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O sucesso do Geese é fabricado? Reportagem da “Wired” diz que tudo não passou de uma campanha

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Foto (Geese): Mark Sommerfield/Divulgação

Tem uma história curiosa acontecendo em torno do Geese – e ela diz bastante sobre como música circula hoje. No fim de 2025, a banda saiu de um circuito relativamente nichado para um lugar de visibilidade quase total dentro do rock alternativo. O disco novo virou presença constante em listas de melhores do ano, a turnê lotou, vieram convites para televisão e festivais grandes. Aquela narrativa clássica de “banda que explodiu” parecia pronta, com direito ao jornal The Guardian chamando o grupo de “os novos salvadores do rock’n roll”.

Só que, junto com o hype, veio a desconfiança. Não exatamente sobre o som (defendido por vários críticos e até pelo Pop Fantasma), mas sobre a velocidade com que tudo aconteceu. Quando uma banda dá um salto tão grande em tão pouco tempo, o público começa a procurar explicações além do talento ou do acaso.

A resposta apareceu meio sem querer, num episódio do podcast On the record, da Billboard – e ressurgiu há poucos dias numa reportagem da revista Wired. Do tal episódio, gravado ao vivo no SXSW, participaram Andrew Spelman e Jesse Coren, da Chaotic Good Projects – uma empresa que, segundo seu instagram, oferece “experimentos digitais e caos musical”. No bate-papo, os dois explicaram como a firma usa métodos de marketing viral.

A lógica é simples (e acontece a três por dois, até mesmo no Brasil): criar redes de perfis em plataformas como TikTok, espalhar vídeos, inserir músicas como trilha, estimular comentários e fazer parecer que existe um burburinho orgânico. Não necessariamente com robôs inflando números, mas com pessoas operando várias contas, simulando conversas, criando a sensação de que “todo mundo está falando disso”.

“Neste momento, conseguimos gerar impressões sobre qualquer coisa”, disse Spelman à Billboard. “Sabemos como viralizar. Temos milhares de páginas”. Spelman apelidou o tal processo de “simulação de tendências”. E as próprias campanhas são chamadas pela Chaotic Good de campanhas “narrativas” ou UGC (o famigerado “conteúdo gerado pelo usuário” que movimenta várias empresas em torno de influencers e criadores de conteúdo).

Essa engrenagem não foi inventada agora, mas ficou mais explícita. E, no caso do Geese, Adam Tarsia, cofundador da Chaotic Good, confirmou à Wired que sua empresa criou campanhas para Geese e para a carreira solo do cantor Cameron Winter. Nada que, por si só, seja ilegal ou exatamente raro – só que o modo como isso é feito hoje beira uma espécie de encenação coletiva. A tendência não nasce sozinha: ela é montada.

“Ajudamos a distribuir vídeos deles se apresentando e dando algumas entrevistas no TikTok”, disse Tarsia à Wired por e-mail, falando em nome da Chaotic Good. “Entendo que a discussão sobre ‘artistas fabricados pela indústria’ seja inevitável, mas temos o prazer de ser fãs do Geese desde o projeto deles de 2021, Projector” (lançado quatro anos antes da fundação da Chaotic Good, conforme Adam até citou no papo com a revista).

Esse papo começou a rolar mais seriamente no dia 1º de abril (e veja lá que dia!), quando a cantora Eliza McLamb publicou em sua newsletter um texto chamado Fãs falsos, traçando a conexão entre Geese e a Chaotic Good, e discutindo sobre a ética duvidosa desse tipo de marketing.

“Se 100 pessoas acham sua música ruim, a Chaotic Good vai criar 200 pessoas que acharão sua música incrível”, contou ela, que chegou a temer por ameaças do fandom da banda, quando o texto começou a circular. Na real, a primeira reação da Chaotic Good foi fazer mudanças em seu site: removeram menções a artistas específicos (Geese e Cameron Winter entre eles) e as referências a “campanhas narrativas”.

“Foi para que nossos artistas parceiros não se envolvam em falsas acusações ou concepções errôneas sobre como suas músicas foram descobertas”, disse Adam Tarsia a Wired. “Grande parte do discurso online sobre ‘campanhas narrativas’ não correspondia à realidade. Na prática, as campanhas narrativas consistem principalmente em consultoria de estratégia de relações públicas digitais”. Ele também diz que as campanhas da firma “nunca usam estratégias que envolvam a inflação artificial de números de streaming ou de mídias sociais”.

Quando essa informação começou a circular, a reação foi previsível. Parte do público se sentiu enganada. Outra parte tratou como algo inevitável. E talvez seja esse o ponto mais incômodo: não é um escândalo isolado, é um método. A Wired até enfatiza que “é um segredo aberto na indústria da música que todos os números – reproduções, seguidores, estatísticas – são falsos ou, pelo menos, distorcidos”.

A publicação também diz que situações como essas colocam artistas independentes em um lugar meio ingrato. Afinal, quando um artista pop é vendido a custo de jabá, ninguém nem fala mais nada – já com bandas indie, de quem geralmente se espera “atitude”, “dignidade” e trabalho de formiguinha, o lance é bem outro (como se fosse possível crescer sem estratégia, vá lá).

Por acaso, o portal G1 deu uma reportagem de Guilherme Lucio da Rocha falando sobre um outro tipo de estratégia que está sendo usada largamente por artistas brasileiros: dar poucas entrevistas (ou nenhuma) e evitar a imprensa como mediadora entre o artista e seu público.

Muitas vezes os discos são apresentados em eventos só para fãs, e depois para jornalistas – e os bate-papos normalmente rolam em coletivas, quase nunca individualmente. Uma estratégia de blindagem que é uma espécie de “prima de humanas” do falseamento de dados.

Afinal, fica pro fã (que é fã) a função de cobrir o artista de elogios. E na real, até pelo cronograma apresentado pela reportagem do G1, o jornalista só iria ter acesso ao álbum quando o artista já estivesse convencido de que seu disco é o novo Pet sounds (e o fandom já tivesse coberto a web de adulações).

Enfim, mercado fonográfico é sempre um “eita” atrás do outro. Até o momento o Geese não falou do assunto – já a Chaotic Good é tão discreta nas redes que seu instagram tem apenas uma foto.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Geese): Mark Sommerfield / Divulgação

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Samba-canção, política, feminismo e rock: Nora Ney ganha livro e debate

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Nora Ney (Foto: Divulgação)

Sabe quem inaugurou o rock no Brasil? Roberto Carlos? Rita Lee? Celly Campello? Errado: foi uma cantora chamada Iracema de Sousa Ferreira, que usava o codinome Nora Ney – em 1955, ela gravou Ronda das horas, uma versão de Rock around the clock, a música inaugural do estilo, imortalizada por Bill Haley. E que está sendo homenageada por Raphael Fernandes Lopes Farias com o livro Dossiê Nora Ney: Uma voz poética e política, 100 Anos (224 págs, R$ 65), que chega às livrarias pela editora Garota FM Books.

Organizado por Raphael, e contando com textos assinados por André Domingues dos Santos, Chris Fuscaldo, Daniel Saraiva, Kamille Viola, Márcia Carvalho, Rita Gottardi van Opstal, Rodrigo Vicente Rodrigues e Yuri Behr, além do próprio organizador, o livro já teve sessão de autógrafos em São Paulo e em Santos (SP, cidade natal de Raphael) , e chega agora à Livraria da Travessa Ipanema, no Rio. Lá, na segunda (8), Raphael participa de um bate-papo com duas das autoras, as jornalistas Chris Fuscaldo e Kamille Viola, a partir das 19h.

A ideia de Dossiê Nora Ney é ir bem além da música. Pioneira no rock, Nora era uma cantora de samba-canção, que interpretava músicas como Ninguém me ama, de Antônio Maria e Fernando Lobo. Mas a vida pessoal dela é que era cheia de aventuras: ela se desquitou após escapar de uma tentativa de feminicídio, e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro numa época em que isso era bastante ameaçador. Nora viajou para países como Europa Oriental, União Soviética, China, entre outros destinos pouco ortodoxos. Em 1964, ano do golpe cívico-militar, ela e seu companheiro, Jorge Goulart, foram praticamente ejetados da vida artística brasileira.

“Dentre tantos pioneirismos, a politização é o que mais diferencia a trajetória de Nora Ney de suas contemporâneas, daí o título do livro”, destaca Raphael. “Ela não teve medo de usar sua atividade profissional como luta concreta por democracia e pela mundialização da cultura brasileira em um tempo em que as mulheres sequer tinham direito a gerir suas próprias vidas”.

“E tudo isso é bastante atual, temos uma forte polarização política em nível mundial, com praticamente os mesmos atores envolvidos. E Nora já estava lá, 70 anos atrás, enxergando a importância do diálogo com a Rússia e com a China através da música”, continua o organizador do livro, que é professor, músico e pesquisador, e trabalha com educação musical.

SERVIÇO:
Lançamento do livro Dossiê Nora Ney: Uma Voz Poética e Política, 100 Anos com bate-papo de Raphael Fernandes Lopes Farias, Chris Fuscaldo e Kamille Viola
Data: 08/06/2026 (segunda-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria da Travessa Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema, Rio)
Entrada gratuita

Foto: Divulgação

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Madonna estreia “Love sensation” e resgata raridades do “Confessions” em megashow

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Madonna (Foto: Alex Antonioni / Divulgação)

Madonna resolveu tratar a volta do universo de Confessions como um acontecimento pop em escalas astronômicas. Enquanto prepara o lançamento de Confessions II, sequência direta de Confessions on a dance floor (2005), que sai dia 3 de julho, a cantora vem ocupando qualquer espaço ou megaespaço possível: já apareceu em clubes, passou pelo Coachella ao lado de Sabrina Carpenter e agora fez um megashow gratuito na Times Square para algo em torno de 50 mil pessoas.

O evento aconteceu na noite de quinta (4) como parte das celebrações do Mês do Orgulho LGBTQIA+ e teve transmissão ao vivo pelo aplicativo de encontros Grindr. No repertório, Madonna apresentou os singles recentes I feel so free e Bring your love, parceria com Sabrina já mostrada ao vivo no Coachella. Mas a principal novidade foi Love sensation, faixa lançada horas antes do show. Um som pensado pra balada, com uma onda bem anos 2000, mas sem nada de exageradamente nostálgico.

Depois da parte “nova era”, Madonna puxou o público direto para 2005. Hung up apareceu logo em seguida, mas o set ficou mais interessante quando ela recuperou Get together e I love New York, duas faixas do Confessions que estavam fora dos shows desde 2006. Num show desses, talvez ninguém imaginasse ver Madonna revisitando lados menos óbvios do catálogo, em vez de seguir apenas no modo greatest hits.

Abaixo você confere o clipe de Love sensation, além de alguns momentos do megashow.

Foto: Alex Antonioni / Divulgação

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Weezer volta às cores e promete seu disco “mais agressivo” até hoje

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Tem um disco novo do Weezer vindo aí – o vigésimo da banda, que vai seguir o modelo dos álbuns autointitulados e e identificados por cores, já lançados pelo grupo (“blue”, “green”, “red”, “white”, “teal”, “black”).

No caso, o novo Weezer sai dia 21 de agosto pela Reprise Records, e já está sendo apelidado pelos fãs de Gold album, por causa da capa dourada, na qual surgem quatro símbolos que “representam os criadores do álbum”, segundo a banda (enfim, baixou o Led Zeppelin IV no Weezer).

 

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Junto com o anúncio do álbum, saíram o single e o clipe de We might as well be strangers, faixa do Gold album que tem participação de Karly Hartzman, vocalista da banda Wednesday. Na letra da música, uma história de desilusão amorosa, com o cantor e guitarrsta Rivers Cuomo e Karly dialogando como dois amantes que viram o relacionamento esfriar. O vídeo foi dirigido por Jasper Graham e produzido por Alyssa Ulrich.

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Weezer, o disco, teve dois produtores: Klas Åhlund, conhecido por seus trabalhos com Robyn, e Kenneth Blume, ligado aos recentes lançamentos da banda Geese. Ao que consta (e conforme demonstrado pelo single) vem aí um disco bem cru, mais ao ponto dos primeiros álbuns do grupo. Kenneth Blume teria definido o objetivo como criar “o álbum mais agressivo da história do Weezer”, abrindo mão de recursos como correção de afinação e trilhas de clique para manter o som mais cru e espontâneo.

Mas não para por aí: Cuomo e o baterista Pat Wilson voltaram a escrever músicas juntos pela primeira vez desde o álbum de estreia da banda. O disco chega depois dos quatro EPs da série SZNZ, lançados em 2022, e será acompanhado por uma nova turnê norte-americana a partir de setembro.

E olha aí os nomes das faixas de Gold album, além do clipe de We might as well be strangers:

01. Say yes
02. Shine again
03. Don’t make it weird
04. We might as well be strangers (feat. Karly Hartzman, da banda Wednesday)
05. C.E.O.
06. Hoops
07. Nowhere
08. The show must go on
09. Up in the clouds
10. The LA sound

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