Antes de falar dos Bee Gees, vamos lembrar de uma historinha do começo dos clipes. Em 1975, em plena turnê, o Queen estava sem tempo de ir ao Top of the pops dublar seu hit mais recente, Bohemian rhapsody. Mas resolver “ir” ao programa sem ir: mandou uma das primeiras produções que realmente merecem ser chamadas de clipes, antes do termo ganhar tal vulto e numa época em que filmes ou vídeos com músicas de artistas eram chamados de “promos”. Era o protoclipe de Bohemian rhapsody.

O quarteto usou seu estúdio de ensaios, um caminhão de externa, os serviços do diretor Bruce Gowers (que já havia feito um vídeo da banda no Rainbow Theatre em 1974) e gastou pouco mais de quatro mil libras para fazer o clipe (er, promo) da faixa, feito em 10 de novembro de 1975 durante quatro horas.

A ideia era reproduzir o clima da capa do disco Queen II, de 1974, e abusar de efeitos. E a suprema novidade é que, desta vez, não havia “filme promocional”: o suporte era vídeo. Perfeito para televisão, e mais perfeito ainda para ajudar a estourar uma canção que a própria gravadora do grupo não punha lá tanta fé – afinal como assim a rádio vai tocar uma música de quase seis minutos?

MÚSICA NO VÍDEO

O formato vídeo passou a dar bastante certo para lançar músicas novas, bem antes da MTV. Não só isso: o telefone de Gowers, um sujeito que vinha desenvolvendo boa experiência na cobertura de eventos em vídeo, não parou mais de tocar. Rod Stewart pediu a ele um clipe para Tonight’s the night, os Rolling Stones quiseram Gowers por trás dos promos do disco Black and blue (1976) e o 10cc ocupou um cenário brega no estilo Qual é a música para gravar o vídeo de I’m not in love, com ele na direção.

BEE GEES

Acabou que uma das bandas que resolveu bater um fio para o diretor foi justamente os Bee Gees. Stayin’ alive, segundo single da trilha de Os embalos de sábado à noite, já estava nas lojas e trazia uma letra bem mais, er, sócio-política do que o filme fazia supor (era um discurso a respeito da sobrevivência nas ruas de Nova York). E para divulgar a faixa, o trio convocou Gowers para fazer logo dois clipes.

O primeiro trazia a banda andando pelas ruas cenográficas do MGM Studios em Culver City, Califórnia. O cenário era o mesmo onde eles já estavam filmando o super-fracasso Sgt Pepper’s Loney Hearts Club Band, produção da mesma gravadora da banda, RSO, que trazia uma turma de nomões atacando o repertório dos Beatles, alguns impiedosamente. O mesmo “local” foi usado em produções como Os três mosqueteiros, filme de 1948 dirigido por George Sidney.

O segundo clipe traz a banda dando uma de Queen. Foi feito em estúdio, com imagens que lembram vagamente as mesmas feitas pelo diretor para o clipe de Bohemian rhapsody, e um enxerto de imagens das ruas de Nova York (que também passaram por um grafismo psicodélico de araque). A estética com certeza inspirou um monte de outras produções, até mesmo aberturas de novelas dos anos 1980. Esse clipe é bem menos conhecido que o outro.

Um detalhe interessante para quem é muito fã do trio é que Barry Gibb aparece sem barba.

Via João Antonio Franz

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