Connect with us

Urgente

E o single novo dos Foo Fighters? (e a tal entrevista-bomba do Dave Grohl?)

Published

on

Foo Fighters (Foto: Elizabeth Miranda / Divulgação)

RESUMO: Dave Grohl abre o jogo sobre traição, terapia e obsessão por validação, mas evita polêmicas com os Foo Fighters em entrevista ao The Guardian.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Elizabeth Miranda / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Eis que surge o colapso, movo-me em duas direções / movo-me em complicação, aguardando a encruzilhada / quero voltar atrás, ninguém aqui é verdadeiramente livre / considerem isto uma emancipação de toda a minha confusão”. Não foi à toa que Dave Grohl, dos Foo Fighters, escolheu o lançamento do single Caught in the echo para abrir o coração e dar sua primeira grande entrevista a um jornal desde que – como diz o próprio texto do The Guardian, assinado por Ben-Beaumont Thomas – “teve um filho fora do casamento”.

O tal papo com o The Guardian trouxe Grohl disposto a falar de algumas coisas e não de outras. A assessoria de imprensa dele tinha avisado o repórter que o músico não falaria sobre a dispensa do baterista Josh Freese dos Foo Fighters – uma história que já rendeu mais do que uma novela inteira. Grohl confessou que tem feito terapia (pelas contas dele, já foram “430 sessões de terapia”) e diz que teve que “desligar tudo, inclusive a preocupação com o que os outros pensam”, para poder falar da sua infidelidade nas redes sociais.

Grohl também disse que se tornou um “viciado em conquistas” e que sentia que precisava aproveitar todas as oportunidades. É algo que ele credita a ter sido criado “nos subúrbios da Virgínia com uma professora da rede pública como mãe” (ele não relaciona a pulada de cerca com o tal vício, aliás). Child actor, uma das faixas do disco dos Foo Fighters que sai nesta sexta, Your favorite toy, fala por sinal na necessidade monstruosa de validação de Grohl.

“É como um fantasma faminto, um monstro insaciável que você se esforça ao máximo para saciar”, afirma. “Mas se você finalmente se sentar consigo mesmo e considerar a humildade, a gratidão e a empatia… você pode se livrar de toda a besteira e encontrar aquelas poucas coisas que são mais importantes”.

Sobre a história de Freese, Thomas não se deu por vencido e foi perguntar ao baixista Nate Mendel sobre o assunto. Mendel confirma que a demissão de Josh rolou sem que nenhum tipo de justificativa fosse dada ao músico, e que a banda apenas tomou a decisão que achou melhor pra todo mundo.

“Entrar em detalhes pessoais (com Freese), sobre por que as coisas não se encaixavam, não parecia que beneficiaria ninguém. Às vezes, é melhor simplesmente dizer: ‘Isso é o melhor para nós e vamos seguir em uma direção diferente’”, diz o músico, que também falou sobre como anda Grohl depois que sua infidelidade chegou a público. “Ele está colocando as aspirações da banda em um patamar diferente, em termos de ambição. Há outras coisas que têm mais destaque: a vida fora da música”.

Vai daí que, depois da entrevista, fica difícil até não ouvir Caught in the echo com outros ouvidos: seria a tal “emancipação da confusão” uma referência às sessões de terapia? Musicalmente, Caught é mais uma entrada na tal história de que Your favorite toy, o próximo álbum, seria a “volta dos Foo Fighters ao punk”: a música lembra o som de bandas como Fugazi e Flipper, mas tudo trilhado no corredor do rock de arena. Por sinal, Your favorite toy, a música-título, tem um som entre o The Cure e o Hüsker Dü, algo entre o college rock e o pós-punk. Ao que tudo indica, vem pelo menos um disco importante e interessante do Foo Fighters aí.

Urgente

Elephant Run solta seu monstro interior em “Little monster”

Published

on

Elephant Run - Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

RESUMO: Em Little monster, a banda sueco-brasileira Elephant Run explora impulsos reprimidos em single teatral com clipe de terror que antecipa o álbum Infrared.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Rodrigo Erib / Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O pequeno monstro do Elephant Run está cansado de ficar preso dentro de alguém que considera comportado demais. Em Little monster, single da banda sueco-brasileira, é ele quem assume a voz e reclama da pessoa que o mantém escondido. Impulsivo, desinibido e pouco interessado nas regras da convivência, o personagem conduz uma música de origem teatral, que antecipa Infrared, álbum previsto para 2027 pelo selo +um HITS.

A ideia vem de uma composição antiga de Amanda Wahlström Plantin, vocalista e pianista do grupo. Ela tinha vinte e poucos anos quando começou a trabalhar na faixa, então mais próxima do cabaré e inspirada por The trial, aquela orquestral última faixa do disco duplo The wall, do Pink Floyd (1979). Nos ensaios, a música ganhou outros arranjos e uma nova letra. O humor caricato deu lugar a um incômodo mais pessoal: o que fazer com esse lado da gente que quer sair e não liga pra convenções sociais?

“A música de hoje é completamente diferente daquela versão antiga. O que ficou foi a ideia de um ‘little monster’ dentro da gente, que tentamos controlar ou manter escondido, mas que quer sair. Na versão nova, o monstro acabou virando um personagem, um lado mais impulsivo, desinibido, meio vulgar e pouco preocupado em se comportar. Ele é o protagonista e é ele quem conta a história. Está preso dentro de uma pessoa que considera chata e contida demais e passa boa parte da música reclamando disso”, conta Amanda.

Little monster é o segundo single do próximo disco. Além de Amanda, o Elephant Run reúne Fernando Coelho (guitarra e sintetizadores), Ladislau Kardos (bateria) e Renato Cortez (baixo). A banda levou o personagem para um clipe dirigido por Fábio Knoll e pelo próprio grupo, filmado no teatro Arka dos Anjos, em São Paulo.

Amanda interpreta uma criatura cuja mordida transforma humanos em monstros. As referências incluem A maldição da besta, de Paul Naschy, e Um lobisomem americano em Londres, de John Landis, num cenário gótico que aproveita o gosto da banda pelo cinema. Amanda e Ladislau também são atores, e ajudaram os colegas a entrar na brincadeira. Outras ideias surgiram nas conversas durante a filmagem.

Fernando, o guitarrista do grupo, idealizou e produziu o vídeo e assina a colagem da capa. O vermelho acompanha o que ele define como uma música quente, enquanto os pássaros representam entidades brasileiras protegendo a personagem de um olhar externo.

Confira abaixo a capa e o clipe de Little monster.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Urgente

Solarski estreia com pós-punk tenso e crítica às guerras em “Do you need a riot?”

Published

on

Solarski - Foto: Shoot Me Again Webzine

RESUMO: O trio belga Solarski estreia com Do you need a riot?, single de pós-punk tenso e guitarras cortantes que critica guerras, interesses econômicos e manipulação.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Shoot Me Again Webzine

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“Não nos ponha numa caixinha. Somos o Solarski”. É assim que o trio belga Solarski se apresenta, deixando claro que não está muito interessado em rótulos. Mas dá para começar pelo pós-punk, que aparece com bastante força no single Do you need a riot?, primeiro single da banda, formada na região de Namur, na Bélgica. O som é tenso, nervoso, com baixo pulsante, bateria insistente, guitarras cortantes e um vocal áspero, quase sempre no limite entre cantar e gritar.

O Solarski é formado por três músicos experientes, que dividem baixo, guitarra e bateria. Os integrantes já passaram por palcos importantes da Bélgica, como o Cirque Royal, o Botanique e o festival Dour, em projetos anteriores. Agora, apostam num som que mistura pós-punk e indie rock, mas com uma urgência que lembra mais uma banda tocando à beira de um ataque de nervos. Há pouco espaço para descanso: a música avança com uma tensão quase permanente, sustentada por uma cozinha pesada e guitarras que parecem querer aumentar ainda mais a pressão.

E o assunto não é dos mais tranquilos. Do you need a riot? (“Você precisa de uma revolta?”) fala de um mundo em que guerras e conflitos parecem cada vez menos ligados a ideais e cada vez mais aos interesses de quem controla petróleo, dinheiro e recursos naturais. A letra mistura referências a guerras econômicas e religiosas, manipulação de informações e uma ordem mundial que parece ter perdido qualquer regra. No refrão, a banda repete uma frase simples, quase como palavra de ordem: “Não precisamos de guerra”.

“Queríamos escrever uma música que não dissesse às pessoas o que pensar, mas que as obrigasse a perguntar quem tem interesse em ver o mundo pegar fogo”, explica o trio.

Gravada, mixada e masterizada pelos próprios integrantes, Do you need a riot? é a primeira amostra do álbum de estreia do Solarski, ainda sem data anunciada. A banda prefere não ser colocada numa caixinha, mas já dá para perceber que o pós-punk é sua arma para falar de um mundo que anda difícil de engolir.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Urgente

Smile: poesia falada e desespero punk em “Gotta run”

Published

on

Smile (Foto: Divulgação)

RESUMO: Em Gotta run, o Smile mistura punk, pós-punk e poesia falada numa música sobre traumas e sobrevivência. Single antecipa o álbum Gun-shy, de 2027.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

O Smile tem uma vocalista que diz preferir “entoar suas histórias poéticas, repletas de reflexões pessoais” em vez de simplesmente cantar. Mas é bom não se acostumar: no single Gotta run, Rubee True Fegan começa com uma voz blasé, quase falada, e depois solta o desespero. A banda acompanha com um som elegante e ruidoso, mais punk do que pós-punk (embora definam-se como pós-punk), até mudar de assunto no meio da música. Ou melhor: mudar a maneira de tratar o mesmo incômodo.

Formado por amigos durante a pandemia, o grupo reúne músicos dos Estados Unidos e da Alemanha, hoje espalhados por Amsterdã, Berlim e Colônia. Rubee, também artista performática, põe histórias e reflexões pessoais em letras que nem sempre precisam de uma melodia para funcionar. O EP I hate it here (2022) e o álbum Price of progress (2023) apresentaram esse encontro de poesia falada, guitarras e vontade de experimentar.

Gotta run antecipa Gun-shy, segundo álbum, que sai em 22 de janeiro de 2027 pela Siluh Records. A faixa começa correndo, com bateria rápida e uma urgência que combina com o título. Depois desacelera e vira quase outra música, mais arrastada e cheia de tensão. Rubee levanta a voz, e aquela aparente indiferença do começo vai para o espaço. A fuga ganha um peso que a velocidade inicial ainda permitia disfarçar.

A letra trata do que um sistema violento ensina ao corpo, inclusive depois que a pessoa consegue escapar. Sair de um lugar não resolve automaticamente o que ele fez com você: sobram reflexos de defesa, medos e hábitos que acabam entrando nas relações amorosas e familiares. Dá para desaprender o que foi necessário para sobreviver?

No clipe, Rubee circula por Albuquerque, sua cidade natal (no Novo México), vestida de poodle rosa. A figura absurda atravessa uma paisagem marcada por desigualdade, carros e ruas, com imagens de câmera de mão. O disco foi gravado com Olaf Opal em Colônia, aproveitando demos feitas também em Albuquerque e preservando algumas primeiras tomada. Tudo com uma boa dose de aspereza.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Acompanhe pos RSS