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“Musicistas que querem atuar são cringe”, diz Charli XCX

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Tem mais um lado B de Charli XCX, "Playboy bunny" (Foto: Divulgação)

Lembra quando de uma hora pra outra tudo que era meio ultrapassado ou simplesmente constrangedor passou a ser chamado de cringe aqui no Brasil (uma palavra usada há décadas no idioma inglês, mas que se popularizou por aqui lá por 2021)? Bom, por causa de Charli XCX, pode ser que o termo volte à moda. Durante a coletiva de lançamento de seu novo filme, Erupcja, nesta semana, em Londres, ele se referiu dessa forma à velha história da estrela pop que quer passar a atuar.

“Especialmente na minha posição, sendo uma musicista que quer atuar, isso é inerentemente cringe. É tudo constrangedor, eu tenho plena consciência disso. Além disso, sou muito nova nisso e queria observar e aprender, e só dar sugestões quando me sentisse muito, muito apaixonada pelo assunto, ou quando achasse que elas pudessem agregar valor à conversa de alguma forma”, disse ela, acompanhada no papo pelo diretor Pete Ohs e pelos atores Lena Góra, Will Madden e Jeremy O. Harris.

“Eu não estava exatamente com aquela vontade de provar meu valor ou estar certa. Estava intimidada, mas também muito animada para ver o processo fluir. Se fizéssemos isso de novo, acho que eu seria bem mais participativa, mas espero que não de uma forma irritante”, disse.

Erupcja teve seu roteiro feito por Charli ao lado dos outros atores, e conta a história de duas erupções: a do amor de Bethany (Charli) e Nel (Lena Gora), e a de um vulcão na Polônia, onde o filme é ambientado. E claro que as vidas amorosas das duas vai ficando cada vez mais enlameada conforme Erupcja vai se passando. O processo colaborativo de escrita do roteiro foi descrito por ela como “quase uma peça de teatro, muito espontâneo e muito inspirador”.

“Nos reunirmos, escrevermos todos os dias e, em seguida, filmarmos imediatamente o que tínhamos escrito, foi uma experiência muito imersiva”, disse. “Espero que este filme incentive outras pessoas que já estão produzindo filmes a considerarem trabalhar dessa forma. Pessoas que aspiram a ser cineastas a saírem por aí, pegarem uma câmera e trabalharem com seus amigos dessa maneira”.

Durante a sessão de perguntas e respostas, Harris perguntou à artista britânica se o lado B do single de Rock music, que é I keep on thinking bout you every single day and night, era sobre o amor de Bethany e Nel. Charli negou, mas disse que “é sobre alguém que você conhece”. Para Lena Góra, que fez Nel, ela foi só elogios. “Não nos conhecíamos antes da sessão de fotos, mas conforme fomos passando esses dias juntos, nos aproximamos cada vez mais e nos conhecemos muito bem e rápido. Foi realmente como reencontrar alguém que você não vê há anos e anos e anos”, disse.

Mais cedo no mesmo da coletiva, aliás, Charli anunciou o lançamento de seu próximo álbum completo, Music, fashion, film, para 24 de julho. A cantora tem se envolvido em uma série de lançamentos cinematográficos, seja como produtora, roteirista, atriz ou autora de trilhas. Vêm por aí, aliás, I want your sex, comédia erótica de Gregg Araki (na qual Charli faz a namorada do personagem de Cooper Hoffman) e um filme ainda sem título sobre Kyoto, dirigido por Takashi Miike.

O trailer de Erupjca tá aí embaixo.

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“Cozinho de noite”: Leo Jaime resgata parceria com Arnaldo Baptista

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"Cozinho de noite": Leo Jaime resgata parceria com Arnaldo Baptista (Foto: Marcos Hermes / Divulgação)

RESUMO: Leo Jaime revive música rara feita com Arnaldo Baptista, Cozinho de noite, faixa que integra o projeto Arnaldo Baptista 7.8 – Canções inesquecíveis revisitadas, com 56 releituras por mais de 60 artistas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Marcos Hermes / Divulgação

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Nos anos 1980, ao ser entrevistado pela revista Manchete ao lado de Erasmo Carlos, Leo Jaime disse que, às vezes, achava que tinha nascido atrasado, até porque seu primeiro parceiro tinha sido ninguém menos que Arnaldo Baptista, dos Mutantes – uma informação que acabou se perdendo com o tempo.

Agora, a história volta lá de trás, com o lançamento do projeto Arnaldo Baptista 7.8 – Canções inesquecíveis revisitadas, que chega às plataformas de streaming newsta sexta (4). Reunidas em quatro coletâneas (Cobre, Sunny, Pink e Jeans) e três singles solos, as 56 faixas são assinadas por mais de 60 artistas, que releram clássicos do eterno mutante. Entre nomes como Sandra Sá, Zé Ramalho, Hyldon, Boogarins, Kiko Zambianchi, Helio Flanders, Chinaina, Edgard Scandurra & Ema Stoned, Rod Krieger, Defalla e Zeca Baleiro, surge Leo recordando uma parceria dos dois – nada menos que a safadíssima Cozinho de noite.

Cozinho de noite poderia ter tido outra história. A parceria surgiu quando Leo tinha 18 anos e Arnaldo estava morando temporariamente no Rio – e assim que a faixa ficou pronta, foi oferecida pela nova dupla às Frenéticas, que acharam mais prudente não gravar a música (abaixo, Leo conta a história num vídeo do site Musicalidade). Em 1989, o Cozinho foi gravado por João Penca e Seus Miquinhos Amestrados no disco Sucesso do inconsciente – chegou a tocar no rádio, e a banda executou a música até num especial só deles na Rede Manchete, mas provavelmente ninguém se ligou muito na raridade daquela parceria.

Entre lados A e lados Z, o projeto tem releituras de faixas como Cacilda (Anvil FX), Sunshine (os irmãos Clara Bicho e Gabriel Campos), Imagino (Edgard Scandurra e Ema Stoned), Jesus come back to Earth (Violeta de Outono), Emergindo da ciência (Nicolas Não Tem Banda), Desculpe (Kiko Zambianchi) – algumas músicas ganharam duas ou três versões. E Sandra Sá com certeza vai fazer barulho com sua releitura de Cê tá pensando que eu sou lóki?. Amanhã sai o pacote todo.

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DIIV surge filmado pelos olhos de uma criança no clipe de “Kid”

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DIIV surge filmado pelos olhos de uma criança no clipe de "Kid"

RESUMO: Em Kid, o DIIV revela uma faceta mais sensível, misturando pós-punk e glam enquanto antecipa ZIRP!, álbum produzido por A. G. Cook que promete levar a banda a novos territórios.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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Lá vem o DIIV adiantando mais um som – e mais um clipe – de ZIRP!, o quinto álbum da banda de Nova York, previsto para 30 de outubro. Se The fountain, o single anterior, apontava já uma mudança de direção, Kid é uma das canções mais sensíveis e delicadas da história da banda.

Em Kid, o clima imersivo e misterioso das músicas do DIIV ganha uma cara mais tranquila, enquanto o vocalista Zachary Cole Smith canta coisas como “chega, largue tudo, você não precisa dizer nada / venha deitar no chão / todo mundo é uma criancinha se escondendo dos seus sentimentos / ou de algo que você fez”.

No clipe da faixa, o quarteto surge com visual comportado, tocando entre brinquedos, filmado sempre pelo ponto de vista de uma criança – que faz coisas de criança, como correr entre os músicos, colocar a mão na lente do celular, etc. Os músicos interagem bastante com a câmera. Segundo a ficha técnica, toda a gravação das imagenss foi feta por “Roy & Julian”, sem sobrenomes.

ZIRP! promete mais mudanças no som da banda – A. G. Cook, produtor do disco, é um dos principais nomes ligados ao antigo coletivo PC Music, além de colaborador frequente de Charli XCX. Cook conta que chegou a considerar uma abordagem mais próxima de remixar e reconstruir as demos da banda (“ao estilo do Screamadelica, transformando-as em um produto final”), mas mudou de estratégia depois de assistir ao DIIV ao vivo.

“Fiquei um pouco obcecado com o som ao vivo deles e insisti em gravar a bateria ao vivo antes mesmo da maioria das músicas estarem finalizadas. Passamos muito tempo gravando partes de guitarra complexas com pedais específicos e o mínimo de tempo possível usando o computador, pelo menos para os meus padrões. Depois de algumas rodadas assim, ZIRP! surgiu como um conceito e uma espécie de mantra utópico-distópico. Para mim, tornou-se um veículo para levar a banda a novos territórios”, afirmou o produtor.

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Em “Pira dança”, Seu Calixto mistura rock, baião e maracatu para sair da inércia

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Seu Calixto - Foto: Divulgação

RESUMO: Em Pira dança, a banda baiana Seu Calixto cruza rock, baião, maracatu e groove para falar sobre ansiedade, paralisia e a necessidade de tirar planos do papel.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

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Vinda de Salvador, a banda Seu Calixto prefere nem decidir entre rock e música brasileira. Pira dança, seu novo single, junta guitarras, baião, maracatu e uma seção rítmica que trabalha mais pelo groove do que pela obrigação de simplesmente acompanhar o riff.

A ideia por trás da música é igualmente movimentada. Pira dança fala sobre aquela paralisia produzida pela ansiedade: projetos que ficam para depois, sonhos que nunca saem do lugar e a sensação de estar sempre esperando alguma coisa acontecer. A resposta da banda é bastante simples: levantar e fazer alguma coisa. “Toda ponta solta hoje, se encontrará”, resume bem esse impulso de sair da inércia.

Seu Calixto chama sua mistura de “rock n’ groove”, mas o rótulo dá conta apenas de uma parte da história. David Bernardes, na bateria, e Gabriel Brandão, no baixo, seguram uma base dançante, enquanto Seu Zé acrescenta as guitarras e Pedro Bulcão faz os vocais.

Pira dança foi produzida pela própria Seu Calixto. Antônio Augusto Pereira Junior cuidou da mixagem e da masterização no Universo Verde Digital, estúdio de Salvador que já recebeu, entre outros, o Planet Hemp durante a gravação do álbum Jardineiros (2022).

A música chega depois de singles como Gaivotas, Águas do bem, Deixa estar e Animal on a leash, ampliando uma trajetória iniciada em 2023. No palco, as misturas da banda ficam mais evidentes, já que a banda intercala material autoral com releituras de música brasileira (Maneiras, samba imortalizado por Zeca Pagodinho, por exemplo) e trata o rock menos como uma fronteira do que como ponto de partida.

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