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Sucesso fabricado no mundo indie: assunto (que envolve o Geese) rende…

Lembra do tal caso do jabá virtual no qual o nome do Geese acabou envolvido, do qual falamos aqui? Bom, a história acabou crescendo a ponto de interessar ao jornal britânico The Guardian, que pautou o assunto, e acabou envolvendo os nomes de mais artistas na história.
A reportagem assinada por Shaad D’Souza diz que uma renca de bandas e popstars (Fatboy Slim, Charli XCX, Chappell Roan e Doechii entre eles) utilizaram os serviços de uma empresa chamada Your Culture, que esteve por trás de eventos bem virais do mercado de shows no ano passado. Entre eles, o lançamento do segundo disco do The Last Dinner Party, o show surpresa de Calum Scott na estação St. Pancras International e o show de Chappell Roan como headliner do festival de Reading.
E que é a tal da Your Culture? Bom, ela é uma agência boutique da Inglaterra, que já afirmou no Instagram ter trabalhado “com 55% dos indicados” ao Brit Awards mais recente. O negócio, diz o The Guardian, é basicamente enviar influenciadores e criadores de conteúdo para assistir a shows e publicar vídeos com “aparência natural” nas redes sociais (se você alguma vez se perguntou porque é que tanta gente anda dizendo que os novos tempos são de despojamento nas redes sociais, é uma consequência desse “naturalismo” dos vídeos de shows dos famosos).
Apesar do clima de “oh, meu deus, que horror!” que a reportagem tenta passar, vamos combinar que isso nem é novidade, ainda mais no Brasil, onde influencers brotam em vários shows e cobram pela presença. Dependendo do status, os influencers são convidados para ações em que devem ir a um show ou evento, postar uma foto e dois stories, e tá tudo bem, sem envolver pagamento.
Mas a matéria vai andando até chegar na Chaotic Good, a tal empresa que cuidava dos interesses do Geese, e que falou sobre seus serviços de maneira bem pouco discreta num podcast da Billboard – e depois virou matéria da Wired. Shaad enfatiza que se trata de uma empresa de marketing especializada em divulgar música no TikTok, e que além do Geese e de seu cantor Cameron Winter, tem também no catálogo nomes como Sombr, Warren, Oklou, Zara Larsson, Mk.gee e Dijon – uma turma indie, ou indie pop.
O trabalho da Chaotic Good seria bem mais, digamos, nebuloso que apenas provocar FOMO (fear of missing out, “medo de ficar de fora”) em quem não foi a festivais – que é o que a tal da Your Culture faz. Entre as ações, há campanhas para empurrar uma certa história sobre o artista, com microinfluenciadores e páginas musicais pagas para postar sobre ele do jeito combinado. Também rolam ações de conteúdo “orgânico”, em que a turma ligada à Chaotic Good espalha vídeos e posts usando músicas específicas do artista de fundo.
E existe ainda o esquema das páginas de fã fake: a empresa cria e toca perfis falsos nas redes, que vivem postando trechos de clipes, vídeos de show, cartazes de turnê e qualquer coisa que ajude a aumentar o hype. Para isso, a empresa cria legendas vendendo o artista como o último biscoito do pacote, que você não poder perder, ou vai ficar de fora (opa, olha o FOMO aí de novo).
O Guardian chama atenção pra um detalhe básico: na política, rola tanta sacanagem na hora de divulgar candidatos, que as pessoas já se acostumaram. Talvez na música mainstream aconteça o mesmo. Mas no universo da música indie, ainda há uma expectativa de sucesso “orgânico” (ou próximo disso) e digno. Tanto que muitos fãs chegaram a questionar se o sucesso do Geese é ou não é “legítimo”.
Fontes ouvidas pela matéria afirmam que esses métodos são mais velhos que andar pra frente – e que não é de hoje que selos indies criam páginas fake para divulgar artistas. Jack, um empresário ouvido pelo jornal (não deu sobrenome) contratou a Chaotic Good após perceber que pagar impulsionamento em redes sociais não adiantaria de nada, já que essas empresas têm milhões de contas fake trabalhando pra elas.
É meio como aquela história contada por não lembro quem, aqui no Brasil: você paga jabá para uma rádio, aí vêm os sertanejos, que têm grana a rodo, e compram a rádio. Jack, aliás, contratou a Chaotic Good para iniciar “conversas” nas redes com contas fake – e depois que a empresa explanou tudo, ele próprio achou que aquilo podia dar merda (talvez possa dar merda de verdade: nos EUA, esse tipo de marketing é considerado ilegal; na Inglaterra, discute-se a respeito).
A matéria do The Guardian tá aqui e rende discussões para mais de um ano. O curioso é que executivos de gravadoras indies já andam achando que esse tipo de divulgação serve mais para arrancar dinheiro de bandas e cumprir tabela. Uma executiva chamada Anna (não deu sobrenome) diz que contratou a Chaotic Good quando percebeu um crescimento de uma artista sua no TikTok – mas ela logo viu que só vale a pena usar esse tipo de serviço quando a música já tinha um crescimento orgânico. No caso do Geese, por exemplo, a banda já tinha fãs e era endossada por criticos há tempos.
O contraditório – e isso também é apontado por alguns entrevistados – é que os números do Geese, mesmo com todo o investimento, são grandes mas não exorbitantes. Vá no Spotify e compare a banda com Chappell Roan, Beyoncé ou Anitta para você ver o que é popularidade de verdade – o que já bate de frente com todo o burburinho sobre o Geese. Anna diz que essas campanhas só funcionam se os fãs já gostarem do artista de alguma forma, e que não dá pra simplesmente parir um sucesso do nada. Jack é mais radical e afirma: “Eu também penso: ‘grande parte da internet é uma farsa’. Talvez as pessoas precisassem acordar”, enfatiza.
Teve uma figura do mercado musical que falou ao The Guardian sem rodeios e ainda deu nome. É Anton Teichmann, empresário e fundador da gravadora independente berlinense Mansions and Millions, que esfrega na cara do leitor / da leitora uma verdade dura de engolir: sem grana, as portas da indústria musical estão fechadas, mesmo que você seja um pobre artista indie. E o modelo de negócios das plataformas e redes sociais esta mais do que ligado a isso. “As mesmas poucas plataformas agora controlam o acesso ao público e, é claro, querem cobrar de qualquer um que tente romper essa barreira”, escreveu ele no Instagram.
Enfim… Que merda.
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Julia Benford vira “fera perigosa” para liberar a raiva ao som de glam rock

RESUMO: Em Fera perigosa, Julia Benford transforma raiva, angústia e autoconfiança feminina em glam rock, criando um alter ego que responde ao silêncio com ainda mais exagero.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Jorge Augusto / Divulgação
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Depois de se recriar como os dois lados do amor no clipe e no single de Imã, Julia Benford volta transformando algumas das experiências acumuladas como mulher no rock em uma nova e radical personagem. Fera perigosa, segundo single de seu primeiro álbum solo, Retalho carrossel (em breve nas plataformas), usa humor e referências ao glam rock para falar de raiva, angústia, autoconfiança e daquele tipo de incômodo que costuma ser tratado como exagero quando vem de uma mulher.
“A música dá liberdade a sentimentos como a raiva, a angústia e a autoconfiança que, muitas vezes, carregam pudor quando cantados por vozes femininas”, diz Julia. A ideia está no próprio título: a “fera” é uma espécie de alter ego que resolve deixar de engolir o que pensa.
Musicalmente, a faixa olha para o glam rock dos anos 1970, passando pela fase Tutti Frutti de Rita Lee e por referências como Elton John, T. Rex, David Bowie e Secos e Molhados. A gravação mistura guitarras, teclados e um trio de metais formado por integrantes do Black Mantra. Leo Mayer, que produziu o álbum, também toca guitarra e assina os arranjos, a mixagem e a masterização. Gabriel Costi participa nas guitarras e arranjos, enquanto Jimmy Pappon toca teclados e piano. Dennis Guedes fez a orquestração dos metais e a coprodução.
O videoclipe segue a mesma lógica de exagero deliberado, com uma estética surrealista e colorida que passa por referências como Coraline, Os fantasmas se divertem, The Rocky Horror picture show e Castelo Rá-Tim-Bum. A direção artística é da própria Julia, com fotografia de Rafaela Lima e desenho de luz de Patrícia Soransso.
“A ideia é representar as ideias e sentimentos reprimidos, esses que vivem no fundo da nossa cabeça, e que evitamos falar sobre. Nesse clipe, a mensagem é a voz, que não pede licença para reverberar”, explica a cantora. A personagem de Fera perigosa aparece justamente quando esse silêncio deixa de funcionar – e a resposta para o inevitável “quanto exagero!” é, aparentemente, exagerar um pouco mais.
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Glue Trip mergulha na amizade lisérgica em “Psychedelic friend”

RESUMO: A Glue Trip abre a fase do álbum Anemoia com Psychedelic friend, single que recupera fuzz, órgão farfisa e psicodelia sessentista para falar de amizade e nostalgia por um tempo não vivido.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Samuel Esteves / Divulgação
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A Glue Trip foi buscar nos anos 1960 parte do som de Psychedleic friend, single que já está nas plataformas e abre os trabalhos de Anemoia, quarto álbum da banda paraibana. Guitarras com fuzz, órgão farfisa e voz carregada de tremolo dão à faixa um clima de psicodelia antiga, em diálogo com nomes como 13th Floor Elevators, Soft Machine e Os Mutantes.
A música surgiu durante uma viagem de Lucas Moura, fundador, vocalista e guitarrista do grupo, e fala sobre a visita de um amigo capaz de transformar encontros comuns em experiências quase transcendentais. A história acabou combinando com o conceito escolhido para o próximo disco.
Anemoia é uma palavra usada para definir a nostalgia por uma época que alguém não chegou a viver. No caso da Glue Trip, a ideia aparece justamente nessa aproximação com referências musicais de outras décadas — não apenas como reprodução de uma estética antiga, mas como matéria-prima para o som atual da banda.
Psychedelic friend foi produzida e mixada por Lalo Brusco, no Estúdio Buena Família, em São Paulo, com gravações adicionais feitas no Tropikaoss, na Paraíba. A masterização ficou por conta de Philip Shaw Bova, e a capa é trabalho da artista visual Giovanna Cianelli.
O single saiu em 16 de setembro, justamente quando a Glue Trip iniciou sua quarta turnê pela Europa. A Anemoia Tour – Euro 2026 já está em andamento e leva ao público europeu parte do repertório que estará no novo álbum. A banda já passou anteriormente por cidades como Londres e Paris.
Fundada em João Pessoa (PB), a Glue Trip atualmente reúne Lucas Moura (guitarra e voz), Pedro Lacerda (bateria), João Boaventura (teclas) e Thiago Leal (baixo). Embora seus integrantes estejam hoje baseados no Sudeste, o grupo mantém a ligação com a cena paraibana que deu origem ao projeto.
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Madonna e Charli XCX encerram de vez provocação sobre pista de dança com “Danceteria afterhours”

RESUMO: Depois de uma possível troca de provocações, Madonna e Charli XCX se encontram em Danceteria afterhours, nova versão da faixa de Confessions II.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Ricardo Gomes / Divulgação
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Pista de dança morta? Que nada. Madonna e Charli XCX passaram alguns meses deixando no ar que alguma coisa poderia acontecer entre elas — com direito até a uma possível alfinetada — e agora resolveram a questão do jeito mais simples: lançando uma música juntas. Danceteria afterhours é a primeira parceria oficial das duas e uma nova versão de Danceteria, faixa de Confessions II, disco lançado por Madonna em julho (e resenhado pela gente aqui).
A historinha começou a ficar mais divertida em maio. Madonna escreveu nas redes sociais: “Se a sua pista de dança parece morta, talvez você esteja tocando a música errada”. Parecia resposta para Charli, que canta “acho que a pista de dança está morta / então agora estamos fazendo rock” em Rock music, single do disco Music, fashion, film (opa, também resenhamos este).
Vai saber se Madonna estava mesmo mandando recado. O fato é que, depois disso, vieram encontros, aparições nas redes e especulações sobre uma possível parceria. Até que as duas surgiram juntas em estúdio numa prévia de Danceteria afterhours e acabaram com o mistério.
A faixa original de Danceteria foi produzida por Stuart Price. A versão com Charli traz ainda Andrew Watt e Cirkut na produção, além da própria Madonna, e mexe justamente com um território bastante familiar às duas: pop eletrônico, cultura clubber e música feita para a pista.
Também não é a primeira vez que Madonna resolve reabrir Confessions II para receber companhia. Em agosto, Kylie Minogue apareceu em Love sensation (Afterhours mix). Agora chegou a vez de Charli.
E Madonna escolheu uma semana movimentada para lançar a parceria. Neste domingo (27), ela volta ao MTV Video Music Awards para abrir a premiação – algo que não fazia havia 23 anos.
Danceteria afterhours ganhou ainda edição limitada em CD, com a parceria com Charli, um remix de Harry Romero e a versão original de Danceteria.
Pista ressuscitada, portanto.
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