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Tom Waits na nova faixa “The fly”: “Ninguém vai chorar quando você morrer”

Tava curioso / curiosa pra ouvir o lado B do single do Massive Attack em parceria com Tom Waits, Boots on the ground?
Bom, como falamos aqui mesmo no Pop Fantasma, o lado B do single de vinil (que não irá para o Spotify) traz uma faixa feita apenas por Tom Waits, The fly – sua primeira inédita solo desde 2011. Hoje, o cantor divulgou um excerto da música em seu instagram, revelando que The fly é uma peça de spoken word cheia de humor ácido e sombrio.
Não é um estilo inédito na história do cantor, claro – músicas como What’s the building in there? têm essa mesma onda sarcástica. O trecho escolhido tem versos como “ninguém teve uma vida mais estranha que a sua / você conhece a fome, você conhece a guerra, você conhece o perigo / você foi retirado das calças do Presidente pela coxa / você viveu um dia com o olho de um peixe morto”.
“Eu sei que você provavelmente tinha família na manjedoura / baratas, ratos, mosquitos, pulgas, moscas, ninguém vai chorar quando você morrer / se contorça e gagueje, esfregue e ria, e faça aquela dança que sua mãe esquisita coreografou”
“Como dois violinos preguiçosos entrelaçados numa sirene baixa e espasmódica para nos alertar sobre nada / e você só recebe o nome por sua capacidade de fazer isso”, soltando lá pelas tantas um “e ninguém vai chorar quando você morrer”.
Toda a renda obtida por Waits com o lançamento exclusivo em vinil será doada a organizações que financiam recursos de saúde mental para veteranos e assistência jurídica para comunidades imigrantes. E você confere o trechinho aí.
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Boards Of Canada avisa: o disco novo, “Inferno”, vem aí, com 70 minutos e 18 faixas

O suposto disco novo do Boards Of Canada era um mistério a ser resolvido pelo seu público. A dupla escocesa de música eletrônica, sem lançar novos álbuns desde 2013, tinha mandado em março fitas VHS repletas de trechos de documentários e estática para as casas de algms de seus fãs. Sinal (ou coisa parecida) de que os irmãos Mike Sandison e Marcus Eoin estavam voltando com alguma coisa, seja lá que “coisa” fosse.
Um primeiro sinal mais, digamos, palpável foi o lançamento do single Tape 05, há alguns dias – ele veio depois de uma série de pôsteres espalhados pelo mundo, e ainda ganhou um clipe que mostra uma coletânea de transmissões televisivas via VHS.
Entre as imagens do clipe, jovens aloprando em shows, gente cantando como num culto, um bando de malucos armado, antenas de televisão e até… aquela vinheta antiga da TV Tupi, com um garotinho indígena? Não: a imagem, que aparece por alguns segundos, é a de um antigo padrão de ajuste de tela, usado nas emissoras durante os anos 1950 (no Brasil, a Tupi achou mais fácil pegar aquilo e transformar numa vinheta, após acrescentar algumas ilustrações).
O que interessa é que, sim, tem disco novo do Boards Of Canada vindo aí: Inferno já foi anunciado pela Warp Records, gravadora de longa data da dupla, e está previsto para o dia 29 de maio. Um detalhe: não existe nenhuma música chamada Tape 05 no álbum. Os fãs acreditam que se trata da quinta faixa do álbum, Father and son, já que é “tape cinco” (a Wikipedia informa a duração de 3:24 para ela, e Tape 05 dura 3:22, faz sentido).
Abaixo você confere a lista de faixas, a capa do disco, o clipe de Tape 05 e um teaser com mais um trechinho de música. Aliás, o duo faz questão de avisar que não está nem aí para quem gosta de disco curto e música pequena: “INFERNO. 18 TRACKS. 70 MINUTES. 2xLP, CD, DIGITAL. 29 MAY 2026”.
01 Introit
02 Prophecy a 1420 MHz
03 Hydrogen Helium Lithium Leviathan
04 Age of capricorn
05 Father and son
06 Somewhere right now in the future
07 Naraka
08 Acts of magic
09 Memory death
10 The word becomes flesh
11 Into the magic land
12 Blood in the labyrinth
13 Deep time
14 All reason departs
15 Arena Americanada
16 The process
17 You retreat in time and space
18 I saw through Platonia
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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horsegiirL de volta: DJ e produtora tinha se sentido “desgastada” com o mercado, mas tá tudo bem agora

Existe uma banda indie (boa pra cacete, aliás) chamada Horsegirl. E existe a horsegiirL, uma DJ e produtora alemã que se define como “metade cavalo, metade humana”, e que se apresenta usando uma máscara de cavalo – ela esteve inclusive entre as atrações do Lollapalooza Brasil neste ano. Pois bem, horsegiirL acaba de lançar o single Earth is turning, que ganha também clipe, e anuncia seu álbum de estreia Nature is healing para 05 de junho pelo selo RCA Records.
No disco, ela traz colaborações de Casey MQ, A. G. Cook, Margo XS, Nomak e Luvhunter (que já é seu costumeiro colaborador) e une estilos como trance e electroclash. horsegiirL conta no material de divulgação que o disco veio após um período de desgaste com o mercado musical e todas as suas exigências, e uma posterior recuperação pessoal – para dar um tempo nas aporrinhações, ela foi participar de um cerimônia de ayahuasca no Equador, e voltou de lá bem mais consciente dos impactos das ações humanas no planeta.
horsegiirL também aproveitou o lançamento para divulgar uma campanha beneficente de apoio à Amazon Conservation Team, organização que trabalha em parceria com povos indígenas e comunidades locais para preservar florestas tropicais e fortalecer culturas tradicionais da região amazônica. E já divulgou a capa de Nature is healing, que você vê abaixo.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Alex Lockett / Divulgação
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El Escama: “último disco” do cantor vira documentário

“Por que fazer mais um disco? Ué, porque eu tô vivo, né? Depois que abri a porteira, acho que vou fazer disco até eu morrer, né, cara?”, diz o cantor e compositor El Escama na abertura do minidoc Esse é meu último disco – Making of. Artista 100% indie com dois álbuns de estúdio gravados, ele decidiu dar uma reorganizada no material de bastidores das gravações de seu álbum mais recente, Esse é meu último disco (de 2025, resenhado pela gente aqui) e transformou tudo num curta de 14 minutos, “que mistura cenas do estúdio com uma conversa minha sobre o processo do disco e outros achismos”, conta ele.
“Não sei se o mundo precisa de mais um disco, né cara? De um disco meu… Mas eu preciso de um disco meu”, diz ele, brincando – e aproveitando para falar que vê o trabalho independente como o de um artista que não segue uma fórmula, um padrão, e vai onde gosta. O fato de Esse é meu último disco ter sido inspiradíssimo pelas redes sociais também ganha comentários no doc.
“O álbum nasceu durante a pandemia, quando voltei a ter aulas de violão e comecei a compor uma música para cada lição, para não esquecer os acordes novos. No meio disso tudo apareceu também o tema das redes sociais, que acabou atravessando todas faixas”, conta El Escama, que fala igualmente sobre como livros e revistas em quadrinhos influenciam suas músicas. Aliás, quem curte cenas de estúdio pode ser preparar para ver detalhes visuais bem bacanas do trabalho – em especial a reta final dos trabalhos, no estúdio Canoa, em São Paulo.
Ah, sim: evidentemente, uma das perguntas do doc é “esse é mesmo seu último disco?”. Claro que ele responde. Tá tudo aí.








































