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Cultura Pop

E o amor despedaçou Captain & Tenille

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E o amor despedaçou Captain & Tenille

Adivinha só o que a dupla pop norte-americana Captain & Tenille tem a ver com o pós-punk deprê do Joy Division? A princípio, nada, claro. Mas a história diz que Love will keep us together, canção de Neil Sedaka que se tornaria um hit avassalador de Daryl Dragon (o Capitão) e Toni Tenille, foi uma das fontes de inspiração para… Love will tear us apart, sucesso-assinatura do Joy Division.

Você pode conferir nos vídeos abaixo o quanto as músicas ~têm a ver~ uma com a outra.

No livro This searing light, the sun and everything else: Joy Division: The oral history, de Jon Savage, o batera do JD (e depois do New Order), Stephen Morris, lembra que conversava muito com o cantor do grupo, Ian Curtis. E um dos papos foi justamente sobre essa canção. Morris tinha comprado um bootleg da banda The Tubes, e o grupo fazia uma versão-paródia da música, que aparecia no álbum.

“Falei com Ian: ‘Não seria legal eles fazerem uma coisa bem desagradável, em vez de uma canção pop inocente? Algo do tipo ‘o amor vai nos rasgar em pedaços”. De qualquer maneira, acabamos com Love will tear us apart“, afirmou o músico.

Captain & Tenille, que se casaram em 1975, tinham sua carreira musical ligada aos Beach Boys. Daryl Dragon era tecladista de turnê do grupo americano durante a primeira metade dos anos 1970 – adotou o nome artístico de “captain” (além do quepe marítimo) justamente por ser chamado de “capitão dos teclados” pelo beach boy Mike Love.

Dragon havia conhecido Toni quando fez um teste para tocar num musical do qual ela era roteirista. Por intermédio de Daryl, Toni acabou unindo-se à banda de shows dos Beach Boys (foi a única “beach girl” do grupo, no palco). Começaram a trabalhar juntos, a namorar e acabaram formando uma dupla. Em 1975, seriam contratados pela A&M e sairia o primeiro disco, justamente chamado Love will keep us together.

O sucesso de Captain & Tenille durou mais alguns anos, com direito a duas trocas de gravadora – da A&M para o selo disco music Casablanca Records, e desta para a pequena etiqueta Wizard. O casal continuou fazendo shows, manteve projetos solo, fez um show de variedades na TV e até realizava jobs como musicistas de estúdio. Toni chegou a tocar teclados e a fazer backing vocals em The wall, disco do Pink Floyd (1979), quando já era uma cantora pop de sucesso.

No vídeo abaixo ela conta como foi seu primeiro encontro com o grupo em estúdio e lembra que David Gilmour, guitarrista, a surpreendeu dizendo que tinha visto a artista na TV de manhã.

“Pensei logo: o que será que ele estava vendo na TV num domingo de manhã? A gente tinha aparecido num programa infantil chamado Kids are people too. Ele me disse que tinha visto o programa com seus filhos. Até então, eu achava que eles ficavam o dia inteiro fumando maconha”, relata.

A carreira de Captain & Tenille foi passando por altos e baixos, mas o que muitos fãs jamais poderiam esperar é que em 2014, Toni anunciasse seu divórcio do marido, com quem estava casado havia 39 anos.

Curiosamente o casal acabaria tão despedaçado quanto a relação de Ian Curtis e sua esposa (cantada em verso na letra de Love will tear us apart). A separação não aconteceu sem um pouco de roupa suja: Captain decidiu explanar a situação e reclamar da ex-esposa num blog que vinha escrevendo no site oficial do casal.

De uma hora para outra, o casal, cujos últimos hits haviam sido lançados num período em que a moeda corrente no Brasil ainda era o cruzeiro, tinha virado o tópico da vez na imprensa americana. “Felizmente, no dia seguinte, Justin Bieber foi preso por fazer algo em Miami”, chegou a brincar Toni. A história envolveu fofocas das mais variadas e, em 2016, ganhou contornos mais complexos quando Toni decidiu colocar sua vida num livro, Toni Tenille, a memoir.

Estranhamente, a cantora experimentou alguns dos sentimentos descritos por Ian Curtis no hit do Joy Division. O capitão é descrito como um marido fechado, pouco afetuoso, controlador. A “cama de casal fria” da canção do grupo britânico, pelo menos, não existia no dia a dia de Captain & Tenille: o casal sempre havia dormido em quartos separados.

Os ressentimentos cresceram, mas a cantora diz que nunca se sentiu compelida a trair o marido ou a terminar a relação. Revela que Dragon tinha sido criado numa família pouco calorosa, e conta que optou por lidar com a situação como pôde, da maneira que deu – até que não deu mais.

Apesar dos problemas, os dois continuaram amigos e Tenille ajudou bastante Dragon até a morte do ex-marido em 2019, por insuficiência renal. O capitão vinha passando por atropelos na saúde fazia tempo. Na época da separação, Captain estava com tremor essencial (condição similar ao Mal de Parkinson) e o fato chegou a ser explorado por alguns jornais. Toni diz que a durabilidade do casal se deveu ao fato de ela nunca ter deixado de crer que o marido um dia poderia ser quem ela sonhava que ele fosse.

“Nunca conheci um homem que pudesse se adaptar ao lugar dele, apesar de todas as coisas que o tornavam tão impossível de conviver”, explicou.

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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