Urgente
Samba-canção, política, feminismo e rock: Nora Ney ganha livro e debate

Sabe quem inaugurou o rock no Brasil? Roberto Carlos? Rita Lee? Celly Campello? Errado: foi uma cantora chamada Iracema de Sousa Ferreira, que usava o codinome Nora Ney – em 1955, ela gravou Ronda das horas, uma versão de Rock around the clock, a música inaugural do estilo, imortalizada por Bill Haley. E que está sendo homenageada por Raphael Fernandes Lopes Farias com o livro Dossiê Nora Ney: Uma voz poética e política, 100 Anos (224 págs, R$ 65), que chega às livrarias pela editora Garota FM Books.
Ver essa foto no Instagram
Organizado por Raphael, e contando com textos assinados por André Domingues dos Santos, Chris Fuscaldo, Daniel Saraiva, Kamille Viola, Márcia Carvalho, Rita Gottardi van Opstal, Rodrigo Vicente Rodrigues e Yuri Behr, além do próprio organizador, o livro já teve sessão de autógrafos em São Paulo e em Santos (SP, cidade natal de Raphael) , e chega agora à Livraria da Travessa Ipanema, no Rio. Lá, na segunda (8), Raphael participa de um bate-papo com duas das autoras, as jornalistas Chris Fuscaldo e Kamille Viola, a partir das 19h.
A ideia de Dossiê Nora Ney é ir bem além da música. Pioneira no rock, Nora era uma cantora de samba-canção, que interpretava músicas como Ninguém me ama, de Antônio Maria e Fernando Lobo. Mas a vida pessoal dela é que era cheia de aventuras: ela se desquitou após escapar de uma tentativa de feminicídio, e filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro numa época em que isso era bastante ameaçador. Nora viajou para países como Europa Oriental, União Soviética, China, entre outros destinos pouco ortodoxos. Em 1964, ano do golpe cívico-militar, ela e seu companheiro, Jorge Goulart, foram praticamente ejetados da vida artística brasileira.
“Dentre tantos pioneirismos, a politização é o que mais diferencia a trajetória de Nora Ney de suas contemporâneas, daí o título do livro”, destaca Raphael. “Ela não teve medo de usar sua atividade profissional como luta concreta por democracia e pela mundialização da cultura brasileira em um tempo em que as mulheres sequer tinham direito a gerir suas próprias vidas”.
“E tudo isso é bastante atual, temos uma forte polarização política em nível mundial, com praticamente os mesmos atores envolvidos. E Nora já estava lá, 70 anos atrás, enxergando a importância do diálogo com a Rússia e com a China através da música”, continua o organizador do livro, que é professor, músico e pesquisador, e trabalha com educação musical.
SERVIÇO:
Lançamento do livro Dossiê Nora Ney: Uma Voz Poética e Política, 100 Anos com bate-papo de Raphael Fernandes Lopes Farias, Chris Fuscaldo e Kamille Viola
Data: 08/06/2026 (segunda-feira)
Horário: 19h
Local: Livraria da Travessa Ipanema (Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema, Rio)
Entrada gratuita
Foto: Divulgação
Urgente
Blondie volta com “Spectral eyes” e anuncia primeiro disco em dez anos

RESUMO: O Blondie anuncia High noon, primeiro álbum de inéditas em dez anos, e lança Spectral eyes, com Johnny Marr. O disco resgata o pop dos anos 1970 e traz as últimas gravações do baterista Clem Burke.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Maddy Rotman / Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
O Blondie já estava lá quando o punk ainda engatinhava no CBGB, em Nova York, lá pela metade dos anos 1970. Cinquenta anos depois, Debbie Harry e companhia continuam lançando música nova — e sem muita preocupação em parecer uma banda de museu. O grupo anunciou High noon, seu 12º álbum de estúdio, que chega em 26 de fevereiro de 2027 pela BMG. É o primeiro disco de inéditas desde Pollinator (2017), e já tem single novo circulando: Spectral eyes, com participação de Johnny Marr, ex-Smiths.
A música tem aquela onda alegre e ligeiramente despretensiosa do Blondie dos anos 1970, com guitarras próximas do power pop e um refrão que parece feito para grudar na cabeça. A letra, por outro lado, vai por um caminho menos ensolarado: parece falar de alguém que se perdeu entre excessos e fantasias, afastou-se da realidade e virou uma presença quase fantasmagórica para quem tenta se aproximar. Uma música com cara de festa e assunto bem menos divertido, portanto.
“É um clássico disco do Blondie — uma fusão de todas as nossas diferentes influências e épocas em algo novo”, contou o guitarrista e cofundador Chris Stein sobre High noon. “A música parece estar ancorada no presente, moldada por quem somos e como estamos vivendo agora”, acrescentou. E, pelo primeiro single, parece que a banda não está particularmente interessada em esconder suas origens.
O álbum também terá um significado especial: será o último trabalho do Blondie com o baterista Clem Burke, morto em abril de 2025, aos 70 anos, após enfrentar um câncer. Burke entrou no grupo em 1975 e foi peça fundamental naquele som que conseguia juntar punk, pop, disco music e new wave sem precisar escolher um lado. Recentemente, o disco Apples for Isaac, do Echo and The Bunnymen (resenhado aqui) trouxe também baterias de Burke.
Aliás, esse disco está demorando para chegar. Em junho de 2024, Debbie Harry e Stein já falavam à BBC Radio 6 Music sobre um novo álbum previsto para 2025. Em novembro daquele ano, Stein publicou imagens de Debbie no estúdio e anunciou, com um certo humor: “Tanto faz. Álbum do Blondie no ano que vem. A sorte está lançada”. Depois, High noon chegou a ser prometido para 2026, até finalmente ganhar a data de fevereiro de 2027.
O Blondie atual tem Debbie Harry nos vocais, Chris Stein na guitarra, Leigh Foxx no baixo, Matt Katz-Bohen nos teclados e Tommy Kessler na guitarra. Stein continua envolvido com o grupo, embora tenha deixado de acompanhar as turnês em 2019 por causa de seus problemas no coração. Além de Marr, o disco tem participações de Glen Matlock, dos Sex Pistols, e Zach Condon, do Beirut, entre outros convidados.
E é curioso pensar que uma banda surgida no mesmo ambiente que revelou Ramones, Television e Patti Smith ainda esteja por aí, fazendo discos. Mais curioso ainda é ouvir Spectral eyes e perceber que, mesmo depois de meio século, o Blondie continua sabendo fazer uma música pop soar simples, divertida e um pouquinho esquisita. Velhos truques, novas músicas.
E abaixo, você confere Spectral eyes, a capa do disco e os nomes das faixas.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

LISTA DE FAIXAS
01. Spectral eyes
02. Heartbreak kid
03. Come back home
04. Tambo tambo
05. Man who had no face
06. The end
07. Little metal drummer
08. Sleepwalking
09. Whistle into the wind
10. Antifreeze
11. East of Eden
12. Bad underwear
13. Ah, sunflower, weary of time
Urgente
Inimigos do Rei mostram lado sombrio em “Vício”, com Fausto Fawcett

RESUMO: Longe do humor de Uma barata chamada Kafka, os Inimigos do Rei exploram compulsões, dependência e busca por prazer imediato em Vício, novo single com Fausto Fawcett. A banda segue em turnê pelo Brasil.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Lembra dos dois discos lançados pelos Inimigos do Rei entre os anos 1980 e 1990? Bom, a banda apanhou bastante da crítica em 1989 por causa de Uma barata chamada Kafka, música bem humorada lançada numa época em que o rock nacional tendia à seriedade. O lance é que se você pegar Inimigos do Rei (1989) e Amantes da rainha (1990), os dois discos, vai descobrir uma banda bem mais maldita e sinistra em vários momentos – em faixas como Crime, São Business, Garotinha do front e várias outras.
De volta, o grupo tem investido nesse lado, em singles novos como Medo e o novo Vício, que tem participação de Fausto Fawcett. Uma música que “fala sobre uma sociedade que estimula desejos e incentiva a busca por conforto e alívio imediatos. Através de comportamentos compulsivos, qualquer opção pode ser tornar uma via sem volta. A dependência da dopamina fácil, o conforto recorrente, a química que gera euforia ou alienação diante da realidade”, diz a banda, que elenca efeitos, falhas, maus hábitos, manias, vícios de linguagem, “em redes sociais, videogames, compras e sexo”.
O grupo tem rodado o país com a turnê Vem Kafka comigo. A formação da volta inclui a turma da banda em 1991: Luiz Guilherme (voz e letrista), Luiz Nicolau (voz), Lourival Franco (teclados), Marcelo Crelier (baixo), Marcelo Marques (bateria) e Marcus Lyrio (guitarra), além do recém chegado Mário Vitor (guitarra).
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Urgente
Surge vídeo do primeiro show do Heavens To Betsy, em 1991

RESUMO: Surgiu um vídeo de 1991 com Corin Tucker estreando nos palcos pelo Heavens To Betsy, no festival da K Records. A gravação aparece 35 anos depois, junto ao lançamento da coletânea Baby’s gone.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Chloe Aftel / Divulgação
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
Em 1991, festivais de rock independente ainda não eram exatamente uma coisa comum nos Estados Unidos. Mas Calvin Johnson e Candice Pedersen, fundadores do selo K Records, resolveram fazer um acontecer em Olympia, Washington. O resultado foi o International Pop Underground Convention, uma maratona de seis dias com Fugazi, Bikini Kill, L7, Melvins, Built To Spill, Unwound, Beat Happening e mais um monte de bandas.
Só que um dos momentos mais importantes daquele festival aconteceu na Girl Night, noite do evento dedicada às bandas femininas. Foi ali que Corin Tucker, futura vocalista e guitarrista do Sleater-Kinney, subiu ao palco pela primeira vez na vida. E agora apareceu um vídeo desse momento.
Na época, Corin era uma adolescente de Eugene, Oregon, que tinha acabado de completar seu primeiro ano no Evergreen State College. Depois de assistir a shows de Bikini Kill e Bratmobile, ficou com vontade de montar uma banda. Quando alguém perguntou se ela tinha um grupo para tocar no festival, respondeu que sim. Pequeno detalhe: não tinha banda, nem sequer havia composto uma música.
Corin chamou Tracy Sawyer, sua melhor amiga desde o ensino fundamental, para tocar bateria. Nascia o Heavens To Betsy. As duas dividiram a programação daquela noite com Bratmobile, 7 Year Bitch, Spinanes e projetos paralelos de Kathleen Hanna e Tobi Vail, do Bikini Kill. Morrendo de medo, Corin subiu ao palco, tocou duas músicas com Tracy e deixou muita gente impressionada.
O Heavens To Betsy lançaria uma demo pela K Records (a sumida Heavens To Betsy, de 1992), o álbum Calculated (1994, Kill Rock Stars), além de alguns singles, antes de encerrar atividades em 1994. Logo depois, Corin se juntou a Carrie Brownstein para formar o Sleater-Kinney. Tracy seguiu outros caminhos, e as duas só voltaram a tocar juntas neste ano, depois de 32 anos sem shows.
Agora, às vésperas de uma turnê comemorativa norte-americana, a dupla acaba de lançar Baby’s gone, coletânea de 16 faixas que recupera gravações do começo da carreira. Entre elas está uma fita demo registrada em 1992 por Molly Neumann, baterista do Bratmobile, que também escreveu o texto de apresentação do lançamento.
E pra completar o lançamento, alguém encontrou imagens do Heavens To Betsy tocando Seek and hide justamente naquele primeiro show de 1991, que foram parar nesta quinta (15) no YouTube. A música estava na demo, mas nunca apareceu nos discos posteriores. O vídeo é tremido, desfocado e tem aquela qualidade de gravação caseira que não deixa ninguém esquecer a época em que foi feito. Corin parece apavorada, mas já dá para perceber, especialmente no final, a cantora que ela se tornaria.
A banda comemorou o achado:
“Há 35 anos, duas garotas adolescentes subiram ao palco do festival IPU e cantaram músicas sobre amor e menstruação. As outras garotas e os punks da plateia vibraram, e assim nasceu o Heavens To Betsy.
Estamos muito felizes por poder compartilhar essa primeira apresentação com vocês, antes do lançamento de Baby’s gone, amanhã (hoje, no caso),
Baby’s gone reúne nossas primeiras gravações, incluindo oito músicas registradas por Molly Neumann, originalmente lançadas apenas em fita cassete, além dos nossos primeiros compactos de sete polegadas.
Muito obrigada a Rob Jones e à Kill Rock Stars por nos ajudarem a colocar essas músicas no mundo. Depois de todo esse tempo, a história do Heavens To Betsy continua!”.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.








































