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Prince: dez anos após a morte do cantor, sai semi-inédita dele

O arquivo de Prince segue rendendo novidades — e a mais recente vem direto de 1991. With this tear, gravação inédita feita em estúdio em novembro daquele ano, apareceu oficialmente agora, numa data simbólica: dez anos após a morte do artista, que saiu de cena em 21 de abril de 2016, em sua propriedade Paisley Park em Chanhassen, Minnesota, aos 57 anos, devido a uma overdose acidental de fentanil.
A faixa tem aquele clima de laboratório que ele dominava bem no início dos anos 1990, período de trabalho intenso no Paisley Park Studios. Aqui, Prince faz tudo sozinho: compõe, toca, organiza — deixando entrever seu próprio processo criativo. A versão lançada agora passou pelas mãos de Chris James, colaborador antigo, e ganhou retoques discretos de synths e arranjos orquestrais com supervisão de Clare Fischer.
Detalhe é que não se trata de uma música inédita: ela acabou nas mãos de Céline Dion, que gravou sua própria versão em 1992, num esquema mais próximo das rádios tipo JB FM / Antena 1 (adulto contemporâneo, essas coisas). Com o autor, a música vai na direção oposta da de Céline: minimalista, com falsete em destaque e instrumentação enxuta. A Rolling Stone, ao falar da faixa, destacou que ela tem “vocais apaixonados que capturam uma sensação de saudade e vulnerabilidade” (é verdade).
O clipe da faixa, por sua vez, abre om um trecho da época do filme + disco Purple rain (1984) no qual Prince reflete sobre suas aspirações artísticas em relação à visão de igualdade de Martin Luther King Jr.: “Quando eu era mais jovem, sempre dizia que um dia tocaria todos os tipos de música e não seria julgado pela cor da minha pele, mas pela qualidade do meu trabalho. Espero que isso continue”. No vídeo, há também imagens em preto e branco da mãe de Prince, tiradas em outubro de 1958, e fotos do cantor, clicadas em maio de 1960, junto com trechos de apresentações e destaques de videoclipes.
Agora o que interessa é: essa música vai adiantar algum disco inédito? A resposta é sim, já que o espólio de Prince planeja um disco inédito para o fim do ano. With this tear, inclusive, já estava nos planos da equipe do cantor havia tempos: foi considerada para inclusão no álbum Diamonds & love, proposto para 2022, mas acabou sendo descartada.
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Beck lança single novo, anuncia turnê, e diz que tem “material suficiente para vários álbuns”

Parece que depois de lançar o EP Everybody’s gotta learn sometime, só com covers (resenhamos aqui) Beck curtiu de verdade voltar ao lado mais introspectivo do seu trabalho. O novo single, Ride lonesome, foge completamente do lado mais energético do trabalho do artista norte-americano – é uma balada country mais associável a Rolling Stones, Black Crowes e Tom Petty, mas com o vocal tranquilo dele.
Por acaso, Beck uniu-se novamente com a turma que trabalhou no disco Sea change (2002), um dos mais elaborados de sua discografia: Jason Falkner e Smokey Hormel na guitarra, Joey Waronker na bateria e o produtor Nigel Godrich, que mixou Ride lonesome.
O clipe da faixa, dirigido por Mikai Karl e pelo próprio Beck, é melancólico demais pro coração de muita gente: o cantor de Loser caminha solitário por estradas e ferrovias, pede carona a um caminhoneiro, observa uma paisagem desoladora onde só há moinhos de vento e faz cara de tristeza profunda toda vez que é focalizado pela câmera. Num papo com Robin Hilton na rádio NPR, Beck revela que a canção veio de um período bastante solitário.
“Foi uma daquelas fases da vida em que você está refletindo sobre o seu passado e para onde está indo. Sabe, quando você está passando por momentos difíceis, muitas vezes você precisa superá-los sozinho”, contou. “Você simplesmente precisa seguir em frente, seja qual for o cenário da sua vida e as circunstâncias em que se encontra. E acho que é esse conforto, ainda que sombrio, de persistir nas partes da vida que talvez não sejam tão confortáveis ou fáceis, e ter uma fé distante de que isso vai te levar para o outro lado”.
Os tais moinhos de vento no clipe não foram propositais: o cantor simplesmente não havia percebido o excesso deles na paisagem, mas depois viu que havia um significado naquilo. “Eu estava pensando em Dom Quixote e no aspecto da música de perseguir moinhos de vento. Acho que você está sempre tentando encontrar aquele ‘inalcançável’. E, sabe, acho que isso é algo que te acompanha pela vida toda. Você sempre sente que está tentando descobrir”, diz.
“É como o instinto de apostador, sabe, as pessoas que brincam na máquina de pegar bichinhos de pelúcia para tentar ganhar o prêmio. É assim com a música para mim. Eu acho que consigo pegar o prêmio, e vou soltá-lo para ganhar. E, sabe, está sempre a um prêmio de distância. Você nunca consegue. Às vezes é decepcionante. Às vezes supera as expectativas. Mas minhas músicas nunca são exatamente como eu as imaginei”, conta Beck, que anunciou também a turnê Ride lonesome (datas abaixo).
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Mas e aí, Beck? Tem disco novo vindo por aí? Bom, depois da covid, ele precisou esperar alguns anos para voltar a trabalhar direito. Montou um estúdio, colaborou com Gorillaz, Paul McCartney e Black Keys (boa parte do disco Ohio players, de 2024, foi feita com ele), e tem “vivido a vida”. Mas Beck garante que tem “material suficiente para vários álbuns que provavelmente ninguém nunca vai ouvir, mas espero que isso leve a algo”.
“Tenho muitos projetos em andamento. Tenho estado bastante no estúdio, intermitentemente, nos últimos quatro anos com a minha banda. Há um grupo de músicos que formei e que foi minha banda de turnê em muitos dos meus primeiros discos. E todos seguiram para projetos maiores e melhores, mas ainda nos reunimos e conseguimos alguns dias aqui e ali para fazer música. E sim, tenho muitos projetos diferentes que quero realizar, então espero que haja tempo para me dedicar a todos eles”, diz.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Autumn De Wilde / Divulgação
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O sucesso do Geese é fabricado? Reportagem da “Wired” diz que tudo não passou de uma campanha

Tem uma história curiosa acontecendo em torno do Geese – e ela diz bastante sobre como música circula hoje. No fim de 2025, a banda saiu de um circuito relativamente nichado para um lugar de visibilidade quase total dentro do rock alternativo. O disco novo virou presença constante em listas de melhores do ano, a turnê lotou, vieram convites para televisão e festivais grandes. Aquela narrativa clássica de “banda que explodiu” parecia pronta, com direito ao jornal The Guardian chamando o grupo de “os novos salvadores do rock’n roll”.
Só que, junto com o hype, veio a desconfiança. Não exatamente sobre o som (defendido por vários críticos e até pelo Pop Fantasma), mas sobre a velocidade com que tudo aconteceu. Quando uma banda dá um salto tão grande em tão pouco tempo, o público começa a procurar explicações além do talento ou do acaso.
A resposta apareceu meio sem querer, num episódio do podcast On the record, da Billboard – e ressurgiu há poucos dias numa reportagem da revista Wired. Do tal episódio, gravado ao vivo no SXSW, participaram Andrew Spelman e Jesse Coren, da Chaotic Good Projects – uma empresa que, segundo seu instagram, oferece “experimentos digitais e caos musical”. No bate-papo, os dois explicaram como a firma usa métodos de marketing viral.
A lógica é simples (e acontece a três por dois, até mesmo no Brasil): criar redes de perfis em plataformas como TikTok, espalhar vídeos, inserir músicas como trilha, estimular comentários e fazer parecer que existe um burburinho orgânico. Não necessariamente com robôs inflando números, mas com pessoas operando várias contas, simulando conversas, criando a sensação de que “todo mundo está falando disso”.
“Neste momento, conseguimos gerar impressões sobre qualquer coisa”, disse Spelman à Billboard. “Sabemos como viralizar. Temos milhares de páginas”. Spelman apelidou o tal processo de “simulação de tendências”. E as próprias campanhas são chamadas pela Chaotic Good de campanhas “narrativas” ou UGC (o famigerado “conteúdo gerado pelo usuário” que movimenta várias empresas em torno de influencers e criadores de conteúdo).
Essa engrenagem não foi inventada agora, mas ficou mais explícita. E, no caso do Geese, Adam Tarsia, cofundador da Chaotic Good, confirmou à Wired que sua empresa criou campanhas para Geese e para a carreira solo do cantor Cameron Winter. Nada que, por si só, seja ilegal ou exatamente raro – só que o modo como isso é feito hoje beira uma espécie de encenação coletiva. A tendência não nasce sozinha: ela é montada.
“Ajudamos a distribuir vídeos deles se apresentando e dando algumas entrevistas no TikTok”, disse Tarsia à Wired por e-mail, falando em nome da Chaotic Good. “Entendo que a discussão sobre ‘artistas fabricados pela indústria’ seja inevitável, mas temos o prazer de ser fãs do Geese desde o projeto deles de 2021, Projector” (lançado quatro anos antes da fundação da Chaotic Good, conforme Adam até citou no papo com a revista).
Esse papo começou a rolar mais seriamente no dia 1º de abril (e veja lá que dia!), quando a cantora Eliza McLamb publicou em sua newsletter um texto chamado Fãs falsos, traçando a conexão entre Geese e a Chaotic Good, e discutindo sobre a ética duvidosa desse tipo de marketing.
“Se 100 pessoas acham sua música ruim, a Chaotic Good vai criar 200 pessoas que acharão sua música incrível”, contou ela, que chegou a temer por ameaças do fandom da banda, quando o texto começou a circular. Na real, a primeira reação da Chaotic Good foi fazer mudanças em seu site: removeram menções a artistas específicos (Geese e Cameron Winter entre eles) e as referências a “campanhas narrativas”.
“Foi para que nossos artistas parceiros não se envolvam em falsas acusações ou concepções errôneas sobre como suas músicas foram descobertas”, disse Adam Tarsia a Wired. “Grande parte do discurso online sobre ‘campanhas narrativas’ não correspondia à realidade. Na prática, as campanhas narrativas consistem principalmente em consultoria de estratégia de relações públicas digitais”. Ele também diz que as campanhas da firma “nunca usam estratégias que envolvam a inflação artificial de números de streaming ou de mídias sociais”.
Quando essa informação começou a circular, a reação foi previsível. Parte do público se sentiu enganada. Outra parte tratou como algo inevitável. E talvez seja esse o ponto mais incômodo: não é um escândalo isolado, é um método. A Wired até enfatiza que “é um segredo aberto na indústria da música que todos os números – reproduções, seguidores, estatísticas – são falsos ou, pelo menos, distorcidos”.
A publicação também diz que situações como essas colocam artistas independentes em um lugar meio ingrato. Afinal, quando um artista pop é vendido a custo de jabá, ninguém nem fala mais nada – já com bandas indie, de quem geralmente se espera “atitude”, “dignidade” e trabalho de formiguinha, o lance é bem outro (como se fosse possível crescer sem estratégia, vá lá).
Por acaso, o portal G1 deu uma reportagem de Guilherme Lucio da Rocha falando sobre um outro tipo de estratégia que está sendo usada largamente por artistas brasileiros: dar poucas entrevistas (ou nenhuma) e evitar a imprensa como mediadora entre o artista e seu público.
Muitas vezes os discos são apresentados em eventos só para fãs, e depois para jornalistas – e os bate-papos normalmente rolam em coletivas, quase nunca individualmente. Uma estratégia de blindagem que é uma espécie de “prima de humanas” do falseamento de dados.
Afinal, fica pro fã (que é fã) a função de cobrir o artista de elogios. E na real, até pelo cronograma apresentado pela reportagem do G1, o jornalista só iria ter acesso ao álbum quando o artista já estivesse convencido de que seu disco é o novo Pet sounds (e o fandom já tivesse coberto a web de adulações).
Enfim, mercado fonográfico é sempre um “eita” atrás do outro. Até o momento o Geese não falou do assunto – já a Chaotic Good é tão discreta nas redes que seu instagram tem apenas uma foto.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Geese): Mark Sommerfield / Divulgação
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Festival AFROPUNK Brasil anuncia jornada por três capitais e primeiros nomes do line-up

O festival AFROPUNK Brasil já deixou de ser só um festival para virar um circuito – e a edição 2026, que revela seus primeiros nomes agora, confirma não só isso, como também a visão da música negra como ponto de encontro entre cenas, gerações e lugares.
O festival vai passar por três capitais: a agenda começa pelo Rio de Janeiro, no Terreirão do Samba, dia 27 de junho, com o formato “Experience”, que vai rolar também no Recife, no dia 12 de setembro, na UFPE. São duas passagens de aquecimento para a edição principal, que rola em Salvador, nos dias 7 e 8 de novembro, no Parque de Exposições. A ideia é conectar cenas, e equilibrar expansão e identidade.
No line-up, Jorja Smith surge como principal atração internacional, num momento em que seu som já está mais sólido. Do lado brasileiro, Gilberto Gil aparece como símbolo de continuidade, vindo de uma turnê que celebrou décadas de carreira, enquanto Emicida segue reafirmando seu papel como articulador de ideias dentro do rap.
Ainda entre os nomes brasileiros, Gaby Amarantos leva seu tecnobrega turbinado de estética pop, enquanto Lazzo Matumbi entra como figura central de uma linhagem mais profunda da música baiana, ligada à construção do samba-reggae e de uma identidade negra afirmativa no Brasil. E NandaTsunami virá como um dos nomes novos, misturando rap, funk e vibe fashion, e mostrando o repertório do debute É disso que eu me alimento, lançado no ano passado.
“Expandir o AFROPUNK Brasil para novas cidades é também ampliar as conexões entre culturas, territórios e pessoas. Ao mesmo tempo, Salvador segue como o centro dessa história – é onde o festival se consolidou e onde mantemos nossa base. Encerrar essa jornada com dois dias na cidade é reafirmar essa relação enquanto o projeto cresce. O AFROPUNK nasce desse encontro e se fortalece ao dialogar com diferentes realidades sem perder sua essência”, afirma Ana Amélia Nunes, sócia e diretora de conteúdo da IDW Entretenimento, realizadora do festival.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Gilberto Gil): Ricardo Stuckert / Divulgação








































