Crítica
Ouvimos: They Might Be Giants – “Eyeball” (EP) / Cat Power – “Redux” (EP)

RESENHA: They Might Be Giants e Cat Power voltam com EPs curtos e afetivos: sobras criativas, releituras e nostalgia bem resolvida.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8 (para ambos)
Gravadora: Idlewild Recordings (TMBG) e Domino (Cat Power)
Lançamento: 15 de janeiro de 2026 (TMBG) e 23 de janeiro de 2025 (Cat Power)
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“Sempre sobram várias faixas boas para fazer um EP. Tenho certeza de que existe um processo equivalente na cozinha de um restaurante chique, mas estou apenas supondo”, afirmou John Linnell, criador da veterana banda indie norte-americana They Might Be Giants – que ele divide há anos com John Flansburgh. Daí saiu o novo EP, Eyeball, que cabe em metade do lado B de um disco do Dream Theater, já que são apenas oito minutos e pouco, e quatro faixas.
Já Cat Power também retorna com um EP, The redux, que faz parte das comemorações de vinte anos de seu álbum The greatest. Também é um lançamento curtinho: três faixas, pouco mais de dez minutos e algumas referências ao álbum espalhadas pelo disco. O EPzinho serve de batedor para a turnê de 20 anos do disco, que começa em Houston no dia 12 de fevereiro.
Os dois discos servem como (boas) lembranças da banda e da cantora, com o TMBG soltando a melô do “foi mal, tava doidão” (Eyeball, um rock com emanações de Syd Barrett, Kinks, The Who e The Move) e uma balada nostálgica com cara de Herb Alpert and The Tijuana Brass (The glamour of rock, zoeira com o dia a dia de roqueiros indies que veem “os padrões girando ao redor”). Além de Peggy Guggenheim, uma espécie de mescla entre krautrock, jazz e trilha de série de detetive. Tem um remix eletrônico de Eyeball, mas nem precisava.
Cham Marshall, a popular Cat Power, canta duas versões em Redux. Uma delas é Try me, de James Brown, vem em versão quase 100% fiel ao original, só mais minimalista – a releitura foi iniciada na época das gravações de The greatest e só terminada agora. Nothing compares 2 U, de Prince – imortalizada por Sinéad O’Connor – vem numa onda country + soul + blues que chega a lembrar os Rolling Stones. Could we, música de Greatest, abandona a vibração Lou Reed do original e volta em clima de rhythm’n blues.
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Crítica
Ouvimos: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)

RESENHA: No segundo EP, Inward, then apart, o duo curitibano Scrambled Heads mistura emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore dos anos 1990 em músicas sobre dúvidas, inseguranças e culpa, entre peso e melodia.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 7 de agosto de 2026
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Buga (Redlightz, também ex-Abraskadabra) e André Pamplona (ex-Monaco Beach) fizeram do Scrambled Heads um projeto de estúdio, bem diferente das outras bandas que eles já tiveram. Com um bom tempo de experiência no DIY curitibano, eles já passaram por turnês (fora do Brasil inclusive) com sérias restrições orçamentárias, viagens de van por tudo quanto é canto, e o Scrambled Heads vem num momento de sossego para ambos.
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Inward, then apart, segundo EP do grupo investe em uniões de emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore californiano dos anos 1990 – com uma certa pressão nesse terceiro estilo. Não chega a ser um “punk pop”, mas as melodias em sua maioria são ganchudas e cantaroláveis, cabendo boas harmonizações em The observer, linhas vocais bem construídas em Chaos left unsaid e porrada punk em faixas como Wildfire e I build shelter from branches of second-guessing – esta, com andamento sinuoso, meio herdado do skate-rock e do reggae.
As letras acompanham a porrada, falando de dúvidas, inseguranças e sombras – além do fantasma da culpa tomando conta de Guilt trip. Som de peso, em busca da calma.
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Crítica
Ouvimos: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)

RESENHA: O coletivo canadense 14 Flamingos, que chega a reunir até 14 músicos em shows, lança em Fine art, EP de três faixas que cruza rock setentista, soul, yacht rock, psicodelia e pós-punk com arranjos expansivos.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 27 de agosto de 2026
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O 14 Flamingos era só uma banda-dupla – depois virou uma banda de verdade, e depois, uma multidão de colaboradores, que chega a somar 14 pessoas dependendo da gravação e do objetivo a alcançar. O EP Fine art, com três faixas, usa essa turma toda para contar histórias através das letras, das melodias e dos arranjos.
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O grupo (que vem do Canadá) é tão bom em bandeirar seu próprio trabalho, que dá até pra deixar a banda falando sobre si própria. Como em Habsburg chin, que eles definem como “imagine um baile em Versalhes, só que a banda foi substituída por um grupo de pessoas que provavelmente entraram pela porta dos fundos de uma taverna” – na verdade é um rock anos 1970, que tem muito de soul e yacht rock, e até das invenções musicais de Kevin Ayers e Tom Waits.
Yesterday’s fair responde pelo lado mais carnavalista do disco, chegando a lembrar Mutantes em alguns momentos. The duke, terceira e última faixa, é uma fanfarra pós-punk, com ritmo funkeado, e a mehor melodia do disco.
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Crítica
Ouvimos: Cella – “Efeito borboleta”

RESENHA: A amazonense Cella estreia com Efeito borboleta, disco de MPB-pop que cruza ritmos nortistas, reggaeton, funk e dance music em canções sobre mudanças, amores e autoconfiança.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Urban Pop
Lançamento: 8 de maio de 2026
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Estreia da amazonense Cella, que é cantora e atriz (esteve na montagem carioca da peça Fala sério, mãe, ao lado da autora Thalita Rebouças), Efeito borboleta é um disco de mudanças pessoais em clima de MPB-pop. Cella mistura sons de sua terra e climas de reggaeton e funk, relembrando amores em que precisou se esforçar para caber na vida de outra pessoa (Demais pra você) e de situações bem mais tranquilas e empoderadoras (Encantaria, Meu norte). Mas depois as coisas saem do controle, romanticamente falando, com as lentinhas Veneno (com participação de Doral) e Me ignora.
É um pop correto, brasileiro, bem produzido, com boas canções e cantado em tons de bossa – e que, de certa forma, reapropria muitas vibes sonoras do Norte que volta e meia aparecem em gravações feitas em outros lugares. Lá pelo final, Karma junta dance music, latinidade e riffs de guitarrada, seguida por dois remixes (da própria Karma e de Meu norte).
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