo, viajante e cheio de imagens sonoras.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: The Citadel House
Lançamento: 22 de maio de 2026

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Se você for com muita sede ao pote no disco do Duo Violeta e chegar meio desavisado, pode acabar adorando o encontro do violão com a sanfona. Depois vai dar risada quando descobrir que André Sant’Anna e Rafael Campanaro, são na real, e respectivamente, o encontro da escaleta – teclado de sopro popularizadíssimo pelo reggae e pelo dub – com o violão. Mais que isso, as gravações tiveram vários testes de estúdio, que envolveram posicionamentos dos músicos, microfones diferentes e muitas experimentações sonoras.

Mar pequeno tá bem longe de ser um disco experimental, mas passa perto. É um disco brasileiríssimo e quase sempre nordestino, que parece seguir o curso de um rio e contar uma história – já que as músicas parecem encadeadas e evocam imagens que soam do mesmo modo. Será marés, Na rede e O boto, no começo, são folk nordestino – sendo que a última insere clima sombrio e efeitos de tremolo na escaleta. Para a ilha é forró + jazz, mas tem algo de indie rock na sonoridade, até algo de Beatles no meio da melodia. Inverno no mar é balada, blues e folk, com final contemplativo e várias partes diferentes.

Esse clima de viagem sonora, que insere segmentos diferentes em canções curtas, chega no ápice na última faixa do álbum, Emergiu. Até lá, André e Rafael proporcionam surpresas como a melodia de À deriva, que chega a lembrar um soul no final. Ou a recriação da folclórica Peixe vivo, cujas linhas melódicas só se tornam claras lá pelas tantas. Ou o clima folk brasileiro de Náufrago. Um disco muito bonito.

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Ouvimos: Soma Please – “Ballet” (EP)

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Resenha: Soma Please – “Ballet” (EP)

RESENHA: Soma Please mistura synth pop, pós-punk e dream pop em Ballet, um EP que cruza Queen, U2, LCD Soundsystem e até samba indie.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Skud & Smarty
Lançamento: 14 de maio de 2026

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O Soma Please é um duo luso-britânico, formado pelos músicos Nuno Bracourt e Rob Williamson. Não chega a ser um som muito inovador, mas tem detalhes que conquistam de cara, já que Ballet, o EP, soa às vezes como um encontro entre estilos e épocas. Tipo o que rola com I’m a fan, entre o synth pop e uma onda que lembra o Queen, ou Love, um dream pop com peso. Pockets on my sleeves é pós-punk com alma oitentista, e algo de Radiohead e LCD Soundsystem misturado.

As duas últimas faixas do EP são as mais diferentonas do disco: Alone é um curioso pop meio samba, meio bossa, com cara indie e solar. What’s the score é mais ruidosa, abre com clima sombrio fake, e depois chega a lembrar um blues rock eletrônico. Ballet é um pequeno apanhado do som deles, e uma demonstração de sonoridades que estão no arquivo deles.

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