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Novidades de Lucy Dacus, Billie Eilish e The Blossoms

Não teve Radar nessa semana por pura falta de tempo diante de dois feriados – a seção volta só na semana que vem. Mas achamos interessante contar mais alguns causos sobre lançamentos dos últimos dias. Um deles é que os fãs de Lucy Dacus vão poder finalmente ter acesso a uma faixa dela que poderia ter se tornado uma raridade daquelas. É Planting tomatoes, a primeira música inédita lançada por ela em 2026, que havia sido feita originalmente como exclusiva do Record Store Day em 18 de abril, mas chegou hoje às plataformas.
A letra fala basicamente sobre uma vida tranquila no campo – mas claro que a letra deve esconder uma zoeira ou outra. Já a melodia segue aquela onda de alt-pop texturizado e bem produzido de Lucy. Por enquanto, nada de notícias sobre álbuns novos dela. Mas além da música nas plataformas, Planting ganhou até um lyric video inspirado em uma lista de compras, gravado pela própria cantora em Tóquio.
Lembra daquela época em que se dizia que cantores como Michael Jackson poderiam até lançar uma narração da lista telefônica, que a gravação iria para as paradas? Pois bem: Billie Eilish, em pleno 2026, é uma espécie de cria dessa atitude aí. Tanto que ela não pensou duas vezes e soltou um single com a faixa Intro (Hit me hard and soft tour).
Para quem só ouve Billie de vez em quando, nada demais: é só uma faixa instrumental de menos de dois minutos, com trechos de uma das faixas do álbum Hit me hard and soft, The greatest. Já os fãs que foram a algum show da turnê sempre relatam que os minutos antes do show começar, com a tal da intro explodindo nos falantes, são uma experiência eletrizante. A faixinha serve de aquecimento também para o lançamento do filme Billie Eilish – Hit me hard and soft: The tour (Live in 3D), que chega aos cinemas no dia 8 de maio.
Sem lançar nada desde a versão expandida de seu álbum mais recente, Gary, The Blossoms soltaram durante a semana Joke about divorce, um single no costumeiro tom dance-power pop que o grupo britânico tem adotado em lançamentos recentes. Dessa vez, o vocalista Tom Ogden recorda um daqueles momentos em que teria sido melhor ficar calado – e que rolou justamente no meio de um bate-boca sério.
“Em toda discussão, não importa o tamanho, sempre existe aquele momento em que o humor pode desarmar completamente os dois e resolver a situação”, conta ele. “Nessa ocasião, achei que fazer uma piada sobre divórcio faria exatamente isso… Só que errei completamente o timing. Em vez disso, piorou as coisas, e esse momento acabou imortalizado em uma música pop de três minutos e meio”.
Relaxa, Tom, pelo menos a música ficou boa. Por enquanto não há previsão de lançamento de álbuns novos do The Blossoms, mas Joke tá aí.
Lembrando que temos uma relação bem bacana de lançamentos da semana em nossa newsletter.
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Em “Sono leve”, O Cientista Perdido decide que a culpa não mora mais aqui

Existe um momento em que falar da dor deixa de ser catártico e começa a ficar cansativo. O Cientista Perdido parece ter chegado exatamente aí. Depois de explorar a ausência em Cair e o desejo em Te sonho de verdade. Rodrigo Saminêz, o Cientista, encerra a leva de singles do álbum de estreia com Sono leve, uma música que troca a autópsia emocional pela pista de dança. E faz isso sem fingir que o caminho até aqui foi simples.
A faixa mantém o synth pop percussivo que vem definindo o projeto, mas agora deixa entrar batidas latinas e grooves mais quentes que contrastam com o gelo dos teclados. Também é a primeira vez que O Cientista Perdido divide o protagonismo de uma música. A convidada é JoJo, cantora, compositora e multiartista travesti e negra do Gama (DF). A química entre os dois faz sentido justamente porque nenhum deles parece interessado em vender superação como produto. O assunto aqui é outro: tirar a culpa das costas.
“Sono leve foi um basta! Foi quando percebi que esse disco não podia terminar olhando só pra dor. Cansa quem canta e quem ouve. Em algum momento, precisava existir uma celebração do alívio que vem quando a gente entende que nem tudo aquilo que colocaram sobre nós nos pertence. Igreja, infância, família, escola… passei os anos mais definidores da vida de qualquer pessoa me alimentando de ódios e distanciamentos que não eram meus”, diz Rodrigo.
“Agora, me sinto à vontade pra gritar em coro esse refrão em plenos pulmões pra devolver o constrangimento: mesmo que não o aceitem, mesmo que repitam os mesmos erros, o peso e a culpa já não são mais meus. Esse é meu manifesto de alívio e me sinto muito feliz de celebrar à altura o momento que pára de doer também”, completa. “Mas minha hora é sagrada / Você vai ter o que falta em você”, cantam os dois no refrão, devolvendo a culpa para quem sempre fez questão de distribuí-la.
A participação de JoJo amplia essa ideia. Além da carreira solo, ela integra o coletivo BAITA!, criado por Saminêz em 2025 para tentar resolver um problema bem conhecido da música independente: a expectativa de que um único artista faça absolutamente tudo, do conceito ao post de divulgação.
E essa faixa fecha o ciclo de singles que apresentou o universo do primeiro álbum d’O Cientista Perdido, previsto para agosto. O disco parte de experiências queer ligadas a desejo, religião, família, infância, pertencimento e memória. Depois de passar duas músicas encarando fantasmas, O Cientista Perdido parece ter tomado uma decisão simples: eles não merecem mais convite para continuar morando ali.
Foto: Nana Fogaggio (@nanafogag) / Divulgação
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Banda veterana do shoegaze, The Veldt homenageia designer do selo 4AD em novo single

Banda de shoegaze formada na Carolina do Norte nos anos 1980 – hoje vivendo em Nova York – The Veldt volta com novidades. O grupo criado pelos irmãos gêmeos Daniel Chavis (vocal, guitarra) e Danny Chavis (guitarra), e completado pelo baixista e programador Hayato Nakao, já havia lançado em abril o fantasmagórico single Black girl, uma mescla de shoegaze e soul – afinal, é uma regravação, no estilo da banda, do tema do filme Black girl, de 1972, dirigido por Ossie Davis.
Para o single, o grupo já havia adotado um formato diferente, de clipe lançado no Bandcamp, com direção de Rob Weiss e James Eakins. O novo single, Morning, june and yesterday, ganhou também um visualizer no site – e o vídeo é uma homenagem a Vaughan Oliver, o lendário designer gráfico cujo estilo visual definiu a estética da gravadora 4AD. O som une clima de sonho e guitarras ruidosas em formato de nuvem, com a novidade de trazer vibes próximas do gospel. Já a letra acompanha o ouvinte numa viagem bem além da linha do horizonte, com versos como “mas o fluxo e refluxo da vida não está distante, mas bem aqui, no fundo da sua alma”.
“Essa musica”, diz Danny. “dita a arte do drone e sua busca incessante pela repetição artística de paisagens sonoras em texturas e padrões visuais sonoros e formas, dissonância cognitiva do som”. Morning, june and yesterday, aliás, é uma gravação antiga do grupo: foi feita em 2007 e estava guardada até hoje. Geralmente ligado a grupos como AR Kane, Massive Attack, Cocteau Twins e Jesus & Mary Chain, o The Veldt inclui também referências como Sun Ra, Prince e Pink Floyd em sua lista.
As duas músicas estão no EP Spanikopita, que sai pelos selos Little Cloud Records / 5BC Records e está à venda apenas nos shows do grupo. The Veldt acabu de concuir uma turnê pelos EUA e Canadá ao lado de outra banda veterana, The Chameleons. Com participações de amigos como Carlos Bess, técnico de som que trabalha com o Wu-Tang Clan, o novo EP derruba fronteiras – a ideia é unir pós-punk, shoegaze e cultura do DJ. E vem por aí um novo capítulo da banda.
Foto: James Neumann / Divulgação
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Teenage Fanclub anuncia novo álbum e revela a ensolarada “Day in the sun”

Tem disco novo do Teenage Fanclub vindo aí. A veterana banda escocesa anunciou Do not dare to dream, seu 13º álbum de estúdio, sucessor de Nothing lasts forever (2023, resenhado pela gente aqui), mantendo a fase independente que já dura mais de duas décadas e rendeu uma sequência consistente de lançamentos pela Merge Records.
Nesse intervalo, os integrantes se espalharam por diferentes projetos, colaborando com nomes como Kim Deal, Hurry e Joe Pernice. Agora, o grupo volta a se reunir para um álbum gravado em Great Bernera, pequena ilha no litoral da Escócia, onde aproveitou até o órgão da igreja local durante as sessões.
A primeira amostra é Day in the sun, faixa que resume bem o que o Teenage Fanclub faz de melhor: melodias luminosas, harmonias vocais impecáveis e um jeito de transformar canções simples em clássicos instantâneos. Tudo soa calmo, elegante e quase como uma canção que sempre existiu – aliás, há lembranças ali de Byrds, de Monkees, das mais calminhas dos Kinks e até de Ramones cantando o hit sessentista Needles and pins.
O clipe, dirigido por Donald Milne, você vê abaixo. A capa e o repertório de Do no dare to dream, que sai pela Merge no dia 9 de outubro, seguem logo depois.
Foto: Donald Milne / Divulgação

LISTA DE FAIXAS
01. There was you
02. Tomorrow people
03. Over and over
04. Be with you tonight
05. The same air
06. I do not dare to dream
07. Take time
08. Day in the sun
09. Somewhere to land
10. Young and wise








































