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Festival AFROPUNK Brasil anuncia jornada por três capitais e primeiros nomes do line-up

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Gilberto Gil vai estar no AFROPUNK 2026 (Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação)

O festival AFROPUNK Brasil já deixou de ser só um festival para virar um circuito – e a edição 2026, que revela seus primeiros nomes agora, confirma não só isso, como também a visão da música negra como ponto de encontro entre cenas, gerações e lugares.

O festival vai passar por três capitais: a agenda começa pelo Rio de Janeiro, no Terreirão do Samba, dia 27 de junho, com o formato “Experience”, que vai rolar também no Recife,  no dia 12 de setembro, na UFPE. São duas passagens de aquecimento para a edição principal, que rola em Salvador, nos dias 7 e 8 de novembro, no Parque de Exposições. A ideia é conectar cenas, e equilibrar expansão e identidade.

No line-up, Jorja Smith surge como principal atração internacional, num momento em que seu som já está mais sólido. Do lado brasileiro, Gilberto Gil aparece como símbolo de continuidade, vindo de uma turnê que celebrou décadas de carreira, enquanto Emicida segue reafirmando seu papel como articulador de ideias dentro do rap.

Ainda entre os nomes brasileiros, Gaby Amarantos leva seu tecnobrega turbinado de estética pop, enquanto Lazzo Matumbi entra como figura central de uma linhagem mais profunda da música baiana, ligada à construção do samba-reggae e de uma identidade negra afirmativa no Brasil. E NandaTsunami virá como um dos nomes novos, misturando rap, funk e vibe fashion, e mostrando o repertório do debute É disso que eu me alimento, lançado no ano passado.

“Expandir o AFROPUNK Brasil para novas cidades é também ampliar as conexões entre culturas, territórios e pessoas. Ao mesmo tempo, Salvador segue como o centro dessa história – é onde o festival se consolidou e onde mantemos nossa base. Encerrar essa jornada com dois dias na cidade é reafirmar essa relação enquanto o projeto cresce. O AFROPUNK nasce desse encontro e se fortalece ao dialogar com diferentes realidades sem perder sua essência”, afirma Ana Amélia Nunes, sócia e diretora de conteúdo da IDW Entretenimento, realizadora do festival.

Texto: Ricardo Schott – Foto (Gilberto Gil): Ricardo Stuckert / Divulgação

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Sand Jar: folk, dream pop e shoegaze em música sobre saudade

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Sand Jar: folk, dream pop e shoegaze em música sobre saudade

RESUMO: Em Still so far, Sand Jar estreia ao lado da cantora indiana yashwi, misturando indie folk, dream pop e shoegaze. Uma canção sobre saudade e términos, com ecos de Big Thief, Beach House e Slowdive.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Fim de relacionamento, saudade e aquela dificuldade de tirar alguém da cabeça. É disso que fala Still so far, single de estreia de Sand Jar, artista que mistura indie folk, dream pop e shoegaze numa música que começa intimista e vai ganhando peso até chegar a um crescendo de guitarras.

A faixa tem duas vozes, e a outra é a da cantora e compositora yashwi, de Mumbai, na Índia. As duas se alternam sobre guitarras com slide e camadas de efeitos, numa sonoridade que lembra tanto o lado mais delicado de Big Thief e Alex G quanto as atmosferas de Beach House e Slowdive.

“Você está nos cantos da minha mente, onde guardei um lugar para você / seus olhos atravessam a decadência, mas você está tão longe”, diz um trecho da letra, que acompanha as lembranças de uma relação encerrada. A música vai ficando mais intensa, com as vozes ganhando força em meio aos instrumentos, até terminar num clima de alívio.

Sand Jar compõe, canta, toca guitarra e produz suas próprias músicas. Entre suas referências estão Bon Iver, pelo lado folk, e Black Country, New Road, especialmente o álbum Ants from up there (2022). O interesse pelo shoegaze aparece no uso de guitarras cheias de efeitos e na construção de ambientes sonoros que vão mudando ao longo da faixa.

Já yashwi trabalha com referências de R&B, pop e jazz pop, influenciada por artistas como Laufey, Raye e Naïka. A cantora também atua como diretora de arte e escreve músicas em inglês e hindi.

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Blondie volta com “Spectral eyes” e anuncia primeiro disco em dez anos

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Blondie (Foto: Maddy Rotman / Divulgação)

RESUMO: O Blondie anuncia High noon, primeiro álbum de inéditas em dez anos, e lança Spectral eyes, com Johnny Marr. O disco resgata o pop dos anos 1970 e traz as últimas gravações do baterista Clem Burke.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Maddy Rotman / Divulgação

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O Blondie já estava lá quando o punk ainda engatinhava no CBGB, em Nova York, lá pela metade dos anos 1970. Cinquenta anos depois, Debbie Harry e companhia continuam lançando música nova — e sem muita preocupação em parecer uma banda de museu. O grupo anunciou High noon, seu 12º álbum de estúdio, que chega em 26 de fevereiro de 2027 pela BMG. É o primeiro disco de inéditas desde Pollinator (2017), e já tem single novo circulando: Spectral eyes, com participação de Johnny Marr, ex-Smiths.

A música tem aquela onda alegre e ligeiramente despretensiosa do Blondie dos anos 1970, com guitarras próximas do power pop e um refrão que parece feito para grudar na cabeça. A letra, por outro lado, vai por um caminho menos ensolarado: parece falar de alguém que se perdeu entre excessos e fantasias, afastou-se da realidade e virou uma presença quase fantasmagórica para quem tenta se aproximar. Uma música com cara de festa e assunto bem menos divertido, portanto.

“É um clássico disco do Blondie — uma fusão de todas as nossas diferentes influências e épocas em algo novo”, contou o guitarrista e cofundador Chris Stein sobre High noon. “A música parece estar ancorada no presente, moldada por quem somos e como estamos vivendo agora”, acrescentou. E, pelo primeiro single, parece que a banda não está particularmente interessada em esconder suas origens.

O álbum também terá um significado especial: será o último trabalho do Blondie com o baterista Clem Burke, morto em abril de 2025, aos 70 anos, após enfrentar um câncer. Burke entrou no grupo em 1975 e foi peça fundamental naquele som que conseguia juntar punk, pop, disco music e new wave sem precisar escolher um lado. Recentemente, o disco Apples for Isaac, do Echo and The Bunnymen (resenhado aqui) trouxe também baterias de Burke.

Aliás, esse disco está demorando para chegar. Em junho de 2024, Debbie Harry e Stein já falavam à BBC Radio 6 Music sobre um novo álbum previsto para 2025. Em novembro daquele ano, Stein publicou imagens de Debbie no estúdio e anunciou, com um certo humor: “Tanto faz. Álbum do Blondie no ano que vem. A sorte está lançada”. Depois, High noon chegou a ser prometido para 2026, até finalmente ganhar a data de fevereiro de 2027.

O Blondie atual tem Debbie Harry nos vocais, Chris Stein na guitarra, Leigh Foxx no baixo, Matt Katz-Bohen nos teclados e Tommy Kessler na guitarra. Stein continua envolvido com o grupo, embora tenha deixado de acompanhar as turnês em 2019 por causa de seus problemas no coração. Além de Marr, o disco tem participações de Glen Matlock, dos Sex Pistols, e Zach Condon, do Beirut, entre outros convidados.

E é curioso pensar que uma banda surgida no mesmo ambiente que revelou Ramones, Television e Patti Smith ainda esteja por aí, fazendo discos. Mais curioso ainda é ouvir Spectral eyes e perceber que, mesmo depois de meio século, o Blondie continua sabendo fazer uma música pop soar simples, divertida e um pouquinho esquisita. Velhos truques, novas músicas.

E abaixo, você confere Spectral eyes, a capa do disco e os nomes das faixas.

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Capa do disco High Noon, do Blondie

LISTA DE FAIXAS

01. Spectral eyes
02. Heartbreak kid
03. Come back home
04. Tambo tambo
05. Man who had no face
06. The end
07. Little metal drummer
08. Sleepwalking
09. Whistle into the wind
10. Antifreeze
11. East of Eden
12. Bad underwear
13. Ah, sunflower, weary of time

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Inimigos do Rei mostram lado sombrio em “Vício”, com Fausto Fawcett

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Inimigos do Rei mostram lado sombrio em “Vício”, com Fausto Fawcett

RESUMO: Longe do humor de Uma barata chamada Kafka, os Inimigos do Rei exploram compulsões, dependência e busca por prazer imediato em Vício, novo single com Fausto Fawcett. A banda segue em turnê pelo Brasil.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Lembra dos dois discos lançados pelos Inimigos do Rei entre os anos 1980 e 1990? Bom, a banda apanhou bastante da crítica em 1989 por causa de Uma barata chamada Kafka, música bem humorada lançada numa época em que o rock nacional tendia à seriedade. O lance é que se você pegar Inimigos do Rei (1989) e Amantes da rainha (1990), os dois discos, vai descobrir uma banda bem mais maldita e sinistra em vários momentos – em faixas como Crime, São Business, Garotinha do front e várias outras.

De volta, o grupo tem investido nesse lado, em singles novos como Medo e o novo Vício, que tem participação de Fausto Fawcett. Uma música que “fala sobre uma sociedade que estimula desejos e incentiva a busca por conforto e alívio imediatos. Através de comportamentos compulsivos, qualquer opção pode ser tornar uma via sem volta. A dependência da dopamina fácil, o conforto recorrente, a química que gera euforia ou alienação diante da realidade”, diz a banda, que elenca efeitos, falhas, maus hábitos, manias, vícios de linguagem, “em redes sociais, videogames, compras e sexo”.

O grupo tem rodado o país com a turnê Vem Kafka comigo. A formação da volta inclui a turma da banda em 1991: Luiz Guilherme (voz e letrista), Luiz Nicolau (voz), Lourival Franco (teclados), Marcelo Crelier (baixo), Marcelo Marques (bateria) e Marcus Lyrio (guitarra), além do recém chegado Mário Vitor (guitarra).

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