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Naturezautomática: a história da internet em três minutos e meio em “Vem!”

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Naturezautomática - Foto: Flávio Charchar / Divulgação

E não é que a internet já tem uma “história decadente”? Uma história, por sinal, que envolve CDs de operadoras, promessas de acessos limitados, a luxúria do bate-papo UOL e gente esperando dar meia-noite para navegar (aliás, “navegar”, também faz parte dessa história). Páginas indispensáveis dessa história aí estão no single da banda Naturezautomatica – aliás uma banda bem nova, surgida em 2025.

O Naturezautomatica reúne membros de diversas bandas da cena independente de Belo Horizonte como 4Instrumental, Cães do Cerrado, Jota Quércia e RU NA – só que agora, André “Pepo” Persechini (voz, violão), Leo Bryan (baixo), Raul Lanari (bateria, vocais) e Tiago Sales (guitarra, vocais) buscam referências em estilos brasileiros, folk e rock para cantar sobre as angústias de viver nos limites do “antropoceno tecnológico”, como afirmam. E o single Vem!, uma espécie de jingle tardio para as operadoras dos anos 1990 / 2000, fala justamente das promessas que elas faziam na época, e lembra de quando a internet tinha ares mesmo de “repositório de todo o conhecimento do mundo”.

“A ideia é fazer uma viagem audiovisual pela história da internet, desde seu início como promessa utópica de acesso universal à informação, até sua eventual assimilação pela lógica necroliberal do tecnofascismo das bigtechs”, explica André Persechini, compositor e vocalista do grupo, e autor do clipe da faixa – um passeio pelas mudanças do mundo após o smartphone surgir. O som mescla batida cerimonial, como se fosse um baião pós-punk, e viola caipira.

Vem! tem produção de Fernando Bones e abre caminho para mais alguns singles – que juntos, vão formar um EP previsto para esse ano.

Foto: Flávio Charchar / Divulgação

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Serena grava live session na sala da mãe do vocalista – e ela faz participação

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Serena (Foto: Divulgação)

Voltada para estilos como punk e pós-grunge, a banda paranaense Serena decidiu fazer uma live session “diferente”. Ao vivo na sala da Dona Rachel foi gravado na sala da casa da mãe de Yuri Muller, o cantor e guitarrista… e tem a participação da própria Dona Rachel. A mãe do músico abre a session impondo um limite à banda: tudo tem que acabar até às 21h porque ela quer ver sua novela.

A sessão tem seis músicas do disco da banda, Parque das ilusões (2024), e dura menos de 25 minutos. Mas se você pensa que a brincadeira acabou antes da novela da Dona Rachel, nada disso: a mãe de Yuri vai ficando bem irritada conforme a gravação avança… E já que foi tudo gravado numa sala de casa, a banda aproveitou para usar uma iluminação bem discreta, com câmera bem perto do grupo.

Além de Yuri, a banda tem Jacques Chiba (bateria), Renan Tonello (guitarra e voz) e Alan Fontoura (baixo). A session marca também o fato do Serena finalmente ter virado uma banda, já que o projeto começou em 2020 como uma diversão de pandemia de Yuri, enquanto trabalhava de home office. Parque das ilusões foi gravado inteiramente por ele.

“As composições começaram em 2020, a gravação de todos instrumentos e vozes ficaram pra 2021, a mixagem e masterização deram início em 2022, finalizando em 2023”, conta ele. “Tudo foi criado, tocado, mixado e masterizado por mim no disco. Foram alguns anos de trabalho até a Serena começar a dar as caras nas redes, e também, finalmente achar os membros pra dar vida a essa sonoridade nos palcos”.

Foto: Divulgação

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Andrei Lira reaparece solo com “Abstinência”, e anuncia álbum

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Andrei Lira (Foto: Divulgação)

Às vezes uma estreia solo demora porque a pessoa precisou dar uma volta antes de descobrir exatamente o que queria fazer. Parece ser o caso de Andrei Lira, que acaba de lançar Abstinência, primeiro single de Ao hoje tudo, álbum previsto para sair ainda em 2026.

Quem acompanhava a cena paraibana deve lembrar dele na Tenaz, banda com a qual lançou o EP Sereno, em 2021. Depois do fim do grupo, Lira passou cerca de um ano e meio longe da música. O retorno começou de forma discreta, com a seleção de Caleidoscópio para o Festival de Música da Paraíba, ganhou força com uma turnê viabilizada pela Lei Paulo Gustavo e acabou encontrando um novo impulso quando o músico se mudou para a República 714, coletivo de artistas de João Pessoa.

Abstinência nasceu ainda durante a pandemia e carrega muito daquele período. A música fala de ansiedade, ausência e memória, mas sem transformar esses temas em um grande drama. Com participação do coletivo paraibano Tela Azzu, a faixa mistura rock alternativo e indie enquanto passeia por referências que vão de Fresno e Pitty a Djavan e Arnaldo Antunes, filtradas pela cena musical paraibana.

O single também dá uma boa ideia de como Ao hoje tudo foi construído. Gravado em quatro estúdios diferentes de João Pessoa, o projeto privilegiou um processo coletivo, dando liberdade para que cada músico contribuísse com os arranjos. Faz sentido para um disco que, segundo Lira, gira em torno da ideia de pertencimento — seja à cidade, à cena musical ou às pessoas que fazem parte dela.

O lançamento marca ainda a entrada do cantor no catálogo da Taioba Music, selo paraibano dedicado a artistas do estado. Enquanto o álbum não chega, Abstinência funciona como o primeiro passo.

Foto: Divulgação

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Wander Reisss: trap, guitarras e MPB em “Quem eu sou”

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Wander Reisss (Foto: Divulgação)

O rapper, cantor e produtor paulistano Wander Reisss parece fazer parte de uma geração que já não vê muito sentido em respeitar fronteiras entre gêneros. Seu novo single, Quem eu sou, passa pelo trap, flerta com o rock alternativo e ainda encontra espaço para um sample de MPB dos anos 1980 — uma combinação que soa menos improvável do que parece. Ao lado dele, Med Zentorno faz as vozes no refrão, e Ciamatto toca a guitarra da música.

Reisss produz beats desde 2016, mas só recentemente passou a investir de vez na carreira como artista, colocando a própria voz em primeiro plano. Integrante da Matilda Records, coletivo da zona leste de São Paulo, ele vem construindo uma identidade que aproxima referências do rap nacional dos anos 2000 e 2010, rock, metal e música brasileira sem tratar nenhuma delas como mera citação.

Em Quem eu sou, essa mistura aparece de forma bem direta. A base parte de um beat de plug, subgênero do trap conhecido por instrumentais mais melódicos, sintetizadores brilhantes e clima quase etéreo — um estilo que surgiu na cena de Atlanta no fim dos anos 2010 e acabou ganhando força entre artistas que preferem atmosferas mais leves às batidas pesadas do trap tradicional. Sobre essa estrutura entram solos de guitarra, vocais intensos e uma energia que remete ao rock de arena.

A letra também evita o caminho mais óbvio. Em vez de transformar uma desilusão amorosa em lamento, Reisss fala sobre seguir em frente, reafirmar a própria identidade e deixar o passado para trás. E a referência do rock fica maisevidente no clipe. Inspirado pelo visual extravagante do glam metal dos anos 1980, o vídeo busca referências em bandas como Bon Jovi e Mötley Crüe, levando o espírito exagerado da época para um contexto bem mais próximo do trap brasileiro atual.

Foto: Divulgação

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